Rosa Caveira, uma Pombo Gira do Oriente?

São tantas as histórias e curiosidades sobre as entidades que as vezes ficamos perdidos, mas vale a pena conhecer e avaliarmos todos os pontos, quer curiosos ou não, no mais, se não por estudo profundo então por uma leitura agradável, eu os convido a leitura.

Dona Rosa Caveira – Lenda Oriental

Dona Rosa Caveira Uma Pomba Gira nos Himalaias

Por Edmundo Pellizari

Dona Rosa Caveira é um mistério só. Pomba gira pouco conhecida, tem reputação de maravilhosa curandeira e aspecto inquietante. Nas imagens populares, ironicamente difíceis de encontrar no Brasil, ela exibe um corpo meio esquelético e meio humano coberto com capa e capucho. Nos meios tradicionais é dito que ela é a “esposa” de Seu João Caveira, exu da “Velha Guarda” do cemitério e Chefe da Linha dos Caveiras, um grupo de servidores fiéis e muito prestativos.

Em conversa ao pé do congá, com alguns irmãos de fé que também circulam pelos caminhos de algumas religiões de origem bantu (Kimbanda, Cangerê, Cabula), ouvi que Dona Rosa Caveira é protagonista de inúmeras lendas. Uma delas conta que Rosa nasceu no Oriente. Sétima filha de uma simples família do campo, desde cedo aprendeu com seus pais as artes da cura, pois eles eram afamados xamãs. Sua falecida avó foi sua primeira guia espiritual. Em sonhos, a querida alma da ancestral instruia e aconselhava a neta. Rosa era uma menina privilegiada.

Aos dezenove anos ela conheceu um xamã muito mais velho. Eles se apaixonaram e casaram. Ela então começou um período muito intenso de atendimento espiritual aos cidadãos de sua vila e arredores. Sua vida transcorreu cheia de méritos e bênçãos. Rosa morreria depois de seu marido, saboreando o prazer de uma existência dedicada os mais necessitados.

Outra lenda nos conta o segredo de seu nome. Ao redor da casinha onde sua família morava existia um roseiral selvagem. No final da gravidez, sua mãe não teve tempo de pedir ajuda à parteira local e a menina nasceu ali mesmo. Daí o nome: Rosa. Por que caveira? Em certas regiões do Oriente, sobretudo na Índia, Tibet e Butão, alguns xamãs e yogues utiizam a caveira humana como um cálice ritual. A caveira, assim utilizada, não está relacionada com magia negra ou qualquer arte malévola. No Budismo Tibetano os Lamas utilizam uma caveira como cálice. Também fazem um pequeno tambor com duas metades de caveira.

Na Índia ele é chamado de Damaru e a caveira de Kapala. Quando conheci a lenda de Rosa Caveira, imediatamente percebi a conexão com as tradições yogues e tibetanas. Na minha imaginação eu “vi” a grande mestra sentada numa alta montanha, segurando uma caveira e em profundo estado de meditação. Seria Rosa Caveira tibetana? Pode ser que a lenda tenha se ocidentalizado e a planta original, que poderia ser o lótus, tenha se transformado em rosa. Neste caso seu nome seria Pema em tibetano. Em sânscrito, seu nome espiritual seria Kapalapadma (Lótus Caveira).

Na tradição budista e mágica do Tibet, Mongólia e arredores, existem muitas histórias e lendas com as mesmas características das aqui mencionadas. O fato é que como Pomba Gira brasileira, na gira do dia-a-dia dos terreiros, Rosa Caveira é um pouco diferente de suas irmãs. Ela não se firmou como “mulher da vida” ou errante marginal. Mas se perpetuou como curandeira poderosa e ponte entre os diversos reinos do astral. Uma outra curiosidade circunda esta Pomba Gira. Rosa Caveira trabalha e vibra no cemitério. Em algumas tradições orientais, as mesmas mencionadas acima, certo grupo de adeptos utiliza o cemitério para trabalhos espirituais de cura e transformação. Eles são chamados de Kapalikas ou portadores da caveira! As mulheres do grupo, além da caveira transportam um tridente.

Certa vez eu estava caminhando com um amigo indiano pelas ruas do centro de São Paulo. De repente, diante de uma loja de artigos religiosos, ele literalmente ficou paralisado! Uma grande e vermelha estátua de Pomba Gira estava diante de nós. Nua, majestosa, segurando um tridente e com uma caveira nos pés. Shivaji, meu amigo indiano, se curvou aos pés da imagem e disse: “Trishula Kapala Ma! O que você faz aqui?

” Trishula Kapala Ma”  é a Mãe do Tridente e da Caveira, uma representação do feminino sagrado que pode rondar os lugares de cremação. Ela destrói os fantasmas malignos e os demônios, come as ilusões humanas e resgata as almas das mãos dos seres das trevas. Seu aspecto pode ser “terrível”, mas a luz e a bondade emana de seu coração. Atrás do aspecto funesto de Rosa Caveira com certeza brilha a mesma luz. Nela se encontram o Oriente e o Ocidente, o vermelho e o branco, a vida e a morte. Espero ter a humildade de Shivaji e também sempre me curvar diante do sagrado feminino.

Interessante não!?

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11 comentários sobre “Rosa Caveira, uma Pombo Gira do Oriente?

  1. Para um ser dedicado a cura e pratica da caridade quando encarnada, como foi parar na linha das pombo giras que abriga espiritos que tiveram um estagio nos mundos inferiores, ou seja nas trevas, não deveria ela estar em uma esfera luminosa??

    • Olá Luis, Em primeiro lugar é preciso entender que, o que nos direciona as esferas diferenciadas não são apenas nossos atos, mas um conjunto, atos, pensamentos, palavras, posturas…enfim, sendo assim, podemos dizer que nem todos os médicos escenderão em primeira instãncia, da mesma forma quem pratica caridade para com outros e esquece de si. No caso da Rosa Caveira e todos os outros Exús de Lei, há que se explicar que não são seres trevosos, apesar de atuarem no plano inferior, são Entidades de Luz, não se aplicando a Eles a atribuição que é dada aso demonios católicos ou judáicos. Por fim, trata-se de que todo espírito deve passar por fases que propiciem o cumprimento de sua missão veradeira, daí, muitos iniciarem o processo na linha de Exús, pois, a esmagadora maioria dos seres humanos, ainda não tem como ascederem diretamente a planos mais elevados de evolução, mais isso é um assunto extenso e requer paciencia e estudo. Espero ter ajudado Axé. Adriano D’Ogum Sacerdote de Umbanda.

  2. gostei de mais da historia da rosa caveira,uma pena que eu não conheço niguem q trb com o guia dela para poder ter uma consuta comela.

  3. Gostaria de saber sobre a história. E tudo oque vocês sabem sobre a POMBO GIRA MARIA MARABÔ.

    Grato Bernardo

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