O descontentamento não existe só na Umbanda

Axé  Irmãos,

Muito temos ouvido sobre o descontentamento de umbandistas com relação ao que se é pregado em nossos cultos, Giras, Trabalhos e etc, das diferenças e até mesmo o ilusionismo com que se é tratada a” Magia Divina” e seus caminhos.   Muito são os que se digladiam, cada qual querendo impor sua “Tradição Doutrinária”, certos de que não poderia existir outra forma de entendimento das questões Divinas para Umbanda, e falam e dizem e contam….no entanto, pouco agregam ao conhecimento, não por que são errados ou impróprios, mas por que são colocados de forma esparsa, separadamente, seguindo cada qual seu inflexível entendimento. Esta forma de externar seus conhecimentos coloca barreiras ao entendimento mais amplo do que a Umbanda pode nos propiciar, já que Ela traz em si, as mais variadas influências religiosas e de cultos conhecidos. Pois bem, isso tudo nos serve para melhorar nossa capacidade de entendimento e, porque não, nossa capacidade de ouvir nossos irmãos sem intenção de julgar, mas compreender as mais variadas formas de aplicação de Umbanda, já que Ela nos leva diretamente ao pensamento universalista.

Irmãos, esta narrativa não tem a intenção de sobrepor as demais linhas de raciocínio, tampouco convencer ninguém a seguir esta ou aquela doutrina, mas sim expor uma forma de pensamento que, aplicado conforme os ditos primeiros da Umbanda..”humildade e simplicidade”, com certeza darão resultados positivos aos embates de opiniões. Vale esclarecer, que apesar de tudo, temos que ter em mente que estas dúvidas e descontentamentos, ocorrem em todas as religiões, umas mais outras menos talvez, mas acontecem e, salvo melhor entendimento, devem ser usadas para melhorar nosso entendimento e relacionamento, como irmãos na “Obra Divina” e não inimigos. Como exemplo, segue abaixo uma carta aberta, extraída da Net, onde um devoto, descontente com os caminhos de sua religião, resolve expor sua opinião e pensamentos, embasados no conhecimento adquirido através de seus estudos na religião.  Mas ATENÇÃO, não tomem o texto abaixo como discriminação ou preconceito à Religião Católica e sim como um comparativo com o que sofremos na Umbanda e, ao que parece, também A atinge.

Por tratar-se de “religiosidade”, a leitura deve ser feita com o máximo respeito que lhe é devido, pois se quisermos respeito, então aprendamos a respeitar e assim, compreender o Universalismo Divino. Isto posto, queridos irmãos, eu os convido à leitura.

Adriano D”Ogum – Sacerdote de Umbanda

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Mistérios da Luz, do Rosário

PERGUNTA

Nome:

Luiz

Enviada em:

08/03/2003

Local:

Rio Grande – RS,

Religião:

Católica

Idade:

38 anos

Escolaridade:

Superior concluído

Prezado Prof. Orlando,

Encaminho – em anexo – a carta ao Clero Italiano “Não agüentamos mais!” que – não chequei a informação – teria sido traduzida por Dom Pestana. 

Com efeito, sua catequese somente será válida se alimentada pela grande tradição dos Padres, dos teólogos e dos exegetas que concorreram para a maior compreensão dos ensinamentos dos Papas e Concílios. Por isto, ousamos ressaltar que, até o presente, várias de suas supostas novidades teológicas e bíblicas são as mais destrutivas dentre todas as correntes abertamente anticristãs.


 “Porque o Mistério da iniqüidade já esta em ação, apenas esperando o desaparecimento daquele que o detém.” (2Ts. 2,7)

– NÃO AGÜENTAMOS MAIS! –

(Carta ao Clero italiano) Traduzido do original italiano – Edições Segno, 1995. Tradutor: Dom Manoel Pestana Filho Editor: Diácono. Francisco Almeida Araújo.


“DIVULGADO POR CATÓLICOS APOSTÓLICOS ROMANOS, RELIGIOSOS E LEIGOS DO BRASIL, ZELOSOS PELA DOUTRINA, DOGMAS E TRADIÇÃO DA ÚNICA IGREJA INSTITUÍDA POR NOSSO SENHOR JESUS CRISTO (MT. 16,18)” (E RECONHECENDO OS MESMOS MALES TAMBÉM NA IGREJA DO BRASIL, APÓIAM PLENAMENTE O DESABAFO DE SEUS IRMÃOS DA ITÁLIA, FAZENDO TAMBÉM NOSSAS, AS SUAS PALAVRAS.)

Caríssimos amigos. Esperamos que dêem acolhida favorável a está carta aberta ao Clero italiano, e a difundam especialmente entre os sacerdotes. Sentimo-nos na obrigação de pôr as claras tudo quanto de pouco edificante podemos todos, quase diariamente, constatar na vida da comunidade paroquial e religiosa de nossa Itália. Não somos “progressistas” e tão pouco “conservadores”, mas simplesmente católicos convictos, modelados segundo o espírito e as leis da Igreja, e, neste momento crítico por ela vivido, opomo-nos ao laicismo que a ameaça em todos os níveis de sua estrutura… Convidamos todos a que leiam e façam ler a presente, como fraterna expressão da solidariedade que nos une no amor de CRISTO e da Igreja. Um grupo de leigos de várias regiões da Itália.

 I – Apresentação

II- Crêem ainda de fato

III- Cume e Fonte de todo o Culto e da Vida Cristã

IV- O Pior e mais Absurdo dos Suicídios

V- Não são Donos do Culto

VI- Esgotam-se Muito, mas Convencem Pouco

VII- Vida Consagrada Frustrante

VIII- Conclusão

I – Apresentação

Somos crentes. Ou seja, cristãos, católicos, membros da Igreja, convictos do poder a ela conferido por seu Fundador, certos de que bispos e sacerdotes, em virtude do seu caráter, falam e agem na própria pessoa de CRISTO, e são por isso dignos de todo o respeito: sua autoridade é sobrenatural, o que impõe o dever de obedecer-lhes no que concerne ás nossas relações com DEUS, a nossa vida da graça.

Para melhor nos expressarmos, desejaríamos ter a maestria dos grandes apologistas do primeiro século, o zelo de Gregório VII e Catarina de Sena, a lealdade audaz e humilde de leigos, tais como Dante e Pascal, Ozanan, Bloy e Manzoni, na enérgica recusa de um “tradicionalismo” equivoco e presunçoso, que acabou por denegrir a tradição, perturbando a consciência dos melhores e desorientando o público.

Encorajados especialmente pelo Vaticano II, sentimo-nos no dever de externar nosso pensamento, livres do complexo de um falso pudor e de um mal entendido senso de reverência, que induziria a calar ainda, consentindo em que muitos continuem comportar-se contra a dignidade de seu caráter, contra a finalidade de sua missão.

Se realmente pretendem salvar o mundo, podemos assegurar-lhes que estamos bem informados acerca de tal necessidade: nossa voz é o eco fiel desses problemas e tragédias; da mesma forma, é certo que, inseridos no emaranhado de todas as situações e controvérsias, podemos reportar á Hierarquia as demandas, as razões do dissenso; informá-la sobre os escândalos e também, sem dúvidas, sobre as críticas por sua vez irreverentes se injustas.

Convidados a freqüentar os institutos de ciências religiosa existentes em quase todas as dioceses, não surpreende se nós procuramos exprimir segundo o conteúdo e a linguagem das escolas teológicas tradicionais.

Portanto, é este o “manifesto” da colaboração; gesto de fé e de amor, não de revolta. Podemos defini-lo como a voz de uma IGREJA SUBTERRÂNEA, constituída por muitíssimos fiéis desiludidos, tímidos, incapazes de manifestar a própria discordância em relação a tudo quanto certo Clero se permite fazer, e faz efetivamente, contra a sã tradição de um povo que se conserva fiel a Igreja, Mãe e Mestra.

 

II- Crêem ainda de fato

O primeiro dever dos senhores é o magistério como anúncio, interpretação e defesa do dogma; e é certo que os senhores, bispos e sacerdotes, são dignos de obediência apenas e na medida em que seus ensinamentos estejam em harmonia com o do Papa, que remonta à Tradição Apostólica.

Pedimos, então, que estejamos informados acerca de quanto a Igreja ensina caso contrário não serão dignos de crédito. Suas opiniões pessoais não nos interessam, e poderão inclusive confundir-nos as idéias, suscitar dúvidas, provocar controvérsias, expor-nos ao perigo de nos levar á perda da fé.

A mais trágica e imperdoável de todas as negações, difundidas pelos teólogos e exegetas bíblicos que os senhores admiram e respeitam, atingiu o pensamento humano, declarado incapaz de conhecer a verdade do ser em si mesmo, substituída pela do ser em consciência, dissolvido no fluído de todas as opiniões e emoções da vida. Segui-se daí não somente a recusa da Revelação na historização de suas fontes, mas também o declínio do saber e de todos os valores da pessoa.

Mas, se os senhores aceitam ser revolvidos por uma cultura a tal ponto relativizada, cessam de ser “luz do mundo”, o que, por culpa própria, leva a confundir-se na obscuridade de todas as extravagâncias e absurdos.

Muitos sacerdotes e candidatos á sagradas Ordens, nas Universidades denominadas “pontifícias” só podem cultivar a ilusão de estar aprendendo teologia, pois hoje, com freqüência, as lições terminam numa rendição incondicionada às teses do protestantismo liberal, na negação do Magistério e dos anátemas de Trento, voltada para o escárnio ou a destruição daquilo que até aqui sempre cremos com relação a DEUS, á Bíblia, a pessoa de CRISTO, á historicidade do Evangelho, as prerrogativas da Virgem, aos poderes da Igreja, etc…

 Que, então, ainda lhes resta para ensinar aos fiéis? Que razões podem aduzir para que ainda possamos crer nos senhores? A tendência a eliminar insensivelmente o “sagrado” faz temer que, por fim, se chegue a uma concepção desta  do Cristianismo, ou mesmo ao triunfo do humanismo ateu, almejado como definitiva conquista do pensamento humano mais evoluído.

Confirma-se tal temor, que chega a ser angustiante, se os fiéis observam o evidente embaraço em que os senhores se debatem quando pedimos para demonstrarem, por exemplo, com o devido vigor lógico, a existência de DEUS e conciliá-la com a realidade do mal… Ou quando se discute o fundamento objetivo da moral, da vida futura, de uma punição post-mortem, se, como única resposta, nos obrigam a crer, por se tratar, como dizem, de mistérios; ou então, se não tentam de algum modo tornar pelo menos crível a Revelação ou o que lhe é afim, recorrendo as grandes premissas da filosofia cristã, queiram dizer-nos: a quem devemos recorrer?

E a demais, é verdadeiramente estranha e injustificada a desenvoltura com a qual os senhores presumem haver liquidado a metafísica, escarnecendo até da tomística ou do ser, sem nunca haver compreendido nenhuma filosofia, não tendo jamais dedicado os melhores anos da vida a estudá-la.

Ainda que fosse só por isso, não se ofendem! São dignos de compaixão.

Qual gênero de cultura, então, lhes devemos atribuir para que faça jus á consideração em que a sociedade sempre os teve? Não sendo especialistas em nenhuma das artes e profissões da vida civil, em qual ramo do saber, ou em qual gênero de atividade, poderão distinguir-se para que estejam aptos a pronunciarem-se com autoridade e serem ouvidos com seriedade e interesse?

Deveriam ser exímios na ciência de DEUS, ou seja, naquela teologia que, em grande medida apoiada na metafísica, de que se falou constitui a espinha dorsal da cultura especificamente eclesiástica, que é a dos senhores… Porém, esta supõe uma sólida base de estudo de humanidade, exige uma profunda maturação filosófica, remete a um rico feixe de noções científicas e históricas. Ocorre, todavia, que muitos entre os senhores são quase jejunos de tal cultura. Não poucos desconhecem completamente, nem sequer falemos de Cícero e Horácio, o latim dos autores medievais, dos livros litúrgicos, do Direito canônico, dos documentos pontifícios… Ao lado destes, não faltam os que não sabem rezar em latim nem mesmo a Ave-Maria, o Glória Patri, o requiem, preces conhecidíssimas de nossas avós…

Isto não honra o Clero da Igreja Católica, a qual, não obstante seu “ecumenismo”, não poderá jamais renunciar a ser e a declarar-se romana.

Falam de “pastoral” em todos os tons e circunstâncias, mas não costumam refletir no fato de que será “pastor” antes de tudo se for mestre da verdade, guia seguro na “floresta selvagem” de todas as atuais aberrações doutrinárias, antigas e modernas precisamente aquelas que os senhores deveriam conhecer para saber refutar, ao invés de tolerá-las ou procurar conciliá-las com o dogma segundo um “sincretismo” que agrava os erros, aumenta a confusão, exaspera os espíritos. É absurdo afirmar que todos temos razão, quando se sustentam teses contrárias: a verdade é una, indivisível. O sacerdote católico se é discípulo de CRISTO, tem o privilégio de poder dizer que “possui a verdade no bolso”, pois, a verdade não é sua, mas, ao contrário, de CRISTO, sendo o próprio CRISTO Verdade pessoal e eterna. Basta ouvi-Lo e ser-Lhe fiel para afirmá-la com convicção, e poder ensiná-la a todos.

O ecumenismo não é adaptação da verdade às doutrinas, às tradições, aos humores, aos interesses daqueles que a ignoram. Se assim fosse, JESUS não a teria sido seu mais ousado testemunho, tampouco teria sido condenado pelo sinédrio.

Ecumenismo é, sobretudo, clara, íntegra e forte transmissão e pregação da Verdade e do seu Mistério, o mais generoso gesto de amor, em cuja defesa cada qual se predispõe até o martírio.

Desde há muito, falam de “teologia para leigos” e, por toda parte, criaram-se centros bem organizados, abertos a homens e mulheres.

Entretanto, iniciativas como essas, para que sejam providenciais, não dispensam os senhores do gravíssimo dever de catequizar os fiéis das classes mais humildes, das regiões ou aldeias da periferia e do campo. O “salão nobre da escolástica” nunca poderá substituir a Igreja;  o sacerdote sempre será mais experiente e eloqüente do que professor.

Mas, voltemos à teologia.

É notório que esta, quando ensinada sem prévia formação espiritual e filosófica, facilmente, pode tornar os fiéis presunçosos e arrogantes, engrossando assim a corrente de uma tão absurda quão ridícula “clericalização do laicato”.

Ora, sucedeu, todavia o inconveniente (?) pelo qual, uma vez promovido o estudo da teologia para leigos, tornou-se-nos possível também um julgamento sério da ortodoxia dos senhores. Na verdade, o que sabemos do Cristianismo, aprendemo-lo dos senhores, não pudemos hauri-lo em outras fontes. E, então nossas observações de hoje são tão válidas quanto o magistério de ontem dos senhores. Nada, pois, temos de próprio, e é por isso que, sem presunção alguma, ousamos enviar-lhes este nosso fraterno desabafo, á luz da verdade por todos comumente crida e professada.

Hoje, a “lex orandi” (a lei da oração), embora diversa, nas fórmulas e nos ritos, de um sacerdote a outro, traduz uma “lex credendi” (lei da fé) que, freqüentemente, não parece definida, nem certa, nem unânime. Talvez a razão seja que a muitos falte uma clara estrutura lógica do pensamento, um sólido edifício metafísico, uma linear sistematização teorética do dogma, em suma aquilo que é necessário para formular os termos essenciais da questão considerada segundo a Revelação e a intervenção do Magistério. Assim, raramente em nossa Igreja, ouvimos um discurso ou meditação sobre o dogma trinitário que evite o escolho do politeísmo, e afirme a unidade indivisível da natureza de DEUS. E, sobretudo, o do modalismo, afirmando a real distinção das três Pessoas, nas quais Ele subsiste… Habitualmente, confundem-se, aduzem comparações, reportam-se a analogias; ao final, porém, titubeiam, pois não ousam enfrentar o problema segundo o método clássico dos admiráveis tratados, traduzindo em bom italiano os termos consagrados há mil anos pelos Padres da Igreja e por um verdadeiro exército de teólogos… Todos os seus esforços, ao contrário, parecem tendentes a nos persuadir da total impenetrabilidade do mistério, sem deixar à razão a mais tênue fresta de luz, que torne o mistério ao menos não contraditório.

Também julgamos procedente destacar o conteúdo dogmático da “liturgia natalina”. Segundo a catequese desembaraçada e superficial de muitos sacerdotes, a encarnação do Verbo poderia evocar qualquer coisa de análogo á da filosofia hinduísta do Visnu, ou a outra que ocorria no suposto processo de “metempsicose”. Poucos saberiam explicar-nos como realmente ocorreu a Encarnação, no que concerne aos supremos princípios do ser, desta maneira, acabam ignoradas as magníficas análises elaboradas pelos Padres da Igreja, os quais tiveram o mérito de preparar as definições de memoráveis Concílios ecumênicos. Não se trata de sutilezas de escola, mas do sentido inequívoco de fórmulas dogmáticas expressas em qualquer bom catecismo para adultos. Não pedimos mais que isso.

Todos deveriam, entretanto, saber que a Igreja, rejeitando as duas maiores heresias, nestorianismo e monofisitismo, ensina crer que o Verbo subsiste nas duas naturezas, divina e humana.

A divina, aquela que Ele sempre teve em comum, indivisivelmente, com o Pai e a humana, que assumiu no tempo, e à qual comunicou o seu próprio ato do ser… Aprendemos assim, que apenas nesse sentido, o Verbo se encarnou, ou seja, fez Sua uma natureza humana perfeita, que nEle e por Ele subsiste e opera, distinguindo-se, porém, realmente da natureza divina. É dessa tomada de consciência que deriva o inconfundível encanto do Natal, prestando-se a preciosos desenvolvimentos no âmbito da vida espiritual.

Quanto ao mistério pascal, parece que a catequese dos senhores procura fazer crer que a salvação teria sido operada pelo poder da Ressurreição, sendo, entretanto de fé que a salvação se deve aos méritos da Paixão e Morte de CRISTO. Isto talvez porque, a alguns escapes o sentido profundo da redenção, ou seja, a própria essência do Cristianismo, que refere necessariamente a realidade histórica do pecado como ofensa a DEUS e o conseqüente dever da expiação, decorre daí, exclusivamente, a redenção, como sendo a reconciliação com Ele e a recuperação de todos os bens que isso comporta.

Não é tudo, ainda.

Muitos dentre os senhores insistem exclusivamente no exercício da recordação da Oferta cruenta da cruz, a qual ficaria como que restrita ao passado, enquanto caberia ensinar o povo a elevar-se ao nível da pura fé para contemplar (não apenas recordar) o presente meta-histórica do MISTÉRIO da salvação, que transcende todos os tempos, é contemporâneo de todas e cada uma das gerações humanas.

Com efeito, enquanto a memória se refere a crônico e envolve os sentidos e o intelecto de todos (crentes e infiéis), a contemplação tem por objeto o dogma e exige, além da Revelação objetiva, o dom da fé, por meio da qual se faz abstração de todos os elementos concretos existentes no Calvário.

Isto porque, se a fé, ao contemplar, atinge a realidade atemporal do mistério em si mesmo, por sua vez os sentidos e a razão, ao recordarem, detêm-se no sinal humanamente perceptível que foi revelado aos contemporâneos, e que ainda agora pode ser evocado retrospectivamente pelos não-crentes. Todavia, aos crentes é possível ultrapassar o sinal e fixar o mistério em seu presente imutável.

Não estabelecer a distinção entre os dois aspectos (ou vertentes) da obra redentora (acontecimento histórico da tragédia da cruz, e sentido do mistério, meta-histórico) está na origem de uma série de equívocos no que concerne à MISSA, AO SACERDÓCIO MINISTERIAL, À VIDA DA IGREJA.

Acreditamos, assim, haver tocado na raiz oculta dos lados obscuros, das distorções, das arbitrariedades e escândalos de que são responsáveis não poucos dentre os senhores, originando-se daí as reações e as vezes a apostasia dos fiéis.

III- Cume e Fonte de todo o Culto e da Vida Cristã

Se os dois aspectos assinalados se fundem um só, ou seja, caso o Sacrifício da cruz se tenha encerrado, sob todos os sentidos, no espaço e no tempo, como qualquer outro acontecimento histórico comum e irreversível, embora sendo o mais sublime de todos, depreende-se daí que:

– dada a unicidade e caráter irreproduzível do mesmo (sendo absolutamente perfeito), a Missa não pode ser o IDÊNTICO SACRIFÍCIO DA CRUZ, mas apenas uma COMEMORAÇÃO deste, conforme a teologia protestante condenada pelo Concilio de Trento;

– se, pois, a Missa não é um verdadeiro Sacrifício, não há necessidade de Padres para oferecê-lo: pois tal ofertante certamente não poderia ser CRISTO, uma vez que não pode repetir a oferta de Si mesmo, e muito menos outrem, que não teria nenhum poder sobre Ele para fazê-lo… Aos crentes, então caberia “cumprir um rito unicamente comemorativo do Sacrifício”. Tudo, exatamente, como afirmava Lutero, contra a doutrina católica..;

– mas, obviamente, negados o Sacrifício e o Sacerdócio, a Hierarquia eclesiástica (fundada nas sagradas Ordens) ficaria privada da única base que a sustenta;

– ora, com a Hierarquia, se negam também os poderes que regem a Igreja como sociedade visível; em razão do que, o Cristianismo se reduziria a qualquer doutrina ou mensagem religiosa entre tantas outras, e não poderia despontar como sendo a única inteiramente verdadeira e respeitável.

Para salvar a Igreja e, com ela, a ortodoxia de seu magistério tradicional, é preciso distinguir na obra salvífica  de CRISTO os pontos supracitados: isto é, o acontecimento histórico de sua morte, que, conhecido por todos, faz o papel de “sinal” sensível, e o Mistério de Seu Sacrifício, conhecido apenas pelos fiéis.

A distinção, na realidade, enquanto atende a exigência da teologia protestante relativa a única imolação do Calvário, permite ao mesmo tempo fixar a noção de Missa como um verdadeiro e único Sacrifício, o mesmo, idêntico numericamente, ao que JESUS ofereceu sobre a cruz. Isso, ao invés de manifestar-se aos sentidos e a razão, debaixo das propriedades naturais de Sua Humanidade crucificada, revela-se à inteligência iluminada pela fé sob as propriedades naturais do pão e do vinho, distintamente consagradas e inteiramente transformados no Seu Corpo e no Seu Sangue.

Portanto, não há nenhum novo sacrifício, nem por parte de CRISTO, nem da Igreja, que opera por meio de seus sacerdotes. “A repetição numérica não concerne ao sacrifício, mas ao “sinal” deste, denominado também sacramento e que constitui precisamente a Missa, a qual, em toda parte e sempre reapresenta a única imolação do Calvário, á qual nada se pode acrescentar.

Está correto, pois, defini-la como SACRAMENTO DO SACRIFÍCIO. Sacramento vale dizer, “sinal” não vazio, mas pleno e por isso rico de um valor absoluto, porquanto CONTÉM O PRÓPRIO CRISTO QUE SE TORNA PESSOALMENTE PRESENTE SOB AS ESPÉCIES EUCARÍSTICAS, EM VIRTUDE DA TRANSUBSTANCIAÇÃO.

“Presente no próprio ato de sua oferta ao Pai, realizada sobre a cruz, e agora expressa pela consagração do vinho, distinta da do pão, simbolizando a violenta separação do Sangue e do Corpo do verdadeiro Cordeiro que tira os pecados do mundo”.

Segue-se, daí, que os fiéis que hoje assistem à Missa não são menos privilegiados que as testemunhas oculares que ontem viram morrer o Salvador: o MISTÉRIO DO SACRIFÍCIO é idêntico, distinguindo-se apenas quanto “à forma ou sinais” sob os quais é oferecido.

Desta maneira, se as testemunhas de ontem viam e ouviam a CRISTO sob os despojos de Sua humanidade sofredora (assumida pelo Verbo), os crentes de hoje vêem e ouvem a CRISTO sob o aspecto de Seu ministro, transformado em instrumento do Seu único sacerdócio, enquanto exerce Seus mesmos poderes, por meio dos quais agem em Seu nome, em sua própria Pessoa.

Ora, o altar, a verdadeira, real e substancial presença de CRISTO, no ato atemporal de sua Oferta ao Pai, tornam-se possível somente a partir da total conversão do pão e do vinho na SUBSTÂNCIA do seu Corpo e do seu Sangue.

Por meio deste prodígio, de fato, A TRANSCENDÊNCIA DO MINISTÉRIO DA SALVAÇÃO EM RELAÇÃO A TODOS OS LUGARES E TODOS OS TEMPOS CORRESPONDE A PRESENÇA EUCARÍSTICA DE CRISTO, a qual, referindo-se diretamente a SUBSTÂNCIA de seu Corpo e de seu Sangue, abstrai da diversidade de todos os locais e tempos em que se celebra, explicando como PODEM SER NUMERICAMENTE IDÊNTICOS O SACRIFÍCIO DA CRUZ E OS CELEBRADOS EM TODOS OS ALTARES DO MUNDO.

Decorre daí que a presença de CRISTO no Altar, proveniente da transubstanciação, condiciona necessariamente a realidade do Sacrifício eucarístico. Portanto, este não é o MEMORIAL DA IMOLAÇÃO NA CRUZ, MAS A IMOLAÇÃO EM SI MESMA, celebrada pelo próprio CRISTO por meio de Seus ministros, sob as aparências do pão e do vinho, sendo estes elementos sabiamente escolhidos por Ele para que os fiéis pudessem “consumir” a Vítima Divina depois de tê-La oferecido, exprimindo assim a própria  reconciliação com DEUS, uma vez satisfeita a Justiça.

Compreende-se, pois, que a real PRESENÇA DE CRISTO GRAÇAS A TRANSUBSTANCIAÇÃO seja como que o ponto de convergência no qual se encontram e associam os aspectos principais do dogma eucarístico. Em suma, portanto, podemos sublinhar que:

– quem nega tal presença;

– nega também o “Sacrifício eucarístico”;

– logo, também o sacerdócio ministerial;

– conseqüentemente, a Ordem sagrada que o confere;

– e, com isso, a própria Hierarquia fundada sobre a Ordem;

– e, inevitavelmente, a Igreja como sociedade visível;

á qual, pela mesma razão, se devem negar todos os poderes a Ela atribuídos, entre os quais o do MAGISTÉRIO INFALÍVEL;

– deduzindo-se, ainda, que suas decisões, quaisquer que sejam, no âmbito DA FÉ DOS COSTUMES, SERÃO SEMPRE QUESTIONÁVEIS.

O Catolicismo, nesta hipótese, constituiria apenas mais uma dentre as religiões que cada qual poderia escolher e professar livremente, segundo critérios pessoais, que independem de qualquer julgamento.

Reverendíssimos e amados sacerdotes, pedimos que não se surpreendam com estas precisões mais árduas que outra coisa. Não tivemos a pretensão de ensiná-los, pois somos “farinha do mesmo saco”, tudo aprendemos dos senhores e dos documentos do Magistério, e seria supérfluo fazer citações.

Quisemos relembrar pontos fundamentais do dogma, assim como as necessárias e relevantes premissas conexas, entre os aspectos mais importantes desta carta-aberta.

 

IV- O Pior e mais Absurdo dos Suicídios

Sequem as últimas reflexões de nível dogmático que nos ocorre fazer, o nos atrevemos a tal, pois constituem repetição de tudo quanto a Igreja sempre ensinou a todos.

A) Sacerdócio ministerial supresso: Influenciados pela teologia protestante, muitos dentre os senhores parecem pouco zelosos em relação ao próprio sacerdócio, isto é, aquele conferido pela Ordem sagrada, que imprime caráter, distinguindo-os dos simples fiéis. A cerca disso, com efeito, alguns repetem que o único sacerdócio de CRISTO é igualmente participado por todos os crentes, que, pelo Batismo, tornaram-se membros de Seu Corpo.

Os senhores mentem!

A catequese dos senhores vai suprimindo aquele “sacerdócio ministerial” que os torna representantes de CRISTO – CABEÇA, e lhes confere o poder exclusivamente dEle, pelo qual somente nos senhores e pelos senhores Ele consagra e absolve, abençoa, ensina, dirige.

Ora, supresso o sacerdócio decai a autoridade, de tal modo que, na comunidade eclesial, os senhores já não têm o que dar aos fiéis, nem eles o que receber. Não tendo nenhum poder a exercer sobre o povo, este não se vê obrigado a obedecer-lhes.

As únicas relações que restam são as invisíveis e independentes, de cada qual com CRISTO, seguindo-se daí um subjetivismo que abre caminho para a anarquia mais dissolvente.

Para evitá-lo, competiria ao fiel fazer-se governar por representantes livremente escolhidos segundo as normas de todo regime democrático… Seria, precisamente, o fim da Igreja tal como fora instituída por CRISTO: sociedade essencialmente hierárquica e monárquica.

B) Principalmente “sacrifício”, não “Banquete” : Muitos não gostam de ouvir isso de forma clara, pois só reconhecem a autoridade sagrada nos membros da Igreja revestidos do sacerdócio ministerial, essencialmente associado ao sacrifício eucarístico.

Não é outro o alvo de todos os desestabilizadores da Igreja, e infelizmente, a heresia protestante, não sem propósito, vai-se propagando em muitos ambientes católicos como a mais aberta desforra de Lutero.

De fato, a Missa é apresentada como Banquete, não mais como Sacrifício. Banquete de festa, porque CRISTO ressuscitou, e todos sabem que as “festas” constituem motivo de alegria, mesmo aquelas licitamente “descontraídas”, em que todos se dispõem a rir, cantar, dançar. Eis aí a alegre “assembléia” dos fiéis, que se sentam em torno da mesa, e não mais estão genuflexos junto ao altar, aos pés da cruz…

“Mesa” organizada não pelo “sacerdote” que na pessoa de CRISTO, sacrifica, mas por um qualquer “ancião” (presbítero) que, como representante dos comensais, preside o alegre encontro comunitário. E, assim, parte, distribui e consome o pão, símbolo da união de todos com CRISTO e entre si mesmos, co-celebrantes da glória de Sua ressurreição.

Estas as idéias, fatos e hábitos que, por todo parte, se firmam e difundem. De quem a responsabilidade? Dos senhores, principalmente, porquanto: ou muito não compreenderam os termos essenciais do dogma, ou toleraram e silenciaram, por uma mal entendida “abertura ecumênica”, ou não mais crêem no Mistério eucarístico, seduzidos pelas novidades heréticas reiteradamente condenadas pelo Magistério.

C) Vendaval de profanações: Se a Missa é essencialmente um Banquete, e se neste os comensais podem comer e beber, e habitualmente o fazem, sem de fato se preocuparem com as migalhas de pão caídas, ou com os restos da bebida que permanecem no fundo do cálice, não espanta o fato de muitos padres não se preocuparem com os “fragmentos” da hóstia consagrada caídos no chão, que se dispersam e são depois lançados ao lixo.

Não é outra razão pela qual quase por toda parte foi abolida a “patena” usada sempre para impedir que isso ocorresse e, conseqüentemente, o Santíssimo fosse profanado. E explica-se também a naturalidade com a qual sacerdotes e fiéis (inclusive as freiras!) dão e recebem, respectivamente, a EUCARISTIA NA MÃO, tornando assim muitíssimo fácil que caiam e se espalhem os “fragmentos”, como previra e temera o próprio Paulo VI. Alguns há que depois de tocarem a hóstia, chegam a esfregar a mão na roupa. Temerão, talvez, que CRISTO tenha sujado suas vestes?!…

Responderão: – Certamente, não é esta a razão, e explicam; JESUS não mais está naqueles fragmentos. É o auge da inconsciência e da traição, pois:

– o Magistério definiu solenemente que a presença eucarística existe em toda a hóstia consagrada e em qualquer uma de suas partes, sejam grandes ou pequenas;

– admitida a transubstanciação, a presença eucarística refere-se à SUBSTÂNCIA do Corpo de CRISTO, não as DIMENSÕES do pão consagrado…

– Devendo-se tal presença propriamente á SUBSTÂNCIA do Corpo de CRISTO (e não as dimensões da hóstia) um só FRAGMENTO, AINDA QUE APENAS VISÍVEL, CONTÉM CRISTO INTEIRO, bastando assim para alimentar espiritualmente os fiéis…;

Enfim, suposta uma presença eucarística condicionada as dimensões do pão, seria impossível definir COM EXATIDÃO O TAMANHO NECESSARIAMENTE EXIGIDO PARA AFIRMAR TAL PRESENÇA, e qualquer determinação nesse sentido seria inadmissívelmente arbitrária.

Concluindo: em quais fragmentos está ou não CRISTO? Se não está nos fragmentos (quer sejam grandes ou pequenos), também não está na hóstia, que é formada dos fragmentos. Pelo contrário, estes, destacando-se da hóstia, conservam as propriedades naturais do pão consagrado, constituindo deste modo “indícios inequívocos da substância” do Corpo de CRISTO.

Se isso não fosse verdade, o Mistério eucarístico constituiria a mais colossal das imposturas…

D) Secularização do Clero: Da eliminação do sacerdócio ministerial provém ainda o fenômeno da laicização do Clero e seu corolário, a clericalização do laicato. Na verdade, vários dentre os senhores, também na Itália, orientam os fiéis a pronunciarem as palavras da “consagração” conjuntamente com o sacerdote, PORQUE – dizem – A MISSA É CELEBRADA POR TODOS; o padre “preside”, não para celebrar, mas para concelebrar

Escolhido democraticamente limita-se ele a assegurar a boa ordenação da cerimônia; em função do que, sempre conforme alguns dos senhores, absolutamente falando, sem ele, o povo, reunido em assembléia, poderia celebrar validamente a Eucaristia: o importante é que todos participem do “banquete”, que substitui o Sacrifício, da mesma forma que a mesa substitui o altar

Assim, reverendíssimos sacerdotes, os senhores caíram na rede da teologia protestante, que teve sua maior expressão no famigerado  “Novo Catecismo Holandês”, editado pela Elle Di Ci.

E) Abolição prática do “hábito eclesiástico”: Supressa a Hierarquia, o Clero automaticamente fica rebaixado ao nível dos leigos, dos quais não pode nem deve distinguir-se.

De fato, os padres, hoje, vestem-se como uns quaisquer, as premissas acima mencionadas prevaleceram sobre todas as prescrições do Direito Canônico e os renovados apelos do Papa.

O modismo vai-se generalizando. Ora, abolido o “hábito eclesiástico” – inclusive o “clergyman” – nas cidades e regiões da Itália católica, a Igreja, faz alguns anos, desapareceu… CRISTO, na pessoa de seus ministros, está ausente… No entanto, continuam a falar em “testemunho”, mesmo se muitos, em publico, envergonham-se de ser reconhecidos e apontados como sacerdotes (!).

Costumam distinguir-se, muito freqüentemente, por um equivoco traje “burguês” caracterizado pelo desleixo e pelo mau gosto… Moda, essa, que deixa transparecer lamentáveis deformações do corpo, grosseria de alma, péssimo gosto estético. É impossível definir quem seja: se operários, camponeses ou simples desocupados…

Em compensação, tal indumentária parece-lhes cômoda, prática, e, sobretudo, deixa-os inteiramente livres para andarem com todos, entrarem em todas as casas, em logradouros, em ambientes equívocos; permite que sejam confundidos com as outras pessoas no cinema, nos estádios, nas praias; que circulem a noite veja e ouça tudo quanto de torpe e violento a sociedade moderna oferece a todos.

Infelizmente, coisa um tanto estranha, até mesmo mulheres de má vida e homossexuais sabem reconhecê-los.

Muitos dentre os senhores imaginam que certas experiências, que a plena liberdade dos sentidos e do coração tornaram possíveis, contribuirão para amadurecê-los, desinibirem-se, libertarem-se de complexos, compreenderem a vida, prepararem-se para um ministério mais aberto e eficiente… Os senhores se enganam!

Terão percebido que não mais conseguem recolher-se e refletir? Perderam o hábito da oração; não mais sentem a necessidade de se unirem a DEUS no progressivo afastar-se das criaturas, da segurança econômica, das comodidades da vida. Muitas passagens do Evangelho afiguram-se-lhes obscuras anacrônicas…

O exemplo dos santos, inclusive dos mais recentes, que estão na memória de todos, são tidos como superados… A liturgia, com suas rubricas, envolta no Mistério, reduziu-se a fórmulas e gestos desprovidos de sentido.

Desse modo, vão-se humanizando, como que arrastados pela correnteza de uma secularização que os torna presunçosos, fazendo-os descuidar-se de todas as preocupações, o que lhes embota a sensibilidade moral…

E é bem nisso que se enganam, ao serem liberais para com todos até o compromisso, e tomarem a consciência subjetiva como principal critério de juízo, acima de todas as normas. Ora, consideramos o fenômeno alarmante, sobretudo nas relações dos senhores com as almas no sacramento da penitência

F) Celibato não mais obrigatório: Eliminado o sacerdócio ministerial, que distingue o clero do laicato, o sagrado do profano, o celibato, enquanto consagração de todo o ser a DEUS, a Seu culto e a Sua causa, não mais se sustenta como lei imprescritível para todos os “presbíteros”.  Ao traje, comum a todos os fiéis, convém que corresponda a condição de vida a que todos naturalmente aspiram: o matrimônio.

A razão é simples: faltando uma consagração particular, a do sacramento da Ordem, o nível de santificação a que fica obrigado o sacerdote não vai além do que é desejável para todos os fiéis, como deputado do povo, é simplesmente funcionário do culto. Para tal efeito, convém que tenha um nível de cultura superior, distinga-se por um certo gênero de educação civil; entretanto, sendo “laico”, ninguém poderá exigir que renuncie ao amor, á família. Circunscrito ao âmbito humano, é incompleto, por isso busca uma integração em todos os níveis do ser.

G) A língua de todos: Escolhido na comunidade dos crentes, o sacerdote deve falar a língua, ou o dialeto, dos compatriotas, para que todos possam compreendê-lo, como fiel intérprete de seus sentimentos, ficando por isso mesmo excluída certa língua litúrgica não compreensível para todos.

Assim, contrariando a milenar tradição da Igreja Romana, as admoestações dos pontífices e as limitações prescritas pelo próprio Vaticano II, a língua latina, em concreto, foi inteiramente abandonada pelos senhores durante a celebração da Missa, na recitação das horas, em todas as funções litúrgicas. Mas como é possível falar ainda em “comunhão universal, em fraternidade”, em ecumenismo, se, por exemplo, nem o alemão em Roma, nem o italiano em Berlim compreendem coisa alguma durante o Sacrifício Eucarístico, logo não podem entender-se entre si e unir-se, nem mesmo quando rezam, professando a mesma fé, dirigindo-se ao mesmo DEUS?

Segundo muitos dentre os senhores, que capitularam ante a práxis protestante, a resposta é simples: se a Missa é a sagrada sinaxe ou assembléia litúrgica do povo de DEUS, reunido conjuntamente com o sacerdote que a preside, para celebrar o memorial do Senhor…, ou seja, se a Missa NÃO É O PRÓPRIO SACRIFÍCIO DA CRUZ, oferecido sob as espécies sagradas do pão e do vinho distintamente consagradas e inteiramente transformadas no corpo e no Sangue de CRISTO…, e se o sacerdote NÃO é o ministro de CRISTO, que se oferece ao Pai para expiar os nossos pecados e redimir o mundo…, se em última análise, a Missa CONSISTE ESSENCIALMENTE NUM BANQUETE FRATERNO, no qual todos possuem a mesma dignidade de membros do Corpo Místico em virtude do Batismo… Também a língua deve ser algo vivo que todos falem e compreendam.

Tanto mais que, durante um banquete de amor e alegria, é precisamente este o veículo principal de comunhão entre os comensais.

A conclusão é lógica: mas, aceitando-se a idéia de Missa como sacrifício, as premissas estão erradas. Com efeito, concebendo a liturgia eucarística como essencialmente festiva, parecem pensar mais em algo á maneira de estar juntos, ou seja, conversa mais entre todos do que com DEUS, na participação do ato supremo do culto, que é exatamente a imolação na cruz…

Ora, precisamente isto, “cume e fonte de todo o culto e da vida cristã”, exige uma linguagem clara, concisa, estabelecida para sempre, como precisamente a latina. Esta, pela mesma razão, constitui a mais séria salvaguarda da inalterabilidade das fórmulas dogmáticas contidas no “Credo”, professado pelos povos de todas as culturas. E é por isso que todos, valendo-se da mesma língua, sentem júbilo ao professarem a mesma fé que os formou, e ao nutrirem a mesma esperança, permanecendo unidos no amor do único Cristo-Salvador…

Reverendíssimos sacerdotes: ignorando, olvidando e abolindo o latim, como poderá abrir-se para a universalidade da mensagem evangélica…? Será verdadeiramente sincero e coerente o ecumenismo dos senhores?

Poderá excluir em meio a isso tudo, o perigo de dividir a Igreja Romana em “igrejas nacionais” e autônomas, rasgando a “túnica inconsútil” de CRISTO?

 V- NÃO SÃO “DONOS DO CULTO”

A) Finalmente, depois do Concilio!

Muitos dentre os senhores presumem ser livres, convencidos de que tudo, relativamente ao serviço do altar, pode ser confiado á consciência pessoal, á espontaneidade, ao amor; e este não se deve reprimir quando arde e irrompe diretamente do suposto carisma do momento.

Por causa disso, quanta coisa não fomos obrigados a ver e a tolerar em certas igrejas!

Os senhores tentam justificar-se, repetindo até cansar que, com o Concílio, tudo finalmente se tornou lícito aos filhos de DEUS. Todavia, o Vaticano II para não citarmos os Pontífices que o precederam e seguiram, declarou que (salvo a Santa Sé e o Episcopado) “pessoa nenhuma, absolutamente, mesmo sacerdote, ouse, por iniciativa própria, acrescentar, amputar ou mudar qualquer coisa em matéria litúrgica” (Sagr. Conc. 22).

Certamente, iludem-se quando, não podendo negar a letra, apelam para o espírito do Concílio. Mas de que “espírito” se trata? Compreendemo-lo bem o dos senhores, isto é, aquele por onde cada um se apropria do Concílio e se sirva dele, como bem entende, mesmo após a Santa Sé haver deixado tudo explicado e esclarecido, qualificando como traidores da Igreja os mistificadores do culto.

Começando pelos paramentos, é fácil encontrá-los sem a casula, as vezes mesmo sem a alva, ou apenas com a estola. Interpelado a respeito houve quem respondesse que sentia calor. Tal ocorre, sobretudo, nas capelas privadas ou nas celebrações para círculos restritos de amigos, que os senhores ensinaram erroneamente, fazendo-os imaginar que a Missa pode ser privada, ao passo que ela é SEMPRE PÚBLICA, porque celebrada por CRISTO para todo o mundo…

Quanto às leituras, freqüentemente, não há escrúpulos em ler excetos de autores profanos, mesmo não católicos…

Alguns omitem desembaraçadamente o lavabo, recusando-lhe o sugestivo simbolismo.

Outros, percorrendo o Missal, suprimem, acrescentam, pospõem lá e cá palavras, frases, conforme a inspiração e fervor do momento, enquanto o povo fica desorientado e até ofendido. Ás vezes ousa até unificar as duas fórmulas da consagração, alterando o sublime significado dessa distinção…

E as homilias dos senhores? Muitos não conseguem suportá-las, por serem prolixas, pedestres, repetitivas…

Ademais, aproveitam-se delas para fazer comunicações, permitindo-se banalidades, roçando a política e, infelizmente, irritando o público…

Inoportunas, e amiúde fastidiosas, as freqüentes interrupções do culto, provocadas por uma grande vontade de falar, e isso não raro fora de propósito, sendo imprópria a linguagem do ponto de vista teológico…

Deplorável ainda a liberdade de intervir, concedida a todos, na convicção de que também os fiéis celebram com os senhores, participando do único sacerdócio de CRISTO

De resto, imaginam que podem exprimir-se como todos…, não distinguindo o sacrifício “dos senhores” do sacrifício “dos outros”, preferindo dizer, “o nosso sacrifício”.

Confirmam tal imperdoável confusão, quando, ao término da Missa, dizem “Abençoe-nos…”, ao invés de “Abençoes-vos…”, “Vamos em paz…”, em lugar de despedir os fiéis em Paz. Por meio dos senhores, com efeito, fala o próprio CRISTO, que é a Paz; Paz que a todos dá, pois nEle está a Fonte. Assim, demagogicamente, teimam em confundir-se com o povo, para salvar a fraternidade, esquecendo uma paternidade que é o maior valor da comunidade eclesial…

Quem são, pois, os senhores? Quais relações os vinculam á Igreja hierárquica, ou seja, com CRISTO, que, nela e por ela, continua a adorar o Pai? Ignoram que as pessoas de cada um dos senhores nada significam à luz desse mistério?

Quem lhes deu autorização para celebrar, também estabeleceu as normas, os estilos, formando-os numa inconfundível disciplina, necessária para alimentar o espírito dos fiéis. Estes, por seu turno, sentem-se legitimamente responsáveis pelo culto, amado e protegido como um bem comum, intocável, e ficam perturbados quando “o padre” (que não cuida de comportar-se como “sacerdote”) apropria-se desse mesmo culto, modificando-o, adaptando-o às próprias idéias, aos próprios gostos.

Letra e espírito do Concílio condenam os senhores.

 

B) Celebração e concelebração

O Sacrifício da cruz, como todos sabem, é uno e irrepetível quanto ao seu conteúdo de mistério, a despeito das inumeráveis Missas celebradas sempre e por toda parte.

É certo, entretanto, que cada uma das Missas corresponde ao mesmo Sacrifício, dada a transcendência de seu mistério, absolutamente único no que respeita as suas representações sacramentais , numericamente sempre passiveis de multiplicação.

Inteiramente verdade, enfim, que CRISTO é o único CELEBRANTE PRINCIPAL DE CADA Missa, ao passo que o sacerdote é simplesmente o ministro ou instrumento que, de próprio, tem apenas a faculdade de tornar visível o Sacrifício, por ele oferecido num presente que transcende todas as épocas.

Ora, os senhores certamente, não todos, ainda não vêem claramente que a unidade (e pluralidade) numérica da Missa procede da unidade e pluralidade numérica da CELEBRAÇÃO LITÚRGICA, segundo as coordenadas de tempo e espaço, que condicionam todos os fatos deste mundo.

Não compreenderam que a unidade (e pluralidade) numérica da CELEBRAÇÃO LITÚRGICA coincide exatamente com a unidade (e pluralidade) numérica da CONSAGRAÇÃO EUCARÍSTICA. Segue-se daí que a CADA UMA DAS CONSAGRAÇÕES EUCARÍSTICAS CORRESPONDE UMA MISSA, da mesma forma que a MUITAS CONSAGRAÇÕES CORRESPONDEM MUITAS MISSAS

Outro aspecto importante: a unidade de cada consagração depende DO ATO DE CONSAGRAR. Ato que é uno (ou múltiplo), conforme o número de AGENTES PRINCIPAIS, responsáveis pelo culto… Ora, o Agente principal da consagração eucarística é SOMENTE CRISTO, enquanto o sacerdote é apenas instrumento.

Então, se muitos agentes instrumentais não multiplicam O ATO DO AGENTE PRINCIPAL e, precisamente pela sua dependência do mesmo, estão Unidos entre si o ato de consagrar, é inegável que muitos celebrantes não multiplicam a ação litúrgica, como analogamente, mais bispos sagrando um outro bispo, não multiplicam a sagração, que continua uma só.

É por isso que os sacerdotes concelebrantes são de tal modo unidos a CRISTO, e daí entre si, que deve ser moralmente simultânea a consagração de todos, caso contrário cada um celebraria “sua” Missa, e seria errôneo falar em “concelebração”.

Se una é a Missa, porque única é a Oferta de CRISTO, que Se torna presente e visível diretamente sobre o altar, o fato de os “ministros” serem um ou vários é de todo indiferente, por onde a Missa concelebrada não é mais proveitosa do que a individual. Diferem apenas entre si porque uma evidencia a identidade, ou unidade do sacerdócio ministerial, participado por mais indivíduos; ao passo que a outra, celebrada por um só sacerdote, possui a vantagem de exprimir mais diretamente A UNIDADE DO CELEBRANTE  PRINCIPAL, que é CRISTO, fonte exclusiva do “sacerdócio ministerial bem como das múltiplas relações de unidade de que são investidos…”

Portanto, de cem sacerdotes concelebrantes não resultam cem Missas, mas apenas uma. E, então, caros sacerdotes, as concelebrações dos senhores, repetidas quotidianamente, habitualmente, acabam reduzindo sensivelmente o número das Missas individuais, o que provoca um notável empobrecimento da vida do Corpo Místico, porquanto seu crescimento depende da repetição não só  mais fervorosa, mas também numericamente mais freqüente das cerimônias do culto. No tempo, a vida humana é condicionada necessariamente ao NUMERO DOS ATOS QUE SE SUCEDEM pelos quais é possível render a DEUS a Glória que lhe é devida. Não podemos conceber que apenas um ato de amor tenha o mesmo valor de cem atos repetidos a cada dia por uma alma que tenda á perfeição da união com DEUS, desejável para todos.

Não podemos censurar a concelebração, aceita pelo Concílio, mas apenas o excesso, em função do qual muitos dentre os senhores, mormente nos conventos e abadias, só raramente celebram a própria Missa, daí saindo prejudicados espiritualmente quanto ao empenho, fervor, atenção, liberdade e serenidade interior…

Analisem, também, o dano incalculável que ocasionam aos fiéis, especialmente em nossos dias, quando as classes sociais se vão cada vez mais diferenciando, por onde fica difícil estipular um único horário para todas as categorias, dos moços aos caseiros, operários, empregados, estudantes, comerciantes, etc… Se são muitos, por que não se dignam oferecer a todos o bem imenso de muitas Missas? Poderiam fazer algo de mais importante, sabendo que precisamente que o sacrifício eucarístico, consoante o Concilio, “é o centro da comunidade dos cristãos…?” E “propicia a Igreja sua perfeição?…”

Se  considerarmos as espórtulas dos fiéis, e que estes a concedem para fazer celebrar, digamos, dez Missas, os senhores não sentem escrúpulos, caso formem, por exemplo, um grupo de dez sacerdotes, de satisfazer as intenções pedidas com uma única Missa, exatamente aquela concelebrada por todos.

Será justo? Mais, se o valor de cada Missa equivale a certo total, que obviamente, se multiplica aumentando o número de Missas, como poderão perceber tal soma após haverem celebrado não dez, mas uma única Missa...? Não somos capazes de compreendê-los. Contudo, no Código de Direito canônico, pode-se ler que, “com referência as espórtulas da Missa, devem absolutamente afastar-se mesmo daquilo que tenha a aparência de contrato de comércio” (947). Não só, pois ainda se recomenda “celebrar pelas intenções dos fiéis, sobretudo dos mais pobres, ainda que não recebam nenhuma espórtula” (e.945/2).

Mais grave, em certo sentido, é o dano causado aos defuntos, à vista da maciça diminuição do número de Missas, que constituem o mais eficaz e agradável de todos os sufrágios impetrados…

Caso repliquem, afirmando que, durante a concelebração, pensam neles todos deveriam considerar que as intenções particulares dos indivíduos concelebrantes não multiplicam de fato a Missa, já que esta permanece numericamente uma como objetivamente uma, é a “consagração” em qualquer Missa.

C)      O sacramento da Penitência

É quase universal a lamentação dos fiéis com respeito aos confessores que minimizam a necessidade do sacramento da misericórdia de DEUS.

Infelizmente, as razões para isso alegadas opõem-se a tradição católica, baseada na Revelação, nas solenes declarações dos Concílios, nas categóricas intervenções dos Pontífices e dicastérios da Santa Sé. Ouve-se repetir:

  • que estes sacerdotes não podem perder tempo, ouvindo a acusação dos pecados veniais;
  • que a confissão se restringe aos pecados mortais;
  • que basta confessar-se uma vez ao ano;
  • que um mero ato de contrição supre a absolvição sacramental;
  • que o ato penitencial de cada Missa é suficiente;
  • que a absolvição coletiva dispensa a auricular, absolvição facilmente concedida, mesmo contra as limitações impostas pelo direito…

Ora, se alegações desse gênero provocam a indignação dos fiéis ainda fervorosos, acabam por confundir e demolir a consciência dos outros, de si já tíbios e negligentes. O resultado era previsível: presencia-se uma impressionante diminuição na prática da confissão sacramental.

A responsabilidade maior é dos senhores, reverendíssimos sacerdotes, totalmente esquecidos da missão de pastores que lhes compete, não mais se preocupando em visitar os enfermos e atendê-los, seja nas casas, seja nos hospitais. Daí chegarem mesmo ao absurdo de esperarem que o próprio moribundo lhes peça os últimos Sacramentos, enquanto caberia ao capelão incitá-los a isso e dispor-se a recebê-los.

Sistematicamente, negam-se a ouvir em confissão meninos para a Primeira Comunhão, fingindo ignorar que estes já sabem distinguir o bem do mal, o pecado venial do mortal…E que estes também necessitam de um aumento da graça para receber mais dignamente a eucaristia e, ás vezes, até mesmo, recuperá-la e reconciliar-se com DEUS

Como explicar a atitude dos senhores, transformada cá e lá numa práxis habitual, com o conseqüente e sempre mais desalentador abandono de nossas igrejas? Nós, leigos, crentes, julgamo-nos no direito de pode-lo atribuir, provavelmente, a duas causas:

Receamos que a corrente do laicismo, a qual informa nossa cultura em todos os níveis sociais, esteja envolvendo também os senhores. Negado o caráter absoluto de todas as “leis”, também para os senhores a “consciência individual” passa a ser tudo, ou seja, o critério exclusivo de moralidade, em razão do que confundem facilmente o respeito à pessoa com a tolerância… Estão convencidos de que cada qual deve orientar-se por si mesmo, a margem de toda norma e prudência, e é por isso que consideram o pecado algo impossível, então, a confissão perde o sentido, é preciso deixar o homem livre, pois, segundo o Evangelho, interpretado pelos senhores, devemos ser indulgentes para com todos…

Ora, perdida a noção do pecado, cala-se a voz do dever, logo cessa a necessidade de acusar as próprias culpas, que deixam de ser culpas…

O sacerdote, que, repelindo os fiéis, tende a abolir o sacramento da Confissão, se comportaria como pessoa sensata. Este o primeiro (e mais radical) motivo pelo qual recusam ouvir em confissão os “penitentes”.

A segunda, mais provável, é compartilhada pelos “presbíteros”, que não mais crêem no próprio “sacerdócio ministerial”, nem tampouco no “poder das chaves”, conferido unicamente as sagradas Ordens. Conforme estes, empenhados em orientar as pessoas segundo uma estranha “via da fé”, quem verdadeiramente absolve não é o sacerdote, mas sim A COMUNIDADE ECLESIAL… Propriamente a esta, como dizem, é preciso confessar as próprias culpas, pois não é a outrem que o pecados deve reportar-se para a reconciliação com DEUS. O “sacerdote”, assim, é substituído pela ASSEMBLÉIA DOS FIÉIS, em cujo seio não há quem se destaque dentre os outros como “mediador” junto a DEUS

Esta é uma das heresias que se insinuam também em ambientes católicos, sem que padres e bispos discirnam aí, presente, o intento diabólico de demolir a Igreja hierárquica…

Entre os senhores, mesmo os que não defendem um erro tão catastrófico, são por isso menos dignos de reprimenda, pois deixam de favorecer a prática da confissão; ao contrário, demonstram atribuir-lhe escassa importância. Na verdade, desestimulam as almas que buscam a confissão freqüente, denominada “de devoção”, consentindo que a Comunhão eucarística, quando não propriamente sacrílega, seja cada vez menos fervorosa, santificante; renunciando ao salutar dever de ascultar com paciência, fornecer explicações, encaminhar no sentido de alguma direção espiritual almas desejosas de progredir na vida da graça…

Quando, pois, se dignam sentar-se no confessionário, salvo honrosas e numerosas exceções, sobre serem expeditivos e intolerantes, com muita freqüência estão despreparados para resolver casos delicados de consciências, mas, sobretudo, não se mostram concordes entre os senhores, dando a impressão de que cada um segue sua moral, diversa da do outro…

Os casos mais correntes, analisados e resolvidos pelo Magistério, concernem ao pecado solitário, a situação dos divorciados, as relações extra-matrimoniais, ás  práticas contraceptivas, aos homossexuais, etc… Em matérias de tal gravidade costuma acontecer que, um confessor absolve, e outro não… Em tal caso, o primeiro é tido como humano, compreensivo, aberto e sagaz, ao passo que o segundo é criticado, porque severo, intransigente, pastoral inepto… Daí advém o mais irreparável descrédito do sacramento e do Clero.

Prescreve o Código de Direito Canônico que o confessionário seja constituído de “grade fixa entre o penitente e o confessor” (c. 964/2), a fim de tornar mais livre a acusação dos pecados, ato por si só penoso, principalmente em se tratando de alguns que não querem ser identificados.

Hoje, contudo, em muitas igrejas, em especial, se novas ou reformadas, ao invés de darem acesso ao “confessionário”, introduzem o penitente numa “saleta”, onde a acusação dos pecados passa a ser sobretudo conversa amigável

Comodamente sentado, o fiel não mais se apresenta com traje de “pecador”, arrependido, confuso, que humildemente pede perdão de suas faltas, resolvido a mudar de vida, disposto a todas as penitências para satisfazer a Justiça Divina… Por sua vez, o confessor não procura apresentar-se com a dignidade própria do pai, mestre, e notadamente juiz, mas, como um velho amigo, que prefere animar o penitente a ter confiança na Misericórdia de DEUS, criando assim uma atmosfera de tolerância, a qual atenua a gravidade do pecado como ofensa a Ele, relativiza a necessidade de uma radical conversão e, no final das contas, acaba quase por excluir a possibilidade do inferno, no qual muitos já não crêem… E, então, ao invés de tocar as consciência, fazem-nas adormecer. Caso absolvam do pecado, não lamentam as omissões, não estimulam ao progresso na virtude, ao heroísmo, a santidade…

Pastores pouco experimentados dirigem um povo formado de medíocres, rotineiros, supersticiosos, dispostos a ceder ante a opinião geral, seguir a moda, permanecendo estranhos a quase tudo o que se refira a vida da graça, indiferentes as vicissitudes da Igreja, a causa da fé.

Muitos sacerdotes desconhecem que, se o batismo faz nascer a alma, a confissão fá-la renascer e crescer, ignoram que a vida interior desta se deve não tanto aos padres pregadores, professores a administradores, quanto á laboriosa e obscura obra do confessor que, no segredo da consciência, sabe compreendê-la e santificá-la

VI – ESGOTAM-SE MUITO, MAS CONVENCEM POUCO

A) Observações dolorosas

É fácil comprová-lo, quase diariamente, porquanto somos testemunhas dos habituais acessos de pessimismo que tomam conta dos senhores.

Indubitavelmente, os escassos frutos de seus trabalhos pastorais são devidos, em grande medida, a nefasta influência da cultura materialista e atéia que grassa em toda parte. A técnica, hoje avançadíssima, busca apenas satisfazer a concupiscência humana, que é senhora de um mundo em permanente estado de revolta contra a Transcendência, o Cristianismo, a Igreja.

O que não surpreende a ninguém, pois já se falou demais disso. A luta entre o bem e o mal, verdade e erro, espírito e matéria, é de fato irredutível. JESUS nos sempre ensinou, e é por essa razão que ordenou aos Apóstolos fossem a luz do mundo, pressupondo que este se achasse nas trevas… Da mesma forma, que fossem o sal da terra, conhecendo bem que o saber profano, malgrado seu prestígio, não passa de insipiência, por onde a sociedade moderna cai no desvario e, obstinando-se na negação de DEUS, precipita-se na catástrofe.

Ora, em tudo isso, após o segundo milênio de evangelização da velha Europa, a maior parcela de responsabilidade cabe aos senhores, pois não estão empenhados, quanto deviam, em ser luz da verdade e sal da sabedoria.

O declínio da civilização cristã hoje é ainda mais preocupante. Estreitíssimo o número, já não falemos dos batizados, mas dos crentes que aceitam o dogma em todos seus artigos de fé, que praticam todos os preceitos da moral católica, especialmente os referentes ao amor, ao sexo, á vida, a família, que participam ativamente do culto, na recepção consciente e alegre dos sacramentos, que mostram, e disto se ufanam, ser membros vivos da Igreja.

Entretanto, é antiguíssima, na Itália, a tradição cristã, está em Roma o centro do mundo católico, a Cidade santificada pelo sangue dos Mártires, honrada pela passagem de incontáveis Santos… Não obstante as perseguições dos governos jacobinos e anticlericais, nossa Pátria forneceu o maior número de sacerdotes, sempre privilegiados, honrados, favorecidos, nas melhores condições possíveis para iluminar as consciências, impor-se á obediência e ao respeito dos fiéis: hoje tudo isso parece praticamente esquecido. A quase totalidade dos jovens está ausente, revelando, senão completa irreligiosidade e impiedade, ao menos indiferença quanto ao “sagrado”, amoralidade, aceitação de todas as capitulações no tocante ao sexo, a violência, a droga… Não faltam os que têm o hábito de blasfemar, escarnecer da fé e das tradições outrora mais veneráveis. São carentes de ideal, não sabem amar, não tem futuro, tampouco querem ouvir falar de amor a pátria, são causa de ansiedade e angústia para os pais.

Quanto á vida religiosa diminui também o número dos anciãos: morrendo estes, amanhã, talvez tenhamos um povo de ateus e infelizes.

Nós, leigos, seríamos hipócritas se nos tivéssemos na conta de exemplares, ao contrário, devemos reconhecer nossa parcela de culpa na falta de correspondência as sábias admoestações da Hierarquia e dos santos pastores das almas.

Muitos, porém, não são tais e, se nos compete rezar por eles, compadecer-nos e defender a dignidade e missão de que estão investidos, não nos é lícito calar e ocultar, pois, em tal caso, eles poderiam ficar presunçosos e tornar-se piores, além de que os que se acham mais distantes da fé julgariam que o verdadeiro sacerdote católico corresponde  a tais modelos.

B)      O grande Desconhecido

Cremos achar-se na raiz de tudo, o que devemos particularmente lamentar, o habitual desprezo que os senhores manifestam pela vida interior, pela intimidade com DEUS, pela contemplação, pela mística, pela graça.

Parecem quase envergonhar-se de crer no sobrenatural, dão a impressão de comportarem-se como funcionários da liturgia resignados, que executam as tarefas como se tratasse de um ofício qualquer a assegurar-lhes sustento, posição na sociedade, sinais de respeito e atenção… Em suma, demonstram não estar de todo persuadidos de sua missão, de considerar-se privilegiados, como atesta a preocupação de fazer pantomimas, deixando transparecer frustração, arrependimentos…

A vida eucarística dos senhores é cheia de langores, revelada pelo modo maquinal e enfastiado de celebrar. Perderam (ou melhor, talvez nunca tenham adquirido) o hábito de “preparar-se devidamente, pela oração para a celebração do Sacrifício eucarístico, e de agradecer a DEUS no final”, segundo lembra o Código de Direito Canônico (c. 909).

Mostram-se animados por uma fé tão fraca, que não mais se dignam fazer a genuflexão diante do tabernáculo, nem ensinar aos outros, especialmente as freiras e as crianças…

Nos folhetos das Missas festivas, divulgados com aprovação dos senhores e distribuídos aos fiéis, consigna-se apenas ficar de pé, nunca falam em ajoelhar-se, mesmo durante a consagração e depois da comunhão (ação de graças).

Após haverem expulsado a Eucaristia do altar (seu único trono digno), quiseram relegá-la para fora da Igreja, construída unicamente para DEUS… Assim, dificultam sempre mais o acesso dos fiéis ao tabernáculo para adorarem o Santíssimo, parecem fazer todo o possível para levar o culto ao esquecimento e, por fim, a abolição. As maquinações da conjuração maçônica surtem efeito, pois, diante do cibório, às vezes não há uma lamparina acesa, nem flores, tudo é pequeno, esquálido, como se estivesse no abandono. A sepultura de um ente querido é muito mais bem cuidada…

C)      Comunhão na mão?

Eclesiásticos, de alto a baixo na Hierarquia,os senhores não tiveram sossego enquanto não puderam “arrancar” de Paulo VI licença para ministrarem a Comunhão na mão. O Papa não queria fazê-lo, não podia comprazer-se com a atitude dos senhores, foi para ele uma tragédia, se desejam conhecer pormenores a respeito, basta consultar a “Reforma litúrgica”, de  A Bugnini ( Edições Litúrgicas, Roma, 1983).

Procuraram deslealmente fazer crer:

a)   que o rito em vigor não era o da igreja primitiva, o que é falso, porque em primeiro lugar nas duas primeiras décadas do século II, sob o pontificado de Sixto I (115-125) quando ainda viviam os discípulos dos Apóstolos, proibiu-se aos leigos até mesmo tocar nos vasos sagrados, de onde é licito supor que se lhes vedasse também tocar nas sagradas espécies (cfr. Mansi I, 653), em segundo, constitui erro “fazer retornar tudo, de todos os modos, ao procedimento antigo”, (Pio XII, Mediator Dei, 50). Somente os protestantes são capazes de sustentar isso, pois negam a Igreja hierárquica aquela santidade que a torna infalível também no processo histórico de sua evolução;

b)   que o novo rito significaria um progresso, o que é errôneo, já que o verdadeiro progresso se deu no primeiro século, quando a Igreja, mais instruída acerca dos ministérios, mais fervorosa na participação do culto eucarístico, mais vigilante na prevenção das profanações e sacrilégios, mais cauta e resoluta no combate à heresia, estabeleceu uma práxis que, de Roma, propagou-se a todo o Ocidente, consagrando-se uma tradição que duraria muitos séculos, fruto maduro de uma experiência altamente providencial… Logo, a nova práxis eucarística é anti-histórica, representa um retrocesso: a suposta “reforma” deformou a liturgia católica num dos pontos mais nevrálgicos da vida da Igreja… É o que propriamente exprime, de forma categórica, Paulo VI na famosa instrução Memoriale Domini, de 29 de maio de 1969 (cfr, Acta Apostolicae Sedis 61, 1969, págs. 541-5);

 

c)   sempre de forma desleal, procuram fazer crer que a reforma seria então mais que oportuna, porquanto ansiada por uma comunidade eclesial cívica e espiritualmente mais madura, a que a Igreja, complacente e maternal se dignaria condescender. Tudo falso, como nos assegura Paulo VI que, informadíssimo de tudo, observa:

“É UMA MUDANÇA IMPORTANTE DA DISCIPLINA, ELA TRAZ RISCO DE DESORIENTAR MUITO FIÉIS, QUE NÃO SENTEM NECESSIDADE DISSO E QUE JAMAIS SE PUSERAM TAL PROBLEMA…”

“PARECE QUE ESTA NOVA PRÁTICA, CÁ E LÁ INSTAURADA, CONSTITUI OBRA DE UM PEQUENO NÚMERO DE SACERDOTES E LEIGOS, QUE PROCURAM IMPOR O PRÓPRIO PONTO DE VISTA AOS OUTROS, E PRESSIONAR A AUTORIDADE”.

“APROVÁ-LO SERIA ENCORAJAR ESTAS PESSOAS QUE JAMAIS ESTÃO SATISFEITAS COM AS LEIS DA IGREJA” (Carta de 18 a 22 de outubro de 1968, corrigida e anotada pessoalmente por Paulo VI, cf. A Bugnini, op. Cit. Págs. 627 e seguintes).

Portanto, não havia nenhuma expectativa por parte do povo; e nenhuma iniciativa “graciosa” por parte da Igreja. Os únicos verdadeiros responsáveis se reduzam a uns poucos padres e leigos presunçosos e agitados. Esta a verdade histórica…

d)   bispos, teólogos e liturgicistas, os senhores tiveram a pretensão de apresentar- nos a reforma como novidade inteiramente acidental e inócua, enquanto que, contra os repetidos desmentidos e advertências de Paulo VI, ela teve “uma incidência fortemente pastoral e mais ainda psicológica. O culto, insiste, e a veneração, bem como a própria fé no Santíssimo Sacramento, ficarão não pouco influenciados por isso” (cfr. A. Bugnini, op. Cit., pg. 624).

Queiram dizer-nos, em que devemos crer nos senhores ou no Papa?…

Por que não quiseram curvar-se as razões expostas por Paulo VI e que, há 26 anos, os fatos vem comprovando, mas ao contrário, fizeram prevalecer as dos inovadores, inconsistentes e mesmo ridículas?

Os  temores do Papa Montini não eram infundados. No dia 3 de setembro de 1965, ele assinava a Mysterium Fidei contra os transviados teólogos holandeses, e confirmava solenemente a doutrina católica sobre a presença real, a transubstanciação e o caráter essencialmente sacrifical da Missa. Ora, coerentemente, poucos anos depois (carta de 18-22 de outubro de 1969 e instrução Memoriale Domini, 29 de maio de 1969), ele não podia deixar de sentir-se gravemente alarmado, quando se pôs a discutir sobre a nova práxis proposta, a qual, segundo definira com precisão, expunha o dogma eucarístico aos ataques da heresia, abalava a fé do povo, afrouxava o fervor, eclipsava o devido e tradicional esplendor do culto, abria a porta a horrendas profanações.

Tudo efetivamente se verificou da perda da (recusa da presença real em virtude da transubstanciação, e do Sacrifício eucarístico, substituído pelo “banquete fraterno”) as profanações, na negligência dos fragmentos caídos, pisados, e na fácil subtração das hóstias consagradas para “missas negras”, e vendidas a alto preço. “Chegam-nos notícias – lamentava João Paulo II, a 24 de fevereiro de 1980 de deploráveis casos de falta de respeito em relação ás Espécies eucarísticas… (Domini Cenae, 11).

Excelentíssimos e reverendíssimos sacerdotes, se estão informados sobre isso tudo, por que se obstinam em aproveitar-se desta inábil e infeliz concessão de Paulo VI? Prefeririam, talvez, uma proibição seca e definitiva em relação a indigna proposta de banalizar o mais nobre dos Sacramentos? Não lhes bastaram as sapientíssimas e perenemente válidas razões alegadas, por meio das quais se apelou á sensibilidade espiritual, á cultura, a experiência, ao zelo pastoral dos senhores?

Dos senhores, pois, a responsabilidade pelos constrangedores incidentes que ofereceram abundante material para as crônicas de jornais e revistas…

Tão só ignorância, leviandade e má fé podem explicar a obstinação com a qual muitos, dentre os senhores, se opõem ás próprias normas do decreto da Conferência Episcopal Italiana, que:

  • considera “o modo costumeiro de receber a Comunhão, pelo qual se deposita a partícula sobre a língua (…) o mais conveniente de todos”, ao passo que o novo é simplesmente permitido “conjuntamente com o uso da Comunhão na boca…” (idem, 15) a quem o desejar. Então, trata-se de uma possibilidade. Os senhores, porém, invertendo as coisas, estão fazendo todo o possível para abolir a antiga práxis, substituindo-a pela nova, que o decreto não apresenta como única ou a preferível… Ora, isso significa enganar os fiéis;

  • muitos há que, tendo abolido o uso da patena, obrigam os fiéis a receber a Eucaristia na mão, enquanto todos os documentos concernentes ao histórico do problema são concordes em reconhecer a caráter totalmente facultativo da novidade litúrgica. E a prepotência dos senhores “donos do culto”, excede todos os limites quando, segundo ocorre com freqüência, chegam a impor aos adultos que recebam a Comunhão na mão, na esperança de habituar as crianças a fazerem o mesmo… contudo, os senhores frisam o respeito a liberdade, não cessam de falar em dignidade da pessoa, combatem todas as ditaduras e violências;

  • o decreto da Conferência Episcopal Italiana (C.E.I.), que talvez muitos dentre os senhores nunca tenham lido ou procurado torná-lo conhecido do povo, acrescenta: “cada qual atente para não deixar cair NENHUM FRAGMENTO”,em razão do que a hóstia deve ser “feita de maneira tal que torne mais fácil tal cuidado”. Mas os senhores expressamente se riram de tal “precaução” , deixando tranqüilamente cair, dispersar-se e pisotear os fragmentos eucarísticos, demonstrando não terem jamais crido na transubstanciação, em seu mistério e desconhecer os elementos primários do Catecismo católico. Os senhores induzem á perda da fé na presença real de CRISTO;

  • e a prova de uma tal desvairada indiferença se nos oferece quando, voluntariamente, assoprando no cibório, espalham pelo ar centenas de minúsculos fragmentos acumulados no fundo, enfim, também quando, ao cair a hóstia, autorizam este ou aquele a apanhá-la, sem verificar onde ela vai parar, igualmente, quando, tendo dado a Eucaristia na mão, não obrigam os senhores, aos fiéis a consumi-la diante dos senhores, como prescreve o decreto, e favorecem, dessa forma, a subtração de partículas, etc.

  • torna-se corrente, por outro lado, o hábito de sentarem-se comodamente, deixando que “ministros extraordinários” distribuam a Comunhão, embora se saiba que a estes foi concedida a licença apenas “em caso de especial necessidade: na ausência do sacerdote e do diácono, ou quando há um grande número de fiéis” (iv, 12).

  • Uma última confirmação da inconsciência dos senhores está em deixar a Eucaristia sobre o altar e convidar os fiéis a pegá-la e a comungar sozinhos… Não obstante isso, ainda a tal propósito, o decreto é inequívoco: “não é permitido aos fiéis apanhar com a própria mão ou diretamente da patena o pão consagrado, nem mergulhá-lo no cálice do vinho, nem passar as espécies eucarísticas de uma mão a outra”, (iv,16). Quem lhes conferiu o direito de dispensar da norma? Esta, reportando-se á estrutura hierárquica da Igreja, obriga a refletir que apenas CRISTO e quem é por ele autorizado, segundo a série de Seus ministros, pode dar-se a si mesmo aos fiéis

Permitindo-se arbitrariedades do gênero, como poderão confirmar em nós a fé na presença eucarística?

Desconcertados, desiludidos, não mais podemos compreender nem suportar. Estão destruindo a própria autoridade.

Precisamente, o suicídio de que se falou acima.

e)     Não mais casa de oração.

Descurando da Eucaristia (que deixou de ser “CUME E FONTE DE TODO O CULTO”, se olharmos como os senhores a tratam), a Igreja deixou de apresentar-se como “casa de DEUS”. A qualquer propósito, transformam-na em sala de concertos, encontros, conversas… Lá se vê aberto o comércio de objetos religiosos. Fazem entrar todos na Igreja, homens de calção e camiseta, mulheres de mini-saia e até mesmo reconhecem direito de ingresso aos animais.

Na Igreja, hoje, fala-se, ri-se, as pessoas movem-se a esmo, bisbilhotando cá e lá. As novas Igrejas oferecem aos visitantes (não mais fiéis e adoradores, mas turistas), apenas cadeiras para sentarem-se, estando abolidas, como no teatro, os genuflexórios. A celebração das núpcias é tão só ocasião de espetáculos, não mais de Sacramento. Autorizam a exercerem funções de testemunhas até mesmo pessoas não batizadas. Para participar das cerimônias, gente de toda espécie (inclusive, amancebados, divorciados, abortistas, empresários desonestos, médicos assassinos, etc…) se amontoa para receber a Comunhão, como se tratasse de um agradável gesto de conveniência imposto pelas circunstâncias…

Infelizmente os senhores acreditam que seria mais prudente calar, fechar os dois olhos, deixar correr, pois do contrário, alegam, ninguém mais entraria na Igreja… Método fácil, pastoral adaptada aos novos tempos de declínio do sagrado. Já se deram então por vencidos?

Acerca dos jovens, com quem “tanto se preocupam”, podemos afiançar-lhes que não souberam entendê-los, se pensam que tudo está resolvido apenas porque organizam equipes de futebol, passeios a praia e as montanhas, reuniões, “camping”, excursões culturais, peregrinações… Talvez não estejam igualmente empenhados em ensiná-los a rezar, participar da liturgia, rechaçar as solicitações do sexo, a indecência das modas… Não pensaram, quanto era necessário, em educá-los para a liberdade do cidadão honesto, do filho temente a DEUS

E certamente os senhores se enganam quanto á iniciativa de se aproximarem de todos, em todas as partes, vestindo-se como uns quaisquer, fumando e bebendo, tomando atitudes liberais e as vezes até indecorosas, fazendo-se chamar pelo nome, dando-se o tratamento de “você”… È dessa forma ainda que, sem mesmo se darem conta, vão extinguindo em si mesmos o sagrado, o sobrenatural, que convém a ministros de CRISTO, de Quem deveriam ser testemunhas sobranceiras, nobilíssimas.

Ora, mesmo que o desejassem como podem esperar que as pessoas ainda creiam na dignidade dos senhores, e queiram abrir a própria alma, confidenciar as próprias misérias para obter o perdão de DEUS?

Associaram as funções do ministério sagrado o ensino da religião nas escolas, para o que muitos dentre os senhores não se achavam preparados…

Freqüentemente, tal coisa redundou em algo insosso, inútil e até prejudicial… Hoje, uma massa enorme de jovens não mais crê em nada. Conforme um levantamento sobre a aula da religião nas escolas públicas, por de traz do otimismo de fachada, os dados revelam, que, nas grandes cidades, o número das defecções está em progressão constante.

Em todas as dioceses, também proibiram os professores de convidar as crianças de família cristãs a fazer o sinal da cruz; e estão destruindo a fé católica ao obrigarem professores das escolas médias e superiores a exporem o Cristianismo do ponto de vista exclusivamente histórico, isto é, nivelando-o com todas as outras religiões. O discutível ecumenismo dos senhores parece tender apenas ao favorecimento das outras religiões, difundido um indiferentismo que, ao final, acabará por excluir  todas, arrastadas pelo vendaval do agnosticismo, cada vez mais decididamente orientado no sentido do triunfo do humanismo ateu.

O “achado” da sala cinematográfica dirigida pelos vigários continua sendo muitíssimo infeliz. A hierarquia católica, não obstante as renovadas recriminações do público, deixa correr, favorecendo a “pornografia no campo católico”. Os senhores autorizam a representação de peças teatrais abertamente blasfemas, nas quais JESUS, a Virgem, a Igreja, etc… São escarnecidos e blasfemados, entre aplausos e gargalhadas dos espectadores, como até a imprensa local informa. A tolerância é cumplicidade que agrava e difunde o fenômeno de uma descrença, que invade todos os lugares.

Em várias dioceses da Itália, além dos verdadeiros mestres da fé, encontram-se também padres pornógrafos, abortistas e pró-divórcio, que desconcertam e aviltam os honestos, armam ciladas aos inocentes, cobrem de lama a Igreja…

Que não bata na velha tecla de que devemos ouvir o que o padre diz, e não o que ele faz, sabem que o “fazer” (ou seja, o modo de proceder) dos senhores, ou bem pode confirmar, ou bem pode negar o “dizer” dos senhores, tampouco ignoram que, para quase totalidade dos leigos como nós, se é comumente difícil de apreender o que dizem quando falam em mistérios, deveres heróicos, é igualmente fácil deixar-nos convencer por aquele que faz o bem, mas, muito mais, por aquele que faz o mal… Na prática, pressupõem no povo uma fé que este ainda não tem, isto é, amadurecida, como deveria ser, e não entendem que somente o exemplo pode fazer a semente germinar, ou seja, transformá-la desde logo em planta, capaz de resistir as forças demolidoras de todos os escândalos. Sempre, obviamente, admitindo-se que seja sempre verdadeiro e correto o que o padre diz… Isso, porém não ocorre quando o padre é despreparado, e, sobretudo quando não tem convicções, e está contra o Magistério, ou mesmo se tem receio de pecar por presunção, caso ouse afirmar decididamente a verdade e distingui-la do erro… Nesse caso, estamos verdadeiramente perdidos…

Surpreender-se-ão se, após tanto esforço, não convencem ninguém, ao ponto de estarem sós, desprezados, provocando sentimentos de comiseração em todos quantos não mais conseguem identificá-los, nem lhes atribuir uma específica posição social? Qual é, afinal, a causa a que se entregaram, que ideais os atraem?

Não é a todos que podemos endereçar estas inquietantes perguntas: muitos são admiráveis e, já informados acerca de tudo o que dizemos, estão sofrendo mais do que nós, isto por verem a própria obra dificultada, e quase inutilizada, á vista do comportamento indigno de seus irmãos.

VII- VIDA CONSAGRADA FRUSTRANTE

 Também aos senhores, reverendíssimos e caros religiosos, temos algo a dizer. Conhecemos muitos, irrepreensíveis, fiéis á própria vocação, ciosos do patrimônio de uma espiritualidade que forneceu a Igreja uma falange de santos, de contemplativos, missionários, mártires… Mas não ignoramos que determinados coirmãos seus não os entendem mais, e, além de os hostilizarem, em nome de uma “reforma” conciliar da qual não apreenderam jamais nem o sentido, nem o alcance.

A esses, pois, nos dirigimos.

Não cessam de reportar-se ao “espírito” do Vaticano II, o qual, entretanto, não pode contradizer-se ao inculcar normas e propor medidas que condenam os senhores.

O documento que lhes concerne conduz á reflexão sobre a riqueza do Corpo Místico, evocando a variedade dos carismas que deram origem a inumeráveis formas de consagração. A isso se deve aquela diversidade de gêneros, de onde provém a fisionomia espiritual única que constitui cada Ordem religiosa, distinguindo-a das demais. Tal compreende o “espírito” que a vivifica, o “fim específico” para o qual foi erigida, e ao mesmo tempo, “os meios necessários” para concretizá-lo, as “tradições” que concorreram para confirmá-lo e propagá-lo conforme as “Regras” aprovadas pela Hierarquia. “Tudo isso lê-se no decreto conciliar constitui o patrimônio de cada instituto” (PC 2).

“Patrimônio”, contudo, que muitos dentre os senhores desconhecem, ou até rejeitam, no afã de degustarem uma maior liberdade espiritual que jamais puderam entender, nem realmente desfrutar. Assim, a secularização, inflando-os até o ridículo, fá-los negar mesmo a ordem do amor, que impõe a primazia do amor de DEUS sobre a caridade em relação ao próximo, da contemplação sobre a ação, da santidade pessoal sobre todas as formas e supostas conquistas do apostolado.

Com efeito, o zelo “pelos outros” leva-os a agitarem-se de modo febricitante, a ponto de se esgotarem fisicamente, sem que obtenham com isso nada de sério e duradouro, ao preferirem o aplauso de um público de medíocres, a notoriedade fátua e falaciosa que todos esquecem, após uns curtos momentos de barulho.

É desse modo que o orgasmo da atividade e a busca do sucesso vão dissipando o espírito dos senhores, cada vez menos propenso a refletir sobre os problemas pessoais, a aplicar-se nos estudos, a preparar-se para responder as tremendas expectativas dos não crentes.

O “social”, todavia, cativa-os a ponto de aturdi-los, olvidam-se dos interesses da alma, das suas relações com DEUS

O confessionário é lhes quase intolerável. Descontínua, superficial e ineficaz a catequese para os adultos, a preparação dos meninos para a Primeira Comunhão, para o Crisma, e a dos noivos para o matrimônio.

Facilmente, fazem-se substituir por leigos, tantas vezes imaturos, geologicamente ignorantes, espiritualmente medíocres. Parece que perdeu o sentido falar-lhes em direção espiritual, a mediocridade é o corriqueiro, e a santidade ilusão e presunção…

A onda de laicização agita-os insensivelmente, levando-os a considerar difícil e estranho o gênero de vida consagrada…

Daí muitos conventos se terem transformados em “casas de acolhida”. Apraz-lhes conviver com pessoas de ambos os sexos, rezar, cantar, passear e fazer excursões com eles. O silêncio outrora, para os senhores, norma irrevogável já não é mais tolerado. A “clausura” está extinta, os tradicionais jejuns ficaram sendo coisas do passado. Solidão, distanciamento das criaturas, recolhimento habitual, etc. O que, há séculos, delineava a fisionomia dos senhores, são idéias que não mais exercem algum atrativo para suas almas…

O constante relacionamento com o mundo induziu-os de tal modo á adaptação, que acabaram por jogar o hábito às traças. De fato, muitos há que contrariamente a uma prescrição do Direito Canônico (c. 669/1) recusam-se a aparecer em público com hábito da Congregação, e até mesmo com o clergyman, esquecendo que o venerável hábito, além de tudo, faria o mundo conhecer a Ordem, sua missão, suas benemerências, seus Santos, atraindo, assim, para junto de si as pessoas melhores…

Inteiramente aburguesados, vestidos como operários da mais ínfima categoria sua apresentação é deplorável, lamentavelmente canhestra… Contudo, em matéria de finanças, estão bem providos, de tal modo que a poucos falta o automóvel e, portanto, a possibilidade de andar correndo por aí, até mesmo viajar ao Exterior, misturar-se com todos, em todos os ambientes, subtrair-se a regularidade da vida comunitária, á obediência devida aos superiores, aos incômodos da pobreza religiosa… Muitos diocesanos não se podem permitir semelhantes liberdade, muito menos as comodidades de que os senhores gozam, ou as despesas que contraem com extrema facilidade…

Nada disso, com efeito, é próprio a torná-los modelares, nem para fazer com que os diferenciemos uns dos outros, segundo a carisma que antigamente definia cada Congregação, tal como fora idealizada e estabelecida pelo Fundador. Por outro lado, se imaginam dedicar-se ao serviço da Igreja, adaptando-se para fazer tudo, em todos os setores do vastíssimo campo do orbe católico, ao final, em nada se especializarão, pois as suas não se distinguirão das atividades das outras Congregações, além de cometerem o erro de invadir outro terreno, suscitando rivalidades e conflitos dolorosos. Em conclusão não atraem o interesse, muito menos o entusiasmo dos jovens, para os quais uma Congregação vale tanto quanto outra. Isto, em grande parte, explica a impressionante redução do número de noviços…

Pela mesma razão, há sempre menos conventos, os edifícios religiosos são fechados, e os senhores se vêem assim obrigados a cerrar suas portas, vendê-los, abandoná-los.

Para sobreviver, acolhem prazerosamente vocações adultas, estas, porém, trazendo consigo uma bagagem de idéias e hábitos inveterados fazem com que os senhores adaptem a disciplina religiosa a tais situações, de fato que, passo a passo, leva a decadência da vida espiritual da Congregação, desnatura-lhe a fisionomia, acelera-lhe a extinção.

Ora, quando isso começa a anunciar-se por meio de indícios inequívocos, não devem culpar exclusivamente as pressões do laicismo que tende a dessacralizar tudo; mas também aos senhores, na medida em que perderam de vista a idéia inspiradora do Fundador, a consciência que este possuía das verdadeiras necessidades da Igreja, bem como a confiança no poder irresistível da graça, a convicção da eterna incompatibilidade entre os critérios do Evangelho e os de um mundo que age sempre sob o signo da matéria, do dinheiro, do prazer, do egoísmo desagregador, que conduz a loucura e a destruição.

Perdida de vista a idéia originária do Fundador – obscurecida, discutida, traída, automaticamente perde o ímpeto, e logo a seguir morre, a única força que os mantinha unidos, daí a recíproca intolerância, que confunde e destrói, fazendo cessar todos os vínculos de obediência aos superiores, de solidariedade fraterna, de colaboração no campo do apostolado.

Somente aí se descobre que tais religiosos vivem sem se conhecer e morrem sem lamentar-se.

CONCLUSÃO

Nós, leigos, ousamos queixar-nos ao Clero, mas não somos anticlericais, são tais, esses sim, os que renegando o sacerdócio, recusam a instituição, sua dignidade, seus poderes.

Não nos consideramos nem um pouco anticlericais, exatamente porque defendemos a todo custo indivíduos que, ornados com as insígnias do sacerdócio, podem desonrá-lo, agindo em dissonância com seus deveres.

A história comprova que, inúmeras vezes, tal possibilidade traduziu-se em fatos, de tal modo que a Igreja, na pessoa de seus ministros, sempre encontrou os mais terríveis inimigos, foi das suas fileiras que saíram os maiores responsáveis de cismas e heresias…

Estes precisamente empregaram todas as energias e fizeram todos os esforços para demoli-la. Tal intento frustrado constitui a iniludível confirmação da origem divina da Igreja.

É preciso, pois, distinguir a instituição dos que a compõem, isto é a dignidade das sagradas ordens, do caráter humano, próprio ás pessoas que dela puderam e ainda podem abusar, consagrando-se, assim, a um mundo dominado pelo Maligno. Constituem eles a anti-Igreja.

É correto, portanto, deplorarmos sua ação maléfica, certos de que se os atacamos além de incitá-los ao arrependimento defendemos a Igreja, constantemente empenhada, ao longo dos séculos, na reforma do Clero, por meio das solenes advertências canônicas, das constituições de novas Ordens religiosas, da canonização dos Santos.

Nosso anticlericalismo, nesse sentido, assemelha-se ao sofrimento que provocavam os alertas de JESUS, de Estevão e de Paulo contra o sinédrio, assim como a de Dante contra a Cúria Romana de seu tempo, “lá onde o próprio CRISTO, a cada dia, vai sendo mercantilizado”. (par.XVII). Nisso está à angústia de todas as almas na resistência do que é humano ao divino, por parte de uma sociedade insolentemente obstinada na recusa em deixar-se transformar pelo fermento evangélico.

Anticlericalismo haveria, então, em todos os Santos, numa plêiade de almas reparadoras, numa multidão desarmada e obscura de fiéis que acompanham e detestam escândalos, arbitrariedades, extravagâncias e profanações.

Nossa reação não é agressiva e amarga, mas fraterna e, ademais, movida por nobilíssimo interesse, pois os senhores, graças aos poderes de que dispõem nos são indispensáveis.

Nos senhores e pelos senhores, é CRISTO que opera, com o Espírito Santo, a Sua graça, a missão da Igreja hierárquica não pode ser substituída pela voz de nossa consciência, pelo nosso fervor pessoal; são os senhores, de fato, que, ao exercerem o sagrado ministério, nos fazem ouvir essa voz, alimentam nosso fervor.

Entendamo-nos, porém: aludimos ás vozes que transmitem a verdade isto é, a verdade absoluta e objetiva de um Magistério que a todos se impõe, bastando para isso ser fiel á palavra de DEUS, a tradição apostólica, á práxis universal dos Santos. Contra a verdade, membro nenhum da Hierarquia tem direito de exigir nossa obediência. A autoridade é legítima unicamente se estiver a serviço da VERDADE.

A luz da verdade revelada pelos senhores infalivelmente ensinada e por nós aprendida é que nos estimula a escrever para desabafar, dizendo que NÃO AGÜENTAMOS MAIS!

Nosso silêncio poderia ser culposa aquiescência, logo cumplicidade, que convidaria o mundo ridicularizar nossa fé, pisotear nossos mais amados e eternos valores.

   

ADENDO

O que segue foi obtido graças a alguns exorcismos. Se foi o demônio que se exprimiu nos termos que referiremos e nas circunstâncias precisas indicadas pela fonte de onde o extraímos, pouco importa, é certo, entretanto, que tão somente o demônio é capaz de pensar, desejar e prever o que vem abaixo, coadjuvado pelos melhores aliados com os quais possa contar sobre a terra; os sacerdotes relapso e apóstatas, ainda em atividade se bem que ocultos existentes em todos os níveis do clero, destinados á danação eterna, se obstinam em não voltar atrás.

“Virá logo o tempo em que vossas belas igrejas serão derrubadas, e sereis obrigados a descer ás catacumbas”.

“A celebração da Palavra e a Ceia substituirão a Missa Sacrifício, que eu abomino, pois é exatamente esta que salva o mundo”.

“Primeiramente, vossas igrejas serão transformadas em salas de reuniões, diálogos, danças com música “jazz”, com guitarras e baterias, haverá isso tudo, como nos clubes noturnos”.

“Órgão, o latim e o gregoriano, como também a música clássica polifônica, desaparecerão, são coisas de outros tempos, ultrapassadas!”

“Eu incito á concelebração e intercomunhão entre padres católicos e ministros protestantes ou rabinos hebreus”.

“Eu lhes repito, é preciso dessacralizar tudo, como na Rússia soviética. Em vão implora o Papa que se respeite o sagrado. Ninguém mais o escuta”.

“Vasos sagrados, vestes e ornamentos litúrgicos serão vendidos por catadores de lixo”.

“A Comunhão na mão faz caírem no chão partículas da hóstia e o Corpo de CRISTO é pisoteado”.

“As mulheres que ajudam no altar induzem os sacerdotes ao casamento (…) o povo cristão perdeu  o respeito ao sacerdote, que se tornou um homem, como outro qualquer; perdeu o respeito aos religiosos e religiosas, que se tornaram mundanos, após haverem renegado o espírito de seus santos fundadores”.

“Por todo lado, a educação cristã é posta de lado, neutralizada pela educação laica. A nova geração, sem fé nem lei, torna-se á terrorista e revolucionária por meio do suicídio, eu a conduzirei ás portas do inferno. Vitória de Satanás; em breve, a católica Itália se transformará num país comunista e ateu”.

“Depois, virá a terceira guerra mundial, que me oferecerá ocasião para precipitar milhões de almas no inferno”.

“Non serviam! Vitória de Lúcifer, o AntiCRISTO, o adversário de CRISTO; eu sou o rei do mundo!…”

nas numerosíssimas  “seitas satânicas” (sustentadas pelas lojas maçônicas), espalhadas em todos os países do Ocidente, não se pensa em outra coisa. Mas o poder de CRISTO, mais forte que toda a loucura, indolência e má fé do homem, continuará vencendo.


IMPORTANTE:

Esta é uma carta clara, leal, respeitosa, animada de um imenso amor á Igreja e ao seu clero, categoria nobilíssima, de instituição divina, a que pertencem, porém, indivíduos com freqüência indignos do caráter próprio de “Ministros da Graça”, desiludindo os fiéis, confirmando os preconceitos do laicismo, provocando a revolta e a indiferença do público.

Nota deste Portal:

Após tentativas para contatos com D. Manoel e o Diácono Francisco, deliberamos pela divulgação desta preciosa obra, embasados nas próprias palavras do editor que nos diz: …”Divulgue-o” E pedimos ainda, “chega de hipocrisias, jogo de palavras, profanações, heresias e conduções do povo de DEUS para descaminhos apóstatas…”

Lembrando as palavras ditas por sua Santidade o Papa João Paulo II em visita a sua terra natal, a Polônia em 17/08/2002), o Papa disse que o homem moderno “vive freqüentemente como se Deus não existisse e até se coloca no lugar de Deus”, e ainda salientou: “A humanidade está experimentando um desconcerto diante das muitas manifestações do diabo.” (cnn.com.br)

RESPOSTA

Muito prezado Paulo, salve Maria.Li com atenção o documento que você me enviou, redigido por leigos italianos que não agüentam mais o que maus sacerdotes estão fazendo na Itália.Infelizmente não é só na Itália que isso ocorre.Mais infeliz é nosso país, onde uma carta desse tipo seria considerada desrespeitosa para com a autoridade religiosa. O sentimentalismo nacional tudo edulcora e não suporta que se digam verdades…Infelizmente, nessa carta — que diz tantas verdades e que em geral apresenta tão boa doutrina — há que criticar algumas incoerências e miopias.Em primeiro lugar a incoerência — ou cegueira — por não ver que o Vaticano II está na raiz desses problemas trágicos que a carta denuncia tão bem. Por exemplo, faz uma distinção entre um ecumenismo bom e outro ruim, quando todo o ecumenismo nascido do Vaticano II teve conseqüências trágicas para a fé. Os acusados responderão que a leitura que os redatores fazem do Vaticano II é que é errada, e que eles é que entenderam realmente o que pregou o concilio pastoral.Além disso, haveria que lamentar a citação de alguns autores pouco recomendáveis em matéria de Fé. Por exemplo, como bons italianos eles citam o gibelino Dante em seu ataque contra a os abusos do poder papal. Ora, poder-se-ia perguntar, se Dante vivesse hoje, que teologia ele seguiria? Em todo caso, o documento é bem interessante pela defesa inestimável e recomendável que faz da Sagrada Hóstia, da Presença Real de Cristo na Eucaristia, pela defesa do sacerdócio ministerial, pela defesa da Missa como sacrifício do Calvário, combatendo a doutrina protestante que vê, na Missa, a comemoração da Ceia ou da Ressurreição. Agradeço-lhe pois o envio do documento que vem a seguir.in Corde Jesu, semper,
Orlando Fedeli.

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