O Esperanto, o machado e o sândalo

esperanto

Dentro do imenso mar de influências das vibrações que nos cercam, recebemos e damos, aprendemos e ensinamos, compartilhando com todos a dádiva da reencarnação na macro e na micro-sociedade em que nos inserimos, lucidamente aproveitando ou ingenuamente desperdiçando preciosas oportunidades de crescimento que vão se sucedendo.

Às vezes cruzamos com espíritos de alta envergadura sem disso nos apercebermos claramente. Principalmente se esse espírito tem uma tarefa que, do ponto de vista dos valores materialistas, não se reveste de importância. São criaturas simples, misturadas à multidão, mas sinalizadoras da Verdade na micro-sociedade em que estão inseridas. Seus nomes não se registram nos anais da História, mas seus exemplos de vida evangelizada se inscrevem em letras ígneas na consciência das criaturas que com elas privam.

Um exemplo disso temos em Alcione, espírito luminoso habitante de uma esfera muito mais elevada, já não mais necessitado da vivência na Terra para a própria evolução, mas que por amor se associa à vida terrena de seres amados com evolução retardatária. Traz para a convivência diária dos seus a psicologia dos seres evoluídos, exemplificando o amor a cada momento. A cada vez que relemos o romance “Renúncia”, de Emmanuel, nos surpreendemos com o manancial de ensinamentos evangélicos carrreados por cada atitude de Alcione. Eis um tesouro de ensinamentos de valor inapreciável: o romance “Renúncia”, de Emmanuel.

Outros espíritos de alta envergadura, não mais necessitados de estar entre nós, nos chegam para ter uma influência mais coletiva. Passam pela experiência da projeção social sem alterar a própria humildade e a simplicidade e nunca reconhecem em si o valor que os outros lhes outorgam. Vencem a batalha contra os perigos da fama armados dos próprios valores íntimos conquistados em sua jornada evolutiva. Intuitivamente já se tornaram conscientes de que são instrumentos da vida devidamente utilizados na imensa sinfonia da escalada evolutiva da humanidade, em que cada criatura não vale mais ou vale menos, mas é o que é dentro do momento evolutivo que vive. São sinalizadores da Verdade, exemplos vivos de atitudes evangélicas, que, já tendo em seus corações conquistado a PAZ, não condescendem com a discórdia.

Exemplo de tal espírito é Zamenhof, cuja tarefa foi introduzir o Esperanto no plano encarnado. Renascido num ambiente altamente hostil onde 4 povos falavam 4 línguas divididos por 4 ódios, sendo representante do mais discriminado de todos, o povo judeu, houve razões de sobra para que fosse muitas vezes agredido, ainda na infância. Oprimido, encurralado, menosprezado, motivo mais do que suficiente para traumatizar a alma de uma criança, prejudicando seu desenvolvimento, ou motivando comportamentos reativos de agressividade e rebeldia (não é essa a justificativa da maior parte dos atos violentos?), eis que o menino decide: precisamos falar uma única língua para nos entendermos. Que não seja a minha, nem a deles, mas seja de todos igualmente. Não existe tal língua? Então, é necessário construí-la. E deu início ao ideal que consumiu toda a sua vida.

Assim é a reação dos espíritos elevados. Feridos, reagem construindo o Bem, é o sândalo perfumando o machado… Assim nasceu o Esperanto, a Língua Internacional cuja bandeira representa os 5 continentes integrados na construção e no compartilhamento da PAZ.

O amor universalista despertado no coração do menino, que acionou o processo terreno de construção da Língua Internacional, não conseguiu impedir que o mundo vivesse mais duas guerras mundiais e outras inúmeras guerras menos amplas. Nem que na segunda guerra mundial, a ação organizada das Trevas, sob o absurdo argumento de defesa da hegemonia da raça, ceifasse a vida de seu filho e duas filhas, sacrificados entre milhões de outros seres pelo simples fato de serem judeus. Mas o Esperanto, hoje com 113 anos, é árvore fortemente enraizada, cujos ramos crescem e se espalham pelos cinco continentes, alimentando em seus adeptos a certeza de que o mundo pode se unir em colaboração.

Como sempre, o mal faz o seu ruído, mas o bem cresce inapelavelmente. Que as forças positivas da vida protejam o Esperanto, e que o sonho universalista de Paz de uma criança venha a plenamente se realizar.

 por Neusa Priscotin Mendes (Jornal Verdade e Luz Nº 184 de Maio de 2001)

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