Fatos históricos são de suma importância para entender o sincretismo entre Orixás e Santos católicos, vejamos o que diz Ramatis:

  • Os negros e índios passaram a ter alma, para a Igreja Católica, somente a partir de 1741, com a bula papal Immensa Pastorum, selada pelo papa Bento XIV, que declarava que essas raças, apesar de infiéis, eram receptivas à conversão como todas as outras.
  • Na época da escravatura, os negros eram obrigados a seguir o catolicismo. Quando batizados, recebiam um nome português e tinham de frequentar as missas aos domingos. Os sacerdotes iorubás, entre outras nações africanas que passaram a viver no Brasil, imediatamente identificavam cada santo com alguma das personagens que ilustravam os Orixás, aceitando esses santos prontamente, por sua índole espiritual mística e universalista.
  • Posteriormente, o sincretismo teve a propriedade de favorecer a inclusão social da Umbanda num momento de perseguição e preconceito. As primeiras tendas e os primeiros terreiros levavam nomes católicos com a finalidade de obter aceitação urbana.
  • Ao contrário do início do processo sincrético, em que os negros “fingiam” adorar os santos católicos para não sofrer duras penas dos senhores, essa fusão de diferentes cultos ou doutrinas religiosas, após a libertação dos escravos, sofreu uma reinterpretação com o espiritismo, ocasião em que as fachadas das tendas e dos estatutos de fundação tinham a denominação “espírita” associada a um santo católico, para seus integrantes não serem perseguidos pela polícia.
  • Durante a escravidão, quando os negros eram permitidos a praticarem seus cultos religiosos, na maioria eram obrigados a terem altares com os santos católicos, mas na parte inferior eles fixavam os fundamentos dos Orixás (pedras, minerais, oferendas votivas, ervas, entre outros símbolos) no chão de terra batida. Na hora de cultuar os santos, na verdade, cultuavam os Orixás, e assim conseguiam realizar seus transes ritualísticos sem que o homem branco, o senhor ou o clérigo da vizinhança os proibissem.
  • Pode-se afirmar que até hoje os Pretos Velhos são matreiros para levar os consulentes a se modificarem e a fazerem aquilo que eles recomendam, bem como se mostram atilados quanto ao famoso engambelo, quando o que parece ser não é, principalmente quanto a processos obsessivos que envolvem entidades mistificadoras querendo se mostrar aos médiuns como Espíritos do movimento de Umbanda e não o são.
  • É importante relembrar que nas raízes da fusão sincrética entre os Orixás e os santos católicos está um hábito que até hoje é adotado nos templos de Umbanda: chegar a um terreiro, saudar a entrada e depois o Congá.

Referencia o livro A MISSÃO DA UMBANDA – RAMATÍS.

Publicado por Aprendizes do Conhecimento Divino

Associação de Estudos Aprendizes do Conhecimento Divino - Guarulhos/SP

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