Oráculos na Umbanda

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Adriano d’Ogum fala no vídeo de hoje sobre os oráculos na Umbanda, nesse segundo episódio de “Por que vestimos branco?”. Jogo de Ifá, tarô, runas e tantos outros oráculos, qual deles é o mais importante? Os guias ensinam os médiuns a usar essa ferramenta?

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“Por que vestimos branco?” é uma atividade que acontece todas as segundas-feiras no Tempo de Umbanda Caboclo Sete Espadas e Baiana Maria Ana.

Rua Bandeirantes, nº: 106 – Conjunto Paes de Barros / Cumbica – Guarulhos, SP.

Novo canal, mais um espaço de aprendizado.

Lançamos hoje um novo canal de aprendizado espiritualista. Agora no YouTube, a Associação de Estudos Aprendizes do Conhecimento Divino amplia os horizontes de seu diálogo.

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Ferramentas de Trabalho: A importância dos livros na Umbanda

Imagens do primeiro vídeo:

CRIAÇÃO DO MUNDO SEGUNDO IFA

 

CRIAÇÃO DO MUNDO SEGUNDO IFA

 

No princípio do mundo, só existia OLOFIN e o nada. Somente ele e sua altíssima vibração. Não existia nem tempo nem espaço. Então, ele decidiu pôr em marcha o tempo, originando inúmeras vibrações, suaves, para tecer o Universo. OLOFIN soprou mais forte e, a partir das partículas de seu hálito, se formaram as estrelas e os planetas. OLOFIN emitiu finos assobios dos quais surgiram as diferentes divindades. Ele determinou que as coisas estivessem separadas umas das outras: adiante, atrás, em cima e embaixo, originando o espaço. OLOFIN fez com que tudo tivesse um passado, um presente e um futuro.

Como OLOFIN se sentiu só, criou, de si mesmo, diversas entidades para distribuí-las no espaço. A partir de diferentes vibrações, surgiram diferentes divindades, cada uma com sua própria característica. OLOFIN criou primeiro OLODUMARÉ, para que este dominasse os espaços, e OLORUN para que fornecesse a energia. Em seguida, OLOFIN criou ODUDUWA, OBATALÁ e IFÁ, que seriam os benfeitores da futura humanidade, e deu, a cada um, uma tarefa a ser cumprida. Finalmente, com seu olhar, criou pequenas vibrações individualizadas e manteve a emanação vital permanente.

Tantas foram as criações e realizações, que nos escapam ao conhecimento, mas estão registradas em sua potente memória. Ele deixou estabelecidas as leis dos movimentos, deu cores às vibrações por sua ordem, originando a luz. Estabeleceu o equilíbrio entre as coisas, a comparação e a separação entre elas. Fez com que a lua competisse com o sol pelo domínio das influências no planeta. Depois de ter criado tudo, OLOFIN voltou ao repouso, para usufruir da contemplação da aventura universal.

IFÁ nasceu de OLOFIN para benefício da raça humana. Fez o inventário de tudo que havia sido criado para organizar na escala de valores. Nesta escala, IFÁ colocou OLOFIN no degrau vigésimo primeiro e OLODUMARÉ e OLORUN no degrau décimo sétimo. Ele próprio ficou, junto com OBATALÁ e ODUDUWA, no degrau décimo sexto, porém ODUDUWA ficou a frente, governando a trilogia.

Continuando com a ordenação, IFÄ colocou as divindades maiores no degrau décimo segundo e as menores no oitavo. Também, determinou que os espíritos dos homens divinizados estariam no degrau sétimo e os homens físicos no quinto degrau. Os animais e as plantas ficaram no quarto e, por último, os seres inanimados no terceiro degrau da escala de valores.

IFÁ estabeleceu, no intervalo entre um degrau e outro, sete níveis de diferenciação. Posicionou, então, exatamente no meio deste espaço, o homem comum com suas virtudes e defeitos. Acima, pôs o homem sábio, aquele que aplica sua inteligência em alguma atividade na qual se sobressai dos demais. Um pouco mais acima, colocou a dimensão do homem santo, que aperfeiçoou seu espírito e colecionou virtudes. Acima de tudo, ficou o santo sábio, que resume os melhores atributos que pode possuir um homem. Do homem comum para baixo, IFÁ posicionou o ignorante teimoso, que debocha do que desconhece; um pouco mais abaixo o homem malvado, que possui as piores qualidades e sentimentos da espécie humana e, por fim, o malvado sábio, que, querendo ou não, fez pacto com as entidades malévolas, aplicando sua sabedoria na destruição.

IFÁ instituiu que o comportamento do homem lhe permite ascender ou cair do lugar em que se encontra na escala, pois do meio para cima cresce a influência das entidades nobres e, para baixo, o contrário. Se a pessoa é iniciada e tem bom senso, analisa todas as virtudes e defeitos que existem e os localiza na escala de IFÁ.

O melhor representante de IFÁ na terra é ORUMILA pois ele se nutriu do espírito de IFÁ. Por inspiração divina, construiu o primeiro opelê, a partir do casco de uma tartaruga, e conheceu os ingredientes necessários e adequados e o modo de torná-los sagrados para que o ajudassem no trabalho.

IFÁ herdou de SHANGÔ o tabuleiro talhado na madeira da árvore sagrada. Aprendeu com OSSAIM o segredo das plantas. Recebeu de OGUM as armas do sacrifício. Teve em ELEWARA seu melhor mensageiro e amigo. Conheceu as qualidades das pedras do rio, da mata e do cerrado. Adorou as mulheres porque estas o cuidavam.

ORUMILÁ conheceu, através de IFÁ, os segredos da criação. Ele joga seu opelê para escrever, segundo o signo, o segredo que se revela, elaborando, assim, o livro sagrado. Por isso, diz ORUMILÁ, que tudo se pergunta a IFÁ, pois ele sempre tem uma resposta para cada pergunta.

Há muitos milênios, os homens esqueceram as verdades transcendentais, sem saber que elas ficaram escritas, por fragmentos, no livro sagrado de IFÁ e que ninguém possui esta obra completa, lamentavelmente perdida no tempo. Os iniciados de diferentes lugares têm partes desta grande obra do mestre ORUMILÁ, que chegou aos nossos dias por tradição oral e que devem ser explicadas nos vários signos do oráculo, ainda desconhecidos.

Quando OLOFIN criou, de si mesmo, o grupo de divindades, surgiram, numa última emanação, várias vibrações individualizadas. Tinham a mesma essência do ser que as criou e todas, como ele, conheciam os segredos do Universo. Todas partiram do não-tempo e do não-espaço; o tempo e o espaço não afetavam sua natureza, eram imortais desde o princípio. Afinal, quem pode impor limites ao ilimitado? Quem questiona do grande construtor a sua obra? Isto é assim tanto para as pequenas individualidades quanto para as grandes entidades, todas criadas no Universo com propósitos bem definidos.

Temos, então, o olhar de seres espirituais que interagem com os planos mais densos da criação, que são protagonistas de fatos transcendentes e que vivem sua experiência material na terra. Tudo isso ficou registrado no livro sagrado de IFÁ para que sempre, no futuro, se tivesse conhecimento do passado.

Isto dá um idéia, por exemplo, da grande diferença que existe entre o ser humano e a besta. Essa recebe como herança os instintos e traz ,em sua memória, fragmentos da vida de seus antepassados; possui instintos apurados para enfrentar a natureza, sendo a agilidade ou a força seus atributos principais e com a morte encerra o seu eu individual. Já no ser humano os instintos são mais débeis; esquece suas vidas passadas, a inteligência é o seu principal dote e, ao morrer, sua mente se soma ao infinito, onde o espírito recobra o conhecimento universal.

No princípio, os espíritos se expandiram pelo espaço, vagando sem um destino determinado; não tinham uma tarefa imediata para cumprir no programa cósmico. Foi OLODUMARÉ quem traçou um plano para que se reagrupassem perto da terra, sem ultrapassar a Lua, ficando nessa região do espaço. Foram, desta forma, testemunhas do trabalho dos construtores celestes, quando desceram as divindades maiores, em grupos de sete, cada grupo acompanhado de um séquito de entidades menores, distribuídas pelo planeta.

Os espíritos observaram as evoluções da esfera terrestre, onde se originou a natureza primitiva. Tudo isso ORUMILÁ, inspirado em IFÁ, deixou registrado nos diferentes signos do livro sagrado, para honra do grande benfeitor e de seu pai OLOFIN. Assim, por um tempo indefinido, vagaram estes espíritos sobre a terra, perguntando-se o que os mantinha ali, pois não possuíam os atributos necessários para efetuar qualquer mudança, nem a energia de suas vibrações afetava o que se denominava matéria. Isto porque a escala de IFÁ, também, determinou limites do poder, o que era nítido para toda a criação.

Ainda nos dias de hoje, os espíritos dos mortos vão para LIFÉ OORE, mundo dos mortos, onde recuperam seu conhecimento universal enriquecido com a experiência vivida. Quem visita, por um instante, esse lugar e retorna, em seguida, à vida terrestre, em geral, não encontra palavras para traduzir a grandeza do infinito.

De Lifé Oore descem os espíritos de luz a cumprir diversas missões na terra, e não devem ser confundidos com aqueles outros, escravos das entidades malévolas.

Olofin criou o universo no espaço e no tempo, e junto com ele as luzes que mantêm o equilíbrio, estabelecendo dois extremos: para a direita, se encontram as forças nobres, as que lutam pela harmonia; no lado oposto, estão as forças contrárias. Permitiu que as forças do bem inclinassem ligeiramente a seu favor a balança, sempre com o perigo de perder a vantagem, já que o mal rodeia o bem.

Ifá transmite ao homem sua sabedoria e lhe diz que, do degrau décimo segundo para baixo, todas as divindades e seres da criação podem ser influenciados por uma ou outra força, já que os mais nobres ou generosos têm suas poções e vinganças, e os muito malvados podem abrir o caminho da prosperidade.

Tudo depende do conhecimento que se tenha dos distintos caminhos e do livre arbítrio no cumprimento dos conselhos de Ifá.

Nunca devemos esquecer as recomendações que Orumilá costuma dar, para que as más influências não afetem nosso espírito com a desgraça. Porque ainda que tentemos nos esconder numa roupagem de santidade os maus pensamentos, o que ganhamos ou perdemos nos dá a realidade dos méritos adquiridos. Ainda que as entidades possam ajudar a prosperar, é importante tomar muito cuidado para que sua influência não absorva a pessoa por completo.

Por isto dizemos que, para resolver problemas nobres, trate Exu com respeito. Não faça pacto com as forças do mal para não cair em suas redes. Não imite os defeitos das entidades superiores, eles sofrem as calamidades da vida material, foram criados com propósitos diferentes e gozam da felicidade de seus planos celestiais. Se deixar crescer em você a maldade, corre o risco de, ao morrer, ter seu espírito afastado do conhecimento universal, convertendo-se em mais um instrumento das entidades malévolas.

Para criar a natureza mineral primitiva, desceram ao planeta, em grupos de sete, as divindades maiores misturadas com as entidades menores. Foram sete as vibrações fundamentais. Desceu Olokun para dar forma aos picos e aos oceanos, e Orishaoko para levantar as terras do fundo dos mares. Xangô criou a atmosfera e as nuvens com suas cargas elétricas. Ogum elaborou os minerais e esculpiu as montanhas. Yemanjá recortou as costas, atuando no equilíbrio terra-mar. Oxum deu lugar aos rios, aos mananciais e a todas as águas doces. Oroinha (Agayu) dominou os fogos centrais da esfera terrestre e manteve o controle dos vulcões.

Desceram, em seguida, outros grupos de entidades maiores que criaram as estações, segundo a posição do planeta, assim como a rotação da terra e da lua, dando origem aos mares, aos dias e às noites. Estas entidades utilizaram diversos elementos das rochas, das águas e do ar para criar os reinos animados, a partir da natureza morta. Os vegetais e os animais, seres que possuíam a capacidade de reprodução, modelaram, durante milênios, todas as suas variantes. Aos poucos, foram executando sua tarefa e eliminando uma forma de vida para construir outra mais complexa, dando origem à enorme diversidade que, atualmente, constitui estes reinos.

As divindades fizeram com que as plantas se prendessem ao solo, tornando-se fixas, e que os animais se movimentassem pelo ar, água e terra e utilizassem os vegetais como alimento. Os elementos ficaram constituídos como uma presença vital para estes reinos. Assim, a água permitiu a vida material, o ar contribuiu para o equilíbrio vegetal-animal e foi o veículo do hálito de OLOFIN; o fogo assumiu o papel de destruir e revigorar durante o processo de mudanças e OLORUN foi quem forneceu a energia vivificante.

Estas divindades ficaram a cargo do que haviam criado, se distribuindo, segundo suas características vibratórias, pelas múltiplas riquezas do planeta. Tudo isso foi testemunhado por IFÁ.

Dentro desse processo, desceram ao plano terrestre os três grandes benfeitores da Humanidade: ODUDUWA, IFÁ e OBATALÁ. O primeiro tomou parte da legião de espíritos, que se encontravam próximo, e os instruiu para a tarefa que teriam daí em diante. IFÁ modelou um corpo de muito pouca densidade, semelhante ao físico, que pertenceria a nova espécie, em fase de criação. Cada espírito, instruído por ODUDUWA, ocupou um dos corpos astrais elaborados por IFÁ; com essa morada semimaterial, começaram a vagar sobre a terra, como fantasmas.

Neste momento, OBATALÁ começou a elaborar um nova espécie , destinada a superar os outros animais. Para tanto, combinou os elementos evolutivos necessários, dando forma ao ser humano: duas pernas para sustentá-lo firmemente na posição vertical, própria de um rei; dois braços fortes para que pudesse dominar as outras espécies; um coração grande e forte dentro de um peito poderoso, capaz de proteger a força vital; uma cabeça em cima, com os melhores sentidos, para observar e perceber tudo à distância; um complexo mecanismo de nervos, músculos e fluidos, ficando, assim, consumada a obra do grande construtor do homem.

Terminada esta obra de OBATALÁ, ODUDUWA completou a criação, atribuindo um espírito com seu corpo astral a cada um daqueles reis de OBATALÁ. Estava criada a interação entre o físico e o espiritual, que os ajudou a despertar os sentidos e desenvolver o instinto. IFÁ, que ajudou a executar e testemunhou tão maravilhosa obra, transmitiu a ORUMILÁ a verdade dessas realizações, anotadas nos signos do livro sagrado, para que o conhecimento da criação humana chegasse até os dias de hoje.

Uma vez que o grupo dos espíritos ficou a cargo dos seres humanos e se iniciou a interação corpo-espírito, revelou-se a importância do periespírito criado por IFÁ, pois o espírito desprendido de OLOFIN, com sua imensa vibração, não podia manifestar-se diretamente no plano vibratório do homem animal. IFÁ já tinha resolvido esta contradição quando modelou um corpo astral com vibrações intermediárias, para ajudar na formação do novo ser.

Podemos afirmar, então, que, desde o princípio, o homem se formou com três corpos: o físico, o seu duplo astral e seu espírito, graças a vontade de OBATALÁ, de IFÁ e de ODUDUWA. Porém IFÁ, com sua sabedoria infinita e clarividência, preparou o corpo astral para diversas funções, que são explicadas em diferentes signos, de acordo com a instrução que ORUMILÁ recebeu de IFÁ. Por isso, o homem comum deve aprender os ensinamentos de ORUMILÁ para adquirir sabedoria e o ignorante não deve desprezar o que desconhece, para não aumentar sua ignorância.

Há que aprender sobre a evolução material, pois primeiro as vibrações de energia se acalmaram, tomando formas cada vez mais densas, até chegar à matéria. A quem interessar, este pode ser o ponto de partida para elevar, novamente, a vibração do pensamento e entrar em harmonia com o infinito.

Quando nasceu o duplo astral, ou periespírito, por iniciativa de IFÁ, resultado da união do corpo físico com o espírito que o domina, este teve, entre outras funções, a de permitir ao ser humano alimentar-se da energia vital de OLOFIN. Neste tempo não existia a morte, não se concebia que o criado tivesse um final, o que acontecia, também, com o periespírito. Porém, quando se estabeleceu a morte, pondo fim à vida do corpo físico, o duplo astral, com seus atributos tanto do espírito quanto do corpo material, continuou a existir, além deste último, por um tempo mais ou menos prolongado, de acordo com a influência de uma parte ou outra parte sobre ele. No homem espiritual, o periespírito morre prontamente, enquanto no homem apegado aos assuntos vulgares da vida terrena ele fica vagando pelos espaços escuros, ignorante de seu destino. Ele impede, então, que seu espírito faça a viagem a LIFÉ OORE, a morada onde descansará da missão cumprida, ainda que, mais cedo ou mais tarde, sempre fosse seguir este caminho.

Irmãos, quem tenha vidência para contemplar as formas invisíveis às pessoas comuns, aprenderá a distinguir entre o espírito de luz e as entidades malévolas. O mesmo pode acontecer com os duplos astrais que, sem objetivo determinado, vagam pelo espaço, pois não tendo os atributos físicos necessários, perderam a coerência do pensamento e, muitas vezes, servem de instrumento às entidades malévolas. Tudo isto é o que ORUMILÁ recebe por inspiração de IFÁ, ficando devidamente registrado no livro sagrado.

A irradiação espiritual se realiza enlaçando o corpo físico através de seu duplo astral. O espírito flutua toda a vida ao redor do corpo; esta é sua pequena morada, onde permanecerá um certo número de anos, lutando para lhe transmitir a mensagem do que não morre. Mas o homem comum não recebe muito dessa irradiação. Quando age de forma incorreta, uma voz que vem de dentro e que, geralmente, é chamada de voz da consciência – e que, na realidade, é o seu espírito vem lhe dar conselho. Afinal, quem melhor que a própria pessoa, elevando seu pensamento, para se aconselhar? Quem irá gostar mais de você do que você mesmo?

Por isto, homem comum, tenha a preocupação em se superar. Homem sábio, empregue sua inteligência na meditação sobre estes mistérios para que possa atingir a qualidade de santo. Continue subindo na hierarquia de IFÁ, pois as virtudes fortalecem o espírito constantemente, cobrindo o corpo com uma couraça astral, impenetrável aos maus pensamentos e a toda vibração negativa.

E se você conseguir somar às virtudes dos conhecimentos que ORUMILÁ lhe transmite, poderá conhecer a verdade muito antes da morte do corpo. Poderá compreender as experiências passadas para enfrentar o futuro com êxito. Não será torturado pelo medo e pela incerteza. Quando morrer, seu espírito, já livre de limitações, irá prestar contas diretamente ao poder do infinito.

Tudo isso é parte das lições que IFÁ, o benfeitor, ditou, milênios atrás, para os homens.

Porque Orunmilá é o Deus da Divinação? Porque as Outras Divindades Jogam Búzios?

Porque Orunmilá é o Deus da Divinação? Porque as Outras Divindades Jogam Búzios?
Quando Orisa Nlá Oseregbo criou 401 crianças, ele também criou 401 profissões, ele também criou 401 talentos. Orisa Nlá Oseregbo disse que, cada criança deveria escolher o seu talento.
Havia o pequeno Orunmilá, que por ser fraco não tinha condições de segurar uma enxada. Para ele, até segurá-la era difícil, não hav…ia trabalho fácil para Orunmilá.
Orisa Nlá Oseregbo então disse que ele seria Divinador! Orunmilá perguntou: “que tipo de Divinador”? Orisa Nlá Oseregbo respondeu: “Para tudo o que as pessoas buscarem por você”. Ele presenteou Orunmilá com a bolsa da divinação. Ele disse que se alguém quisesse algo, deveria ir à Orunmilá.
Orunmilá perguntou: “Mas pai, e as folhas? como recomendar o que fazer”? Ele pegou e disse: “Orunmilá, se a mulher não estiver conseguindo ganhar um filho será essa folha. Se uma pessoa estiver com dores no estômago, você deverá indicar essa folha”. Depois desse dia, nunca mais ninguém foi à Oseregbo saber das coisas, tudo deve ser perguntado à Orunmilá.
As outras 400 Divindades também queriam o poder de Orunmilá. Mas Oseregbo lhes disse: “Ògún, você é muito forte, deverá trabalhar na lavoura, Òsóòsì é ágil será caçador e, assim com todos”.
Mas Osun, não deixava Orunmilá ter descanso, ela fazia com que multidões procurassem Orunmilá e insistentemente pedia para ele a ensinar, até que um dia conseguiu.
Mas Orunmilá ensinou Osun a jogar com os dezesseis búzios e não com os seus Ikin. Osun então ensinou muitas Divindades a jogar, mas não todas.
Osun ensinou principalmente Obaluwaiye, o dono do búzio. Ele falou: “você poderá usar os meus búzios, mas somente se me ensinar a usá-los para Divinar”. Assim Obaluwaiye tornou-se um grande “olhador”. Assim Osun tornou-se uma grande Divinadora.
Por causa de Osun, as 400 Divindades começaram a Divinar com os dezesseis búzios.

Abikú (nascer-morrer)

O que é Abikú (nascer-morrer)

…“ABIKÚ Uma criança que morre logo após o parto para atormentar os pais, nascendo e renascendo indeterminadamente.”…

Como entender este fenômeno, que muitos têm medo e ao mesmo tempo curiosidade, mas que para os Yorubás tem explicação e aceitação natural?

Vejamos então, um pouco sobre este fenômeno Abikú.      

Abikú Na Religião Yorubá acredita-se que: são crianças que terão passagem curta pela terra, ou seja, não viverão por muitos anos.

Nas religiões afro-brasileiras existe ainda uma explicação que diz: os Abikú se constituem numa sociedade de espíritos, onde a regra é vir à Terra (encarnar), mas viver apenas por um curto período. Sabe-se que antes de encarnar o espírito se compromete com a comunidade dos Abikú, à qual pertence, de voltar o mais rápido possível, estabelecendo inclusive, data e hora. Existem ebós para quebrar esse pacto do espírito com a sociedade dos Abicun, permitindo assim, que o espírito viva por mais tempo na terra. Na terra dos yorubás, acredita-se que quando nasce um Abikú significa que a família tem dívidas espirituais a pagar; por isso o nascimento de uma criança que necessitará de muitos cuidados espirituais para evitar sua morte prematura — o que sempre é um sofrimento para os pais. Assim como o nascimento de gêmeos, Ibeji é uma grande honra e uma grande alegria para a família, o nascimento de um Abiku é sinal de problemas e de preocupações. Esses espíritos pertencem ao egbé Abiku e não a um egbé da terra. Por isso sua forte ligação com o orun e sua necessidade de sempre tentar voltar ao seu egbé, o que pode causar a morte prematura da criança entre o primeiro e o sétimo ano de vida.

Se uma mulher, em país yorubá dá à luz uma série de crianças natimortas ou mortas em baixa idade, a tradição reza que não se trata da vinda ao mundo de várias crianças diferentes, mas de diversas aparições do mesmo ser (para eles, maléfico) chamado abikú (nascer-morrer) que se julga vir ao mundo por um breve momento para voltar ao país dos mortos, Órun (o céu), várias vezes.

Ele passa assim seu tempo a ir e voltar do céu para o mundo sem jamais permanecer aqui por muito tempo, para grande desespero de seus pais, desejos de ter os filhos vivos.

Essa crença se encontra entre os Akan, onde a mãe é chamada awomawu (ela bota os filhos no mundo para a morte). Os Ibo chamam os abiku de ogbanje, os hauças de danwabi e os fanti, kossamah.

Encontramos informações a respeito dos abikú em oito itens (histórias) de Ifá, sistema de adivinhação dos yorubá, classificados nos 256 Odus (sinais de Ifá). Essas histórias mostram que os abeco formam sociedades no Egbá Órun (céu), presididas por Iyàjansà (a mãe se bate e corre) para os meninos e olókó (chefe da reunião) para as meninas, mas é Aláwaiyé (Rei de Awaiyé) que as levou ao mundo pela 1ª vez na sua cidade de Awayié. Lá se encontra a floresta sagrada dos abikú, aonde os pais de abikú vão fazer oferendas para que eles fiquem no mundo.

Quando vem do céu para a terra, os abikú passam os limites do céu diante do guardião da porta, Oníbodé Órun, seus companheiros vão com ele até o local onde eles se dizem até logo. Os que partem declaram o tempo que vão ficar no mundo e o que farão. Prometem a seus companheiros que não ficarão ausentes, essas, crianças apesar de todo os esforços de seus pais, retornarão, para encontrar seus amigos no céu.

Os abikú podem ficar no mundo por períodos mais ou menos longos. Um abikú menina chamada “A morte os puniu” declara diante de Oníbodé Órun que nada do que os seus pais façam será capaz de retê-la no mundo, nem presentes nem dinheiro, nem roupas que lhes ofereçam, nem todas as cosias que eles gostariam de fazer por ela atrairiam os seus olhares nem lhe agradariam.

Um abikú menino, chamado Ilere, diz que recusará todo alimento e todas as coisas que lhe queiram dar no mundo. Ele aceitará tudo isto no céu.

Quando Aláwaiyé levou duzentos e oitenta abikú ao mundo pela primeira vez, cada um deles tinha declarado, ao passar a barreira do céu, o tempo que iria ficar no mundo. Um deles se propunha a voltar ao céu assim que tivesse visto sua mãe; outro iria esperar até o dia em que seus pais decidissem que ele casasse; outro, que retornaria ao céu, quando seus pais concebessem um novo filho, um ainda não esperaria mais do que o dia em que começasse a andar.

Outros prometem à Iyàjanjasà, que está chefiando a sua sociedade no céu, respectivamente, ficar no mundo sete dias, ou até o momento em que começasse a andar ou quando ele começasse a se arrastar pelo chão, ou quando começasse a ter dentes ou ficar em pé.

Nossas histórias de Ifá nos dizem que oferendas feitas com conhecimento de causa são capazes de reter no mundo esses abikú e de lhes fazer esquecer suas promessas de volta, rompendo assim o ciclo de suas idas e vindas constantes entre o céu e a terra, porque, uma vez que o tempo marcado para a volta já tenha passado, seus companheiros se arriscam a perder o poder sobre eles.

É assim que nessas quatro histórias encontramos oferendas que comportam um tronco de bananeira acompanhado de diversas outras coisas. Um só dos casos narrados, o terceiro, explica a razão dessas oferendas:

 

“Um caçador que estava à espreita, no cruzamento dos caminhos dos abikús, escutou quais eram as promessas feitas por três abikú quanto à época do seu retorno ao céu.”

Um deles promete que deixará o mundo assim, que o fogo utilizado por sua mãe, para preparar sua papa de legumes, se apague por falta de combustível. O segundo esperará que o pano que sua mãe utilizar, para carregá-lo nas costas se rasgue. A terceira esperará, para morrer, o dia em que seus pais lhe digam que é tempo de ele se casar e ir morar com seu esposo.

 O caçador vai visitar as três mães no momento em que elas estão dando à luz a seus filhos abikú e aconselha a primeira que não deixe se queimar inteiramente a lenha sob o pote que cozinha os legumes que ela prepara para seu filho; a segunda que não deixe se rasgar o pano que ela usar para carregar seu filho nas costas, que utilize um pano de qualidade diferente; ele recomenda, enfim à terceira, de não especificar, quando chegar a hora, qual será o dia em que sua filha deverá ir para a casa do seu marido.

  As três mães vão, então consultar a sorte, Ifá, que lhes recomenda que façam respectivamente as oferendas de um tronco de bananeira, de uma cabra e de um galo, impedindo, por meio deste subterfúgio, que os três abikús possam manter seu compromisso. Porque, se a primeira colocar um tronco de bananeira no fogo, destinado a cozinhar a papa do seu filho, antes que ele se apague, o tronco de bananeira, cheio de seiva e esponjoso não pode queimar e o abikú, vendo que a lenha não é consumida pelo fogo, diz que o momento da sua partida ainda não é chegado.

A pele de cabra oferecida pela segunda mãe serve para reforçar o pano que ela usa para levar seu filho nas costas; a criança abikú não vai achar nunca que esse pano se rasgou e não vai poder manter sua promessa. Não se sabe bem o porque do oferecimento de um galo, mas a história conta que quando chegou a hora de dizer à filha que é já uma moça, que ela deveria ir para casa do seu marido, os pais não lhe disseram nada e a enviaram bruscamente para a casa dele. 

Nossos três abikú não podem mais manter a promessa que fizeram, porque as circunstâncias que devem anunciar sua partida, não se realizaram tais como eles tinham previsto na sua declaração diante de Oníbodé Órun. “Estes três abikú não vão mais morrer, eles seguiram outro caminho.”

Comentamos esta história com alguns detalhes porque ilustra bem o mecanismo das oferendas e de sua função. Não é a lenda que nos interessa aqui, mas a tentativa de demonstração de que em país yorubá, a sorte (destino) pode ser modificada, numa certa medida, quando certos segredos são conhecidos.

Em país yorubá, os pais, para proteger seus filhos abikú e tentar retê-los no mundo, podem se dedicar a certas práticas, tais como fazer pequenas incisões nas juntas da criança e aí esfregar atin (um pó preto feito com ossum, favas e folhas litúrgicas para esse fim) ou ainda ligar à cintura da criança um ondè, talismã feito desse mesmo pó negro, contido num saquinho de couro.

A ação protetora buscada nas folhas, expressa nas fórmulas de encantamento, é introduzida no corpo da criança por pequenas incisões e fricções, e a parte do pó preto, contida no saquinho do ondé, representa uma mensagem não verbal, uma espécie de apoio material e permanente da mensagem dirigida pelos elementos protetores contra os elementos hostis, sendo essa forma de expressão menos efêmera do que a palavra.

Em outra história, são feitas alusões aos xaorôs, anéis providos de guizos, usados nos tornozelos pelas crianças abikú, para afastar os companheiros que tentam vir buscá-los no mundo e lembrar-lhes suas promessas. De fato seus companheiros não aceitam assim tão facilmente a falta de palavra dos abikú, retidos no mundo pelas oferendas, encantamentos e talismãs preparados pelos pais, de acordo com o conselho dos babalaôs. Nem sempre essas precauções e oferendas são suficientes para reter as crianças abikú sobre a terra. Iyájanjàsa é muitas vezes mais forte. Ela não deixa agir o que as pessoas fazem para retê-los e porá tudo a perder o que as pessoas tiverem preparado. Contra os abikú não há remédios. Yiájanjàsá os atrairá à força para o céu. Os corpos dos abikú que morrem assim são frequentemente mutilados. A fim de que, dizem, eles percam seus atrativos e seus companheiros no céu não queiram brincar com eles, sobretudo para que o espírito do abikú, maltratado deste modo, não deseje mais vir ao mundo.

Essas crianças abikú recebem no seu nascimento, nomes particulares. Alguns desses nomes são acompanhados de saudações tradicionais. Eles podem ser classificados: quer nomes que estabeleçam sua condição de abikú; quer nomes que lhes aconselham ou lhe suplicam que permaneçam no mundo; quer em indicações de que as condições para que o abikú volte não são favoráveis; quer em promessas de bom tratamento, caso eles fiquem no mundo. A frequência com que se encontram, em país yorubá, esses nomes em adultos ou velhinhos que gozam de boa saúde, mostra que muitos abikú ficam no mundo graças, pensam as almas piedosas, a todas essas precauções, à ação de Òrúnmìlà, e à intervenção dos babalaôs.

Alguns nomes dados aos abikú:

Aiyédùn – a vida é doce

Aiyélagbe – Nós ficamos no mundo

Akúji – O que está morto, desperta

Bánjókó – Senta-se comigo

Dúrójaiyé – Fica para gozar a vida

Dúróoríìke – Fica, tu serás mimada

Èbèlokú – Suplica para que fique

Ilètán – A terra acabou (não há mais terra para enterra-lo)

Kòjékú – Não consinta em morrer

Kòkúmó – não morra mais

Kúmápáyìí – A morte não leva este daqui

Omotúndé – A criança voltou

Tìjúikú – Envergonhado da morte (não deixa a morte te matar)

As cerimônias para os abikú parecem ser pouco frequentes entre os yorubás, a única assistida por Pierre Verger, à cerimônia foi feita pela tanyinnon encarregada do culto aos deuses protetores de uma família tradicional do bairro Houéta, onde em uma casa, num canto da sala principal, oito estatuetas de madeira com 20 centímetros de altura e eram colocadas sobre uma banqueta de barro.

Todas vestidos de panos da mesma qualidade, mostrando pela uniformidade de suas vestimentas, pertencer a uma mesma sociedade (egbé). Seis destas estatuetas representam abikú e as outras duas Ibeji. As oferendas consistiam de oká (pasta de inhame) obèlá (espécie de caruru) èkuru (feijão moído e cozido nas folhas) eran dindi, eja dindin (carne e peixe fritos) que, depois da prece da tanyionnon e da oferenda de parte desta comida às estatuetas, foram distribuídas pela assistência, o que indica que nada tem a ver com “crianças já nascidas feitas no santo”.

Ainda no conceito religioso, levando-se em conta a condição destas crianças, algumas pessoas não precisam ser raspadas ao se iniciarem. Esse é o caso principalmente das crianças que nasceram fadadas à morte, mas que venceram o trágico destino (abikú). Considerando os aspectos de seu nascimento, por exemplo: as crianças que nasceram pelos pés, com o cordão umbilical em volta do pescoço, depois de vários abortos, que foram abandonadas ao nascer ou cujas mães morreram ao dar à luz, venceram o destino. No caso das crianças cujo as mães morreram ao nascerem, se o abikú for indevidamente raspado poderá levar o seu “Pai de Santo ou Zelador” (ou seja, aquele que lhe deu a vida na religião) à morte.

Sob todos estes aspectos, é evidente que para os Yorubás, todo natimorto é abikú e apesar de não haver referencias sobre o aborto, também não há indicações contrarias sobre a relação entre ambos. Contudo, fica claro a necessidade e a importância de todos os que desejam se iniciar no culto de religião Yorubá, comunicar tais condições ao seu Babalorixa ou Yialorixa, os quais através da consulta a Ifa possam identificar a existência de um Abikú.

 

 

Referência:Pierre Verger, Afro-Asia NO. 14, 1983, A Sociedade Egbé orun dos Àbíkú, as crianças nascem para morrer várias vezes, Pierre Verger, pg. 138 a 160

Gaia – Potência Feminina

Gaia é a matriz da maioria das culturas que denominamos indo-européias. Há, em todas as mitologias, a crença no “sagrado” na divindade da Terra, a “Grande-Mãe”. Na mitologia grega, Gaia (Géia) é a personificação divina da Terra (como elemento primitivo e latente de uma fecundidade devastadora e infindável). Segundo Hesíodo e sua Teogonia, ela é a segunda divindade primordial, nascendo após Caos e foi uma uma das primeiras habitantes do Olimpo. Como dissemos, sua potenciadade progenitora é tão intensa que, sem intervenção masculina, dá a luz a Urano (seu filho e esposo), às Montanhas e ao Mar. Casada com o Céu, a Terra gera também os Titãs e os Ciclopes. Absolutamente tudo que cai em seu ventre fértil ganha vida.Potência feminina:Livre de nascimento ou destruição, de tempo e espaço, de forma ou condição, é o Vazio. Do Vazio eterno, Gaia surgiu dançando e girando sobre si como uma esfera em rotação. Ela moldou as montanhas ao longo de Sua espinha e vales nos buracos de Sua pele. Um ritmo de morros e planícies seguia Seus contornos. De Sua quente umidade, Ela fez nascer um fluxo de chuva que alimentou a Sua superfície e trouxe vida.Criaturas sinuosas desovaram nas correntezas das piscinas naturais, enquanto pequenos filhotes verdes se lançaram através de seus poros. Ela encheu os oceanos e lagoas e fez os rios correrem através de profundos sulcos. Gaia observava suas plantas e animais crescerem. Então Ela trouxe à luz de Seu útero seis mulheres e seis homens.Os mortais prosperaram ao longo do tempo, mas estavam continuamente preocupados com seu futuro. No início, Gaia pensou que era uma espantosa excentricidade de sua parte, contudo, vendo que sua preocupação com o futuro consumia algumas de suas crianças, Ela inaugurou entre eles um oráculo. Nos morros do local chamado Delfos, Gaia fez brotar vapores de Seu mundo interior. Eles subiram por uma fenda nas rochas, envolvendo uma sacerdotisa. Gaia instruiu-a a entrar em transe e interpretar as mensagens que surgiam da escuridão de sua terra-útero. Os mortais viajavam longas distâncias para consultar o oráculo: Será o nascimento do meu filho auspicioso? Será nossa colheita recompensadora? Trará a caça suficiente comida? Conseguirá minha mãe sobreviver a sua doença? Gaia estava tão comovida com sua torrente de ansiedades, que trouxe outros prodígios ao futuro para Atenas e o Egeu.Incessantemente, a Mãe-Terra manifestou presentes em sua superfície e aceitou os mortos em seu corpo. Em retribuição ela era reverenciada por todos os mortais. Oferendas a Gaia de bolos e mel e cevada, eram deixados em pequenos buracos no chão à frente dos locais onde eram realizadas as colheitas. Muitos dos seus templos eram construídos próximo a pequenas fendas, onde anualmente os mortais ofereciam bolos doces através de seu útero, e do interior da escuridão do seu segredo, Gaia aceitava seus presentes.A separação do Céu e da TerraUrano, o senhor do Céu, temia de seus filhos o destronassem, de forma que prendia-os no Tártaro. Revoltada com essa ação mesquinha e cruel do esposo, Gaia decidiu armar um dos filhos, Kronos, com uma foice. No momento em que Urano fora unir-se à esposa, em um ciclo perene de criação, Cronos atacou-o e castrou-o, separando assim o Céu e a Terra. O filho lançou às aguás marinhas os testículos do pai… Ainda assim, algumas gotas do líquido gerador divino recaíram sobre Gaia, que fertilizada, concebeu as divindades Erínias (as Fúrias). Significado mitológico:Gaia, na mitologia clássica, personificava a origem do mundo, o triunfo e ordenamento do cosmos frente ao caos (ainda que sua fertilidade parecesse “caótica” devido a sua força primitiva). Manancial dos sonhos, a protetora da fecundidade é comumente relacionada à juventude.Gaia Ciência:O nome Gaia, ou Géia, é utilizado como prefixo para designar as diversas ciências relacionadas com o estudo do planeta. HáA mãe de todas as coisas uma teoria científica chamada “Teoria de Gaia” (1969) que empreende estudos relacionados a ramos da Biologia tais como a Ecologia e que afirma ser o planeta “um ser vivo”. Essa crença prevê a inter-relação dos organismos que manifestam-se em uma correlação infinita. Ainda segundo essa teoria, seria a própria Terra quem criaria suas condições de sobrevivência. Friedrich Nietzsche também se dedicou a Gaia em Gaia Ciência (1882). Nesse livro, há a presença constante do afã de conhecimento do mundo e a obra traz à luz a discussão sobre as Artes (o nome Gaia, nesse caso, é uma lembrança às origens da poesia provençal medieva e significa “feliz”). Fonte de “Potência Feminina”

Os Orixás – um pouco de história

OS ORIXÁS

Um pouco de História:

Na aurora de sua civilização, o povo africano mais tarde conhecido pelo nome de iorubá, chamado de nagô no Brasil elucumi em Cuba, acreditava que forças sobrenaturais impessoais, espíritos, ou entidades estavam presentes ou corporificados em objetos e forças da natureza. Tementes dos perigos da natureza que punham em risco constante a vida humana, perigos queeles não podiam controlar, esses antigos africanos ofereciam sacrifícios para aplacar a fúria dessas forças, doando sua própriacomida como tributo que selava um pacto de submissão e proteção e que sedimenta as relações de lealdade e filiação entre oshomens e os espíritos da natureza.

Muitos desses espíritos da natureza passaram a ser cultuados como divindades, mais tarde designadas orixás,
detentoras do poder de governar aspectos do mundo natural, como o trovão, o raio e a fertilidade da terra, enquanto outros foram cultuados como guardiões de montanhas, cursos d’água, árvores e florestas. Cada rio, assim, tinha seu espírito próprio,
com o qual se confundia, construindo-se em suas margens os locais de adoração, nada mais que o sítio onde eram deixadas as oferendas. Um rio pode correr calmamente pelas planícies ou precipita-se em quedas e corredeiras e oferecer calma travessia, mas também mostrar-se pleno de traiçoeiras armadilhas, ser uma benfazeja fonte de alimentação piscosa, mas igualmente afogar em suas águas os que nelas se banham. Esses atributos do rio, que o torna ao mesmo tempo provedor e destruidor,
passaram a ser também o de sua divindade guardiã. Como cada rio é diferente, seu espírito, sua alma, também tem características específicas. Muitos dos espíritos dos rios são homenageados até hoje, tanto na África, em território iorubá, como nas Américas, para onde o culto foi trazido pelos negros durante a escravidão e num curto período após a abolição, embora tenham, com o passar do tempo, se tornado independentes de sua base original na natureza.

O contato entre os povos africanos, tanto em razão de intercâmbio comercial como por causa das guerras e domínio de uns sobre outros, propiciou a incorporação pelos iorubás de divindades de povos vizinhos, como os voduns dos povos fons, chamados jejes no Brasil, entre os quais se destaca Nanã, antiga divindade da terra, e Oxumarê, divindade do arco-íris. O deus da peste, que recebe os nomes de Omulu, Olu Odo, Obaluaê, Ainon, Sakpatá e Xamponã ou Xapanã, resultou da fusão da devoção a inúmeros deuses cultuados em territórios iorubá, fon e nupe. As transformações sofridas pelo deus da varíola, até sua incorporação ao panteão contemporâneo dos orixás, mostra a importância das migrações e das guerras de dominação na vida desses povos africanos e seu papel na constituição de cultos e conformação de divindades.

Dentro da cultura do Candomblé, o Orixá é considerado a existência de uma “vida passada na Terra”, na qual osOrixás teriam entrado em contato direto com os seres humanos, aos quais passaram ensinamentos diretos e semostraram em forma humana.Essa teria sido uma época muito distante na qual o ser humano necessitava da presençafísica dos Orixás, pois o ser humano ainda se encontrava em um estágio muito primitivo, tanto materialmente comoespiritualmente.

Após passarem seus ensinamento voltaram à Aruanda, mas deixaram na Terra sua essência e representatividade nas forças da natureza.

O que é Orixá?

O planeta em que vivemos e todos os mundos dos planos materiais se mantêm vivos através do equilíbrio entre as energias da natureza. A harmonia planetária só é possível devido a um intrincado e imenso jogo energético entre os elementos
químicos que constituem estes mundos e entre cada um dos seres vivos que habitam estes planetas.

Um dado característico do exercício da religião de Umbanda é o uso, como fonte de trabalho, destas energias.Vivendo no planeta Terra, o homem convive com Leis desde sua origem e evolução, Leis que mantêm a vitalidade, a criação ea transformação, dados essenciais à vida como a vemos desenvolver-se a cada segundo. Sem essa harmonia energética oplaneta entraria no caos.

O fogo, o ar, a terra e a água são os elementos primordiais que, combinados, dão origem a tudo que nossos corpos  físicos sentem, assim como também são constituintes destes corpos.

Acreditamos que esses elementos e suas ramificações são comandados e trabalhados por Entidades Espirituais que  vão desde os Elementais (espíritos em transição atuantes no grande laboratório planetário), até aos Espíritos Superiores que inspecionam, comandam e fornecem o fluido vital para o trabalho constante de CRIAR, MANTER e TRANSFORMAR a  dinâmica evolutiva da vida no Planeta Terra.

A esses espíritos de alta força vibratória chamamos ORIXÁS, usando um vocábulo de origem Yorubana.NaUmbanda são tidos como os maiores responsáveis pelo equilíbrio da natureza. São conhecidos em outras partes do mundocomo “Ministros” ou “Devas”, espíritos de altavibração evolutiva que cooperam diretamente com Deus, fazendo com queSuas Leis sejam cumpridas constantemente.

O uso de uma palavra que significa “dono da cabeça” (ORI-XÁ) mostra a relação existente entre o mundo e oindivíduo, entre o ambiente e os seres que nele habitam.Nossos corpos têm, em sua constituição, todos os elementos naturaisem diferentes proporções.Além dos espíritos amigos que se empenham emnossa vigilância e auxílio morais, contamos comum espíritoda natureza, um Orixá pessoal que cuida do equilíbrio energético, físico e emocional de nossos corpos físicos.

Nós, seres espirituais manifestando-se em corpos físicos, somos influenciados pela ação dessas energias desde o momento do nascimento. Quando nossa personalidade (a personagem desta existência) começa a ser definida, uma das
energias elementais predomina – e é a que vai definir, de alguma forma, nosso “arquétipo”.

Ao Regente dessa energia predominante, definida no nosso nascimento, denominamos de nosso Orixá pessoal, ” Ancestre”, ou o nome esotérico “ELEDÁ”.A forma como nosso corpo reage às diversas situaçõesdurante esta encarnação, tanto física quanto emocionalmente, está ligada ao “arquétipo”, ou à personalidade e característicasemocionais que conhecemos através das lendas africanas sobre os Orixás.Junto a essa energia predominante, duas outras se colocam como secundárias, que na Umbanda denominamos de ” Frente e Juntós”, corruptela de “Adjuntó”, palavra latina que significa auxiliar, ou ainda, chamamos de “OSSI” e “OTUM”, respectivamente na sua ordem de influência.