Os Orixás – um pouco de história

OS ORIXÁS

Um pouco de História:

Na aurora de sua civilização, o povo africano mais tarde conhecido pelo nome de iorubá, chamado de nagô no Brasil elucumi em Cuba, acreditava que forças sobrenaturais impessoais, espíritos, ou entidades estavam presentes ou corporificados em objetos e forças da natureza. Tementes dos perigos da natureza que punham em risco constante a vida humana, perigos queeles não podiam controlar, esses antigos africanos ofereciam sacrifícios para aplacar a fúria dessas forças, doando sua própriacomida como tributo que selava um pacto de submissão e proteção e que sedimenta as relações de lealdade e filiação entre oshomens e os espíritos da natureza.

Muitos desses espíritos da natureza passaram a ser cultuados como divindades, mais tarde designadas orixás,
detentoras do poder de governar aspectos do mundo natural, como o trovão, o raio e a fertilidade da terra, enquanto outros foram cultuados como guardiões de montanhas, cursos d’água, árvores e florestas. Cada rio, assim, tinha seu espírito próprio,
com o qual se confundia, construindo-se em suas margens os locais de adoração, nada mais que o sítio onde eram deixadas as oferendas. Um rio pode correr calmamente pelas planícies ou precipita-se em quedas e corredeiras e oferecer calma travessia, mas também mostrar-se pleno de traiçoeiras armadilhas, ser uma benfazeja fonte de alimentação piscosa, mas igualmente afogar em suas águas os que nelas se banham. Esses atributos do rio, que o torna ao mesmo tempo provedor e destruidor,
passaram a ser também o de sua divindade guardiã. Como cada rio é diferente, seu espírito, sua alma, também tem características específicas. Muitos dos espíritos dos rios são homenageados até hoje, tanto na África, em território iorubá, como nas Américas, para onde o culto foi trazido pelos negros durante a escravidão e num curto período após a abolição, embora tenham, com o passar do tempo, se tornado independentes de sua base original na natureza.

O contato entre os povos africanos, tanto em razão de intercâmbio comercial como por causa das guerras e domínio de uns sobre outros, propiciou a incorporação pelos iorubás de divindades de povos vizinhos, como os voduns dos povos fons, chamados jejes no Brasil, entre os quais se destaca Nanã, antiga divindade da terra, e Oxumarê, divindade do arco-íris. O deus da peste, que recebe os nomes de Omulu, Olu Odo, Obaluaê, Ainon, Sakpatá e Xamponã ou Xapanã, resultou da fusão da devoção a inúmeros deuses cultuados em territórios iorubá, fon e nupe. As transformações sofridas pelo deus da varíola, até sua incorporação ao panteão contemporâneo dos orixás, mostra a importância das migrações e das guerras de dominação na vida desses povos africanos e seu papel na constituição de cultos e conformação de divindades.

Dentro da cultura do Candomblé, o Orixá é considerado a existência de uma “vida passada na Terra”, na qual osOrixás teriam entrado em contato direto com os seres humanos, aos quais passaram ensinamentos diretos e semostraram em forma humana.Essa teria sido uma época muito distante na qual o ser humano necessitava da presençafísica dos Orixás, pois o ser humano ainda se encontrava em um estágio muito primitivo, tanto materialmente comoespiritualmente.

Após passarem seus ensinamento voltaram à Aruanda, mas deixaram na Terra sua essência e representatividade nas forças da natureza.

O que é Orixá?

O planeta em que vivemos e todos os mundos dos planos materiais se mantêm vivos através do equilíbrio entre as energias da natureza. A harmonia planetária só é possível devido a um intrincado e imenso jogo energético entre os elementos
químicos que constituem estes mundos e entre cada um dos seres vivos que habitam estes planetas.

Um dado característico do exercício da religião de Umbanda é o uso, como fonte de trabalho, destas energias.Vivendo no planeta Terra, o homem convive com Leis desde sua origem e evolução, Leis que mantêm a vitalidade, a criação ea transformação, dados essenciais à vida como a vemos desenvolver-se a cada segundo. Sem essa harmonia energética oplaneta entraria no caos.

O fogo, o ar, a terra e a água são os elementos primordiais que, combinados, dão origem a tudo que nossos corpos  físicos sentem, assim como também são constituintes destes corpos.

Acreditamos que esses elementos e suas ramificações são comandados e trabalhados por Entidades Espirituais que  vão desde os Elementais (espíritos em transição atuantes no grande laboratório planetário), até aos Espíritos Superiores que inspecionam, comandam e fornecem o fluido vital para o trabalho constante de CRIAR, MANTER e TRANSFORMAR a  dinâmica evolutiva da vida no Planeta Terra.

A esses espíritos de alta força vibratória chamamos ORIXÁS, usando um vocábulo de origem Yorubana.NaUmbanda são tidos como os maiores responsáveis pelo equilíbrio da natureza. São conhecidos em outras partes do mundocomo “Ministros” ou “Devas”, espíritos de altavibração evolutiva que cooperam diretamente com Deus, fazendo com queSuas Leis sejam cumpridas constantemente.

O uso de uma palavra que significa “dono da cabeça” (ORI-XÁ) mostra a relação existente entre o mundo e oindivíduo, entre o ambiente e os seres que nele habitam.Nossos corpos têm, em sua constituição, todos os elementos naturaisem diferentes proporções.Além dos espíritos amigos que se empenham emnossa vigilância e auxílio morais, contamos comum espíritoda natureza, um Orixá pessoal que cuida do equilíbrio energético, físico e emocional de nossos corpos físicos.

Nós, seres espirituais manifestando-se em corpos físicos, somos influenciados pela ação dessas energias desde o momento do nascimento. Quando nossa personalidade (a personagem desta existência) começa a ser definida, uma das
energias elementais predomina – e é a que vai definir, de alguma forma, nosso “arquétipo”.

Ao Regente dessa energia predominante, definida no nosso nascimento, denominamos de nosso Orixá pessoal, ” Ancestre”, ou o nome esotérico “ELEDÁ”.A forma como nosso corpo reage às diversas situaçõesdurante esta encarnação, tanto física quanto emocionalmente, está ligada ao “arquétipo”, ou à personalidade e característicasemocionais que conhecemos através das lendas africanas sobre os Orixás.Junto a essa energia predominante, duas outras se colocam como secundárias, que na Umbanda denominamos de ” Frente e Juntós”, corruptela de “Adjuntó”, palavra latina que significa auxiliar, ou ainda, chamamos de “OSSI” e “OTUM”, respectivamente na sua ordem de influência.

Hierarquia na Umbanda?

hierarquia

Uma casa de santo seja de Umbanda ou Candomblé, além dos filhos de santo, têm outros participantes que dão suporte aos trabalhos, além de serem considerados, em alguns casos, autoridades na casa. Tais elementos são os Ogãs e Ekédis. A principal características desses filhos é a falta da capacidade de manifestarem o Orixá ou a Entidade Espiritual. Não são rodantes, como se diz normalmente sobre os filhos de santo que têm a capacidade de receberem a entidade, ou seja, de manifestarem através da matéria a personificação do espírito.

Ekéjì (em iorubá) e Ogán são na realidade “Ekéjì Òrìsà” (a segunda pessoa para o Òrisà). No caso, a primeira pessoa do Òrìsà é o babalorixá ou iyalorixá. Ekéjì é um cargo que se divide em algumas categorias e seus atributos (dependendo da categoria) vão cozinhar para a casa de culto, puxar cânticos sagrados da casa, auxiliar o babalorixá ou iyalorixá, costurar e vestir os Órisà, preparar a pintura dos ìyàwó, etc. Algumas destas tarefas podem ser realizadas também por ìyawó, mas o mais comum é as ekéjí fazerem.

Os Ogãs, mesmo os de Umbanda, normalmente não incorporam, embora possa o mesmo ocorrer em alguns casos. Neste caso, não se trata de um Ogã propriamente dito, e sim de médiuns, que podem ser filhos ou não da casa, que estariam momentaneamente ajudando na festa ou sessão, tocando o atabaque. De qualquer forma, é um problema, pois o atabaque é o elemento que faz a chamada da Entidade, e se no meio do toque, o Ogã ao invés de manter a vibração do toque, manifesta-se com ela, poderá criar uma quebra de concentração e conseqüentemente uma quebra fluídica. Seguramente isso ocasionará transtornos em médiuns mais novos como nos mais velhos também, embora não incorporem, com freqüência possuem outras mediunidades, como intuição, visão ou Audição.

Em algumas casas de Umbanda costuma-se dar às pessoas de bom nível social ou amigos que se apresentam para o trabalho e ajuda da casa, títulos de Ogãs. Estes entretanto, que na verdade não participam da vida ativa do centro e comparecem eventualmente às sessões comuns e muito ativamente nas festas, são uma categoria especial e recebem funções específicas, tais como; fiscais da freqüência, servirem bebidas e comidas aos convidados e procurar manter a normalidade dos trabalhos, impedindo o acesso de elementos negativos que possam criar algum problema.

O Ogã e a Ekédi, são funções ou capacitações de indivíduos nas diversas nações de Candomblé. Nas diversas nações afro-descendentes recebem nomes específicos, tratá-los-emos aqui como Ogã e Ekédi, levando em consideração serem esses os termos mais conhecidos por iniciados ou neófitos. Os Ogãs e Ekédis não são apenas iniciantes a espera da manifestação dos Orixás, ou pessoas que possam ajudar de alguma forma a casa. No Candomblé, Ogã e Ekédi, são cargos que já vêm determinados às pessoas.

O Ogã e a Ekédi, primeiramente são suspensos pelo Orixá e futuramente confirmados em iniciação particular, diferente em alguns aspectos, da iniciação dos demais Filhos de Santo. Possuem poderes específicos dentro dos barracões, pois são autoridades especiais, sendo considerados pais e mães por natureza. A eles são atribuídos os atabaques, os sacrifícios animais, a guarda de elementos espirituais do culto, colheita de ervas, responsabilidade pela cozinha do santo, auxílio imediato ao Babalorixá/Yalorixá nos Ebós e obrigações dadas nos filhos. São Mães e Pais Pequenos, Mães Criadeiras, verdadeiras mães e pais a quem os filhos devem respeito e carinho. É importante lembrar que guardada as proporções de cada uma das funções, tantos uns como outros, são importantíssimas em suas funções e seria muito difícil, quiçá impossível, vários objetivos do culto serem alcançados sem suas presenças.

Respeitem e tratem muito bem, com carinho, amor e devoção aos seus Ogãs, Ekédis, Mães e Pais Pequenos, são eles que de alguma forma, fazem com que o caminho a ser trilhado, por todos, dentro da religião, seja menos penoso, mais alegre e muito mais feliz.

Pai Adriano d’Ogum – Sacerdote Umbandista

Arquétipos relacionados aos Orixás – Oxum

oxum

Atributos como amor-doação, caridade, misericórdia, compaixão, complacência e fertilidade acompanham os filhos banhados nessa encarnação por essa maravilhosa energia de Oxum. Os tipos psicológicos de Oxum são pessoas serenas, gentis, emotivas (choram com facilidade), e altamente intuitivas. Observadores dos sentimentos, usam-nos assim para alcançar seus objetivos.

Em geral são envolventes e amigos. Apesar dessas características de comportamento, por vezes são desconfiados, indecisos e vingativos, sendo astutos para “jogar” com o emocional das pessoas que estão a sua volta. Preocupam-se com a higiene pessoal, gostam de estar sempre perfumados e bem-vestidos. Possuem uma força de penetração na natureza humana fora do comum, são psicólogos natos. Pela alta sensibilidade e apurado sentimento de amor, são exímios na magia e excelentes médiuns e dirigentes.

A saúde dos filhos orientados por essa maravilhosa energia de Oxum, por vezes trazem consigo distúrbios ginecológicos, atingindo o útero, os ovários e as trompas. Podem vir a ter dificuldade para engravidar, mas com tratamento, a fim de normalizar ou recuperar a fertilidade, obtêm sucesso. Há também a possibilidade de depressão, desencadeada por estresse emocional.

Os filhos de Oxum carregam em si muitas vezes aspectos positivos como a graciosidade, bondade, julgamento sensato, boas maneiras, no entanto, precisam combater com grande afinco aspectos negativos como a insatisfação, articulação da vingança, pois não esquecem uma traição ou ofensa, agarrando-se às lembranças e recordações do passado, grandes desafios para aqueles que carregam em suas coroas toda a doçura das águas cristalinas de mamãe Oxum.

Florais de Bach: Honeysuckle, Crab Apple, Vervain, Holly e Olive.

Florais de Saint Germain: Madressilva, Limão, Pepo, Rosa, Embaúba e Saint Germain.

Metal: ouro.

Signo: câncer (pela regência da Lua), e touro e libra (pela regência de Vênus). A maior influência aqui é a planetária.

Planeta: Lua, no que se refere à fecundidade e à gestação; Vênus, no que se refere à beleza, à satisfação, ao gosto refinado por tudo o que é caro.

Erva: erva de Santa-Maria.

Flores: amarelas.

Chackra: frontal e cardíaco.

fonte: Umbanda Pé no Chão – Norberto Peixoto

Arquétipos associados aos Orixás – Iansã

Iansã

Atributos como movimento e mudança, necessidade de deslocamento, transformações materiais, avanços tecnológicos e intelectivos e luta contra as injustiças trazendo equilíbrio às ações humanas são características básicas e inerentes as pessoas que carregam à sua frente nessa encarnação toda força de Iansã.

Os tipos psicológicos das filhas de Iansã podem ser irrequietos, por terem muita rapidez de raciocínio e agilidade mental. O psiquismo de Iansã é propenso à educação, à oralidade, à orientação, não se deixando prender a tarefas rotineiras e repetitivas. Precisam colocar em prática a sua garra e impetuosidade diante do novo, como as nuvens nos céus que mudam constantemente o formato, moldando-se aos ventos.

Carregam em suas ações coragem, lealdade e franqueza, fluidez de raciocínio, o que propicia a higienização mental, mudança de pensamento (jogo de cintura), e facilidade de falar, além de talento artístico, charme e sensualidade, no entanto, tem como um dos grandes desafios em sua encarnação trabalhar para se verem livres do ciúme doentio, rancor, impulsividade (agem sem pensar), fraqueza, impaciência e culpa para assim serem livres como os ventos de Iansã.

Florais de Bach: Impatiens, Pine, Centaury, Holly e Walnut.

Florais de Saint Germain: Patiens, Grevílea, Cocos, Varus, Monterey e Embaúba.

Saúde: doenças relativas ao aparelho cardiorrespiratório, como angina, dores no peito, bronquite e asma.

Mineral: granada vermelha.

Metal: não tem, pois seu elemento é o ar. Domina os ventos, os raios e as tempestades.

Signo: gêmeos.

Planeta: Urano (regente de aquário) é o planeta que promove as mudanças rápidas e drásticas, os rompimentos, a abertura para o novo e o movimento incessante. Na astrologia, Urano é a oitava superior de Mercúrio; isso quer dizer que, em Mercúrio, lidamos com as questões do dia-a-dia (a tecnologia, as comunicações, os documentos) utilizando a inteligência de forma rápida na busca da solução das situações inesperadas; são os insights, ou seja, o lampejo, a ideia incessante buscando aquilo que ainda não foi realizado ou imaginado. É o chamado de “anarquista”, aquele que rompe com os padrões estabelecidos e traz a visão de futuro.

Erva: espada de Santa Bárbara.

Chackra: cardíaco.

fonte: Umbanda Pé no Chão – Norberto Peixoto

Arquétipos associados aos Orixás – Ogum

OGUMmege

Atributos como vontade e vitória (caminhos abertos), energia propulsora da conquista, impulsos da ação, do poder da vontade (o poder da fé). Fazem dessa energia, a força (luta) inicial para que haja a transformação, são o ponto de partida daquele que está à frente. É a vida em sua plenitude o poder do sangue que corre nas veias, a manutenção da vida.

Os tipos psicológicos dos filhos de Ogum podem ser irascíveis, excessivamente diretos em suas opiniões, francos em demasia e até impulsivos. São tenazes e agem com muita vontade e energia para alcançar os seus objetivos, e não descansam enquanto não atingem a vitória, onde muitos já teriam desistido da luta e perdido as esperanças. Por serem demasiadamente francos, às vezes são arrogantes e auto-suficientes, melindrando pessoas de estima baixa com certa facilidade. No entanto, pela franqueza e transparência de suas intenções, acabam angariando muitos amigos e admiradores, o que pode deixá-los um tanto vaidosos. Raramente são odiados.

Dentre seus aspectos positivos transmitem sinceridade e franqueza, coragem, decisão, elegância, liderança. Mas também sabem ser dóceis, amáveis e generosos, no entanto, precisam muitas vezes lidar com aspectos negativos como a vontade fraca, apatia, egoísmo, dificuldade de perdoar e também de dizer “não”. Podendo ainda ser autoritários, ciumentos, covardes e teimosos. Duras batalhas diárias forjam os filhos deste orixá, para que ao longo do seu reinado no Ori, façam-se espíritos fortes como sua espada.

Florais de Bach: Centaury, Vine, Cherry Plum, Rock Water, Impatiens e Holly.

Florais de Saint Germain: Curculigum, Cocos, Goiaba, Piper, Patiens, Leucantha.

Saúde: doenças relacionadas com o sistema nervoso (tornando sensível o aparelho digestivo) e as articulações (braços, pulsos e mãos). Pontos fracos: cabeça e estômago.

Mineral: rubi e água-marinha.

Metal: ferro.

Signo: áries.

Planeta: Marte.

Ervas: espada de Ogum.

Flor: cravo vermelho.

Chackra: solar.

fonte: Umbanda Pé no Chão – Norberto Peixoto

Olódùmarè, o Deus Supremo

Yoruba_gelede_1_
IMPORTANTE: A coluna de sábado deste blog tem como base o estudo de artigos antropológicos, buscando sempre fundamentar de forma coerente religiões, bem como sua formação ao longo da história.

Acima dos orixás reina um deus supremo, Olódùmarè, cuja etimologia é duvidosa. É um deus distante, inacessível e indiferente às preces e ao destino dos homens. Está fora do alcance da compreensão humana. Ele criou os orixás para governarem e supervisionarem o mundo. É, pois, a eles que os homens devem dirigir suas preces e fazer oferendas. Olódùmarè, no entanto, aceita julgar as desavenças que possam surgir entre os orixás.

Essa definição parece ser uma tentativa de elaboração de um sistema que centraliza o que era diverso e harmoniza o que era incompatível entre orixás vindos de horizontes muito diferentes, como sugere Léo Frobenius. Apesar de sua posição de sua posição muito exaltada, Olódùmarè não conseguiu, entretanto, resolver o conflito surgido entre Obalúayé e Nana Buruku de um lado e Ògún, do outro. A esse respeito, falaremos mais adiante.

Admitindo o papel de deus supremo atribuído a Olódùmarè e se pairarmos acima das sutilezas locais, evitando fazer alusão às incoerências que resultam da pluralidade dos orixás, todos igualmente poderosos, parece que poderemos elaborar um sistema em que cada orixá torna-se um arquétipo de atividade, de profissão, de função, complementar uns aos outros, e que representam o conjunto das forças que regem o mundo. É o que exprime algumas histórias de Ifá, que os babalaôs, como as que se referem ao que já foi dito acima : “Os orixás e os eboras são os intermediários entre Olódùmarè e os
seres humanos e receberam, por delegação, alguns de seus poderes” .

Em um tal sistema, os orixás, mais comumente chamados ìmólè pelo Rev. D. Onadele Epega, teriam sido divididos em dois grupos: “ Duzentos ìmólè da direita, igba ìmòlè, e quatrocentos da esquerda, Irún ìmólè” . Uma Fórmula de saudação ritual sobre a qual pouco se sabe e que é ainda pronunciada, no Brasil, pelos descendentes dos iorubás, que vivem, sem outra explicação a não ser que, outrora, entre os iorubás, o primeiro algarismo significasse um grande número e o segundo, um grandíssimo número.

Olódùmarè mora no além, Òrun, traduzido geralmente por “ céu” . Mas há ai, sem dúvida alguma, incompreensão por parte dos pesquisadores, todos formados com a ideia de que Deus mora no céu. Em outro trabalho, mostramos que, entre 1845 e 1962, dos dezoito autores principais que abordaram o problema do deus supremo entre os iorubás, treze eram missionários católicos e protestante e só dois eram antropólogos, sendo os outros três um cônsul, um tenente-coronel e um alto funcionário da administração colonial, todos de nacionalidade britânica.

Quase todos esses pesquisadores dão Olóòrun, dono do céu, como primeiro nome ao deus supremo dos iorubás e Olódùmarè, como segundo.

Nessa pesquisa da definição do deus supremo, como em muitas outras sobre o assunto, cria-se geralmente uma situação inoportuna entre o pesquisador e a pessoa interrogada. Esta última pega rapidamente o sentido do pensamento do primeiro e, benevolamente, dá respostas que se ajustam à hipótese da pesquisa. Mesmo se o informante não alterar voluntariamente os fatos, tentará ao menos exprimir-se em termos compreensíveis ao seu interlocutor, resultado daí grande satisfação para este último e enorme prejuízo para a verdade. Um desses pesquisadores, o Padre Bouche, já reconhecia, entre 1866 e 1875, que “ os intérpretes negros preocupam-se menos com a exatidão do que com o
fato de não descontentarem o branco, e não deixam de lisonjeá-lo pelas interpretações que sabem ser de seu agrado ou pelo menos existentes em suas idéias” .

Três desses pesquisadores, de origem iorubá fazem exceção a essas observações:

Onadele Epega, que em seu livro nunca emprega a palavra “ Olódùmarè ao deus supremo e acentua que “Olóòrun é o nome utilizado pelos cristãos e pelos mulçumanos para seus trabalhos de conversão dos infiéis” .

O Reverendo Padre Moulero, o primeiro nagô a ser ordenado padre no Daomé, chegou a escrever que “ as populações neste país só acreditavam nos ídolos e não conheciam a Deus, mas é preciso fazer uma exceção em favor dos nagôs, que sob influência dos muçulmanos, adquiriram (antes da chegada dos missionários católicos) um conhecimento de Deus que se aproxima da noção filosófica cristã” .

Para definir Olódùmarè, os “ pais do segredo” , nome dado aos adivinhos, dos quais falarem mais adiante.

Algumas tradições pretendem que Òrun não esteja situado no céu, mas debaixo da terra. Há, efetivamente, em Ifé um lugar chamado Òrun Oba Adó, onde haveria “ dois poços sem fundo que os antigos diziam ser o caminho mais curto para o além” .

Este Òrun é o além, o infinito, o longínquo, em oposição ao ayé, o período de vida, o mundo, o aqui, o concreto.

É no Òrun que habitam os montes, os ará Òrun, que voltam periodicamente ao mundo, ayé, para se tornarem novamente seres vivos, ará ayé. “ Esses além assemelhar-se a terra, porém triste e lúgubre” . As almas apressar-se-iam em voltar para a terra, para a mesma família, da qual alguns membros usam o nome de Babatúndé ou o de Iyátúndé, o que significa “ o pai ou a mãe voltou” . Estamos longe do céu paradisíaco e macio dos cristãos e muçulmanos.

Os próprios deuses não parecem felizes em seu desterro no Òrun-além, e durante as cerimônias realizadas em seu louvor apressam-se em volta as terras, encarnando-se nos corpos em transe de seus descendentes que lhes são consagrados.

A ideia de que Òrun-além está situado embaixo da terra é comprovada durante as oferendas aos orixás, quando o sangue dos animais sacrificados é derramado no ajúbo, um buraco cavado na terra, em frente ao local consagrado ao deus, e os olhares se voltam para o chão e não para o céu.

fonte: OS ORIXÁS de Pierre FATUMBI Verger

Arquétipos Associados aos Orixás – Xangô

xango

Atributo como sabedoria e prudência, entendimento do encadeamento de nossas ações e reações, as quais estabelecem uma relação de causa e consequência no sentido de ascensão espiritual (equilíbrio cármico) compõem os tipos psicológicos dos filhos de Xangô que podem ser voluntariosos, rígidos em suas opiniões, e, quando contrariados em seu pontos de vista, são enfáticos e até duros na defesa de suas opiniões, principalmente se estiverem com a razão. Todavia, com a maturidade, se tornam muito sábios, mansos e de grande compostura moral, como o velho pastor da montanha que tem a firmeza da rocha e a mansuetude da ovelha.

Se por um lado carregam aspectos positivos como justiça, discernimento, palavras adequadas no momento certo, equidade, nobreza de caráter, atitude digna, organização e trabalho, progresso cultural e social, altivez e inteligência. Têm habilidade na oratória e no domínio das multidões, e gostam do conforto. Os filhos de Xangô trazem muitas vezes latente em suas personalidades aspectos negativos como onipotência, rigidez de opiniões, vitimização, palavras metálicas que ferem (“só eu tenho razão”…), prolixidade, vaidade exacerbada e conservadorismo extremo.

Ponderamos que os traços psíquicos associados aos orixás não são definitivos nem se apresentam isolados um dos outros. Como todos ternos a influência do meio ambiente bio-psico-social em que vivemos, e ao mesmo tempo das energias de todos os Orixás, que estabelecem um sentido a ser seguido no caminho da ascensão espiritual a serem traçados pela pessoa que sofre diretamente a influência desse Orixá em sua coroa.

  • Florais de Bach: Vervain, Rock Water, Beech e Willow.
  • Florais de Saint Germain: Verbena, Piper, Alcachofra e Wedélia.
  • Saúde: problemas no sistema cardiovascular, podendo aparecer hérnia, hipertensão, estresse e ansiedade (impotência masculina).
  • Mineral: ametista, topázio.
  • Metal: estanho.
  • Signo: sagitário/peixes.
  • Planeta: Júpiter.
  • Ervas: guiné, pára-raios.
  • Flor: lírio branco.
  • Chackra: cardíaco.
fonte: Umbanda Pé no Chão – Norberto Peixoto