O Mito Esotérico de São Jorge

O Mito Esotérico de São Jorge

São Jorge de Anicii nasceu no século III d.C. na Capadócia (região hoje pertencente à Turquia) e foi capitão do exército do Imperador Diocleciano, até que este decidiu exterminar os cristãos. Jorge de Anicii, cristão de nascimento, enfrentou a decisão do Imperador, que fez com que fosse torturado e degolado no ano de 303 d.C.

Todavia, o que importa aqui não é a história do sacrifício de São Jorge, mas a lenda da sua luta contra do Dragão Negro. Antes, porém, é interessante analisar a etimologia do nome “Jorge”. Seu nome de batismo foi Georgius, que pode ter derivado de Geos(“Terra”) e Orge(“Cultivo”), ou seja, Terra de Cultivo. Mas Georgius também pode vir da junção das palavrasGerar (“Sagrado”) e Gyon (“Areia” ou “Luta”), ou seja, “Areia Sagrada” ou “Lutador Sagrado”.

É dito que a luta entre São Jorge e o Dragão Negro ocorreu na antiga Líbia (que significa “Coração do Mar”) para salvar a filha do rei, entregue como sacrifício ao dragão para proteção da cidade de Silena (“Prado Brilhante”). Interessante notar que o nome Silena nos recorda a deusa grega da Lua, Selene. Por isso, talvez, muitas vezes o Santo é retratado combatendo na Lua.

De todas as formas, o simbolismo da luta contra o dragão é muito profundo para o gnosticismo. Simboliza, num grau de compreensão, o Iniciado, o Adepto, lutando contra suas próprias forças inferiores, contra o Ego, o Eu Pluralizado, o “Mim mesmo”, o “Eu Satã”. Aqui podemos ver claramente o dragão simbolizando algo tétrico, abismal, pois sua vítima seria a Princesa, símbolo da nossa Consciência, da Alma Divina ou Espiritual.

São Jorge sempre montado em um cavalo, o que representa o domínio sobre as emoções, sobre os pensamentos, enfim, sobre si mesmo. Controle pleno dos seus instintos, indicando sua Maestria. Recordamos do Cristo Jesus entrando na Jerusalém Celestial sobre um jumento, símbolo do domínio da Mente.

Sua arma, a Lança, nos recorda a Lança de Longinus que feriu o costado do Cristo. Também representa a Lança de Atena, a deusa protetora. É a nossa energia elétrica vital, profundamente sexual, sem a qual não é possível a decapitação do dragão negro dentro do Adepto. A força de sua Lança indica a castidade científica e sacrifício. Tem íntima relação com a Mãe Divina Interior de cada um(Devi Kundalini Shakti entre os indianos, Ísis entre os egípcios, Ishtar entre os babilônios, Coatlicue entre os astecas, entre outras Mães Divinas).

Os loucos são ditos “lunáticos” (habitantes da Lua) e quando estamos divagando, as pessoas dizem que estamos no “Mundo da Lua”. A Lua aqui representa a Mente. Aquele que é dominado pela Mente (ou muitas “Mentes” de nosso interior) muitas vezes se comporta como um louco, sem razão, sem controle de seus atos. A batalha interior entre a Consciência (São Jorge) e o Eu Psicológico (Dragão Negro) ocorre no Mundo da Mente, pois os diversos agregados psíquicos são formas mentais que ali habitam.

Até aqui fica a explanação de uma lenda com indicações esotéricas muito claras, todavia, alertamos que existem níveis e níveis de compreensão. O Dragão Negro simboliza coisas ainda mais profundas, pois tal entidade é a sombra da Luz.

gratidão!

AMOR ERÓTICO AO AMOR DIVINO

Podemos observar ao longo da história da humanidade, em todas as formas de arte a busca sempre constante por expressar, definir, exaltar e até mesmo compreender a este sentimento ou algo misterioso que se chama amor.

Os gregos utilizavam mais de uma terminologia para designar ao amor.  Sendo três muito importantes: Ágape, Eros e Filos.

Eros é o termo que se traduz em amor erótico ou sexual. É ao mesmo tempo um deus no panteão grego. Esta divindade do amor, foi mencionada na Teogonia de Hesíodo, e este lhe atribuiu o papel unificador e coordenador dos elementos da criação, sendo portanto definitivo no processo de passagem do Caos para o Cosmos.  Eros, o mesmo cupido, une em matrimônio o homem e a mulher, para que estes dois possam completar-se um no outro,e consubstancializar o amor através da união sexual. Este sentimento de amor erótico no sentido mais transcendental da palavra só pode ser encontrado no leito nupcial dos esposos. Por isso Eros une os casais…

Temos ainda o termo Filos que também significa amor. Porém já se trata de uma distinta forma de amor, que seria o amor de amigos.  Daí vem o termo filosofia que significa amor à sabedoria, ou amigo da sabedoria. Esta forma de amor deve estar também presente entre esposos, porque permite uma relação de confiança, respeito e companheirismo.  Eros é o sentimento que nos leva a despir o corpo para o ser amado, enquanto Filos nos leva a despir a alma, para que haja uma verdadeira comunhão. Este amor de amigos, no coração puro, se estende a todos os seres da criação.

Já Ágape é a expressão mais exaltada e sublime do amor. Foi sempre utilizado nos textos cristãos como significação do amor de Deus, o amor desinteressado, indistinto e incondicional. Esta forma de amor faz com que o ser humano vá muito mais além de sua natureza inferior e busque divinizar-se. Faz-nos ver além dos defeitos alheios, conectando-nos assim com a virtude de cada um. E ainda, nos move a querer abandonar os nossos próprios defeitos e imperfeições. Como descreve em 1 coríntios 13 “O amor é sofredor, é benigno; o amor não é invejoso; o amor não trata com leviandade, não se ensoberbece. Não se porta com indecência, não busca seus interesses, não se irrita, não suspeita mal; não folga com a injustiça, mas folga com a verdade; tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.”

O amor sempre foi a maior busca da consciência humana, ainda que muitos nem o suspeitem. Todos dizem que buscam a felicidade, mas felicidade é apenas outra palavra para dizer amor. Alguns querem veementemente a sabedoria, Hermes Trismegisto dizia: “Te dou amor, dentro do qual está contido todo o sumum da sabedoria”.  Quando uma pessoa é religiosa, ela busca encontrar a Deus. Nas sagradas escrituras bíblicas está escrito: “Deus é amor”…

No fundo íntimo, cada ser humano  sofre em maior ou menor nível, porque dentro de si há muitos espaços vazios de amor. Espaços onde o que reina é exatamente a antítese desta força.

O amor não é simplesmente um sentimento ou uma virtude humana. Ele é a força misteriosa que organiza a todo o universo, é o que faz tudo existir, e é até mesmo o que dá verdadeiro sentido a tudo. É nas palavras de um sábio “a força modeladora do universo”.

Esta força, ou energia divina, se expressa no gênero humano através das diferentes virtudes como caridade, humildade, pureza, honestidade, sinceridade, altruísmo, etc. O gnosticismo ensina-nos que tais virtudes se encontram corrompidas, ou engarrafadas dentro do que em termos gnósticos chamamos ego, ou defeitos psicológicos, que são o oposto de cada uma destas virtudes, portanto hoje por hoje estas virtudes praticamente inexistem dentro de cada um de nós. Necessitamos resgatá-las através de um árduo e heroico trabalho que a Gnosis  como conhecimento dos mistérios da natureza humana nos propõe. Tais defeitos tornam a nossa natureza psicológica egoísta, e portanto, incapaz de amar. Já nos dizia o grande sábio Samael Aun Weor “Só as grandes almas sabem e podem amar”. Uma grande alma só pode florescer no interior de alguém que deixou de ser egoísta, e passou a buscar com real sinceridade a felicidade de todos os seres.

Esta força maravilhosa, em qualquer das formas de expressão mencionadas pelos antigos gregos, seja eros, filos ou ágape, não pode ser abarcada em sua forma mais absoluta pelo ser humano em sua atual conjuntura psicológica. Apenas podemos sentir lampejos disso que se chama amor. É necessária uma verdadeira regeneração e revalorização de nossa natureza para que possamos realmente encarnar o sentido de amar profundamente. Uma pequena chispa desprendida desta gigantesca fogueira, quando capturada por nós já nos faz sentir uma plenitude indescritível. Quando alguém sente algo do verdadeiro amor, nada lhe falta, nada lhe sobra. O amor nos torna capazes de todos os sacrifícios e martírios, de todos os heroísmos e atos de nobreza. Ele converte o feio em belo, o velho em jovem, o triste em alegre, e ao perverso, ele definitivamente enobrece o coração.

O amor com sua ciência e infinita magia transforma todas as coisas dando-lhes à sua verdadeira originalidade que é o divino. Ele brota através dos destroços mortais para nos dar o sentir da eternidade. Surge como a estrela da esperança na noite escura da humanidade para iluminar o nosso mundo escuro e triste. O amor transforma o deserto da vida humana em um campo verdejante, cheio de abundância, fertilidade e inspiração.

Os mestres da humanidade nos exortam ao amor. É melhor amar, nos dizem eles , que acumular na cabeça muitas teorias que não nos conduzirão a lugar algum. O amor é o caminho para o monte olimpo, onde se consegue a imortalidade. Dizia Hermes Trismegisto: “Os homens são Deuses mortais, e os Deuses, homens imortais”.

gratidão!

MITOLOGIA NÓRDICA – COSMOGONIA

Existem varias vertentes para explicar a criação do mundo, e, ao meu ver, todas verdadeiras. Vejamos isso da óptica Nórdica.
A CRIAÇÃO DO MUNDO
No inicio não existia nada, nem terra, ar, gelo ou mar, assim como em outras culturas era apenas o vazio, o nada denominada Ginungagap então o vazio deu lugar a dois reinos um era o Muspelhein o reino de fogo e o outro era o Nilfhein o reino de gelo!
Nilfhein deu origem aos rios e mares do mundo, incluindo o rio primordial o Hvergelmir dali nascia a aguá que jorrava para todo o mundo.
Assim como na maioria das mitologias a nórdica também possuía a crença do bem e do mal, e segundo a lenda a fonte do rio primordial foi envenenada, do encontro entre os dois reinos ( gelo e fogo ) juntamente a fonte envenenada surge o primeiro gigante Ymir, que possuía o veneno dentro dele. Das outras águas puras, que entraram em contato com o fogo, nasceu uma grande vaca chamada Audumbla que por não ter outra fonte de alimento passava o tempo todo lambendo o gelo. Através do leite da vaca o Ymir se alimentava e do processo de alimentação de Audumbla após lamber muito o gelo ela descobriu o primeiro humano, Buro era seu nome, que mais tarde com uma gigante filha de Ymir vai dar origem aos deuses.
Após o despertar de Ymir, ele começa dar origem a criaturas sinistras de seu suor. O pé direito se acasalou com o esquerdo, dando origem a um gigante de seis cabeças.
Buro se casa com uma gigante filha de Ymir e tem um filho chamado Borr, que também se casa com um gigante e da origem a três filhos Vili, Ve e Odin. Assim como na mitologia grega onde os deuses eram inimigo dos titãs aqui os deuses são inimigos do gigantes. 
Percebendo que os gigantes se reproduziam incrivelmente rápido os deus decidem ataca-los,então eles atacam Ymir e o derrotam despedaçando-o. Imediatamente do gigante, começa a jorra um mar de sangue de Ymir, e assim seus filhos são afogados sobrando apenas um gigante chamado Bergelmir e sua esposa.

Dos pedaços do gigante, os deuses começam a construir o mundo, os ossos seriam as montanhas, os dentes foram serrados e viraram cascalho para os rios, do crânio foi feito o céu, os cabelos viraram a vegetação assim foi criado Midgard (a Terra).

INFLUENCIA NOS DIAS DE HOJE
Para sustentar o céu, Odin ordenou que 4 anões fossem sustentar, seus nomes eram Nordri, Sudri, Austri e Vestri (Norte, sul, leste e oeste).
E também podemos encontrar influencia desta mitologia no nome dos dias da semana. veja o quadro a seguir.
Dia Alemão Inglês Origem
Segunda-feira Montag Monday dia da Lua
Terça-feira Dienstag Tuesday dia de Tyr
Quarta-feira Mittwoch Wednesday Meio da Semana (alemão), dia de Odin (Woden ou Wotan)
Quinta-feira Donnerstag Thursday dia do trovão (alemão), dia de Thor (inglês)
Sexta-feira Freitag Friday dia de Freyja
Sábado Samstag Saturday Sabá (alemão), dia de Saturno (inglês)
Domingo Sonntag Sunday dia do Sol

NAÇÃO NAGO EGBÁ e o Templo de Umbanda Caboclo Sete Espadas e Baiana Maria Ana

NAÇÃO NAGO EGBÁ

Apesar de ser um culto de Umbanda, o Templo caboclo Sete Espadas trás como característica tradicionais  o rito Nago Egbá, mantendo o culto do panteão africano Yorubá. Seus Orixás e ritualísticas iniciáticas, estão presentes nos trabalhos, denominados na umbanda como “giras”, mantendo-se a louvação aos Orixás em sua sequência, mas o que é Nação Egbá? vejamos em síntese:
Em 1875, Inês Joaquina da Costa (Ifá Tuniké), mais conhecida como Tia Inês, desembarcava em Pernambuco vinda da cidade de Egbá, na Nigéria. Em sua mínima bagagem como por intuição do que estaria por vir, trouxe sementes e materiais usados no culto a Yemonjá, orixá cultuado na sua região, e mais algumas divindades cultuadas no panteão yorubá.
Com o passar do tempo, ela se estabeleceu em Recife, no bairro de Água Fria, plantou as sementes das árvores sagradas, a exemplo da gameleira e do Baobá. E assim foi nascendo o Sítio de Tia Inês e uma forma de culto conhecida como Nagô Egbá, tendo sua casa matriz o próprio Sítio de Tia Inês, que mais tarde seria conhecido, registrado e tombado como Terreiro Obá Ogunté, estendendo-se então como culto mais conhecido em Recife e sua região metropolitana e como reflexo presente na cultura pernambucana.
Após a morte da matriarca da nação Nagô Egbá, o Sítio de Tia Inês continuou aos cuidados de seus filhos adotivos e assim a regência passou a ser de pai para filho, causando assim mais uma característica da nação: o patriarcado, como sendo a maneira mais comum de herança. O mais conhecido entre os regentes foi Felipe Sabino da Costa (Ope Watanan), conhecido como Pai Adão, sua figura se mostrou tão popular dentro do culto que a casa passou a ser popularmente conhecida até hoje como Sítio do Pai Adão.
Boa parte dos barracões, atualmente, é regida por zeladores, porém vale salientar que as casas mais tradicionais e mais respeitadas foram fundadas por mulheres.
Os papéis do homem e da mulher são bem fixos no culto, os homens ganharam mais espaço e sempre por trás dos zeladores estão elas, as“senhorinhas” zeladoras os acompanhando. Observando conversas entre zeladores percebo certo machismo e muitas zeladoras repelem esses conceitos, arregaçam as mangas e constroem seus barracões, sendo eles regidos por elas e sendo elas auxiliadas pelos seus ogãs e ebamis, mostrando que o futuro poderá refletir novamente o passado.
O Nagô Egbá se assemelha muito ao Ketu. É uma nação onde suas casas tradicionais mantêm as mesmas formas de culto e conceitos ensinados pelos seus antepassados, daí vem o por quê da quantidade de orixás cultuados, que citarei mais adiante, ser relativamente menor que a de outros cultos
Como uma nação de origem yorubá, o Nagô Egbá comporta orixás, teorias e histórias mitológicas iguais ou muito próximas da nação Ketu. Além das pequenas diferenças em sua ritualística interna, a diferença mais clara está presente nas festas, nas formas como os orixás se manifestam e dançam durante os xirês. Os instrumentos principais mudam; no lugar do som mais agudo dos atabaques, está o som mais grave e compassado dos ilús. A sequência de orixás cantada durante a roda do xirê é a mesma em todas as casas e a das toadas geralmente também (provável herança da nossa casa matriz).
Os orixás homenageados em ritual aberto ao público, o toque, são em menor número do que na nação Ketu, como já foi mencionado. São basicamente treze orixás cantados na seguinte sequência: Exu, Ogum, Odé, Obaluayê, Oxumaré, Nanã, Ewá, Obá, Oxum, Yemonjá, Xangô, Oyá e Oxalá. Ossaim tem seu culto e é sempre lembrado e homenageado durante os rituais internos e orôs; Iroko segue lembrado e cultuado nos terreiros na forma da imensa gameleira.
Sobre o orixá Logum Edé, não há registro no culto Nagô Egbá, nós não negamos sua existência, apenas não há registro histórico sobre o orixá dentro do culto. Porém, há uma peculiaridade em relação a alguns outros cultos: o culto à Orunmilá é muito conhecido e difundido na nação com suas inúmeras cantigas cantadas durante as saídas dos balaios para Oxum e as panelas de Yemonjá, além de ser também lembrado na cerimônia de Bori.
Houve um tempo, mais precisamente entre 1938 e 1948, em que os terreiros de Candomblé foram perseguidos, fechados e alguns até destruídos. Esse episódio ocorreu em diversas partes do país e não aconteceu diferente em Pernambuco. Muitos zeladores fecharam suas portas, abandonaram a religião, enquanto os que persistiram na sua fé faziam tudo á maneira mais escondida e disfarçada possível.
“Era 31 de dezembro de 1948 e a comunidade de Água Fria, na Zona Norte de Recife, se aprontava para um ritual que há muito não se via, nem ouvia, a não ser em lugares secretos. Naquela noite poderiam outra vez cultuar seus deuses com o consentimento das autoridades.
É claro que começou somente com o povo do terreiro do Sítio de Pai Adão. Os filhos e filhas de santo tocavam e dançavam ainda desconfiados; o batuque era discreto. Olhavam pelas janelas para ver se a polícia não apareceria para impedi-los, mais uma vez. As baianas usavam a saia branca do candomblé por cima de vestidos. Ficaria mais fácil de tirá-las caso os perseguidores chegassem de surpresa. Os que não acreditavam no que ouviam, aos poucos, iam se aproximando do salão do terreiro, onde acontecia um toque para Oxalá.
De repente, um grito ecoa no salão. Era o orixá Ogum, manifestado em França, filha de santo antiga da casa. Os ogãs perderam a timidez; soltaram os braços e o toque se animou; os fiéis passaram a cantar mais alto, os cânticos a Oxalá. E os orixás da casa passaram a “descer”. Mãe Joana Batista recebeu sua Iemanjá, e os demais médiuns passaram a entrar em transe e receber seus orixás. Com o passar dos dias, outros terreiros do Recife voltaram a praticar seus rituais de candomblé, livres da perseguição que durou dez anos. O fim do período marcado pelas constantes prisões de babalorixás e filhos de santo, e quebra-quebra da polícia quando encontrava imagens e símbolos africanos nas casas denunciadas, completa hoje sessenta anos.”
Esse episódio significou algumas perdas ao culto, perdas principalmente nos fundamentos de orixás recentemente inseridos ao culto durante aquela época, como Obaluayê, Nanã, Oxumaré, Ewá e Obá e que aos poucos iam sendo conhecidos pelos adeptos. E apenas os orixás mais conhecidos voltaram a ser cultuados, a exemplos: yemonjá, Oxum, Exu, Ogum, Xangô, Oyá e Odé. Com a inserção do ketu e do jeje-nagô em Pernambuco, a troca de informações fez e está fazendo, aos poucos, estes orixás que tiveram seus fundamentos perdidos voltarem a ser não apenas homenageados no xirê, mas também cultuados dentro da nação.

Por que usamos o branco?

Foto: Bruno Gonzalez

Foto: Bruno Gonzalez

Dentre os princípios da Umbanda, um dos elementos de grande significância e fundamento, é o uso da vestimenta branca. Em 16 de novembro de 1908, data da anunciação da Umbanda no plano físico e também ocasião em que foi fundado o primeiro templo de Umbanda, Tenda Espírita Nossa Senhora da Piedade, o espírito Caboclo das Sete Encruzilhadas, entidade anunciadora da nova religião, ao fixar as bases e diretrizes do segmento religioso, expôs, dentre outras coisas, que todos os sacerdotes (médiuns) utilizariam roupas brancas. Mas, por quê?

Teria sido uma orientação aleatória, ou o reflexo de um profundo conhecimento mítico, místico, científico e religioso da cor branca? No decorrer de toda a história da Humanidade, a cor branca aparece como um dos maiores símbolos de unidade e fraternidade já utilizados. Nas antigas ordens religiosas do continente asiático, encontramos a citada cor como representação de elevada sabedoria e alto grau de espiritualidade superior. As ordens iniciáticas utilizavam insígnias de cor branca; os brâmanes tinham como símbolo o Branco, que se exteriorizava em seus vestuário e estandartes. Os antigos druidas tinham na cor branca um de seus principais elos do material para o espiritual, do tangível para o intangível. Os Magos Brancos da antiga Índia eram assim chamados porque utilizavam a magia para fins positivos, e também porque suas vestes sacerdotais eram constituídas de túnicas e capuzes brancos. O próprio Cristo Jesus, ao tempo de sua missão terrena, utilizava túnicas de tecido branco nas peregrinações e pregações que fazia.

Nas guerras, quando os adversários oprimidos pelo cansaço e perdas humanas, se despojavam de comportamentos irracionais e manifestava sincera intenção de encerrarem a contenda, o que faziam? Desfraldavam bandeiras brancas! O que falar então do vestuário dos profissionais das diversas áreas de saúde. Médicos, enfermeiros, dentistas etc., todos se utilizando de roupas brancas para suas atividades. Por quê?

Porque a roupa branca transmite a sensação de assepsia, calma, paz espiritual, serenidade e outros valores de elevada estirpe. Se não bastasse tudo o que foi dito até agora, vamos encontrar a razão científica do uso da cor branca na Umbanda através das pesquisas de Isaac Newton. Este grande cientista do século XVII provou que a cor branca contém dentro de si todas as demais cores existentes.

Portanto, a cor branca tem sua razão de ser na Umbanda, pois temos que lembrar que a religião que abraçamos é capitaneada por Orixás, sendo que Oxalá, que tem a cor branca como representação, supervisiona os Orixás restantes. Assim como a cor branca contém dentro de si todas as demais cores, a Irradiação de Oxalá contém dentro de sua estrutura cósmico- astral todas as demais irradiações (Oxossi, Ogum, Xangô, etc.).

A implantação desta cor em nossa religião, não foi fruto de opção aleatória, mas sim pautada em seguro e inequívoco conhecimento de quem teve a missão de anunciar a Umbanda. Salve o Caboclo das Sete Encruzilhadas!!!!!

Sacerdote Adriano D’Ogum

A Pobreza Feliz

Madre Teresa de Calcuta caridade amor Caridade, a grande VirtudeQuem se empobrece de ambições inferiores, adquire a luz que nasce da sede da perfeição espiritual.

Quem se empobrece de orgulho, encontra a fonte oculta da humildade vitoriosa.

Quem se empobrece de exigências da vida física, recebe os tesouros inapreciáveis da alma.

Quem se empobrece de aflições inúteis, em torno das posses efêmeras da Terra, surpreende a riqueza da paz em si mesmo.

Quem se empobrece da vaidade, amealha as bençãos do serviço.

Quem se empobrece de ignorância, ilumina-se com a chama da sabedoria.

Não vale amontoar ilusões que nos enganam somente no transcurso de um dia.

Não vale sermos ricos de mentira, no dia de hoje, para sermos indigentes da verdade, no dia de amanhã.

Ser grande, à frente dos homens, é sempre fácil. A astúcia consegue semelhante fantasia sem qualquer obstáculo. Mas ser pequenino, diante das criaturas, para servirmos realmente aos interesses do Senhor, junto da Humanidade, é trabalho de raros.

Bem aventurada será sempre a pobreza que sabe se enriquecer de luz para a imortalidade, porque o rico ocioso da Terra é o indigente da Vida Mais Alta e o pobre esclarecido do mundo é o espírito enobrecido das Esferas Superiores, que será aproveitado na extensão da Obra de Deus.

Emmanuel pelo médium Chico Xavier

Solução Natural

JuntosOs espíritos benfeitores já não sabiam como atender à pobre senhora obsidiada.

Perseguidor a perseguida estavam mental-mente associados à maneira de polpa e casca no fruto.

Os amigos desencarnados tentaram afastar o obsessor, induzindo a jovem senhora a esquecê-lo, mas debalde.

Se tropeçava na rua, a moça pensava nele…

Se alfinetava um dedo em serviço, atribuía- lhe o golpe…

Se o marido estivesse irritado, dizia-se vítima do verdugo invisível…

Se a cabeça doía, acusava-o …

Se uma xícara se espatifasse, no trabalho doméstico, imaginava-se atacada por ele…

Se aparecesse leve dificuldade econômica, transformava a prece em crítica ao desencarnado infeliz…

Reconhecendo que a interessada não encontrava libertação por teimosia, os instrutores espirituais ligaram os dois – a doente e o acompanhante invisível – em laços fluídicos mais profundos, até que ele renasceu dela mesma, por filho necessitado de carinho e de compaixão.

Os benfeitores descansaram.

O obsessor descansou.

A obsidiada descansou.

O esposo dela descansou.

Transformar obsessores em filhos, com a bênção da Providência Divina, para que haja paz nos corações e equilíbrio nos lares, muita vez, é a única solução.

Hilário Silva pelo médium Chico Xavier.