O que nos é permitido?

JESUS

“Não, Deus não permite que ao homem tudo seja revelado neste mundo.”

Não é permitido ao homem conhecer o princípio das coisas na sua profundidade absoluta. Se o macrocosmo é infinito diante dos sentidos dos seres humanos, o microcosmo igualmente o é, na estrutura que lhe foi dada por Deus. O Espírito, na faixa em que se encontra na Terra, não desenvolveu sentidos ainda, para conhecer o que pretende, para pesquisar a infra-estrutura da matéria e desvendar os seus segredos.

A força poderosa que se esconde na forma não poderá, por enquanto, ser conhecida e dominada pelos homens, por lhes faltar amor no coração, o bastante para não usar sua expansão dinâmica nas guerras fratricidas, e contra a própria vida no planeta em que habitam. Basta o que já conhecem, como sendo uma misericórdia.

A fome que se passa na Terra, as necessidades de veste e de instrução, não significam falta, na realidade. Tudo isso existe com abundância em todos os pontos da casa terrena; somente o que falta é a fraternidade entre os povos e a educação entre as criaturas. Quando o amor for uma força dominante no seio dos homens, nada faltará, na sua expressão de todos os suprimentos. E a vida tomará nova feição em todos os ângulos do mundo, como sendo um reino de Deus florindo no reino dos homens.

A revelação é gradativa e o será sempre. A evolução científica deve acompanhar a moral, para que haja equilíbrio em todos os pontos de elevação e despertar. E justo que notemos, neste fechar de século, o interesse que os homens e Espíritos desencarnados têm pela difusão do Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo e o esforço que se faz em todas as nações para a melhoria do homem, em todos os seus aspectos. Só não dá para se notar esse esforço com mais evidência, por estar ele no começo; no entanto, o terceiro milênio que se aproxima revelará essa verdade com acentuação expressiva, pois já existe uma preocupação de certos governantes na educação dos povos, no que se relaciona aos preceitos incomparáveis da Boa Nova do Mestre. Sem o Evangelho no coração das criaturas, jamais haverá paz no mundo, porque ele faculta a conquista da paz, em primeiro lugar, na intimidade de cada um.

Podemos observar no ar que respiramos e na luz que nos dá alegria de viver, o anúncio do fim dos tempos, dos tempos de inquietações, para que possa surgir o ambiente de verdadeira paz, aquele que deveremos conquistar juntamente com o Cristo à frente dos nossos destinos. Não é permitido às almas recuarem no tempo e no espaço. As leis de Deus estabelecem e comandam: a ordem é somente de avanço.

A escola do conhecer é infinita e livre na sua conjuntura educativa, entretanto, marca para todos os seres, conforme a sua escala evolutiva, pontos vermelhos, indicando basta, para que não venhamos a cair em novas tentações, pois o conhecimento sem amor pode nos levar à derrocada. De agora em diante o cerco está se fechando, para que possamos nos prevenir contra as grandes calamidades, pela força da educação, e aumentar a nossa confiança pelo muito que devemos amar. O Evangelho deve ser conhecido por todos os povos e disseminado para todas as criaturas, porque ele é força que nos garante a paz nos caminhos que percorremos.

Quanto ao interesse de conhecer a intimidade da matéria, não deve ser apagado, porém, esse saber vai surgindo pelo impulso da nossa evolução e as necessidades que forem surgindo no nosso aprendizado. Oremos juntos, homens e Espíritos livres da matéria, para que o equilíbrio não nos falte no nosso despertar para Deus.

fonte: Filosofia Espirita – Volume I (Miramez)
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O Sono e os Sonhos

sonhos

O LIVRO DOS ESPÍRITOS Capítulo VIII – DA EMANCIPAÇÃO DA ALMA

O sono e os sonhos Visitas espíritas entre pessoas vivas Transmissão oculta do pensamento (Perguntas 400 à 421)

O corpo descansa… acontece o sono, o cochilo, ou mesmo não tendo nada para fazer fisicamente e estando só, o encarnado entra no seu costumeiro fluxo de pensamentos e sua alma, exclusiva e divinamente vinculada ao seu corpo, se vai. Neste momento a alma não necessita da presença física de seu corpo. A alma vai se relacionar. Vai aprender, vai fazer, vai ensinar, vai visitar, vai ajudar, vai a outros mundos permitidos, vai rememorar anteriores encarnações…mas tudo isso com o consentimento de Deus. Toda essa restrita mas salutar liberdade propicia à alma a oportunidade ideal de burilar-se no relacionamento, burilar-se na vida, consigo mesmo e com seus irmãos espíritos.

O sono chegou, momento do espírito encarnado, da alma, libertar-se do corpo até que se faça necessário seu retorno por mecanismos particulares da natureza do homem ou mesmo por situações adversas. Situações estas decorrentes talvez de forte emoção ou mesmo situações críticas em que se faça necessário o seu retorno ao corpo, passando este corpo a estar acordado ou mesmo ainda entorpecido pelo sono.

O sonho é a lembrança do que o espírito vivenciou durante o sono. Por vezes encontramos irmãos que o relatam como um sonho completamente descabido. Em outras vezes, e não raro, transmitindo profunda sensação de amor e fraternidade, de perdão, de reconciliação, de simpatia, de amizade. Também acontece o caso de se acordar, tomado por sentimentos angustiantes, sofridos, um pesadelo.

É muito importante e aconselhável, que antes de adormecer possamos sentir algo de elevado em nossos pensamentos, algo que nos faça crer que o Pai Celestial, misericordioso e justo, representado por seus mensageiros de luz que desde o nosso nascimento, conhecendo nossa história, estão sempre conosco e que eles são capazes de nos conduzir a nossa inescapável evolução moral e intelectual. Orar antes de repousar nosso corpo cansado é uma prática que produz maravilhas à nossa saúde física e mental.

Cuidado. Quando um problema à resolver nos deixa muito preocupado, existe ainda uma forte tendência de buscarmos, em qualquer ocorrência, situação ou fato, uma associação com o problema. É necessário equilíbrio e bom censo, é necessário vigiar. Pois senão, o nosso pensamento ao trans passar o prisma da verdadeira vida, erroneamente imprime apenas vibrações carregadas de maus pensamentos, como o duelo, a mentira, a malícia, ou apenas o medo… o medo da incerteza, o medo do amanhã. Creiamos pois que o equilíbrio é um dos ingredientes para a nossa harmonia interior e exterior. Equilibremos nossos pensamentos filtrando as ideias que passam, rejeitando as ideias fundamentadas em orgulho, egoísmo, ciúmes, vaidade. Adote as ideias fundamentadas na fraternidade, piedade, perdão, reconciliação e caridade, transforme-as em pensamentos e esses pensamentos em atitudes em ações. Leia algo edificante. Acreditem, esse procedimento já salvou e continua salvando muitas vidas.

O que pensar ? O que concluir de um sonho que tivemos ? Simples! Se lembrarmos do contexto e pudermos extrair uma conclusão baseada em atitudes coerentes com nosso estudo do Evangelho Segundo o Espiritismo, foi um aprendizado com bons mestres. Caso seja um sonho sem nexo, cheio de incoerências físicas, aberrações, ilógico e irreal, provavelmente este desaparecerá de nossa mente. Aconteceu o esquecimento de trechos e passagens da vivencia de nossa alma talvez até mesmo em mundos regidos por outras leis físicas que apenas à nossa alma importa seu significado. Caso o sonho nos revele sensações de vaidade, orgulho, ganância, medo… Reflita sobre seus pensamentos e ações, ore pedindo que te seja dado entendimento a algo que ainda não percebeu. Repense seus passos com apenas amor no coração, encontre-os e de início à reparação dos erros cometidos pois sempre ainda haverá mais uma chance. Descubra, você mesmo, que você quer, pode e vai se aprimorar.

O sono nos propicia o recreio para nossa alma cerceada pelo corpo, a universidade para nosso espírito em busca do estudo orientado, o hospital para nossa alma desregrada, a casa de caridade para o nosso espírito carente. Assim pois é o sono, uma dádiva de Deus a seus filhos encarnados.

Quando a alma está liberta, ela está liberada para se relacionar e pode se encontrar com outras almas, outros encarnados, bem como também com espíritos desencarnados. Sua alma vai conviver na sociedade dos espíritos. Vai buscar e ser encontrada por aqueles que lhe são simpáticos aos pensamentos.

O estado espiritual da alma, do encarnado, ditará o tipo de companhia a que ele estará acessível. Veja bem! Sempre, sempre, sempre, os bons espíritos emitem boas vibrações mas apenas as capta aquele que vibrar junto com elas. Entre os encarnados, os encontros e as visitas de almas se dão por simpatia ou por necessidade. Por vezes a simpatia e a necessidade pode ser interpretada como afinidade e consequência no caso de baixarmos a vigilância para os irmãozinhos pobres de espírito onde certamente teremos como consequência suas companhias por afinidade de maus pensamentos.

A linguagem dos espíritos é o pensamento. De nossas almas emanam pensamentos. Nossas almas se comunicam conforme o grau de simpatia que trocam entre si, e que pode se dar até mesmo entre duas almas em estado de vigília. Digo, duas pessoas espiritualmente simpáticas entre si, dialogam, se comunicam sem o saberem a ponto de se fazer conhecer até mesmo informações resguardadas no mundo carnal. Nossas almas, espíritos encarnados, na grande maioria das vezes impuros, pensam diferente com a alma emancipada, pensam à melhor.

Enfim, nosso destino é o de conhecermos uns aos outros, aprendermos uns com os outros e trabalharmos juntos em prol de nós todos, despertos ou adormecidos. A vida é Relacionamento, é mais que um, é fraternidade.

por Cláudio Lourenço de Almeida (Publicado no Boletim GEAE Número 312 de 29 de setembro de 1998)

A Justiça Divina

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O conceito de Céu e Inferno sofreu grandes modificações, já não se entende mais por ser Céu uma região onde a felicidade plena impera e o Inferno um lugar de atroz sofrimento. A cada nova existência aprendemos que a vida vai seguindo, triunfante, em todos os domínios. A matéria vai assumindo estágios diversos de fluidez e condensação.

Cada espírito permanece em determinado momento evolutivo sendo portanto o Céu o estado de alma que varia conforme a visão interior de cada um e o inferno traduzido por uma vida de provações extremadas e dolorosas, com a certeza absoluta de que há algo melhor, podendo-se concluir, que tanto a felicidade quanto a infelicidade após a desencarnação, é inerente ao grau de aperfeiçoamento moral de cada Espírito.

As dores e sofrimentos que cada um de nós experimenta são dores morais e estão diretamente relacionadas com os atos praticados. Nada, portanto, é gratuito. Tudo é conseqüência da Lei de Causa e Efeito. As imperfeições que não conseguimos corrigir na vida corporal refletem na alma e no espírito, sendo pois a felicidade um resultado imediato de nossa perfeição, isto é, nossa purificação do espírito.

Temos então a percepção clara de que a felicidade ou infelicidade depende de nosso grau evolutivo e das virtudes e progressos que alcançamos, que nos dão a possibilidade de adquirir o bem que nos falta, sendo de cada um o mérito de sua evolução. Não há uma única imperfeição que não acarrete uma funesta consequência para a alma, assim como não há sequer uma única qualidade, por menor que seja, que não seja fonte de uma satisfação.

Pode-se dizer portanto que a soma de penas é proporcional a soma de nossas imperfeições e a dos gozos referentes a somatória de nossas qualidades. O futuro é aberto a todas as criaturas. A elas é dado, através do livre arbítrio, a possibilidade de, despojando-se de todo o mal, adquirir o bem através de virtudes e progressos, sendo isto conseqüência da vontade própria e aberto a todas as criaturas.

O inferno está em toda parte , onde quer que haja almas sofredoras; e o céu está, também, na mesma proporção em toda parte onde há almas felizes. Deus faculta os meios de melhoria. Oferece em cada reencarnação um planejamento coerente, de amor e justiça, onde cada qual tem a chance de progredir. Como cada pena equivale às faltas cometidas nas existências pretéritas, devemos nos esforçar para aproveitar ao máximo as experiências adquiridas em cada existência. Sendo portanto a felicidade impessoal, o sofrimento existe em diferentes graus e gêneros, traduzindo as penalidades em três princípios:

  1. O sofrimento é inerente à imperfeição;
  2. Toda imperfeição traz consigo o próprio castigo com conseqüências naturais e inevitáveis, assim sendo a moléstia pune os excessos e da ociosidade nasce o tédio sem que haja necessidade de uma penalidade específica para cada falta do indivíduo.
  3. Podendo todo homem libertar-se das imperfeições pela própria vontade, pode, igualmente, anular os males consecutivos e assegurar futuras felicidades através de boas obras, de boas ações.

A justiça Divina dá “A cada um conforme a sua obra”, embasada que é no princípio da ação e da reação.

A Lei do Progresso dá a toda alma o direito , a possibilidade de adquirir os benefícios que lhe falta. O bem e o mal que fazemos dependem das qualidades que possuímos. A liberdade, sendo qualidade essencial da alma humana dá ao homem a responsabilidade da dignidade e da moralidade, sendo pois estas duas noções, liberdade e moralidade, inseparáveis.

Sabemos, entretanto, que há males que ocorrem na nossa vida em que não concorremos para que aconteçam, aí sim, vemos diretamente o efeito das coisas que praticamos em vidas anteriores. O que se nos parece injusto por nada termos concorrido para um mau efeito, nesta existência, não o é porque é reflexo de imperfeições da vida pretérita, tais como por exemplo, acidentes que não podemos impedir, os reveses da vida financeira, a perda de entes queridos, e até os nascimentos com enfermidades, que certamente não foram adquiridos nesta existência. O hoje é o conjunto de experiências vividas no passado e o amanhã é, igualmente, o resultado de nossas ações do hoje.

Deus nos dá a possibilidade da prática do bem e do mal. Deus nos dotou do livre arbítrio e dependendo do que fazemos temos a reação equivalente. Paralelamente a isto há o que chamamos de fatalidade que é o resultado das provas que escolhemos, enquanto espíritos, ao reencarnar, para sofrer esta ou aquela provação à nossa evolução. É portanto responsabilidade nossa, de cada um de nós, as nossas aflições, os nossos infortúnios.

Não resta a menor dúvida que ao construirmos o nosso hoje aliando o produto de nossas experiências ao crescente desejo de fazer o bem, de exercer as qualidades morais existentes em cada um de nós, com o intuito de evoluir, teremos, certamente, mais venturas, pois não há sofrimento sem causa e efeito assim como não há ação sem reação.

De que forma poderemos, então, na mesma existência, suavizar nossas faltas e nossas desventuras? Que precisaríamos fazer para seguir adiante evolutivamente e reparar, nesta mesma existência, faltas cometidas? Este é o caso em que o arrependimento, a expiação e a reparação, constituem as três condições necessárias para apagar os traços de uma falta assim como suas conseqüências. O arrependimento, que é o reconhecimento verdadeiro, próprio do infrator, daquele que cometeu a falta, embora seja o primeiro passo para a reparação , amenizando a expiação, somente abre as portas da reparação e reabilitação. Só a reparação propriamente dita, entretanto, é que pode anular a causa. A reparação consiste em fazer o bem àqueles a quem havíamos feito o mal.

Quem não repara seus erros por má-vontade ou fraqueza, haverá de, em outra existência, conviver com as mesmas pessoas em condições voluntariamente escolhidas de modo a fazer-lhes o bem tanto quanto o mal que se tenha feito. A reparação de nossos erros, quando não é feita em uma existência, é levada a outra existência, só sendo efetivada com a aceitação cármica, pelo perdoado.

Após a expiação de erros passados, aí sim vem o resgate, que acontece sempre que praticamos o bem em compensação ao mal praticado, sendo humildes, quando fomos orgulhosos; caridosos quando fomos egoístas, úteis quando tivermos sido inúteis e assim sucessivamente.

Concluímos, portanto, que o perdão deve ser um ato contido de absoluto sentimento, puro, sem ostentação ou orgulho, sendo uma forma de reconciliação. Só assim ele aproveita o que nos ofendeu, sendo a generosidade do perdão um benefício àquele que perdoa.

Publicado no Boletim GEAE Número 313 de 6 de outubro de 1998 por Vera Meira Bestene

Janela das Almas

janelas da alma

O sentimento e a emoção normalmente se transformam em lentes que coam os acontecimentos, dando-lhes cor e conotação próprias.

De acordo com a estrutura e o momento psicológico, os fatos passam a ter a significação que nem sempre corresponde à realidade.

Quem se utiliza de óculos escuros, mesmo diante da claridade solar, passa a ver o dia com menor intensidade de luz. Variando a cor das lentes, com tonalidade correspondente desfilarão diante dos olhos as cenas.

Na área do relacionamento humano, também, as ocorrências assumem contornos de acordo com o estado de alma das pessoas envolvidas.

É urgente, portanto, a necessidade de conduzir os sentimentos, de modo a equilibrar os fatos em relação com eles.

Uma atitude sensata é um abrir de janelas na alma, a fim de bem observar os sucessos da vilegiatura humana. De acordo coma a dimensão e o tipo de abertura, será possível observar a vida e vivê-la de forma agradável, mesmo nos momentos mais difíceis.

Há quem abra janelas na alma para deixar que se externem as impressões negativas, facultando a usança de lentes escuras, que a tudo sombreiam com o toque pessimista de censura e de reclamação.

Coloca, nas tuas janelas, o amor, a bondade, a compaixão, a ternura, a fim de acompanhares o mundo e o seu séqüito de ocorrências.

O amor te facultará ampliar o círculo de afetividade, abençoando os teus amigos com a cortesia, os estímulos encorajadores e a tranqüilidade.

A bondade irrigará de esperança os corações ressequidos pelos sofrimentos e as emoções despedaçadas pela aflição que se te acerquem.

O perdão constituirá a tua força revigoradora colocada a benefício do delinqüente, do mau, do alucinado, que te busquem.

A ternura espraiará o perfume reconfortante da tua afabilidade, levantando os caídos e segurando os trôpegos, de modo a impedir-lhes a queda, quando próximos de ti.

As janelas da alma são espaços felizes para que se espraie a luz, e se realize a comunhão com o bem.

Colocando os santos óleos da afabilidade nas engrenagens da tua alma, descerrarás as janelas fechadas dos teus sentimentos, e a tua abençoada emoção se alongará, afagando todos aqueles que se aproximem de ti, proporcionando-lhes a amizade pura que se converterá em amor, rico de bondade e de perdão, a proclamarem chegada a hora de ternura entre os homens da Terra.

Joanna de Ângelis pelo médium Divaldo Pereira Franco

A visão espiritual sobre o suicídio

“A vitória da vida não consiste tanto no ganhar suas batalhas, como em saber sofrer suas derrotas” ( P. C. Vasconcelos Jr. “In” – “Pensamentos”).

suicidio2O suicídio é um tema que ainda hoje divide opiniões mundo afora, seja no campo cientifico, filosófico ou religioso. Nosso artigo de hoje visa lançar luz sobre um tema inerente a todas as sociedades presentes no globo e nos acompanha a partir dos tempos mais remotos. Suicídio (do latim sui, “próprio”, e caedere, “matar”) é o ato intencional de matar a si mesmo. Sua causa mais comum é um transtorno mental e/ou psicológico que pode incluir depressão, transtorno bipolar, esquizofrenia, alcoolismo e abuso de drogas. Dificuldades financeiras e/ou emocionais também desempenham um fator significativo.

Antigamente, em Atenas, uma pessoa que havia cometido suicídio (sem a aprovação do Estado) era negada às honras de um funeral normal; a pessoa era enterrada sozinha, na periferia da cidade, sem lápide ou inscrição. Um decreto-lei criminal emitido por Luís XIV de França em 1670 era muito mais grave em sua punição: o corpo do morto era atirado pelas ruas, virado para baixo, depois pendurado ou jogado em uma pilha de lixo, enquanto que todos os seus bens eram confiscados. Em contrapartida, os soldados da Roma antiga e do Japão Feudal que haviam sido derrotados nas guerras eram obrigados a cometerem suicídio.

Modernamente, em algumas jurisdições, um ato incompleto ou ato de suicídio é considerada um crime. Mais comumente, um membro do grupo sobrevivente que ajudou na tentativa de suicídio enfrentará acusações criminais. No Brasil, se a ajuda for direcionada para um menor, a pena é aplicada em seu duplo e não considerada como homicídio. Na Itália e no Canadá, a instigação ao suicídio a outrem também é uma ofensa criminal. Em Singapura, que presta assistência no suicídio de uma pessoa com deficiência mental, esta é uma ofensa capital. Na Índia, o suicídio, a cumplicidade de um menor ou uma pessoa com problemas mentais podem resultar em um prazo máximo de prisão de 1 ano com uma possível multa.

A visão sociológica do suicídio é, segundo Durkheim, “todo o caso de morte que resulta, direta ou indiretamente, de um ato, positivo ou negativo, executado pela própria vítima, e que ela sabia que deveria produzir esse resultado”. Conforme o sociólogo, cada sociedade está predisposta a fornecer um contingente determinado de mortes voluntárias, e o que interessa à sociologia sobre o suicídio é a análise de todo o processo social, dos fatores sociais que agem não sobre os indivíduos isolados, mas sobre o grupo, sobre o conjunto da sociedade. Cada sociedade possui, a cada momento da sua história, uma atitude definida em relação ao suicídio.

Como objetivo dessa coluna é tratar questões ligadas a espiritualidade  transcrevemos abaixo ótimo artigo de Domério de Oliveira, originalmente publicado no Jornal Verdade e Luz Nº 165 Outubro de 1999, onde trata do tema com elucidadora clareza.

O suicídio é o resultado do nosso desequilíbrio espiritual. Quando o cidadão perde o controle das suas forças psíquicas, torna-se alvo das trevas, ( dos maus espíritos), e acaba caindo no tremendo calabouço do suicídio. Há pessoas que chegam às portas do suicídio levadas pela ignorância das leis naturais da causa e do efeito. Algumas pessoas cometem o suicídio, quando tangidas por doenças incuráveis ou quando atingem idade avançada. Não querem ser pesadas para as suas famílias e nem passarem por muitos sofrimentos. Essas pessoas não estão bem conscientes do aspecto espiritual de suas ações. Ignorando a Lei Maior da Vida Eterna, acham que podem estancar os achaques da velhice e que também podem interromper os seus sofrimentos, saindo desta existência, pelas portas trágicas do suicídio. Entretanto, meus amigos, ninguém pode exercer o papel de Deus. Ele nos dá a vida, aqui no planeta Terra e sabe, muito bem, o momento de nos transferir para o Plano Maior. Essas pessoas devem saber que o nosso Espírito ao ingressar no corpo mais denso, por si mesmo, escolheu as experiências cármicas para o seu burilamento íntimo. Nestas circunstâncias, durante nossas lutas, nossas provas e expiações, no planeta que nos acolheu, temos que batalhar até o fim, até à última gota de nossas forças. Temos que lutar até o fim, valendo-nos de todos os recursos para nossa sobrevivência. Só mesmo Deus, nosso Criador, pode fixar o momento da nossa partida. Sabemos que todas as vezes que ocorre o suicídio, o Espírito deverá retornar para reaprender aquela experiência interrompida, ou seja, precisará voltar em outra existência e passar de novo pela mesma provação ou algo similar. A provação pode não ser tão extremada como a que experimentou na existência anterior, porque parte dela já foi vivenciada, entretanto, o Espírito precisará resgatar, até o último ceitil, as provas que se lhe antolham e que foram ocasionadas pelo suicídio. As leis da ação e da reação funcionam como um sistema de pesos e medidas. A situação, assim, fica bem mais complicada, porque o suicídio nada resolve, pelo contrário, é circunstância tremendamente agravante. Meus amigos, a morte física não resolve os problemas que se ligam às nossas responsabilidades. Nossos problemas de ordem sentimental, de ordem social ou de quais quer naturezas, por certo, temos que resolvê-los e saná-los, aqui e agora, à luz da mais santa paciência e do trabalho incansável. Não tentemos fugir dos problemas porque eles nos seguem, como a sombra segue o nosso próprio corpo.

Sim, doe-nos o coração, quando, em trabalhos mediúnicos, temos a oportunidade de constatar a situação de penúria e de angústia dos irmãos que se suicidaram. Abre-se uma exceção para os irmãos que cometeram o suicídio tangidos por doenças mentais ou por desequilíbrios bioquímicos. Aludidas pessoas estariam com sua capacidade de decidir comprometida. Então, quando passam para o outro lado, acordam em uma espécie de abrigo onde recebem o auxílio de que precisam para o restabelecimento. Entretanto, não deixam de responder pela gravidade da falta cometida.

E podemos aduzir mais que a natureza de uma Alma a leva a crescer e a aprender. Por isso mesmo, trazemos, para a nossa existência terrena, determinadas situações que precisamos superar ou para as quais precisamos buscar o equilíbrio. Se nos déssemos conta de que, no plano terreno, é normal vivenciarmos algum tipo de sofrimento, seja físico, mental ou emocional e de que o suicídio não eliminaria essa condição, acreditamos que haveria menos casos de pessoas tirando suas próprias existências. Precisamos nos conscientizar sobre o erro do suicídio e sempre acentuar a responsabilidade que temos de viver plenamente, porque a Vida, em síntese, é uma só, e as existências, neste plano-terra, são os degraus que devemos escalar. Se quebrarmos algum degrau, por certo, teremos que descer de novo e reconstruí-lo. A queda, em qualquer circunstância, é sempre mais dolorosa.

Lembremo-nos sempre e procuremos vivenciar, “ab imo corde”, os valiosos ensinamentos do Eminente Guerreiro-Filósofo Napoleão Bonaparte, (1769 usque 1821):

“Tão valente é aquele que sofre corajosamente as dores da alma como o que se mantém firme diante da metralha de uma bateria. Entregar-se à dor, sem resistir, matar-se e eximir-se à mesma dor, é abandonar o campo de batalha antes de ter vencido”.

Paciência e Nós

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Quando as dificuldades atingem o apogeu, induzindo os companheiros mais valorosos a desertarem da luta pelo estabelecimento das boas obras, e prossegues sob o peso da responsabilidade que elas acarretam, na convicção de que não nos cabe descrer da vitória final…

Quando os problemas se multiplicam na estrada, pela invigilância dos próprios amigos, e te manténs, sem revolta, nas realizações edificantes a que te consagras…

Quando a injúria te espanca o nome, procurando desmantelar-te o trabalho, e continuas fiel às obrigações que abraçaste, sem atrasar o serviço com justificações ociosas…

Quando tentações e perturbações te ameaçam as horas, tumultuando-te os passos, e caminhas à frente, sem reclamações e sem queixas…

Quando te é lícito largar aos ombros de outrem a carga de atribuições sacrificiais que te assinala a existência, e não te afastas do serviço a fazer, entendendo que nenhum esforço é demais em favor do próximo…

Quando podes censurar e não censuras, exigir e não exiges…

Então, terás levantado a fortaleza da paciência no reino da própria alma.

Nem sempre passividade significa resignação construtiva.

Raramente pode alguém demonstrar conformidade, quando se encontre sob os constrangimentos da provação.

Paciência, em verdade, é perseverar na edificação do bem, a despeito das arremetidas do mal, e pros-seguir corajosamente cooperando com ela e junto dela, quando nos seja mais fácil desistir.

Emmanuel
pelo médium Chico Xavier