A Unidade do Criador

A unidade de Deus

“Se fosse assim, Deus não existiria, porquanto seria efeito e não causa. Ele não pode ser ao mesmo tempo uma e outra coisa.

“Deus existe; disso não podeis duvidar e é o essencial. Crede-me, não vades além. Não vos percais num labirinto donde não lograríeis sair. Isso não vos tornaria melhores, antes um pouco mais orgulhosos, pois que acreditaríeis saber, quando na realidade nada saberíeis. Deixai, consequentemente, de lado todos esses sistemas; tendes bastantes coisas que vos tocam mais de perto, a começar por vós mesmos. Estudai as vossas próprias imperfeições, a fim de vos libertardes delas, o que será mais útil do que pretenderdes penetrar no que é impenetrável.”

A Deus é uma unidade dinâmica, no Seu caráter criativo e fecundo, mas único na Sua majestosa intimidade de valores incomparáveis.

Ele não é produto das coisas e inteligências, disseminadas por toda a criação, pois causa e efeito são duas coisas distintas uma da outra. Basta um pouco de raciocínio para podermos harmonizar estas ideias, referentes ao Senhor de todas as coisas.

Em todos os momentos que voltamos a pensar em Deus, os nossos sentidos passam a vê-Lo na Sua unidade total, único na Sua posição de benfeitor universal. Dividi-Lo é contrariar a nossa consciência e sentir insegurança sobre a verdadeira paternidade. Registramos nas nossas deduções mais apuradas, no mundo espiritual, a unidade do Criador, como ouvimos os grandes missionários da luz, que descem até nós com as mesmas ideias, os quais nos mostram a realidade pelos fatos da própria natureza, engenhoso processo que reflete a presença da Grande Luz em todas as intimidades criadas.

Não nos preocupemos quando os homens pretendem adorar outros deuses, ou muitos deuses, como no passado. A verdade não se inquieta; ela se impõe porque é a verdade. No perpassar dos tempos, somente ela ficará de pé, diante de todas as deduções humanas. O que temos a dizer, com toda a sinceridade do coração, é que Deus é uno, é um ser individual, ligado por agentes sutis a toda a criação, e mais amante na intimidade de todas as coisas. Quando o Espírito encontra a si mesmo, passa a sentir Deus com mais intensidade, por ser essa a senda, a porta de partida para novos conhecimentos sobre a Divindade.

Começa, meu irmão, a estudar as tuas próprias reações, a analisar teus próprios feitos, a corrigir os teus próprios deslizes, no silêncio que é próprio ao iniciante da verdade, que conhecerás outras dimensões do saber. Estas sempre vibram ao nosso redor sem que as suas notícias nos atinjam por faltar o bater às portas da simbologia evangélica. Quando os nossos pensamentos se educarem na razão direta das qualidades superiores e a boca se esquecer de ferir, os olhos de perscrutar os erros alheios e as mãos se tomarem somente instrumentos de ajudar, estabelecer-se-á a harmonia em nossos corações. Se Deus é Unidade, é de nosso dever criar a unidade do bem, do amor e da caridade em nós, para que possamos refletir a Divindade em todos os nossos passos.

O homem inteligente procura não contrariar as leis naturais e, quando ele desencarna com essas mesmas intenções, sentirá na profundidade o porquê desta obediência. Ninguém é livre na totalidade da expressão. Somos todos servos do Senhor e essa deve ser a nossa imensa alegria, porque Ele sabe o que mais nos convém nas linhas do nosso despertar.

O panteísmo foi uma verdade “camuflada”, por encontrar uma humanidade sem condições de senti-la face a face. A verdade se toma, pois, relativa em todas as suas nuances de claridades espirituais. Agora estamos comungando com ideias mais puras sobre a Divindade e a maturidade nos aproxima mais da Luz que nos alimenta e nos sustenta a vida. Por isso cremos na unidade de Deus, na sua justiça cheia de misericórdia e de Amor. Quanto mais conhecemos o Senhor, mais notamos as nossas deficiências em conhecê-Lo, dada a Sua grandeza de poderes e os Seus atributos indescritíveis.

Crê, meu filho, em Deus, sê obediente ao Comando Maior, que tudo virá ao teu encontro pelas linhas do teu merecimento e de acordo com a tua capacidade de suportar. Não existe injustiça em quaisquer dos acontecimentos da vida, esta é a verdade.

fonte: Filosofia Espirita – Volume I (Miramez)
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A Matéria é efeito

Poder-se-ia achar nas propriedades íntimas da matéria a causa primária da formação das coisas?

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“Mas, então, qual seria a causa dessas propriedades? É indispensável sempre uma causa primária.”

Indubitavelmente que a matéria tem vida. No seu seio mais íntimo notar-se-ão fenômenos que por vezes escapam à inteligência humana. Há, pois, obediência às leis sutis que governam e sustentam toda a Criação. Tudo isso que notamos na matéria e que a observação científica comprova são efeitos da Grande Inteligência, que denominamos, com toda satisfação, Deus.

Nós, no mundo espiritual, e na ação que nos cabe pesquisar, continuamos em estudos profundos sobre o Criador. Assistimos, em lugares apropriados, a luminares da eternidade expondo conceitos que já puderam comprovar sobre o Grande Foco, Sua vida e sua interferência em todas as direções da Sua casa universal. E eis que, para passar aos encarnados o que ouvimos é necessário que obedeçamos a certas regras da comunicação com os seres, ainda envolvidos nos fluidos da carne.

Deus é realidade absoluta; o que podemos dizer é que Ele vibra em tudo que existe. Falando na mesma frequência dos homens, Ele é personalidade distinta no centro das Suas criatividades. Repitamos novamente: Ele é Espírito. Se assim podemos dizer, o Criador é único, porém, no Seu gesto de trabalho se faz binário. O que podemos observar na extensão infinita é que Ele aparece e desaparece entre duas respirações do Seu dinâmico poder de viver, e Seu hálito divino interpenetra todas as coisas, marcando a Sua presença, semeando vida e dinamizando forças.

Somente poderemos conhecer um pouco do Grande Espírito pelos Seus atributos. Avançar mais, onde os nossos sentidos não alcançam, é perda de tempo e falta de compreensão e obediência a determinadas leis, que marcam os limites do nosso saber. Se queres entender mais, a meditação, depois do trabalho honesto, é um caminho excelente para o conhecimento mais acentuado do Criador. Nós O conhecemos mais, não pelos números, nem por ouvir falar; sentimos Sua presença quando a consciência se apóia no dever cumprido. Os Espíritos puros sentem Deus na profunda sensibilidade e expressam uma tranqüilidade imperturbável no coração.

A matéria é a mais baixa vibração da Divindade, é caminho criado por Ele para o despertar dos Seus filhos, que saem das Suas mãos luminosas e voltam para o Seu íntimo de vida. Essa viagem é um tanto ou quanto extensa, competindo a cada criatura fazer a sua parte, na aquisição da sua própria paz espiritual. Os sentidos dos homens, mesmo dos mais elevados, em comparação com a pureza espiritual dos benfeitores da humanidade, são apagados, pois se distanciam milhões de anos entre uns e outros na escala evolutiva, mas, alegramo-nos em dizer que eles também passaram por onde estamos, como estamos avançando para o reino onde eles permanecem trabalhando.

Voltando ao assunto inicial, dignamo-nos a responder que, no íntimo da matéria poderás encontrar Deus, porque as propriedades da matéria falam d’Ele, da Sua grandeza espiritual, desde que tenhamos sentido para tal pesquisa. Porém, esses fenômenos não são o Criador; são efeitos da Causa Primária, manifestando-se nas formas transitórias. Pulsa na matéria a vida universal, o fluido cósmico vibrante, dirigido pela mente do Criador e obediente aos seus sentimentos. Ele sabe de tudo e está em tudo, através dos Seus atributos espirituais.

A matéria, por mais evoluída que seja, não demonstra inteligência. Ela é movida pela Inteligência Suprema. Em se falando da Terra, somente no homem começa a despertar a razão, que é conseqüência do princípio inteligente, mesmo assim, sob o comando da Inteligência Maior, Deus.

fonte: Filosofia Espirita – Volume I (Miramez)

Que se deve entender por infinito?

lights-in-the-sky “O que não tem começo nem fim: o desconhecido; tudo que é desconhecido é  infinito.” 

A grandeza do Infinito

O infinito, como que desconhecido para todos nós, é a casa de Deus, cujas divisões escapam aos nossos sentidos, mesmo os mais apurados. O Pai Celestial está, por assim dizer, no centro de todas as coisas que existem e, ainda mais, se encontra onde achamos a permanência do nada.

Se acreditamos somente naquilo que vemos e que tocamos, somos os mais infortunados dos seres, pois, desta forma agem também os animais. A razão nos diz, e a ciência confirma pelas inúmeras experiências dos próprios homens, que o desconhecido tem maior realidade. O que as almas encarnadas não vêem e não podem tocar definem a existência de força energética, senão inteligência exuberante, capaz de nos mostrar a verdadeira grandeza do infinito em todas as direções do macro e do microcosmo.

Se sentimos dificuldade para definir o que é a vida, certamente não sabemos explicar o que é o infinito, que está configurado na ordem dos mistérios de Deus. Compete a nós outros darmos as mãos em todas as faixas da existência e alistarmo-nos na escola do Senhor sem perda de tempo, sem desprezar o espaço a nós oferecido, por misericórdia do Criador.

Estamos situados em baixa escala, no pentagrama evolutivo. Falta-nos a capacidade de discernir certas leis que regem o universo, como as leis menores que nos sustentam todos em plena harmonia, como micro vidas nos céus da Divindade. Devemos estudar constantemente, cada vez mais, no grande livro da natureza, cujas páginas somente encontraremos abertas, pela visão do amor. Nada errado existe na lavoura universal, o erro está em quem o encontra. Basta pensarmos que o perfeito nada faz sem o timbre da sua perfeição, para crermos que tudo se encontra onde deve estar e onde a vontade do Senhor desejar.

Vivemos em um mundo de duras provas, de reajustes em busca da harmonia. O Cristo é a porta dessa felicidade, nos ensinando a conquistar este estado d’ alma com as nossas próprias forças, porque Deus sempre faz primeiro a Sua parte em nosso favor, em favor de todos os Seus filhos. Ninguém é órfão da Bondade Suprema.

O infinito é infinito para nós; para Deus é o Seu Lar, onde vibra o amor e onde o perfume exalante é a alegria na sua pureza singular. É de ordem comum nos planos superiores, que devemos começar pelas lições mais elementares, que nos despertam o coração, primeiramente, para a luz do entendimento.

Querer buscar entender o profundamente desconhecido, sem se iniciar nos rudimentos da educação espiritual, é perder tempo e andar nas perigosas e escuras estradas da ignorância. Se queremos conhecer alguma coisa, no que se refere ao infinito, principiemos na auto-educação dos costumes, observando quem já fez este trabalho, e copiemos suas lutas, que os céus da nossa mente abrir-se-ão e as claridades da sabedoria universal nos banharão com o esplendor da conscientização da Verdade.

Quem deixa para depois o conhecimento de si mesmo e tenta a sabedoria exterior, desconhece a verdadeira porta da felicidade. Cada Espírito é um mundo, um universo em miniatura, onde mora Deus e vibram todas as Suas leis, em ação compatível com o tamanho da individualidade. Assim, para entender o infinito da Criação, necessário se faz começar a entender o infinito da alma.

fonte: Filosofia Espirita – Volume I (Miramez)

Uma reflexão sobre os tormentos voluntários

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por Francisco Aranda Gabilan

Uma das maiores dádivas do Criador à criatura – ao lado das reencarnações sucessivas, que são a possibilidade infinita de refazer os desacertos e de construir a felicidade – está no LIVRE ARBÍTRIO.

Na escalada evolutiva, a Lei Natural (expressão da vontade do Criador) deu ao Ser Hominal (humano) a possibilidade de ele DECIDIR, sozinho, o que quer, como quer, para quê quer, e o que fazer com o que adquiriu – especialmente quando foi uma experiência: BOA ou AMARGA!

Mas, muitas vezes, o Homem transforma essa dádiva (LIVRE PENSAR E LIVRE DECIDIR) em uma arma atroz, trazendo-lhe sofrimento: pensa o Homem que pode decidir adquirir o que não está ao seu alcance, o que pertence a terceiros; almeja acumular mais bens do que necessita, submete-se a futilidades, despreza valores morais, deturpa os melhores preceitos sociais, avança nos direitos alheios, quer granjear a qualquer custo respeito (que é temor e não reconhecimento) dos subalternos e circunstantes.

Enfim, decide fazer da sua vida um só objetivo: subir, ganhar, manter a imagem seja a que custo for.

Tudo decisão da sua liberdade de agir!

Quando as graves e funestas conseqüências vêm, coloca culpa em Deus, no próximo, na incompreensão do mundo e – se acredita na reencarnação – debita os reveses ao seu passado desventuroso.

Mas, não é verdade: se nos for lícito percentualizar, diremos que 90% dos males (aflições) humanos – que trazem dor e sofrimento, verdadeiros TORMENTOS – derivam de ATOS DO PRESENTE, fruto da imprudência, da imprevidência, da imperícia, da ganância, do orgulho, da vaidade, da ambição e dos excessos de toda ordem.

Arruínam-se os Seres por falta de ordem, de perseverança, pelo seu mau proceder, ou por não terem sabido limitar seus desejos.

Quantas doenças teria evitado o Ser, não fossem sua intemperança, seus desatinos, suas agressões ao próprio físico, e, repita-se, os excessos de toda ordem! EM RESUMO: SÃO OS TORMENTOS CHAMADOS VOLUNTÁRIOS, que o próprio Ser se impõe – independentemente da ordem das coisas naturais, independentemente da vontade do Criador, independentemente das vidas passadas, independentemente do próximo.

O Ser, indubitavelmente, é vítima de si mesmo, quando decide usar do LIVRE ARBÍTRIO contra a ordem natural das coisas.

E a ordem natural das coisas é estar no Bem, que os Espíritos definiram para Kardec (Livro dos Espíritos, questão 630, parte 3a., cap. 1) que “é tudo o que é conforme a lei de Deus”, sendo que o MAL é “tudo que lhe é contrário”, concluindo: “Assim, fazer o bem é proceder de acordo com a lei de Deus. Fazer o mal, é infringi-la.” E, adicionamos nós: e assumimos as conseqüências, como herdeiros de nossas próprias ações!

No próprio Evangelho temos a história real que podemos tomar por espelho para nossa conduta: JUDAS DE KERIOTH (Iscariotes), em quem a ganância ou o erro de avaliação (de arrecadar fundos para suposta causa libertária), que resultou no que resultou – traição, suicídio etc…. além de um futuro espiritual terrível!