O Sono e os Sonhos

sonhos

O LIVRO DOS ESPÍRITOS Capítulo VIII – DA EMANCIPAÇÃO DA ALMA

O sono e os sonhos Visitas espíritas entre pessoas vivas Transmissão oculta do pensamento (Perguntas 400 à 421)

O corpo descansa… acontece o sono, o cochilo, ou mesmo não tendo nada para fazer fisicamente e estando só, o encarnado entra no seu costumeiro fluxo de pensamentos e sua alma, exclusiva e divinamente vinculada ao seu corpo, se vai. Neste momento a alma não necessita da presença física de seu corpo. A alma vai se relacionar. Vai aprender, vai fazer, vai ensinar, vai visitar, vai ajudar, vai a outros mundos permitidos, vai rememorar anteriores encarnações…mas tudo isso com o consentimento de Deus. Toda essa restrita mas salutar liberdade propicia à alma a oportunidade ideal de burilar-se no relacionamento, burilar-se na vida, consigo mesmo e com seus irmãos espíritos.

O sono chegou, momento do espírito encarnado, da alma, libertar-se do corpo até que se faça necessário seu retorno por mecanismos particulares da natureza do homem ou mesmo por situações adversas. Situações estas decorrentes talvez de forte emoção ou mesmo situações críticas em que se faça necessário o seu retorno ao corpo, passando este corpo a estar acordado ou mesmo ainda entorpecido pelo sono.

O sonho é a lembrança do que o espírito vivenciou durante o sono. Por vezes encontramos irmãos que o relatam como um sonho completamente descabido. Em outras vezes, e não raro, transmitindo profunda sensação de amor e fraternidade, de perdão, de reconciliação, de simpatia, de amizade. Também acontece o caso de se acordar, tomado por sentimentos angustiantes, sofridos, um pesadelo.

É muito importante e aconselhável, que antes de adormecer possamos sentir algo de elevado em nossos pensamentos, algo que nos faça crer que o Pai Celestial, misericordioso e justo, representado por seus mensageiros de luz que desde o nosso nascimento, conhecendo nossa história, estão sempre conosco e que eles são capazes de nos conduzir a nossa inescapável evolução moral e intelectual. Orar antes de repousar nosso corpo cansado é uma prática que produz maravilhas à nossa saúde física e mental.

Cuidado. Quando um problema à resolver nos deixa muito preocupado, existe ainda uma forte tendência de buscarmos, em qualquer ocorrência, situação ou fato, uma associação com o problema. É necessário equilíbrio e bom censo, é necessário vigiar. Pois senão, o nosso pensamento ao trans passar o prisma da verdadeira vida, erroneamente imprime apenas vibrações carregadas de maus pensamentos, como o duelo, a mentira, a malícia, ou apenas o medo… o medo da incerteza, o medo do amanhã. Creiamos pois que o equilíbrio é um dos ingredientes para a nossa harmonia interior e exterior. Equilibremos nossos pensamentos filtrando as ideias que passam, rejeitando as ideias fundamentadas em orgulho, egoísmo, ciúmes, vaidade. Adote as ideias fundamentadas na fraternidade, piedade, perdão, reconciliação e caridade, transforme-as em pensamentos e esses pensamentos em atitudes em ações. Leia algo edificante. Acreditem, esse procedimento já salvou e continua salvando muitas vidas.

O que pensar ? O que concluir de um sonho que tivemos ? Simples! Se lembrarmos do contexto e pudermos extrair uma conclusão baseada em atitudes coerentes com nosso estudo do Evangelho Segundo o Espiritismo, foi um aprendizado com bons mestres. Caso seja um sonho sem nexo, cheio de incoerências físicas, aberrações, ilógico e irreal, provavelmente este desaparecerá de nossa mente. Aconteceu o esquecimento de trechos e passagens da vivencia de nossa alma talvez até mesmo em mundos regidos por outras leis físicas que apenas à nossa alma importa seu significado. Caso o sonho nos revele sensações de vaidade, orgulho, ganância, medo… Reflita sobre seus pensamentos e ações, ore pedindo que te seja dado entendimento a algo que ainda não percebeu. Repense seus passos com apenas amor no coração, encontre-os e de início à reparação dos erros cometidos pois sempre ainda haverá mais uma chance. Descubra, você mesmo, que você quer, pode e vai se aprimorar.

O sono nos propicia o recreio para nossa alma cerceada pelo corpo, a universidade para nosso espírito em busca do estudo orientado, o hospital para nossa alma desregrada, a casa de caridade para o nosso espírito carente. Assim pois é o sono, uma dádiva de Deus a seus filhos encarnados.

Quando a alma está liberta, ela está liberada para se relacionar e pode se encontrar com outras almas, outros encarnados, bem como também com espíritos desencarnados. Sua alma vai conviver na sociedade dos espíritos. Vai buscar e ser encontrada por aqueles que lhe são simpáticos aos pensamentos.

O estado espiritual da alma, do encarnado, ditará o tipo de companhia a que ele estará acessível. Veja bem! Sempre, sempre, sempre, os bons espíritos emitem boas vibrações mas apenas as capta aquele que vibrar junto com elas. Entre os encarnados, os encontros e as visitas de almas se dão por simpatia ou por necessidade. Por vezes a simpatia e a necessidade pode ser interpretada como afinidade e consequência no caso de baixarmos a vigilância para os irmãozinhos pobres de espírito onde certamente teremos como consequência suas companhias por afinidade de maus pensamentos.

A linguagem dos espíritos é o pensamento. De nossas almas emanam pensamentos. Nossas almas se comunicam conforme o grau de simpatia que trocam entre si, e que pode se dar até mesmo entre duas almas em estado de vigília. Digo, duas pessoas espiritualmente simpáticas entre si, dialogam, se comunicam sem o saberem a ponto de se fazer conhecer até mesmo informações resguardadas no mundo carnal. Nossas almas, espíritos encarnados, na grande maioria das vezes impuros, pensam diferente com a alma emancipada, pensam à melhor.

Enfim, nosso destino é o de conhecermos uns aos outros, aprendermos uns com os outros e trabalharmos juntos em prol de nós todos, despertos ou adormecidos. A vida é Relacionamento, é mais que um, é fraternidade.

por Cláudio Lourenço de Almeida (Publicado no Boletim GEAE Número 312 de 29 de setembro de 1998)

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O Orgulho e o Egoísmo

 

egoista

“Tendes um provérbio que diz: Pela obra se reconhece o autor. Pois bem! Vede a obra e procurai o autor. O orgulho é que gera a incredulidade. O homem orgulhoso nada admite acima de si. Por isso é que ele se denomina a si mesmo de espírito forte. Pobre ser, que um sopro de Deus pode abater!”

O Espírito orgulhoso, encarnado ou desencarnado, se supervaloriza, criando assim em tomo de si, o seu próprio mundo, de sorte a querer desconhecer os valores que não lhe pertencem e, principalmente, a Fonte Criadora de todas as coisas. O orgulho está sempre ligado ao egoísmo, estado deprimente daqueles que o possuem. Nós, os moradores da casa terrena nos dois planos de vida, estamos fechando o círculo de provações e começando a perceber o fim do materialismo. Graças a Deus, está morrendo essa época de descrer da Paternidade Universal.

Compete aos próprios homens erguerem seus pensamentos às alturas espirituais, reconhecendo e fazendo com que os outros encontrem a segurança de todas as seguranças, que é conhecer Deus dentro e fora de si e ouvir Sua palavra a nos educar por todos os meios e métodos de que Ele dispõe, pelas fornias visíveis e invisíveis da Sua majestosa criação.

O egoísmo contrai todas as forças do Espírito e atrofia as sensibilidades, fazendo-as perderem o contato com os agentes da Divindade, que nos trazem as notícias de vida em todos os planos da vivência espiritual. Nós podemos, pelos meios de que dispomos, que nada existe sem vida, mesmo a matéria que chamamos inerte. Em tudo manda a vida como vida de Deus.

O ser orgulhoso deixa de conhecer os seus próprios poderes, inerentes à sua personalidade. O ser egoísta facilita condições para a sua angustiosa solidão e sempre é portador desses dois carrascos. Não desconfia de que está andando para o abismo sem o perceber.

Se queremos ser livres, procuremos educar-nos e instruir-nos, e o caminho mais acertado é Jesus Cristo. Ele é o Pastor Inconfundível de todos nós; o Seu amor nos sustenta desde o princípio, nos abençoando em todos os caminhos e nos dando vida em todas as circunstâncias.

Meu filho, não duvides mais da existência de Deus. Se queres reconhecer Seu valor, olha Sua obra. Se tudo está em plena harmonia, certamente que o seu Criador é perfeito em todos os Seus aspectos. Negar o Senhor nos dias que correm, é assinar o atestado de ignorância calculada, que desvincula o amor do coração e separa a fé do ambiente em que se vive. No lugar do orgulho, constrói a fraternidade, e na área do egoísmo, conquista o amor. Não és diferente dos que já se realizaram na vida espiritual, e não existem outros caminhos que não sejam os delineados pelos grandes missionários da Caridade. Falar no bem e viver no bem é a meta do Espírito inteligente, que não se esqueceu da educação.

Quando admiramos uma pintura famosa, a primeira coisa que desejamos saber é quem foi seu autor. Pois bem, a natureza universal, de cujos benefícios desfrutamos, é a mais bela pintura, é a mais engenhosa construção que podemos contemplar. Façamos o mesmo, busquemos o seu autor. Encontraremos esse Deus de que sempre falamos com toda a nossa alegria, com toda a gratidão. A obra refiete a inteligência de quem a fez. Se ainda duvidas da nossa fala, procura-O nas diversas literaturas espiritualistas, busca meditar sobre Ele, que a Sua presença tornar-se-á visível às tuas sensibilidades, bem como ao teu raciocínio. E Ele passará a ser teu companheiro permanente, porque abriste o coração à procura da Sua benfeitora luz.

Já procuraste observar o teu próprio corpo e o seu funcionamento inteligente? Foi o acaso que o fez? Se desconheces o teu próprio corpo, foi alguém mais capacitado que o planejou; procura esse alguém, que O encontrarás sorrindo para ti, ajudando-te a desvendar os mistérios que existem em muitos outros ângulos da vida. Livra-te do orgulho e do egoísmo, que encontrarás as bênçãos do entendimento, encontrarás Deus dentro de ti.

fonte: Filosofia Espirita – Volume I (Miramez)

Egoísmo X Altruísmo

el-pensador

A Terra é um planeta de provas e expiações, seus habitantes são em grande maioria Espíritos imperfeitos, cujos caracteres principais são: “Predominância da matéria sobre o Espírito. Propensão para o mal. Ignorância, orgulho, egoísmo e todas as paixões que lhes são consequentes.” É claro que “nem todos são essencialmente maus.” É bem verdade que “em alguns há mais leviandade, irreflexão e malícia do que verdadeira maldade.” Há aqueles que ficam em cima do muro porque “não fazem o bem nem o mal; mas, pelo simples fato de não fazerem o bem, já denotam a sua inferioridade.” O restante ao contrário “se comprazem no mal e rejubilam quando uma ocasião se lhes depara de praticá-lo.”

Entre os imperfeitos os que mais se destacam são os Espíritos pseudo sábios, porque “dispõem de conhecimentos bastante amplos”, alguns deles pensam que são donos da verdade, porque “creem saber mais do que realmente sabem.”

egoísmo avassalador presente em todos povos do planeta, excitou a curiosidade de muitos cientistas, entre eles, Charles Darwin (1809-1882) que na obra A Origem do homem, publicada em 1871, tentou explicar a evolução da moralidade humana. A conclusão que chegou Darwin foi a de que o comportamento moral, não trazia nenhuma vantagem para o indivíduo, que pelo contrário, lucraria mais desobedecendo as regras impostas para agir com sua vontade própria. Analisando a tribo chegou a conclusão que “o espírito de patriotismo, fidelidade, obediência, coragem e solidariedade” são valores que iriam contribuir para coesão e organização, trazendo maiores chances para vitória na disputa por recursos naturais ou territórios com as tribos menos virtuosas. Daí concluiu que a seleção natural atua sobre os indivíduos, mas também sobre grupos adversários.

Até a metade do século XX, os cientistas não sabiam ainda o suficiente sobre o assunto, aliás, seus métodos deixavam muito a desejar. Mesmo Darwin não foi muito longe, pois, suas pesquisas não foram embasadas na Genética. Os estudos de Gregor Johann Mendel (1822-1884) não foram considerados pelos cientistas da época. Seus trabalhos permaneceram ignorados até o início do séc. XX.

Em 1953, os cientistas Francis Crick e James Watson anunciam a estrutura do DNA, a ciência chega a sua fase adulta e a partir da década de 60, o gene antes desconhecido, passa a ser o super star na luta pela sobrevivência. O indivíduo e o grupo são esquecidos, porque a seleção natural agora tem sua dinâmica embasada no gene. As vedetes desse corrente são os biólogos George C. Williams, da Universidade Estadual de Nova York e William Hamilton, desencarnado em 2000, considerado um dos maiores teóricos da evolução.

A obra O Gene Egoísta, do biólogo inglês Richard Dawkins, publicada em 1976, foi a súmula perfeita que a nova biologia estava propondo. A conclusão que chegou o autor era que éramos apenas “máquinas de sobrevivência”, isto é autômatos a serviço dos genes ou máquinas biológicas. Isto valia para todos seres vivos, da bactéria ao mais renomado cientista.

O biólogo Edward O. Wilson, aquele que disse que somos programados geneticamente para pensar em Deus, acha que a evolução do altruísmo é a preocupação central da sociobiologia (“Corrente de pensamento de origem anglo-saxônica que afirma serem os comportamentos sociais tanto animais como humanos baseados em princípios genéticos, e, portanto, transmissíveis.”) Em tempo, a Sociobiologia foi fundada por ele mesmo. Seus embasamentos estão nas obras Sociobiologia, a nova síntese, 1975; Da natureza humana, 1978. Essas obras serviram de motivo para polêmicas, porque foram utilizadas para fundamentos de teorias racistas.

O biólogo Michael Ghiselin afirmou em 1974, com humor negro e daninho: “Arranhe um altruísta, e você verá um egoísta sangrar.” A situação chegou a tal ponto que o filósofo norte-americano da Universidade de Princeton, resolveu opinar tentando neutralizar o negativismo dos defensores do egoísmo. Dizia ele que o sangue doado aos bancos de sangue, servia igualmente para doadores e não-doadores, e concluiu que isso era uma prova de que os doadores não esperavam por algum benefício futuramente. O biólogo Richard Alexander, as Universidade de Michigan, replicou que costumamos olhar para os doadores com respeito e admiração, mostrando que a recompensa chega na forma do reconhecimento social.

Mas, será isso mesmo? E como explicar o comportamento altruísta de Francisco de Assis, Madre Teresa de Calcutá, Irmã Dulce, Francisco Cândido Xavier, Divaldo Pereira Franco e tantos outros que parecem estarem programados com o gene do altruísmo? É, pois é! Essa teoria do gene egoísta não explica tudo, apenas um lado da questão, a preocupação dos cientistas aqui citados é apenas com a matéria, para eles o Espírito não passa de imaginação de religiosos ignorantes. É uma pena eles não conhecerem o Espiritismo, porque então saberiam que os genes apenas refletem a realidade de cada um. A ciência ainda não tem a verdade absoluta, apenas parte dela. Se Sócrates dizia que nada sabia! Somos muito gratos a Ciência que através de vários cientistas trazem suas contribuições científicas, mas não podemos aceitar seus erros.

E para encerrar vale a pena lembrar que os Espíritos pseudo-sábios “tendo realizado alguns progressos sob diversos pontos de vista, a linguagem deles aparenta um cunho de seriedade, de natureza a iludir com respeito às suas capacidades e luzes. Mas, em geral, isso não passa de reflexo dos preconceitos e idéias sistemáticas que nutriam na vida terrena. É uma mistura de algumas verdades com os erros mais polpudos, através dos quais penetram a presunção, o orgulho, o ciúme e a obstinação, de que ainda não puderam despir-se.” É bom lembrar que muitos deles estão reencarnados!

por Bernardino da Silva Moreira

Bibliografia:
  • O Livro dos Espíritos, Allan Kardec, tradução de Guillon Ribeiro, 76ª edição, FEB. Escala espírita, págs. 89 e 91.
  • Super Interessante, Edição 190, julho 2003, págs. 79, 80, 81, 82 e 83.
  • As Grandes Conquistas da Humanidade, Klick editora, 2003, pág. 90
  • Grande Enciclopédia Larousse Cultural, Nova Cultural, 1998, Vol. 22, pág. 5437.