O Passe

passe magnético“Ao por do sol todos os que tinham enfermos de diferentes moléstias, lhos traziam; e, pondo as mãos sobre a cabeça de cada um deles, os curava”. (Lc.4:40).

“E ele, estendendo a mão, tocava-lhe dizendo: quero; sê limpo e logo a lepra desapareceu dele”. (Lc.5:13).

Estas passagens do Evangelho de Lucas nada mais são do que a confirmação da existência do passe, que nada mais é do que uma “transfusão”de energia psíquica e espiritual, ou seja, a passagem de energia fluídicas vital de um para outro indivíduo. O PASSE é modalidade de socorro fraterno, é a terapêutica revivida e explicada, em sua mecânica e em sua vital importância, pelo Espiritismo-cristão.

A prática do Passe sempre foi de todos os lugares e de todos os tempos, mesmo que revestidos de diversas formas e ritos, ajustados ao degrau mental de quem o pratica. Havia entre os índios cânticos de evocação em torno do paciente; nos médiuns naturais há as “benzeduras” e “rezas”, feitos sempre com pureza d’alma e com intercâmbio de energia; culminando com os Templos do espiritismo-cristão da atualidade.

Como permuta de energias universais, quer entre desencarnados, quer entre encarnados – elege-se como delicado e precioso auxiliar como remédio nas crises, principalmente bruscas e repentinas de dor e no combate às chamadas doenças fantasmas; perturbações espirituais transitórias que sofrem as almas encarnadas; nas enfermidades da mente, no reequilibrio de si mesmo, nas terapias dos complexos…

O Passe atua diretamente sobre o perispírito, ou seja, onde se localizam as raízes profundas de nossos distúrbios somáticos. É o passe o mais importante elemento para a produção de equilíbrio perdido ou não conquistado, sempre que qualquer desajuste se instale ou revele.

O passe, como dissemos, é derivado de fluídos que são formas energéticas de elementos do Universo cósmico, que o perispírito automaticamente absorve do meio ambiente. Quanto mais elevado o pensamento e as ações os fluídos são mais harmônicos, agradáveis, luminosos, saudáveis. Quanto mais inferior o pensamento mais deixa em estado de desarmonia, doentio, desagradável e violento. Normalmente irradiamos de nós o que somos e impregnamos o ambiente de nossa energia.

No fenômeno mediúnico, durante o transe, ocorre uma exteriorização mais ou menos acentuada em face do estreitamento vibratório que o corpo físico condiciona. A percepção do médium, neste estado, fica mais acurada e ele sente esta energia por todo o corpo.

Os fluidos emanados de uma pessoa misturam-se ao ambiente e combinam-se aos de outra pessoa e, principalmente, com os fluídos dos espíritos desencarnados presentes , formando assim um ambiente fluídico local que pode ser percebido pelo médium que está com seus sentimentos mais aguçados e dependendo do estado de evolução mental do médium ele pode identificar a espécie de fluídos ali emanados, sabendo e compreendendo se bons ou maus. Os bons fluídos tornam-nos leves, com sensação agradável, calma, harmônica. Os maus irradiam fluídos pesados, desagradáveis, cabeça pesada e bocejos, até freqüentes arrepios. Há várias formas de passes. O Apóstolo Paulo nos falava da importância da impostação das mãos (Atos 8:17-19). Aliás ele também se referia aos Corintos “Dom de curar”. (I Cor.12.9-10 e 28). Recordamos Anchieta colocando as mãos por sobre as cabeças dos enfermos. Em uma de suas cartas, de sua obra “Cartas Inéditas”, encontramos um trecho significativos às pag. 52: “Esta e uma outra que estava doente eram visitadas por nós e uma delas se restabeleceu, após alguns dias, e perguntou-lhe a mãe como estava, ela respondeu que ia muito bem, e que não havia o que admirar, visto que o “padre lhe havia imposto a mão.” O passe pode ser ministrado independentemente de qualquer faculdade ou Dom especial no homem, o passe enriquece-se quando o passista venha a conhecer-lhe o mecanismo. Recursos há que por vezes ignoramos, quais sejam:

Repulsão: O enfermo, Não raro, repele as providências somadas a seu favor e reverbera os fluidos que o envolvem, anulando o tratamento que se lhe ministra. Recusa o remédio que lhe é necessário. Para vencer essa repulsão faz-se imperativa a conversação sadia, tornando-se tão agradável quanto possível, procurando-lhe os pontos de penetração ou vulnerabilidade. Identificado este caminho de acesso e através dele o passista procura restabelecer a harmonia e afinação entre ele e o paciente para que pouco a pouco possa ofertar-lhe o tratamento e enfim seja eficaz .

Para que o passe realmente seja eficaz faz-se necessário a confiança do paciente no passista pois é ela o melhor veículo à canalização de fluídos salutares. Há também de haver o magnetismo do passista posto que toda doença é, no fundo, uma perturbação magnética das células orgânicas e perispirituais, cujo reequilibrio se alcança hipnotizando os órgãos enfermos e dirigindo-os à reorganização total.

A vontade é outro elemento manipulador de energia, sendo ela portanto um condutor para a edificação ou destruição destes fluídos.

O passe, como já sabemos, é transmissor de energias humanas somadas às energias Divinas, agindo em favor do reequilibrio continuamente rompido pela vivência do orgulho. A prece é elemento que auxilia os necessitados de fluídos. O passista aceita sugestões de seus mentores espirituais e recebem o concurso Divino que lhe responde positivamente aos rogos silenciosos. O passe nem sempre é uma oração mas a oração é sempre um passe, um auto-passe. Sustentando-se com a prece o passista torna-se um intermediário consciente que, com humildade se ergue ao Alto afinizando-se com as ondas imaculadas do Universo, canalizando sua potencialidade em favor do doente. Quem ora é quem se utiliza dos melhores laboratórios.

Ao bom passe não é exigido um ambiente próprio. Entretanto é importante aos “templos” Espíritas o isolamento da visitação pública, por longo período, de um cômodo que deverá estar higienizado e com iluminação natural, salvo a noite que deverá conter uma semi iluminação azul.. Este lugar chama-se câmara de passe e se presta à reflexão do passista que, em oração abrirá os canais para os fluídos puros, que alimentarão o serviço dos passes. A demora no local equivalerá a um banho às suas disfunções e anomalias. “A virtude sempre repousa no equilíbrio…”

Ao passista é recomendável o repouso e o equilíbrio do espírito e para isto é necessário o uso equilibrado das energias sexuais para suas reais conquistas para o campo do bem. A medida que o homem se envilece, mais destacando o seu instinto animalesco, ele organiza suas satisfações grosseiras pelas vias sexuais. A medida que se sublima, os impulsos vitais de sua organização genital ganham novos rumos, exercendo-se efetivamente a fortificação das vibrações mentais e a naturalidade sexual atingirá sua coluna celeste. O passista pois, que encontra suas radiações genitais um celeiro inesgotável de saúde e harmonia par si e para seus semelhantes, lutará consigo mesmo para reformar-se no íntimo, assegurando-se de que , pouco a pouco irá alcançando a otimização de seu passe. O passista também tem de ficar em harmonia com a sua alimentação. Relativamente aos passes emergenciais, os Mensageiros Divinos servem-se de quaisquer instrumentos que encontram às mãos, independentemente das condições interiores, mas esta será sempre transitória. O passista, portanto, que se imponha esta modalidade de amparo curativo e caritativo, deve empreender todos os esforços para aprimorar-se para que seja sempre um intermediário da Espiritualidade Maior. Para tanto o alimento é um dos detalhes. Quanto mais equilibrado o organismo, maior o rendimento de suas energias, que serão partilhadas ao próximo sem jamais atingir a exaustão. Há de cuidar da alimentação. Não deve pois o passista comer nem muita carne nem muita gordura; nem muito condimentos, nem pratos de digestão difícil…

O passista deve ser amigo do estudo edificante, nobre. A leitura é simbiose com Espíritos iluminados. Devem os passistas, portanto, selecionar as obras que devem ser “estudadas” e das que devem apenas ser lidas. Outros elementos que deve evitar o passista para a sua depuração: Os tóxicos, que ingeridos, lhe minarão a resistência e poderão, inclusive, turbar-lhe as radiações fluídicas sadias. Fazendo-se necessário a ausência de álcool, a diminuição do fumo, moderação das pimentas e temperos fortes, nenhum entorpecente. A isto incluem-se até a dosagem de ingestão de drogas que podem corresponder-lhes a viciação, pois os viciados atraem fluídos de outros viciados, promovendo assim desequilíbrio. Para a Doutrina Espírita o aprimoramento é uma constante inarredável. Mas por outro lado o espiritismo-cristão não foi feito para acolher apenas anjos. Precisamos com caridade ajudar ao aperfeiçoamento mas sem críticas ou ridicularizações.

Reconheçamo-nos deficientes mas tenhamos coragem de iniciar nossa própria remodelação.

por Vera Meira Bestene (Publicado no Boletim GEAE Número 315 de 20 de outubro de 1998)

O mistério da Divindade

divindade

Será dado um dia ao homem compreender o mistério da Divindade?

“Quando não mais tiver o espírito obscurecido pela matéria. Quando, pela sua perfeição, se houver aproximado de Deus, ele o verá e compreenderá.”

O mistério da Divindade está distante da compreensão humana, por faltarem ao homem sentidos para tal. As sequências misteriosas dos Espíritos a Deus são infinitas e os caminhos são igualmente sem fim. O crescimento da alma vai lhe dotando de poderes, de sorte a conhecer mais profundamente o mundo espiritual e as leis que governam toda a criação divina; todavia, essas leis são agentes movidos pela, Sua poderosa mente, que abrange toda a extensão Universal.

No estágio em que nos encontramos, encarnados e desencarnados, não devemos pensar em conhecer a intimidade de Deus. É, pois, querer saltar para o inconcebível, desrespeitando a harmonia da gradatividade, da sabedoria maior. Alguns homens inexperientes afirmam que não existem mistérios para os espiritualistas. Como se enganam esses nossos irmãos! Quanto mais nos conhecemos, mais sabemos que nada sabemos, em se falando das dimensões que se escondem nas dobras da escala evolutiva e nos segredos da Divindade. Os que dizem conhecer tudo, nada sabem; são pseudo-sábios diante da sabedoria maior e lhes falta humildade e as primeiras chaves, o conhecimento das regras de viver em harmonia consigo mesmo. Certamente que é o orgulho se movendo em seus sentimentos e a vaidade egoísta iludindo seus corações.

Quando Allan Kardec, em O Evangelho Segundo o Espiritismo, afirma que “fora da caridade não há salvação”, está nos mostrando que o ambiente da benevolência prepara e nos ajuda a despertar os talentos internos, de maneira a observarmos outras nuances das leis que até então não tenhamos percebido. A caridade, em todas as suas feições, é força divina no divino aprendizado de todos os Espíritos. E luz nas mãos de quem deseja ser iluminado, é chave que abre muitas portas do saber, porque a caridade é, por excelência, Amor. Quem quiser conhecer mais um pouco dos mistérios de Deus, que faça e viva a caridade, que ela dotará esse trabalho de poderes para essa visão interna, de sentidos apropriados para compreender os efeitos das leis divinas.

Outra coisa valiosa que recomendamos para todas as criaturas é o exercício da oração. Não devemos esquecer a prece em todas as circunstâncias. Ela desata e desenvolve os fios dos pensamentos, impulsionando-os em todas as direções, de acordo com os sentimentos que os geraram, tem a capacidade de recolher os frutos na mesma dimensão em que foram emitidos. Nós somos mundos com imensuráveis qualidades a se desenvolverem, dependendo do que quisermos fazer delas, do nosso esforço e fé nas nossas realizações para o bem próprio e da coletividade.

Se estás em busca de mistérios que muito te atraem, na verdade te dizemos que existem muitos mistérios no mundo íntimo de cada criatura e eis aí a grande oportunidade de estudarmos a nós mesmos e nos deliciarmos com os nossos tesouros íntimos. O amor é qual um sol que se divide em variadas virtudes. Vamos observar esse fenômeno maior dentro de nós, com honestidade nas boas obras, que os véus vão caindo em sequências que suportamos e a serenidade dominar-nos-á a consciência. Esses são os mistérios menores, representando uma universidade onde deveremos permanecer por um tempo que não podemos determinar. Despertemos para esse trabalho louvável e dignificante, de nos conhecermos a nós mesmos, porque conhecer a Divindade como pretendemos somente será possível depois que nos tornarmos Espíritos Divinos, e, mesmo assim, vamos encontrar em nossos caminhos de luz, mistérios e mais mistérios a desvendar, o que haveremos de fazer com amor e alegria espiritual.

Que Deus nos abençoe nesta jornada infinita do acordar para a Luz!

fonte: Filosofia Espirita – Volume I (Miramez)