A visão espiritual sobre o suicídio

“A vitória da vida não consiste tanto no ganhar suas batalhas, como em saber sofrer suas derrotas” ( P. C. Vasconcelos Jr. “In” – “Pensamentos”).

suicidio2O suicídio é um tema que ainda hoje divide opiniões mundo afora, seja no campo cientifico, filosófico ou religioso. Nosso artigo de hoje visa lançar luz sobre um tema inerente a todas as sociedades presentes no globo e nos acompanha a partir dos tempos mais remotos. Suicídio (do latim sui, “próprio”, e caedere, “matar”) é o ato intencional de matar a si mesmo. Sua causa mais comum é um transtorno mental e/ou psicológico que pode incluir depressão, transtorno bipolar, esquizofrenia, alcoolismo e abuso de drogas. Dificuldades financeiras e/ou emocionais também desempenham um fator significativo.

Antigamente, em Atenas, uma pessoa que havia cometido suicídio (sem a aprovação do Estado) era negada às honras de um funeral normal; a pessoa era enterrada sozinha, na periferia da cidade, sem lápide ou inscrição. Um decreto-lei criminal emitido por Luís XIV de França em 1670 era muito mais grave em sua punição: o corpo do morto era atirado pelas ruas, virado para baixo, depois pendurado ou jogado em uma pilha de lixo, enquanto que todos os seus bens eram confiscados. Em contrapartida, os soldados da Roma antiga e do Japão Feudal que haviam sido derrotados nas guerras eram obrigados a cometerem suicídio.

Modernamente, em algumas jurisdições, um ato incompleto ou ato de suicídio é considerada um crime. Mais comumente, um membro do grupo sobrevivente que ajudou na tentativa de suicídio enfrentará acusações criminais. No Brasil, se a ajuda for direcionada para um menor, a pena é aplicada em seu duplo e não considerada como homicídio. Na Itália e no Canadá, a instigação ao suicídio a outrem também é uma ofensa criminal. Em Singapura, que presta assistência no suicídio de uma pessoa com deficiência mental, esta é uma ofensa capital. Na Índia, o suicídio, a cumplicidade de um menor ou uma pessoa com problemas mentais podem resultar em um prazo máximo de prisão de 1 ano com uma possível multa.

A visão sociológica do suicídio é, segundo Durkheim, “todo o caso de morte que resulta, direta ou indiretamente, de um ato, positivo ou negativo, executado pela própria vítima, e que ela sabia que deveria produzir esse resultado”. Conforme o sociólogo, cada sociedade está predisposta a fornecer um contingente determinado de mortes voluntárias, e o que interessa à sociologia sobre o suicídio é a análise de todo o processo social, dos fatores sociais que agem não sobre os indivíduos isolados, mas sobre o grupo, sobre o conjunto da sociedade. Cada sociedade possui, a cada momento da sua história, uma atitude definida em relação ao suicídio.

Como objetivo dessa coluna é tratar questões ligadas a espiritualidade  transcrevemos abaixo ótimo artigo de Domério de Oliveira, originalmente publicado no Jornal Verdade e Luz Nº 165 Outubro de 1999, onde trata do tema com elucidadora clareza.

O suicídio é o resultado do nosso desequilíbrio espiritual. Quando o cidadão perde o controle das suas forças psíquicas, torna-se alvo das trevas, ( dos maus espíritos), e acaba caindo no tremendo calabouço do suicídio. Há pessoas que chegam às portas do suicídio levadas pela ignorância das leis naturais da causa e do efeito. Algumas pessoas cometem o suicídio, quando tangidas por doenças incuráveis ou quando atingem idade avançada. Não querem ser pesadas para as suas famílias e nem passarem por muitos sofrimentos. Essas pessoas não estão bem conscientes do aspecto espiritual de suas ações. Ignorando a Lei Maior da Vida Eterna, acham que podem estancar os achaques da velhice e que também podem interromper os seus sofrimentos, saindo desta existência, pelas portas trágicas do suicídio. Entretanto, meus amigos, ninguém pode exercer o papel de Deus. Ele nos dá a vida, aqui no planeta Terra e sabe, muito bem, o momento de nos transferir para o Plano Maior. Essas pessoas devem saber que o nosso Espírito ao ingressar no corpo mais denso, por si mesmo, escolheu as experiências cármicas para o seu burilamento íntimo. Nestas circunstâncias, durante nossas lutas, nossas provas e expiações, no planeta que nos acolheu, temos que batalhar até o fim, até à última gota de nossas forças. Temos que lutar até o fim, valendo-nos de todos os recursos para nossa sobrevivência. Só mesmo Deus, nosso Criador, pode fixar o momento da nossa partida. Sabemos que todas as vezes que ocorre o suicídio, o Espírito deverá retornar para reaprender aquela experiência interrompida, ou seja, precisará voltar em outra existência e passar de novo pela mesma provação ou algo similar. A provação pode não ser tão extremada como a que experimentou na existência anterior, porque parte dela já foi vivenciada, entretanto, o Espírito precisará resgatar, até o último ceitil, as provas que se lhe antolham e que foram ocasionadas pelo suicídio. As leis da ação e da reação funcionam como um sistema de pesos e medidas. A situação, assim, fica bem mais complicada, porque o suicídio nada resolve, pelo contrário, é circunstância tremendamente agravante. Meus amigos, a morte física não resolve os problemas que se ligam às nossas responsabilidades. Nossos problemas de ordem sentimental, de ordem social ou de quais quer naturezas, por certo, temos que resolvê-los e saná-los, aqui e agora, à luz da mais santa paciência e do trabalho incansável. Não tentemos fugir dos problemas porque eles nos seguem, como a sombra segue o nosso próprio corpo.

Sim, doe-nos o coração, quando, em trabalhos mediúnicos, temos a oportunidade de constatar a situação de penúria e de angústia dos irmãos que se suicidaram. Abre-se uma exceção para os irmãos que cometeram o suicídio tangidos por doenças mentais ou por desequilíbrios bioquímicos. Aludidas pessoas estariam com sua capacidade de decidir comprometida. Então, quando passam para o outro lado, acordam em uma espécie de abrigo onde recebem o auxílio de que precisam para o restabelecimento. Entretanto, não deixam de responder pela gravidade da falta cometida.

E podemos aduzir mais que a natureza de uma Alma a leva a crescer e a aprender. Por isso mesmo, trazemos, para a nossa existência terrena, determinadas situações que precisamos superar ou para as quais precisamos buscar o equilíbrio. Se nos déssemos conta de que, no plano terreno, é normal vivenciarmos algum tipo de sofrimento, seja físico, mental ou emocional e de que o suicídio não eliminaria essa condição, acreditamos que haveria menos casos de pessoas tirando suas próprias existências. Precisamos nos conscientizar sobre o erro do suicídio e sempre acentuar a responsabilidade que temos de viver plenamente, porque a Vida, em síntese, é uma só, e as existências, neste plano-terra, são os degraus que devemos escalar. Se quebrarmos algum degrau, por certo, teremos que descer de novo e reconstruí-lo. A queda, em qualquer circunstância, é sempre mais dolorosa.

Lembremo-nos sempre e procuremos vivenciar, “ab imo corde”, os valiosos ensinamentos do Eminente Guerreiro-Filósofo Napoleão Bonaparte, (1769 usque 1821):

“Tão valente é aquele que sofre corajosamente as dores da alma como o que se mantém firme diante da metralha de uma bateria. Entregar-se à dor, sem resistir, matar-se e eximir-se à mesma dor, é abandonar o campo de batalha antes de ter vencido”.

Tratamento espiritual, conhecimento velado ou revelado?

Há muito se pergunta se as ações de tratamentos espirituais de saúde, são exclusivas de uma inteligência puramente espiritual desconhecida ou existem elementos de caráter científico ou culturais envolvidos.

Sabe-se que, em muito, os tratamentos podem ser explicados através de estudos das varias culturas, isto, porque podemos perceber que os Guias espirituais, muitas vezes utilizam elementos e procedimentos, os quais são encontrados ou citados em culturas variadas, se não idênticas, com grande semelhança.

Tomemos como exemplo inicial a meditação, usada amplamente pelas culturas orientais, com enfoque na cultura Hindu, que utiliza a meditação não somente para busca de elevação espiritual, mas também como terapia, para as mais variadas situações de saúde; mas onde encontramos similaridades entre meditação e espiritualidade e suas ações de tratamentos de saúde?

Antes porém, tentemos identificar a espiritualidade e a meditação, para tal citamos uma das várias explicações:

A Espiritualidade é uma dimensão da pessoa humana que traduz, segundo diversas religiões e confissões religiosas, o modo de viver característico de um crente que busca alcançar a plenitude da sua relação com o transcendental. Cada uma das referidas religiões comporta uma dimensão específica a esta descrição geral, mas, em todos os casos, se pode dizer que a “espiritualidade” «traduz uma dimensão do homem, enquanto é visto como ser naturalmente religioso, que constitui, de modo temático ou implícito, a sua mais profunda essência e aspiração».( Wikipédia)

A Meditação,(do latin meditare), significa voltar-se para o centro, no sentido de desligar-se do mundo exterior e de entregar-se à contemplação ou reflexão (PINNA, 2008). Em sânscrito, é chamada de dhyāna, conhecida por ch’an na tradição chinesa e zen na tradição japonesa (SUZUKI, 2007). Segundo o dicionário Houaiss (2010), meditação é um ato ou efeito de meditar e de pensar com grande concentração de espírito; é uma prática de concentração mental que se propõe a levar, através de uma sucessão de estádios, à liberação espiritual dos laços do mundo material. A meditação é um método que objetiva o autoconhecimento e a manutenção do equilíbrio do ser em sua multidimensionalidade (física, mental/emocional, interpessoal e espiritual), e pode ser comparada a uma prece mental feita para alcançar a transcendência e a iluminação (MERTON, 1960). Possui raízes orientais descritas em textos hindus e taoistas entre 1500 e 300 a.C., mas sua origem exata diverge entre a comunidade científica e especula-se que a prática de meditação seja datada por volta de 5.000 a 8.000 anos (OSPINA e cols., 2007; CHIESA e cols., 2010).

Pois bem, sabemos que no processo de desenvolvimento mediúnico, um dos quesitos básicos para o trabalho espiritual é a dedicação no aprendizado em, reformular o íntimo humano, controlar sua condição psíquica e alta concentração mental, desta forma, atingindo a ligação com os planos superiores, o que não foge ao princípio para a prática da meditação, onde ambas são controlados pelo sétimo Chakra ou Chakra Coronário, que tem relação com a glândula pineal, e faz conexão direta com a espiritualidade, com o ego superior, governando as expressões superiores do ser humano, “a meditação e a espiritualidade”.

Já sabiam os Yogues que a meditação é a experiência da espiritualidade direta, sem conexão, entre o yogue e Deuse, sendo a meditação a experiência da espiritualidade e esta última, a busca da plenitude transcendental, onde e de que maneira elas podem ajudar nosso corpo físico?

A resposta nos vem quando identificamos que cada vez mais a meditação está deixando de ser exclusividade de Ashrams* e mosteiros para se tornar uma importante aliada na melhoria da qualidade de vida e desenvolvimento espiritual dos ocidentais. Também, que ela atua de forma ativa na saúde do corpo de quem a pratica, melhorando a auto-estima, a criatividade, a percepção, a concentração, controla a ansiedade e mantém o equilíbrio emocional reduzindo, inclusive, os níveis de depressão e melhora sensível na condição de saúde orgânica.

Tais efeitos também são encontrados quando pessoas assistidas em tratamentos espirituais, recebem a aplicação de passes realizados pelos Guias espirituais, bem como por médiuns desenvolvidos, contudo, os experimentando de forma passiva.

 

Podemos citar também, a particular semelhança em outro processo ligado ao bem estar e ao tratamento, pessoal ou de outrem, a exemplo do estudo oriental da reflexologia, que surgiu na China há mais de 5000 anos, dentro de um contexto único de busca do equilíbrio integral, “holístico”, onde foram identificados nos pés e mãos, pontos referentes a órgãos e regiões do corpo humano, bem como Chakras os quais são utilizados como correspondentes para vários tratamentos, que podem ser com uso de equipamentos, agulhas de acupuntura ou pressionados pelos dedos ou mãos do aplicador, isto, com a intensão de harmonizar, equilibrar, desbloquear energias e etc.

Mas em que se assemelha a atividade espiritual, aos processos utilizados pelos Guias espirituais?

Vejamos então, dentre os vários procedimentos usados pelos Guias um deles nos chama atenção:

O Estalar de Dedos:

Porque as entidades estalam os dedos? Esta é uma das coisas que vemos e geralmente não nos perguntamos, talvez por parecer algo de importância mínima, mas esse ato encerra alguns detalhes esotéricos de grande importância.

Como já foi dito nossas mãos possuem terminais nervosos que se comunicam com cada um dos chakras de nosso corpo, onde foram identificados:

(Trecho acima: Revista Umbanda nº 3 – Editora Escala)

 

Vejamos o que diz Ramatís sobre esta questão:

Ramatís afirma:” A verdade é que vossas mãos, como vossos pés, possuem terminais nervosos, que se comunicam com cada um dos gânglios e plexos nervosos do corpo físico e com os chacras do complexo etérico-astral, como demonstramos a seguir:

1. dedo polegar – chacra esplênico (região do baço);

2. indicador – cardíaco (coração);

3. médio – coronário (alto da cabeça);

4. anular – genésico ou básico (base da coluna);

5. mínimo – laríngeo (garganta);

6. na região quase central da mão, chacra do plexo solar (estômago);

7. próximo ao Monte de Vênus (região mais carnuda logo abaixo do polegar) – chacra frontal (testa).

Essas terminações nervosas das palmas das mãos são há muito conhecidas da Quiromancia e das filosofias orientais. 

O estalo dos dedos se dá sobre o Monte de Vênus e dentre as inúmeras funções conhecidas disso, está a retomada de rotação e frequência do corpo astral, “compensando-o” em relação às vibrações do duplo etérico, aumentando a exsudação 1 (liberação, doação) de energia animal – ectoplasma – pela aceleração dos chacras. Com isso se descarregam densas energias áuricas negativas, além do estabelecimento de certas condições psíquicas ativadoras de faculdades propiciatórias à magia e à intercessão no Plano Astral. São fundamentadas nas condensações do fluido cósmico universal, imprescindíveis para a dinâmica apométrica, e muito potencializadas pela sincronicidade entre o estalar de dedos e as contagens pausadas de pulsos magnéticos”

Continua Ramatís: “Já quando bateis palmas, sendo vossas mão pólos eletromagnéticos, a esquerda (-) e a direita (+), quando as duas mãos ou pólos se tocam é como se formassem um curto-circuito, saíndo faíscas etéricas de vossas palmas. Quando os pretos velhos em suas manifestações batem palmas, durante os atendimentos de Apometria, é como se essas faíscas fossem “detonadores” de verdadeiras “bombas” ectoplásmicas que desmancham as construções astrais, laboratórios e amuletos dos magos negros.

“Apômetras” e Umbandistas, uni-vos. Continuai estalando os dedos e  batendo palmas, sabedores do que estais fazendo, despreocupados, conscientes e seguros de que as críticas se perderão como pólen ao vento.”

Face ao exposto e, lembrando que estas colocações se dão a partir do entendimento deste que as expõe, sem prejuízo de entendimentos diversos, não podemos deixar de lado a grande importância destas observações na prática para o bem estar e evolução do Homem, onde, como descrito acima, o ocidente esta comprovando o que o oriente já ensinava há milênios, da mesma forma que os Guias Espirituais nos trazem experiências de conhecimentos ancestrais, assim, eu os convido a pesquisar.

“A nossa mente é um microcosmo, é uma área infinita, é uma lavoura de proporções indescritíveis. E tudo nos é dado para cultivar esse campo sem limites. Se quiserdes experimentar começai hoje mesmo.”
(Miramez – Livro: Horizontes de Mente – página 75)

Adriano D’Ogum

 

Notas de referência:

1- KALYAMA, Acharya, Yoga: repensando a tradição

São Paulo; IBRASA, 2003 p.66-67

2- SIVANANDA, Swami: A ciênciado pranayama.

São Paulo; Ed. Pensamento p.15

3- Revista Super-interessante; janeiro de 2001

4-Wikipédia;

5- Revista Umbanda nº 3 – Editora Escala