O que é Exu?

Dia de Exú, Ilha de Outeiro, Belém-PA., 2011 / Exú Festival, Out

Entendemos que as entidades que atuam como Exus são como guardiões de nossos caminhos (nossas encruzilhadas cármicas). A vibração dessa linha atua numa faixa de retificação evolutiva, fazendo com que muitas vezes sua atuação seja confundida com o mal, o que não é de forma alguma verdadeiro. Se um Exu atua numa faixa de correção, muitas vezes no escopo de seu trabalho, alguém vai sofrer alguma mazela por puro efeito de justo retorno. Por exemplo: pessoas que foram muito ricas e despóticas em vidas passadas, na atual encarnação vão encontrar dificuldades para o ganho financeiro. Nesses casos, então Exu não irá facilitar em nada essa situação, agindo dentro de uma linha justa de intercessão. E se a criatura fizer um trabalho de magia negativa para conseguir um emprego e prejudicar alguém, e o prejudicado procurar um terreiro de Umbanda, pode-se ter certeza de que o contratante do trabalho terá como retorno todo o manancial cármico que distorceu intensificado, por um justo mecanismo de compensação cósmica, que foge ao nosso controle. Então, o que acontecerá depois cabe a Xangô (a justiça) determinar; cabe a Exu apenas executar à risca. Parece duro, mas aprendemos com o tempo que as coisas funcionam desse modo, independentemente do que se entende como Exu ou não.

Os espíritos que manejam e atuam na vibração de Exu são calejados nas lides e psicologia da vida, e desprovidos de sentimentalismos na aplicação da lei cármica. Entendemos que, sem essa vibratória, o planeta seria uma barafunda, e os magos do Astral inferior já teriam instalado o caos na Terra.

Há de se ter bem claro que Exu não faz mal a ninguém, ao menos os verdadeiros. Quanto a espíritos embusteiros e mistificadores que estão por aí, encontram sintonia em mentes desavisadas e sedentas por facilidades de todas as ordens.

Os Exus atuam diretamente em nosso lado-sombra e são os grandes agentes de assepsia das zonas umbralinas. Em seus trabalhos, cortam demandas, desfazem feitiçarias e magias negativas feitas por espíritos malignos, em conluio com encarnados que usam a mediunidade para fins nefastos. Auxiliam nas descargas, retirando os espíritos obsessores e encaminhando-os para entrepostos socorristas nas zonas de luz no Astral, a fim de que possam cumprir suas etapas evolutivas em lugares de menos sofrimento.

Assim é Exu: por vezes incompreendido, outras temido, tantas amado, mas sempre honesto, alegre, feliz, direto no que tem a nos dizer, e incansável combatente da maldade que o próprio homem alimenta no mundo.

 fonte: Umbanda Pé no Chão – Ramatis
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Mistério Exu

Olá irmãos, dentre tantas coisas intrigantes da criação Divina, o “Mistério Exu”, talvez seja uma das mais intrigantes e instigantes. Existem varias maneiras de tentar explicar esta emanação Divina, então vamos falar de uma delas e tentar compreendê-la, eu os convido a leitura.(..Adriano D’Ogum…)

DEUS,  força que está presente em tudo o que conhecemos e desconhecemos, criou os tronos representativos da essência terrena (Trono da Fé, Trono do Amor, Trono do Conhecimento, Trono da Justiça, Trono da Lei, Trono da Evolução, Trono da Geração), e é chamado representativamente de PAI. A nomeação e qualidade de PAI são embasadas em tudo o que acreditamos que um pai deveria fazer para seus filhos, como proteção, carinho, amor, etc. Porém Deus como um TODO, é o próprio Mistério, uma força ou energia, não pode somente ser entendido como PAI, mas também como MÃE, pois desde o átomo (que se faz presente no nosso UNIVERSO) as polaridades positiva e negativas estão presentes nos prótons e elétrons respectivamente, lembre-se OS PARES energéticos, DEUS como representação é uma força ou energia divina onde devemos encontrar e nomear como PAI e MÃE, os criadores do nosso Universo.

Todos os tronos criados por DEUS (PAI e MÃE), possuem seus pares energéticos que ora irradiam, ora absorvem. Cada par está assentado em um TRONO DIVINO, e esses regem a força irradiada por ele, por exemplo no Trono Divino do Amor temos Oxum que irradia o amor e Oxumaré que absorve ou neutraliza o ciúme, no Trono Divino da Lei temos Ogum que gera e faz a ordem, e Egunitá que absorve e cessa a desordem, etc., então, em uma escala menor, também considerados pais e mães.

Todos os Sete Tronos são Vitalizados através do Trono da Vitalização e Vigor regidos por Exu, o único que possui em si mesmo as duas polaridades, ou seja, não há par energético ele é “dual”, porquanto, quando nos referimos a Pombo-Giras, estamos indicando seu aspecto negativo feminino . Lembrem-se que os tronos são regidos por energias divinas e não por espíritos, espíritos trabalham dentro dessas energias.  

 Por que tanto “cuidado” com Exu? Porque Exu é o senhor que cuida das encruzilhadas. E o que vem a ser uma encruzilhada? Encruzilhada é a linha que intercepta algo, onde há um cruzamento (CRUZ) de duas ou mais esferas espirituais, ou de caminhos, ou ainda de solos (sagrado e mundano). Se você vai entrar em um Terreiro (solo sagrado) você deve saudar a Exu (o guardião da encruzilhada) para poder deixar o solo mundano.

Exu é sem sombra de dúvida a divindade mais incompreendida de todas. Taxado muitas vezes de Diabo ou demônio, Exu é cultuado em muitas com outros nomes. Aqueles que o  cultuam, o adoram e gostam muito dele, tendo uma visão muito diferente das pessoas que não o conhecem.

Podemos dizer que acima de tudo Exu é um Trono da Vitalidade, uma divindade que vitaliza toda criação dando força e vigor para tudo realizar – se. Esse Trono da Vitalidade é cultuado em muitas culturas com nomes diversos. Na África ele é cultuado como Exu, quem vem do Yorubá e quer dizer esfera, mas é também cultuado em muitos outros povos, sendo Loki para os nórdicos, Seth para os egípcios, estando presente em Shiva dos hindus,  em Hermes e Dionísio dos gregos e podemos dizer em todas as divindades fálicas (aquelas que tem como símbolo um falo ereto). Percebemos então que ele é uma força Divina da criação, e que está em tudo, sendo cultuado em todas as culturas. Esse é o aspecto “mistério” de Exu.

Sendo Exu um Trono recebeu em seu o nome um culto específico, sendo seu símbolo sagrado o falo ereto( Ogó em Yorubá). Ele foi e ainda é uma divindade cultuada pela sua força e vitalidade, além de muitas vezes estar ligado ao próprio vigor sexual. Apesar disso para melhor compreender esse Orixá é necessário entender que ele não atua apenas no campo sexual, mas sim, em todos os campos de nossa vida, nos vitalizando quando estamos apáticos em algum sentido e nos desvitalizando quando nos excedemos em outro.

Nos Cultos afros (Candomblé e Culto de Nação), Exu além de ser um Orixá é considerado o mensageiro, sendo aquele que traz aos homens as mensagens das divindades, ou seja, dos planos Divinos, sem perder a grandeza um Orixá como os demais.

Em suas lendas e em seu arquétipo humano, talvez por ser o que mais se aproxima de nós, intensifica sua dualidade, trazendo em si a luz e as trevas e isso é demonstrado em seu arquétipo ora benevolente ora cruel. A ele também é atribuído um ótimo senso de humor (com sarcasmo claro) além de muitas vezes ser o causador de confusões. Apesar disso é retratado como muito esperto e inteligente. Esse é o Orixá Exu.

Na Umbanda, Exu além de Orixá é principalmente uma “linha de trabalho”. Nela muitos espíritos incorporam e prestam a caridade identificando-se como “Exus”. Para entendermos essa linha de trabalho, podemos citar uma das várias condições: Um espírito em sua vida carnal, não se dá conta de seus atos, comete erros e não se importa; torna – se uma pessoa desvirtuada, criando para si ou para outros um verdadeiro “inferno” que pode ser consciencial ou até material. Quando desencarna é atraído para onde deverá ganhar esta consciência, convivendo com o que criou, esse “inferno” pessoal, nesta esfera esta a força Exu, desvitalizando e absorvendo.

 Contudo, a criação é sábia e dá nova oportunidade, depois de algum tempo seu negativismo se esgota e ele tem a chance de rever sua condição de criação Divina e reabilitar-se, resgatando sua essência. É nessa hora, que entra a linha de trabalho Exu, dando condições desse espírito trabalhar para o Criador, dentro de suas condições e desígnios e assim voltar novamente a caminhar rumo a Ele. Esse espírito torna – se um “Exu de Lei” (espírito humano que traz a força e qualidades desse Orixá) e dizemos assenta – se a esquerda de um Orixá a qual ele responde e trabalha. Assim esse espírito começa a fazer um trabalho específico dos Exus no astral denso, trazendo a força do Orixá Exu e de mais um Orixá a qual ele responde e também acessa e fundamenta suas forças.

A maioria dos Exus que se conhece tem essa história. Mas é importante entendermos que muitos espíritos denominados Exus já alcançaram um grande grau de evolução consciencial, mas continuam trabalhando nos planos densos por escolha própria e por achar que lá ele serve melhor ao Criador e aos Orixás. Também temos alguns casos de espíritos muito elevados que nunca tiveram uma “queda” nem passagem por nenhum plano astral denso, mas que também por opção assenta – se nas trevas densas e lá começa a fazer todo um trabalho de sustentação da Lei e de resgate.

Exu então é Guardião, verdadeiros “policiais” do astral inferior, contendo os ataques oriundos do baixo astral, protegendo as casas que realizam trabalho espiritual de qualquer tipo; são também grandes desobsessores, realizando desobsessões dificílimas, recolhem e manipulam facilmente energias densas sendo muito bons para o “descarrego” e limpeza espiritual, além de cortarem e desmancharem as nefastas magias negativas. São grandes trabalhadores, muito protetores também; tem um jeito muito humano e tudo que tem que falar, falam na cara, não mandando recado. Também fazem maravilhosos trabalhos de cura.

Utilizam – se como elementos magísticos cigarros, velas (preta e vermelha basicamente podendo ser utilizadas outras como a branca, roxa, etc.), charutos, pinga, pólvora (fundanga), punhais, pedras, ervas, etc. Na Umbanda temos Exus em todas as sete vibrações e que respondem por cada um dos Orixás. Através da interpretação do seus nomes simbólicos chegamos a qual força e em qual campo eles trabalham.  

Apesar de algumas opiniões e publicações, Exu não é o Diabo nem o demônio, título esse que muitos querem dar a ele; também não é aquela manifestação ridícula de um espírito que baba, rosna e só sabe falar “palavrão”. Ele é uma manifestação Divina, com sua missão definida e direcionada. Quanto aos rituais, há que se explicar, sem críticas ou falso moralismo, que dentro da Umbanda, o sacrifício animal ou o sangue como elemento magístico, não é a única maneira de ativar ou evocar esta energia, existem outras formas magísticas para tal, o que não desabona sua utilização em situação de extrema necessidade, a qual deverá ser avaliada por “Força Espiritual Maior” e nunca por considerações pessoais de dirigentes ou sacerdotes, da mesma forma, nunca prestando-se a trabalhos de magia negativa à outrem, o que descaracteriza ou contraria as premissas de evolução espiritual.

Para todas as situações não devemos esquecer do “Mistério Exu”, pois ele é o que vitaliza,  nossas virtudes,  para que possamos, de alguma maneira, nos tornarmos pessoas melhores, diante do Criador e diante de nós mesmos, mas, também nos expõe a nossas fraquezas e vícios, pois Exu é o espelho de nossas atitudes e virtudes potencializando-as e tornando-as cruas e visíveis.

 

 

Fonte de pesquisa e indicação: (os livros O Guardião da Meia – Noite, o Guardião Tranca – Ruas e livro dos Exus- Rubens Saraceni).

Tristeza dos Orixás

Irmãos, segue uma leitura interessante extraida da Net, acredito que o autor seja Fernando Sepe, eu os convido à leitura.

Tristeza dos Orixás

Foi, não há muito tempo atrás, que essa história aconteceu. Contada aqui de uma forma romanceada, mas que trás em sua essência, uma verdadeira mensagem para os umbandistas…
Ela começa em uma noite escura e assustadora, daquelas de arrepiar os pelos do corpo.

Realmente o Sol tinha escondido – se nesse dia, e a Lua, tímida, teimava em não iluminar com seus encantadores raios, brilhosos como fios de prata, a morada dos Orixás.

Nessa estranha noite, Ogum, o Orixá das “guerras”, saiu do alto ponto onde guarda todos os caminhos e dirigiu – se ao mar. Lá chegando, as sereias começaram a cantar e os seres aquáticos agitaram – se. Todos adoravam Ogum, ele era tão forte e corajoso.

Iemanjá que tem nele um filho querido, logo abriu um sorriso, aqueles de mãe “coruja” quando revê um filho que há tempos partiu de sua casa, mas nunca de sua eterna morada dentro do coração:

-Ah Ogum, que saudade, já faz tanto tempo! Você podia vir visitar mais vezes sua mãe, não é mesmo? _ ralhou Iemanjá, com aquele tom típico de contrariedade.
-Desculpe, sabe, ando meio ocupado_ Respondeu um triste Ogum.
-Mas, o que aconteceu? Sinto que estás triste.
-É, vim até aqui para “desabafar” com você “mãezinha”. Estou cansado! Estou cansado de muitas coisas que os encarnados fazem em meu nome. Estou cansado com o que eles fazem com a “ espada da Lei” que julgam carregar. Estou cansado de tanta demanda. Estou muito mais cansado das “supostas” demandas, que apenas existem dentro do íntimo de cada um deles…Estou cansado…

Ogum retirou seu elmo, e por de trás de seu bonito capacete, um rosto belo e de traços fortes pôde ser visto. Ele chorava. Chorava uma dor que carregava há tempos. Chorava por ser tão mal compreendido pelos filhos de Umbanda.
Chorava por ninguém entender, que se ele era daquele jeito, protetor e austero, era porque em seu peito a chama da compaixão brilhava. E, se existe um Orixá leal, fiel e companheiro, esse Orixá é Ogum. Ele daria a própria Vida, por cada pessoa da humanidade, não apenas pelos filhos de fé. Não! Ogum amava a humanidade, amava a Vida.
Mas infelizmente suas atribuições não eram realmente entendidas. As pessoas não viam em sua espada, a força que corta as trevas do ego, e logo a transformavam em um instrumento de guerra. Não vinham nele a potência e a força de vencer os abismos profundos, que criam verdadeiros vales de trevas na alma de todos. Não vinham em sua lança, a direção que aponta para o autoconhecimento, para iluminação interna e eterna.
Não! Infelizmente ele era entendido como o “Orixá da Guerra”, um homem impiedoso que utiliza – se de sua espada para resolver qualquer situação. E logo, inspirados por isso, lá iam os filhos de fé esquecer dos trabalhos de assistência a espíritos sofredores, a almas perdidas entre mundos, aos trabalhos de cura, esqueciam do amor e da compaixão, sentimentos básicos em qualquer trabalho espiritual, para apenas realizaram “quebras e cortes” de demandas, muitas das quais nem mesmo existem, ou quando existem, muitas vezes são apenas reflexos do próprio estado de espírito de cada um. E mais, normalmente, tudo isso torna – se uma guerra de vaidade, um show “pirotécnico” de forças ocultas. Muita “espada”, muito “tridente”, muitas “armas”, pouco coração, pensamento elevado e crescimento espiritual.
Isso magoava Ogum. Como magoava:

– Ah, filhos de Umbanda, por que vocês esquecem que Umbanda é pura e simplesmente amor e caridade? A minha espada sempre protege o justo, o correto, aquele que trabalha pela luz, fiando seu coração em Zambi. Por que esquecem que a Espada da Lei só pode ser manuseada pela mão direita do amor, insistindo em empunhá – la com a mão esquerda da soberbia, do poder transitório, da ira, da ilusão, transformando – na em apenas mais uma espada semeadora de tormentos e destruição…

Então, Ogum começou a retirar sua armadura, que representava a proteção e firmeza no caminho espiritual que esse Orixá traz para nossa vida. E totalmente nu ficou frente à Iemanjá. Cravou sua espada no solo. Não queria mais lutar, não daquele jeito. Estava cansado…

Logo um estrondo foi ouvido e o querido, mas também temido Tatá Omulu apareceu. E por incrível que pareça o mesmo aconteceu. Ele não agüentava mais ser visto como uma divindade da peste e da magia negativa. Não entendia, como ele, o guardião da Vida podia ser invocado para atentar contra Ela. Magoava – se por sua alfange da morte, que é o princípio que a tudo destrói, para que então a mudança e a renovação aconteçam, ser tão temida e mal compreendida pelos homens.
Ele também deixou sua alfange aos pés de Iemanjá, e retirou seu manto escuro como a noite. Logo via – se o mais lindo dos Orixás, aquele que usa uma cobertura para não cegar os seus filhos com a imensa luz de amor e paz que irradia – se de todo seu ser. A luz que cura, a luz que pacifica, aquela que recolhe todas as almas que perderam – se na senda do Criador. Infelizmente os filhos de fé esquecem disso…

Derepente um trovão se ouviu e era Xangô com seu machado e sua coroa. Triste e desanimado também depositou suas vestes perante Iemanjá, disse que não aguentava mais a distorção de suas leis, e o não entendimento dos encarnados da vontade divina. Eles esquecem de quem deve paga e quem merece recebe…

Apos o acontecido de Xangô um vendaval soprou e com ele vinha Oxossí o senhor da mata, e muito abatido despiu-se e entregou sua flechas, disse que não aguentava mais ser referenciado como um Orixá da caça apenas, e sim queria ser lembrado como grande doutrinador, e caçador sim das almas insubmissas.

Mas o mais incrível estava por acontecer. Uma tempestade começou a desabar aumentando ainda mais o aspecto incrível e tenebroso daquela estranha noite. E todos os outros Orixás começaram a aparecer, para logo, começarem também a despir suas vestimentas sagradas, além de deixarem ao pé de Iemanjá suas armas e ferramentas simbólicas.
Faziam isso em respeito a Ogum, Omulu, Xangô e Oxossí. Quatro Orixás muito mal compreendidos pelos umbandistas. Faziam isso por si próprios.

 Iansã queria que as pessoas entendessem que seus ventos sagrados são o sopro de Zambi, que espalha as sementes de luz do seu amor. Oxum queria ser lembrada como a senhora do amor puro e não da sensualidade desordenada, Nanã queria ser lembrada como a senhora da renovação e não da morte como alguns pregam.

Um a um, todos foram despindo – se e pensando quanto os filhos de Umbanda compreendiam erroneamente os Orixás.
Iemanjá, totalmente surpresa e sem reação, não sabia o que fazer. Foi quando uma irônica gargalhada cortou o ambiente. Era Exu. O controvertido Orixá das encruzilhadas, o mensageiro, o guardião, também chegava para a reunião, acompanhado de Pombagira, sua companheira eterna de jornada.
Mas os dois estavam muito diferentes de como normalmente apresentam – se. Andavam curvados, como que segurando um grande peso nas costas. Tinham na face, a expressão do cansaço. Mas, mesmo assim, gargalhavam muito. Eles nunca perdiam o senso de humor!
E os dois também repetiram aquilo que todos os Orixás foram fazer na casa de Iemanjá. Despiram – se de tudo. Exu e Pombagira, sem dúvida, eram os que mais razões tinham de ali estarem. Enúmeros eram os absurdos cometidos por encarnados em nome deles. Sem contar o preconceito, que o próprio umbandista ajudou a criar, dentro da sociedade, associando – o a figura do Diabo:
-Hahaha, lamentável essa situação, hahaha, lamentável! _ Exu chorava, mas Exu continuava a sorrir. Essa era a natureza desse querido Orixá.
Iemanjá estava desesperada! Estavam todos lá, pedindo a ela um conforto. Mas nem mesmo a encantadora Rainha do Mar sabia o que fazer:
Espere!_ pensou Iemanjá!_ Oxalá, Oxalá não está aqui! Ele com certeza saberá como resolver essa situação.
E logo Iemanjá colocou – se em oração, pedindo a presença daquele que é o Rei entre os Orixás. Oxalá apresentou – se na frente de todos. Trazia seu cajado que sustenta o mundo. Cravou ele na Terra, ao lado da espada de Ogum. Também despiu – se de sua roupa sagrada, pra igualar – se a todos, e sua voz ecoou pelos quatro cantos do Orun:
-Zambi manda uma mensagem a todos vocês meus irmãos queridos! Ele diz para que não desanimem, pois, se poucos realmente os compreendem, aqueles que assim o fazem, não medem esforços para disseminar essas verdades divinas. Fechem os olhos e vejam, que mesmo com muita tolice e bobagem relacionada e feita em nossos nomes, muita luz e amor também está sendo semeado, regado e colhido, por mãos de sérios e puros trabalhadores nesse às vezes triste, mas abençoado planeta Terra. Esses verdadeiros filhos de fé que lutam por uma Umbanda séria, sem os absurdos que por aí acontecem. Esses que muito além de “apenas” prestarem o socorro espiritual, plantam as sementes do amor dentro do coração de milhares de pessoas. Esses que passam por cima das dificuldades materiais, e das pressões espirituais, realizando um trabalho magnífico, atendendo milhares na matéria, mas também, milhões no astral, construindo verdadeiras “bases de luz” na crosta, onde a espiritualidade e religiosidade verdadeira irão manifestar-se. Esses que realmente nos compreendem e buscam – nos dentro do coração espiritual, pois é lá que o verdadeiro Orun reside e existe. Esses incríveis filhos de umbanda, que não colocam as responsabilidades da vida deles em nossas costas, mas sim, entendem que tudo depende exclusivamente deles mesmos. Esses fantásticos trabalhadores anônimos, soltos pelo Brasil, que honram e enchem a Umbanda de alegria, fazendo a filhinha mais nova de Olorum brilhar e sorrir…
Quando Oxalá calou – se os Orixás estavam mudados. Todos eles tinham suas esperanças recuperadas, realmente viram que se poucos os compreendiam, grande era o trabalho que estava sendo realizado, e talvez, daqui algum tempo, muitos outros juntariam – se nesse ideal. E aquilo alegrou – os tanto que todos começaram a assumir suas verdadeiras formas, que são de luzes fulgurantes e indescritíveis. E lá, do plano celeste, brilharam e derramaram – se em amor e compaixão pela humanidade.
Em Aruanda, os caboclos, pretos– velhos e crianças, o mesmo fizeram. Largaram tudo, também despiram – se e manifestaram sua essência de luz, sua humildade e sabedoria comungando a benção dos Orixás.
Na Terra, baianos, marinheiros, boiadeiros, ciganos e todos os povos de Umbanda, sorriam. Aquelas luzes que vinham lá do alto os saudavam e abençoavam seus abnegados e difíceis trabalhos. Uma alegria e bem – aventurança incríveis invadiram seus corações. Largaram as armas. Apenas sorriam e abraçavam – se. O alto os abençoava…
Mas, uma ação dos Orixás nunca fica limitada, pois é divina, alcançando assim, a tudo e a todos. E lá no baixo astral, aqueles guardiões e guardiãs da lei nas trevas também foram alcançados pelas luzes Deles, os Senhores do Alto. Largaram as armas, as capas, e lavaram suas sofridas almas com aquele banho de luz. Lavaram seus corações, magoados por tanta tolice dita e cometida em nome deles. Exus e Pombagiras, naquele dia foram tocados pelo amor dos Orixás, e com certeza, aquilo daria força para mais muitos milênios de lutas insaciáveis pela Luz.
Miríades de espíritos foram retirados do baixo – astral, e pela vibração dos Orixás puderam ser encaminhados novamente à senda que leva ao Criador. E na matéria toda a humanidade foi abençoada. Aos tolos que pensam que Orixás pertencem a uma única religião ou a um povo e tradição, um alerta. Os Orixás amam a humanidade inteira, e por todos olham carinhosamente.
Aquela noite que tinha tudo para ser uma das mais terríveis de todos os tempos, tornou – se benção na vida de todos. Do alto ao embaixo, da esquerda até a direita, as egrégoras de paz e luz deram as mãos e comungaram daquele presente celeste, vindo diretamente do Orun, a morada celestial dos Orixás.
Vocês, filhos de Umbanda, pensem bem! Não transformem a Umbanda em um campo de guerra, onde os Orixás são vistos como “armas” para vocês acertarem suas contas terrenas. Muito menos esqueçam do amor e compaixão, chaves de acesso ao mistério de qualquer um deles. Umbanda é simples, é puro sentimento, alegria e razão. Lembrem – se disso.
E quanto a todos aqueles, que lutam por uma Umbanda séria, esclarecida e verdadeira, independente da linha seguida, lembrem – se das palavras de Oxalá ditas linhas acima.
Não desanimem com aqueles que vos criticam, não fraquejem por aqueles que não tem olhos para ver o brilho da verdadeira espiritualidade.
Lembrem – se que vocês também inspiram e enchem os Orixás de alegria e esperança. A todos, que lutam pela Umbanda nessa Terra de Orixás, esse texto é dedicado. Honrem – los. Sejam luz, assim como Eles!

O que é Umbanda?

Vejamos o que nos diz o Aurélio:

 Verbete: umbanda [Doquimb.umbanda,’magia’.]S.m. 1. Bras. Forma cultual originada da assimilação de elementos religiosos afro-brasileiros pelo espiritismo brasileiro urbano; magia branca. 2. Bras., RJ. Folcl. Grão-sacerdote que invoca os espíritos e dirige as cerimônias de macumba. [Var.: embanda.]

UMBANDA é religião!

Se dentro da Umbanda conseguimos nos religar com Deus, conseguimos tirar o véu que cobre nossa ignorância da presença de Deus em nosso íntimo, então podemos chamar nossa fé de Religião. Como mais uma das formas de sentir Deus em nossa vida, a Umbanda cumpre a função religiosa de nos levar à reflexão sobre nossos atos, sobre a urgência de reformularmos nosso comportamento aproximando-o da prática do Amor de Deus.

A Umbanda é uma religião lindíssima, e de grande fundamento, baseada no culto aos Orixás e seus servidores: Crianças, Caboclos, Preto-velhos e Exus. Estes grupos de espíritos estão na Umbanda “organizados” em linhas: Caboclos, Preto-velhos, Crianças e Exus. Cada uma delas com funções, características e formas de trabalhar bem específicas, mas todas subordinadas as forças da natureza que os regem, os ORIXÁS. Na verdade a Umbanda é bela exatamente pelo fato de ser mista como os brasileiros, por isso é uma religião totalmente brasileira e, assim como a formação do povo brasileiro, aceita em seu seio todos os ritos e panteões que se identifiquem com a premissa básica da religação com Deus e seus desígnios.

Mas, torna-se imperioso, antes de ocuparmo-nos da Anunciação da Umbanda no plano físico sob a forma de religião, expor sinteticamente um histórico sobre os precedentes religiosos e culturais que precipitaram o surgimento, na 1ª década do século XX, da mesma. Em 1500, quando os portugueses avistaram o que para eles eram as Índias, em realidade Brasil, ao desembarcarem depararam-se com uma terra de belezas deslumbrantes, e já habitadas por nativos, os lusitanos, por imaginarem estar nas Índias, denominaram a estes aborígines de índios.

Os primeiros contatos entre os dois povos foram, na sua maioria, amistosos, pois os nativos identificaram-se com alguns símbolos que os estrangeiros apresentavam, porém, o tempo e a convivência se encarregaram em mostrar aos habitantes de Pindorama (nome indígena do Brasil) que os homens brancos estavam ali por motivos pouco nobres. O relacionamento, até então pacífico, começa a se desmoronar como um castelo de areia. São inescrupulosamente escravizados e forçados a trabalhar na novel lavoura. Reagem, resistem, e muitos são ceifados de suas vidas em nome da liberdade. Mais tarde, o escravizador faz desembarcar na Bahia os primeiros negros escravos que, sob a égide do chicote, são despejados também na lavoura. Como os índios, sofreram toda espécie de castigos físicos e morais, e até a subtração da própria vida.

Desta forma, índios e negros, unidos pela dor, pelo sofrimento e pela ânsia de liberdade, desencarnavam e encarnavam nas Terras de Santa Cruz. Ora laborando no plano astral, ora como encarnados, estes espíritos lutavam incessantemente para humanizar o coração do homem branco, e fazer com que seus irmãos de raça se livrassem do rancor, do ódio, e do sofrimento que lhes eram infligidos. Além disso, muitas das crianças índias e negras eram mortas, quando meninas (por não servirem para o trabalho pesado), quando doentes, através de torturas quando aprontavam suas “artes” e com isso perturbavam algum senhor. Algumas crianças brancas acabavam sendo mortas também, vítimas da revolta de alguns índios e negros.

Juntando-se então os espíritos infantis, os dos negros e dos índios, acabaram formando o que hoje, chamamos de: Trilogia Carmática da Umbanda. Assim, hoje vemos esses espíritos trabalhando para reconduzir os algozes de outrora ao caminho de Deus.

A igreja católica, preocupada com a expansão de seu domínio religioso, investiu covardemente para eliminar a religiosidade negra e índia. Muitas comitivas sacerdotais são enviadas, com o intuito “nobre” de “salvar” a alma dos nativos e dos africanos. A necessidade de preservar a cultura e a religiosidade fez com que os negros associassem as imagens dos santos católicos aos seus Orixás, como forma de burlar a opressão religiosa sofrida naquela época, e assim continuar a praticar e difundir o culto as forças da natureza, a esta associação, deu-se o nome de “Sincretismo religioso”.

O candomblé iorubá, ou jeje-nagô, como costuma ser designado, congregou, desde o início, aspectos culturais originários de diferentes cidades iorubanas, originando-se aqui diferentes ritos, ou nações de candomblé, predominando em cada nação tradições das cidades ou região que acabou lhe emprestando o nome: queto, ijexá, efã. Esse candomblé baiano, que proliferou por todo o Brasil, tem sua contrapartida em Pernambuco, onde é denominado xangô, sendo a nação egba sua principal manifestação, e no Rio Grande do Sul, onde é chamado batuque, com sua nação oió-ijexá (Prandi, 1991). Outra variante ioruba, esta fortemente influenciada pela religião dos voduns daomeanos, é o tambor-de-mina nagô do Maranhão. Além dos candomblés iorubas, há os de origem banta, especialmente os denominados candomblés angola e congo, e aqueles de origem marcadamente Fom, como o jeje-mahim baiano e o jeje-daomeano do tambor-de-mina maranhense.

Os anos sucedem-se. Em 1889 é assinada a “lei áurea”. O quadro social dos ex-escravos é de total miséria. São abandonados à própria sorte, sem um programa governamental de inserção social. Na parte religiosa seus cultos são quase que direcionados ao mal, a vingança e a desgraça do homem branco, reflexo do período escravocrata. No campo astral, os espíritos que tinham tido encarnação como índios, caboclos (mamelucos), cafuzos e negros, não tinham campo de atuação nos agrupamentos religiosos existentes. O catolicismo, religião de predominância, repudiava a comunicação com os mortos, e o espiritismo (kardecismo) estava preocupado apenas em reverenciar e aceitar como nobres as comunicações de espíritos com o rótulo de “doutores”. Os Senhores da Luz (Orixás), atentos ao cenário existente, por ordens diretas do Cristo Planetário (Jesus) estruturaram aquela que seria uma Corrente Astral aberta a todos os espíritos de boa vontade, que quisessem praticar a caridade, independentemente das origens terrenas de suas encarnações, e que pudessem dar um freio ao radicalismo religioso existente no Brasil.

Começa a se plasmar, sob a forma de religião, a Corrente Astral de Umbanda, com sua hierarquia, bases, funções, atributos e finalidades. Enquanto isto, no plano terreno surge no ano de 1904, o livro Religiões do Rio, elaborado por “João do Rio”, pseudônimo de Paulo Barreto, membro emérito da Academia Brasileira de Letras. No livro, o autor faz um estudo sério e inequívoco das religiões e seitas existentes no Rio de Janeiro, àquela época, capital federal e centro socio-político-cultural do Brasil.

A formação histórica do Brasil incorporou a herança de três culturas: a africana, a indígena e a européia. Este processo foi marcado por violências de todo o tipo, particularmente do colonizador em relação aos demais. A perseguição se deveu a preconceitos e a crença da elite brasileira numa suposta alienação provocada por estes cultos nas classes populares.

Começa a se plasmar, sob a forma de religião, a Corrente Astral de Umbanda, com sua hierarquia, bases, funções, atributos e finalidades. Enquanto isto, no plano terreno surge no ano de 1904, o livro Religiões do Rio, elaborado por “João do Rio”, pseudônimo de Paulo Barreto, membro emérito da Academia Brasileira de Letras. No livro, o autor faz um estudo sério e inequívoco das religiões e seitas existentes no Rio de Janeiro, àquela época, capital federal e centro socio-político-cultural do Brasil.

No início do século XX, o choque entre a cultura europeizada das elites e a cultura das classes populares urbanas, provocou o surgimento de duas tendências religiosas na cidade do Rio de Janeiro. Na elite branca e na classe média vigorava o catolicismo; nos pobres das cidades (negros, brancos e mestiços) era grande a presença de rituais originários da África que, por força de sua natureza e das perseguições policiais, possuíam um caráter reservado. Na segunda metade deste século, os cultos de origem africana passaram a ser freqüentados por brancos e mulatos oriundos da classe média e algumas pessoas da própria elite. Isto contribuiu, sem dúvida, para o caráter aberto e legal que estes cultos vêm adquirindo nos últimos anos.

Esta mistura de raças e culturas foi responsável por um forte sincretismo religioso, unificando mitologias a partir de semelhanças existentes entre santos católicos e orixás africanos, dando origem ao Umbandismo. Ao contrário do Candomblé, a Umbanda possui grande flexibilidade ritual e doutrinária, o que a torna capaz de adotar novos elementos.

Os seguidores da Umbanda verdadeira só praticam rituais de Magia Benéfica, ou seja, aqueles feitos para melhorar a vida de determinada pessoa, para praticar um bem, e nunca de prejudicar quem quer que seja. Diferente da Quimbanda, os Exus são invocados para a prática do bem, contanto que isso seja feito sem a utilização de barganha, com presentes ou dinheiro dados diretamente ao médium que os recebe, pois o objetivo do verdadeiro médium é tão somente a prática da caridade, sendo as formas de donativos destinados aos trabalhos em geral.

Algumas casas de Umbanda homenageiam alguns Orixás do Candomblé, como por exemplo: Oxumarê, Ossãe, Logun- Edé, que podem ou não, incorporar em seus médiuns, conforme a direção da casa, o que a classificaria como Umbanda Omoloco.

Os seguidores da Umbanda verdadeira só praticam rituais de Magia Benéfica, ou seja, aqueles feitos para melhorar a vida de determinada pessoa, para praticar um bem, e nunca de prejudicar quem quer que seja. Diferente da Quimbanda, os Exus são invocados para a prática do bem, contanto que isso seja feito sem a utilização de barganha, com presentes ou dinheiro dados diretamente ao médium que os recebe, pois o objetivo do verdadeiro médium é tão somente a prática da caridade, sendo as formas de donativos destinados aos trabalhos em geral.

Algumas casas de Umbanda homenageiam alguns Orixás do Candomblé, como por exemplo: Oxumarê, Ossãe, Logun- Edé, que podem ou não, incorporar em seus médiuns, conforme a direção da casa, o que a classificaria como Umbanda Omoloco.

Aspectos Dominantes do Movimento Umbandista

  1.  Ritual, variado pela origem;
  2. Vestes, em geral brancas;
  3. Altar com imagens católicas, pretos velho, caboclos;
  4. Sessões espíritas, formando agrupamentos em pé, em salões ou terreiro;
  5. Desenvolvimento normal em corrente;
  6. Bases; africanismo, kardecismo, indianismo, catolicismo, orientalismo;
  7. Serviço social constante nos terreiros;
  8. Finalidade de cura material e espiritual;
  9. Magia benéfica;
  10. Batiza, consagra e casa;

O mais importante, seria que todos pudessem encontrar em suas diferenças de culto, o que seria o elo mais importante e a ele se unissem. Tal elo é a Caridade!Não importa se o atabaque toca, ou se o ritmo é de palmas, nem mesmo se não há som. O que importa é a honestidade e o amor com que nos entregamos a nossa religião.