A Evolução Espiritual exige Esforço.

evolução

Muitas das almas que se conscientizam da necessidade de promoverem urgentemente sua evolução espiritual não estão alertadas quanto aos esforços sobre-humanos que devem efetuar para a realização de tais desejos.

A maior parte costuma inclusive confiar aos “bons anjos” a abertura do caminho, dizendo até:

– O que tiver que ser, será.. Deus me abrirá as portas que julgar necessário.

Ou ainda:

– Se Deus achar que devo me dedicar às tarefas fraternas, ele mesmo me apontará o caminho.

Tal maneira de pensar é totalmente falsa. Jesus, há quase dois mil anos já nos advertia: “Estreita é a porta que conduz à Verdadeira Vida”.

Essa displicência representa até mesmo um perigo pois que, na espera do que possa acontecer, alguma abertura “lhe pode ser mostrada, mas, cuidado! (nem sempre por Espíritos amigos) para afastá-lo, isto sim, de seus bons propósitos no tocante ao seu esforço evolutivo, interessando-o por outras realizações de caráter material.

O Livro dos Espíritos traz-nos inúmeras respostas para estas questões, diante das quais concluímos que aquilo que vem pronto raramente abrirá caminho para o que quer que seja pois a Evolução é Lei para ser cumprida, atingida através de nosso esforço consciente e inteligentemente dirigido.

Já nos alertam os Espíritos Instrutores que tudo quanto representa um passo a mais para beneficio de nosso Espírito demanda muito trabalho e luta de nossa parte e que devemos analisar bem as coisas que se nos oferecem já “prontas”.

Devemos traçar planos e orar. Assim, conseguiremos força e coragem para suplantar todas as formas de “atrapalhação” que nos costumam aparecer com a intenção de nos desestimular da arrancada ascensional. E é bom que os candidatos se alertem quanto a essas “atrapalhações” que não são meramente casuais mas dirigidas, na sua quase totalidade, por Espíritos invejosos, mesmo inimigos da criatura ou da Doutrina ou ainda das Forças Superiores da Criação.

Para dar cumprimento ao seu desejo de progredir espiritualmente, a criatura terá que se exercer sobre si mesma e sobre sua vontade, uma vigilância enorme buscando na prece freqüente (várias vezes ao dia) e na leitura do Evangelho segundo o Espiritismo, de Allan Kardec, efetuada em horas certas e em voz alta, o reforço de que carece para conseguir realizar aquilo a que se propôs.

Porque ao contrário do que imagina, coisa alguma se lhe cairá aos pés. Evolução é, muito ao contrário do que imaginam quase todos os que ainda não conhecem a Doutrina Espírita, Evolução é uma opção.

A Evolução Espiritual não é totalmente semelhante à Evolução Biológica que se efetua sem a conscientização das espécies.

O Espírito pode, sim, estar sujeito a uma renovação espiritual compulsória que se efetua quer ele queira ou não, porém de maneira dolorosa, pelos aleijões, pelas doenças pelas desgraças, enfim, pela Dor. No entanto, quando o ser já se torna capar de orientar esse movimento de revitalização moral, muito do que se chamava antes de “fatalidade” vai sendo afastado ou diminuído. em face da nova visão do problema evolutivo que o ser humano resolve inteligentemente abraçar, para promover ele próprio e conscientemente, a “subida” progressiva, rumo a redentorização moral.

Esforço e luta. Vontade firme. Saber porque deve avançar.

Eis o leme dos que descobriram a Verdadeira Vida.

Helena Carvalho
fonte: (Jornal Espírita – Abril de 1977)

Onde se pode encontrar a prova da existência de Deus?

Deus

“Num axioma que aplicais às vossas ciências. Não há efeito sem causa. Procurai a causa de tudo o que não é obra do homem e a vossa razão responderá.”

EXISTÊNCIA DE DEUS

A existência de Deus se expressa cada vez mais, com tonalidades fulgurantes, em toda a literatura humana, mostrando e fazendo sentir a todos os povos que o Criador se encontra mais perto de nós do que nós uns dos outros. Ele é a razão do nosso viver e, ainda se conclui, que Ele não tem forma definida e é capaz de tomar todas as dimensões, na proporção das necessidades de cada criatura. Deus está no máximo, mas desce ao mínimo, desde que haja urgência na evidência de Suas qualidades aos sentidos mais apurados da alma.

O Senhor é a ponte de comando de todas as religiões, na feição em que estas podem se expressar, onde foram chamadas a servir. Ele vigia os véus que regulam o saber dos homens ante a própria ciência, para que o equilíbrio se manifeste. Os grandes missionários registram em tudo a Sua presença infalível. Todas as filosofias falam da Sua presença divina, pelos recursos que a linguagem alcançou, e o progresso é o Seu agente revelador em todos os quadrantes do mundo.

Não existe alguém na face da Terra que não creia em Deus. Existem, sim, alguns que ainda não perceberam a Sua paternidade, por orgulho ou ignorância, o que não deixa de ser a mesma coisa. Ele vibra em tudo e pronuncia a mesma mensagem em tudo que ocupa um lugar no Seu “corpo ciclópico”, na imensidão universal. E cada um, em cada coisa existente, registra a Sua presença insuperável, de acordo com o Seu porte evolutivo; eis aí a justiça, o próprio Amor.

Computando valores e somando idades, na cronologia peculiar aos homens, a cada dia que passa, a cada ano que corre na tela do nosso tempo, o Arquiteto Divino fica mais presente na nossa visão e nos fala mais de perto, pelos registros dos nossos sentidos. Não que o Senhor se encontre mais ou menos longe. Ele está no mesmo lugar; nós outros é que, pelo despertar dos valores espirituais, vamos gradativamente abrindo as portas do entendimento, pelas mãos da maturidade espiritual.

Nenhuma pessoa, nenhum Espírito, nem algo que exista, é órfão da misericórdia, da bondade e da presença de Deus, que nos comanda todos. Essa é a grande esperança e a grande alegria que nos impulsiona a viver.

Se não há efeito sem causa, não precisamos de maiores explicações para provar a existência de Deus; basta levantarmos os olhos para a extensão infinita dos mundos, que bailam nos espaços, para a mecânica das galáxias, que viajam em velocidades incríveis na grande casa universal, para a vida dos sóis, para a harmonia do universo, e sentiremos constrangimento no centro da consciência, em negar a existência d’Aquele que fez tudo isso, e a nós também, por bondade e alegria.

E, quando se fala na microvida, que são caminhos diversos do macro, apresentando os mesmos roteiros do infinito? Como negar aquilo que existe mais do que nós próprios? Nós, em Espírito, ainda estudamos os princípios da função biológica dos homens. O corpo físico é a síntese do universo, é a cópia perfeita do macrocosmo, que deverá funcionar em plena harmonia com a Divindade, quando o homem se conscientizar dos seus deveres perante a natureza. A maior maravilha da Terra, em se falando das coisas materiais, é o soma humano. E os corpos espirituais a ele interligados, para que o Espírito se manifeste? E o Espírito, essa gema divina? E a harmonia de tudo o que existe?

Como não crer no Criador de todas essas coisas? Começa, meu irmão, a pensar pelo menos no sol que dá vida e sustenta o ambiente em que moras e não terás outro caminho a não ser aceitar um Criador que tenha, na linguagem comum, a Suprema Inteligência.

Repitamos o que afirmou O Livro dos Espíritos: Procurai a causa de tudo o que não é obra do homem, e a vossa razão vos responderá.

fonte: Filosofia Espirita – Volume I (Miramez)

O que é Deus?

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“Deus é a inteligência suprema, causa primária de todas as coisas”

A SUPREMA INTELIGÊNCIA

O primeiro interesse de Allan Kardec foi saber dos Espíritos quem era Deus e eles responderam dentro da maior simplicidade, mas com absoluta segurança: Deus é a Inteligência Suprema, causa primária de todas as coisas.

Não poderemos nos sentir seguros onde quer que estejamos, sem pelo menos alimentar a ideia de uma fonte criadora e imortal. O estudo sobre o Senhor nos dá um ambiente de fé que corresponde, na sua feição mais pura, à vontade de viver. Sentimos alegria ao entrarmos em contato com a natureza, pois ela fala de uma inteligência acima de todas as inteligências humanas, de um amor diferente daquele que sentimos, de uma paz operante nos seus mínimos registros de vida. O Deus que procuramos fora de nós está igualmente no centro da nossa existência, porque Ele está em tudo, nada vive sem a Sua benfeitora presença.

O Criador estabeleceu leis na Sua casa maior, que cuidam da harmonia na mansão divina, sem jamais esquecer do grande e do pequeno, do meio e dos extremos, para que seja dado, a cada um, segundo as suas necessidades. Não existe injustiça em campo algum de vida, pois cada Espírito ou coisa se move no ambiente que a sua evolução comporta; daí resulta o porquê de devermos dar graças por tudo o que nos é colocado no caminho.

É justo, entretanto, que nos lembremos do esforço individual, e mesmo coletivo, de sempre melhorar, como sendo a nossa parte, para alcançarmos o melhor. Aquele que acha que tem fé em Deus, mas que vive envolvido em lugares de dúvida, com companheiros que não correspondem às suas aspirações de esperança, ainda carece da verdadeira fé, iluminada pela temperatura do amor. É a confiança que requer reparo. Assim sucede com todas as virtudes conhecidas e, por vezes, vividas por nós.

Estudemos a harmonia do Universo, meditemos sobre ela, pedindo ao Mestre que nos ajude a compreender esse equilíbrio divino, porque se entrarmos em plena ressonância com a Criação sanar-se-ão todos os problemas, serão desfeitas todas as dificuldades e todos os infortúnios cessarão. Somente depois disso, pelas vias da sensibilidade e pelo porte espiritual que escolhemos para viver, é que teremos a resposta mais exata sobre o que é Deus.

Conhecer e Amar são duas metas que não poderemos esquecer em todos os nossos caminhos. Esses dois estados d’alma abrir-nos-ão as portas da felicidade, pelas quais poderemos viver em pleno céu, mesmo estando andando e morando na Terra. A Suprema Inteligência está andando conosco e falando constantemente aos nossos ouvidos, em todas as dimensões do entendimento, porém, nós ainda estamos surdos aos Seus apelos e passamos a sofrer as conseqüências da nossa ignorância. Todavia, o intercâmbio entre os dois mundos acelera uma dinâmica sobremodo elevada a respeito das coisas divinas, para melhor compreensão daqueles que dormem, e o Cristo, como guia visível através das mensagens, toca os clarins da eternidade anunciando novo dia de libertação das criaturas, mostrando onde está Deus e que é Deus, que nos espera, filhos do seu Coração, de braços abertos, como Pai de Amor.

fonte: Filosofia Espirita – Volume I (Miramez)

Uma reflexão sobre os tormentos voluntários

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por Francisco Aranda Gabilan

Uma das maiores dádivas do Criador à criatura – ao lado das reencarnações sucessivas, que são a possibilidade infinita de refazer os desacertos e de construir a felicidade – está no LIVRE ARBÍTRIO.

Na escalada evolutiva, a Lei Natural (expressão da vontade do Criador) deu ao Ser Hominal (humano) a possibilidade de ele DECIDIR, sozinho, o que quer, como quer, para quê quer, e o que fazer com o que adquiriu – especialmente quando foi uma experiência: BOA ou AMARGA!

Mas, muitas vezes, o Homem transforma essa dádiva (LIVRE PENSAR E LIVRE DECIDIR) em uma arma atroz, trazendo-lhe sofrimento: pensa o Homem que pode decidir adquirir o que não está ao seu alcance, o que pertence a terceiros; almeja acumular mais bens do que necessita, submete-se a futilidades, despreza valores morais, deturpa os melhores preceitos sociais, avança nos direitos alheios, quer granjear a qualquer custo respeito (que é temor e não reconhecimento) dos subalternos e circunstantes.

Enfim, decide fazer da sua vida um só objetivo: subir, ganhar, manter a imagem seja a que custo for.

Tudo decisão da sua liberdade de agir!

Quando as graves e funestas conseqüências vêm, coloca culpa em Deus, no próximo, na incompreensão do mundo e – se acredita na reencarnação – debita os reveses ao seu passado desventuroso.

Mas, não é verdade: se nos for lícito percentualizar, diremos que 90% dos males (aflições) humanos – que trazem dor e sofrimento, verdadeiros TORMENTOS – derivam de ATOS DO PRESENTE, fruto da imprudência, da imprevidência, da imperícia, da ganância, do orgulho, da vaidade, da ambição e dos excessos de toda ordem.

Arruínam-se os Seres por falta de ordem, de perseverança, pelo seu mau proceder, ou por não terem sabido limitar seus desejos.

Quantas doenças teria evitado o Ser, não fossem sua intemperança, seus desatinos, suas agressões ao próprio físico, e, repita-se, os excessos de toda ordem! EM RESUMO: SÃO OS TORMENTOS CHAMADOS VOLUNTÁRIOS, que o próprio Ser se impõe – independentemente da ordem das coisas naturais, independentemente da vontade do Criador, independentemente das vidas passadas, independentemente do próximo.

O Ser, indubitavelmente, é vítima de si mesmo, quando decide usar do LIVRE ARBÍTRIO contra a ordem natural das coisas.

E a ordem natural das coisas é estar no Bem, que os Espíritos definiram para Kardec (Livro dos Espíritos, questão 630, parte 3a., cap. 1) que “é tudo o que é conforme a lei de Deus”, sendo que o MAL é “tudo que lhe é contrário”, concluindo: “Assim, fazer o bem é proceder de acordo com a lei de Deus. Fazer o mal, é infringi-la.” E, adicionamos nós: e assumimos as conseqüências, como herdeiros de nossas próprias ações!

No próprio Evangelho temos a história real que podemos tomar por espelho para nossa conduta: JUDAS DE KERIOTH (Iscariotes), em quem a ganância ou o erro de avaliação (de arrecadar fundos para suposta causa libertária), que resultou no que resultou – traição, suicídio etc…. além de um futuro espiritual terrível!

Desenvolvimento, miséria e espiritualização

devocional

Lemos em “O Livro dos Espíritos”, na questão 930, a seguinte frase do dita pelos Espíritos Superiores: “Numa sociedade organizada segundo a lei do Cristo ninguém deve morrer de fome. E qual é a lei do Cristo?” Ainda segundo o entendimento da espiritualidade, como lemos na resposta dada à questão 886, é a caridade, entendida como: “Benevolência para com todos, indulgência para com as imperfeições alheias, perdão das ofensas”.

Lembramos as duas questões acima motivadas por um dado estatístico que aflige o coração de todos nós. São 32 milhões de pessoas vivendo abaixo do nível de indigência, o que significa estarem vivendo com menos de um salário mínimo por mês, impossibilitando- as de comprar pelo menos a cesta básica de alimentos. É um respeitável contingente humano à margem da organização social e dependente de programas sociais públicos e particulares.

Esses 32 milhões de pessoas representam 19% da população brasileira, e estão localizadas em bolsões populacionais do norte/nordeste e no entorno dos grandes centros urbanos, no processo de favelização que tomou conta das cidades brasileiras.

A miséria de boa parcela da população brasileira não é um fenômeno novo, mais histórico, que vem se acentuando nas últimas décadas apesar das políticas públicas desenvolvimentistas, pois estas privilegiam a busca do aumento da riqueza e não os mecanismos de distribuição da renda.

O que os espíritas estão fazendo para melhorar essa situação? Qual tem sido a contribuição dos espíritas no combate à miséria? Para responder as duas pergunta pode apontar o trabalho realizado por quase todo Centro Espírita na distribuição de gêneros alimentícios, roupas e medicamentos à população pobre, mensalmente, atendendo milhares de famílias. Mas, será que essa distribuição efetivamente combate à miséria?

É natural que para uma pessoa faminta, primeiro seja-lhe dado o alimento, para depois tratarmos de seus outros problemas, e é justamente aqui onde está o nó do serviço assistencial espírita, tratar os outros problemas, as outras questões que não apenas fome imediata, pois a miséria existe causada pela falta de emprego, de salário digno, de distribuição de riqueza equilibrada, de promoção do ser humano como pessoa, de justiça igual para todos, de educação moral prevenindo males sociais.

É, sem dúvida, meritório socorrer a fome com a distribuição gratuita do alimento, entretanto maior mérito é promover condições para que o ser humano se desenvolva e consiga sair, por si próprio e graças aos esforços sociais, da miserabilidade. Assim, serviços de alfabetização, profissionalização, capacitação técnica, orientação familiar, atendimento psicológico, encaminhamento profissional são fundamentais para que a miséria seja efetivamente retirada do cenário social.

Espíritas europeus em visita ao movimento espírita brasileiro ficaram maravilhados com nossa ação social, mas ao mesmo tempo constrangidos e desnorteados, pois em vários países do velho continente a miséria não existe, não faz sentidos a distribuição de bolsas de mantimentos, roupas e remédios. Tudo isso é provido pelo governo através de programas sociais bem definidos e estruturados. Não existe a miséria, mas existe o suicídio, o desemprego eventual, o alcoolismo, o aborto, a violência, o consumismo exagerado, o materialismo. Quais são as ações espíritas brasileiras nesse sentido? Poucas, bem poucas.

Embora encontremos nas obras da Codificação, a todo o momento, o alerta de que o Espiritismo é doutrina de educação do homem imortal, nem mesmo apoio ao trabalho em escolas encontramos. Apesar de algumas campanhas pela família, boa parte dos Centros Espíritas não possui grupo de pais.

Ainda persiste o Centro Espírita visto apenas do ponto de vista religioso confessional, com reuniões públicas, mocidade, evangelização infantil, reunião mediúnica e assistência material a famílias cadastradas, com os trabalhadores e frequentadores marcando ponto em dias e horários preestabelecidos, tomando passe, bebendo água fluidificada e completamente desvinculados da sociedade em que vivem.

Os que trabalham para mudar esse quadro, com visão abrangente e ações exteriores intensas, embora sejam motores do progresso do movimento espírita, passam os dias da existência criticados, repudiados, analisados, suspeitos eternos de descaracterizar a doutrina, quando na verdade são operários vigilantes obedecendo à máxima dos Espíritos Superiores: se nos regemos pelos ensinos de Jesus, ninguém, na sociedade humana, pode morrer de fome.

Naturalmente não estamos defendendo radicalismos e nem condenando os trabalhos desenvolvidos pelos Centros Espíritas, pois toda ação no bem com desinteresse é meritória, mas não basta distribuir hoje o que amanhã tornará a faltar e assim sucessivamente. É necessário promover o desenvolvimento social para todos formar as novas gerações nesse pensamento, para que elas, mais tarde ao assumirem seu papel adulto, corrijam as distorções e mantenham a nação brasileira longe do espetáculo da miséria, da indigência, dos sem teto, sem terra, sem emprego.

A caridade é a lei do Cristo, e ela não se confunde com a esmola ou com a atuação emergencial, como repetimos há mais de um século com relação à seca no nordeste. O problema nunca é resolvido e quando a calamidade chega aos meios de comunicação providenciamos alguns carros pipa, frentes de trabalho para construir açudes secos pagando meio salário mínimo aos trabalhadores, bolsas básicas de mantimentos, tudo isso por um período breve, suficiente apenas para minorar as agruras que voltarão no próximo ano, e no outro, e em tantos outros anos. Repetimos isso no atendimento aos moradores de favelas urbanas, ou comunidades carentes, sustentando famílias por determinado período e depois substituindo-as, pois as necessidades são grandes e não podemos atender todos. Mas a família desligada do serviço assistencial está pronta para caminhar sozinha? Seus responsáveis já estão empregados? Os filhos estão na escola? Boa orientação moral comanda agora essa família? Vamos repetir, neste primeiro século do novo milênio da era cristã?

A ação espírita deve contemplar a espiritualização do homem, fazendo com que ele estude, compreenda e coloque em prática os ensinos de Jesus, ampliando os horizontes da caridade e moralizando a sociedade em que vive. Esse é o trabalho que deve ser feito, combatendo e erradicando para sempre a miséria.

(Publicado no Correio Fraterno do ABC Nº 364 de Maio de 2001 por Marcus Alberto De Mario)

Médiuns semi-conscientes e inconscientes

Bom dia queridos irmãos, dando continuidade ao nosso ensaio sobre Mediunidade de Incorporação e suas diversas facetas onde já explanamos sobre as questões relacionadas aos médiuns conscientes, daremos continuidade e finalizaremos nossa explanação quanto à esse processo de transe mediúnico abordando algumas considerações sobre médiuns semi-conscientes e por fim médiuns inconscientes, desejamos a todos uma boa leitura.

Médiuns Semi Conscientes:

É a forma de mediunidade psicofônica em que o médium sofre uma semi-exteriorização perispirítica, permitindo que esse fenômeno ocorra.

O médium sofre uma semi-exteriorizacão perispirítica em presença do Espírito comunicante, com o qual possui a devida afinidade; ou quando houve o ajustamento vibratório para que a comunicação se realizasse. Há irradiação e assimilação de fluidos emitidos pelo Espírito e pelo médium; formando a chamada atmosfera fluídica; e então ocorre a transmissão da mensagem do Espírito para o médium.

O médium vai tendo consciência do que o Espírito transmite à medida que os pensamentos daquele vão passando pelo seu cérebro, todavia o médium deverá identificar o padrão vibratório e a intencionalidade o Espírito comunicante, tolhendo-lhe qualquer possibilidade de procedimentos que firam as normas da boa disciplina mediúnica.

Ainda na forma semi-consciente, embora em menor grau que na consciente, poderá haver interferência do médium na comunicação, como repetições de frases e gestos que lhe são próprios, motivo porque necessita aprimorar sempre a faculdade, observando bem as suas reações no fenômeno, para prevenir que tais fatos sejam tomados como “mistificação”. Essa é a forma mais disseminada (disseminar – v. tr. dir. Semear, espalhar por muitas partes; derramar; difundir, propagar. Do lat. disseminare.) de mediunidade de incorporação.

Geralmente, o médium, precedendo (preceder – v. tr. dir. anteceder; estar colocado imediatamente antes de; chegar antes de. Do lat. praecedere.) a comunicação, sente uma frase a lhe repetir insistentemente no cérebro; e, somente após emitir essa primeira frase é que as outras surgirão. Terminada a transmissão da mensagem, muitas vezes o médium só lembra, vagamente, do que foi tratado.

Médiuns Inconscientes:

Esta forma de mediunidade de incorporação caracteriza-se pela inconsciência do médium quanto a mensagem que por seu intermédio é transmitida. Isto se verifica por se dar uma exteriorização perispiritual total do médium.

O fenômeno se dá como nas formas anteriores, somente que numa gradação mais intensa. Exteriorização perispiritual, afinização com a entidade que se comunicará, emissão e assimilação de fluidos, formação da atmosfera necessária para que a mensagem se canalize por intermédio dos órgãos do médium, são indispensáveis.

Embora inconsciente da mensagem, o médium é consciente do fenômeno que está se verificando, permanecendo, muitas vezes, junto da entidade comunicante, auxiliando-a na difícil empreitada, ou, quando tem plena confiança no Espírito que se comunica, poderá afastar-se em outras atividades.

O médium, mesmo na incorporação inconsciente, é o responsável pela boa ordem do desempenho mediúnico, porque somente com a sua aquiescência (s. f. Ato de aquiescer; anuência; assentimento, consentimento), ou com sua conivência (s. f. Qualidade de conivente; cumplicidade dissimulada; colaboração. (Do lat.conniventia.), poderá o Espírito realizar algo.

Os Espíritos esclarecem que quando um Espírito se acha desprendido do seu corpo, quer pelo sono físico, quer pelo transe espontâneo ou provocado, e algo estiver iminente a lhe causar dano ao corpo, ele imediatamente despertará. Assim também acontecerá com o médium cuja faculdade se acha bem adestrada (adestrar – v. tr. dir. Tornar destro; ensinar; exercitar; treinar; pr. tornar-se destro.), mesmo estando em condições de passividade total; se o Espírito comunicante quiser lhe causar algum dano ou realizar algo que venha contra seus princípios, ele imediatamente tomará o controle do seu organismo, despertando.

Geralmente, o médium, ao recobrar sua consciência, nada ou bem pouco recordará do ocorrido ou da mensagem transmitida. Fica uma sensação vaga, comparável ao despertar de um sonho pouco nítido em que fica uma vaga impressão, mas que a pessoa não saberá afirmar com certeza do que se tratou.

Nos casos em que é deficiente ou viciosa a educação mediúnica, não há a facilidade do intercâmbio, faltando liberdade e segurança; o médium reage à exteriorização perispirítica, dificultando o desligamento e quase sempre intervém na comunicação, truncando-a (truncar – v. tr. dir. Separar do tronco; mutilar; omitir parte importante de. (Do lat. truncare.).

Algumas vezes se torna necessário, para o prosseguimento da educação mediúnica, nos chamados exercícios de incorporação, que os Mentores encarregados de tal desenvolvimento auxiliem o médium para que a exteriorização se dê. Para evitar o perigo da obsessão, eles cuidarão de exercitar o médium com os Espíritos comunicantes que não lhe ofereça perigo. Todavia, ainda nesse caso, a responsabilidade pelo desenvolvimento mediúnico está entregue ao médium, pois, se algo lhe acontecer, ele poderá despertar automaticamente. O mesmo não acontece no fenômeno obsessivo.

A mediunidade de psicofonia inconsciente é uma das mais raras no gênero. Para que o médium se entregue plenamente confiante ao fenômeno dessa ordem, é necessário que ele tenha confiança na sua faculdade, nos Espíritos que o assistem e, principalmente, no ambiente espiritual da reunião que freqüenta.

O Espírito Camilo no já citado livro “Desafios da Mediunidade”, analisa alguns aspectos importantes relacionados com o tema:

Questão 15: “É possível para o médium inconsciente, após o transe, lembrar-se das sensações que teve durante a comunicação mediúnica?”

Resposta: “Tendo-se em conta que o médium, em estado de transe inconsciente, não se acha desligado do seu corpo físico, mas somente desprendido, podem remanescer em seus registros cerebrais certas impressões, ou sensações, obtidas durante o transe, podendo mencioná-las quando retorne a sua normalidade.

Durante o transe inconsciente, é comum acontecer que o médium fique num estado de sono profundo, mas que lhe permite captar sons, presenças variadas, luminosidade, ainda que não distinga esses sons, não identifique essas presenças ou não perceba donde vem a claridade. Essas sensações difusas podem fixar na memória atual e ser lembradas após o transe. Contudo, isso varia de um para outro medianeiro, não havendo uniformidade nessa questão.”

Questão 14: “O fato da mediunidade manifestar-se consciente ou inconscientemente guarda relação com o adiantamento moral do médium?”

Resposta: “De modo nenhum. A manifestação mediúnica, de aspecto consciente ou inconsciente, nada tem a ver com o grau evolutivo do médium, mas está relacionada com aspectos fisiológicos ou psico-fisiológicos desse mesmo sensitivo.

Vale considerar que a consciência ou não durante o transe pode sofrer intermitências, isto é, períodos de consciência alternando com períodos de inconsciência, mormente (adv. Principalmente.) quando esses estados são determinados por situações psicológicas ou psico-fisiológicas.

Pode ocorrer que, de acordo com os tipos de Espíritos comunicantes ou com o interesse dos Guias dos médiuns, apenas certas manifestações sejam conscientes e outras não.

Depreendemos (depreender – v. tr. dir. tr. dir. e ind. Perceber, vir ao conhecimento de; inferir, deduzir. (Do lat. deprehendere.) daí que pode haver flutuações na questão da consciência ou não do médium durante as manifestações. Só não ocorrerão alternâncias no caso em que essas características sejam determinadas pela estrutura fisiológica do sensitivo que, então, não pode ser alterada. Assim, ele será definitivamente consciente ou definitivamente inconsciente.

Por fim, é forçoso admitir que a chamada inconsciência mediúnica não traz nenhuma superioridade para o fenômeno, não sendo garantia de qualidade. O que dá ao fenômeno superioridade e garantia, num ou noutro estado consciencial, é a qualidade moral do médium, seus progressos como um todo, que fazem-no respeitado ante o Invisível, em virtude da responsabilidade, da seriedade com que encara seus compromissos.”

Questão 16: “Qual a diferença entre médiuns sonambúlicos e Inconscientes?”

Resposta: “Muito embora no seio do Movimento Espírita haja o costume de chamar-se de sonambulismo àquele que sofre um transe inconsciente, pelo fato de o médium “dormir” durante o processamento do fenômeno, é necessário lembrar que o Codificador estabelece que médium sonambúlico ou sonâmbulo é o indivíduo que, em seu estado de sonambulismo comum, contata os desencarnados e transmite as mensagens que receba, podendo vê-los e com eles confabular.

O estado de emancipação do sonâmbulo é o que facilita a comunicação (O Livro dos Médiuns, cap. XIV, item 172).

Chegamos ao fim desse ensaio dividido em três partes, acreditamos da difusão das informações de forma clara e pautada por obras de espíritos de alta envergadura moral e espero  por assim dizer que esse ensaio tenha sido de algum proveito a todos os trabalhadores, curiosos e simpatizantes dessa magnifica seara, que é o trabalho espiritual.

Arthur Sinnhofer

Mediunidade de Incorporação

Este post objetiva esclarecer, fundamentada na instrução dos Espíritos superiores, como se processa a incorporação mediúnica e a assimilação das correntes mentais, especificando a ocorrência com os médiuns conscientes, semi-conscientes e inconscientes. Esperamos que possa assim colaborar no processo de desenvolvimento de cada um dos trabalhadores dessa seara.

Abraço a todos e boa leitura.

É a forma de mediunidade que se caracteriza pela transmissão falada das mensagens dos Espíritos. É, em nossos dias, a faculdade mais encontrada na prática mediúnica. Pode-se dizer que é uma das mais úteis, pois, além de oferecer a oportunidade de diálogo com os Espíritos comunicantes, ainda permite a doutrinação e consolação dos Espíritos pouco esclarecidos sobre as verdades espirituais.

O papel do médium seja ele consciente ou não, é sempre passivo, visto que servindo de intérprete neste intercâmbio, deve compreender o pensamento do Espírito comunicante e transmiti-lo sem alteração, o que é mais difícil quanto menos treinado estiver.

A incorporação é também denominada psicofonia, sendo esta denominação preferida por alguns porque acha que incorporação poderia dar a ideia do Espírito comunicante penetrando o corpo do médium, fato que sabemos não ocorrer.

Martins Peralva, na sua obra “Estudando a Mediunidade, que por sua vez, baseou-se na obra “Nos Domínios da Mediunidade”, ditada pelo Espírito André Luiz ao médium Francisco Cândido Xavier, esclarece que:

 “É através dela (a incorporação), que os desencarnados narram, quando desejam (ou quando lhes é facultado), os seus aflitivos problemas, recebendo dos doutrinadores, em nome da fraternidade cristã, a palavra do esclarecimento e da consolação.”

“Referindo-se aos benefícios recebidos pelos Espíritos nas sessões mediúnicas, é oportuno lembrarmos o que afirmam mentores balizados” (balizar – v. tr. dir. Indicar por meio de balizas; abalizar; distinguir; determinar a grandeza de.).

Léon Denis, por exemplo, acentua que, no Espaço, sem a benção da incorporação, os seus fluidos, ainda grosseiros, “não lhe permitem entrar em relação com Espíritos mais adiantados”.

O Assistente Aulus, focalizando o assunto, esclarece que eles “trazem ainda a mente em teor vibratório idêntico ao da existência na carne, respirando na mesma faixa de impressões”.

Emmanuel, com a palavra sempre acatada, salienta a necessidade do serviço de esclarecimento aos desencarnados, uma vez que se conservam, “por algum tempo, incapazes de apreender as vibrações do plano espiritual superior”.

No Livro “Desafios da Mediunidade”, o Espírito Camilo (mentor do médium e conferencista José Raul Teixeira), examina o termo “incorporação” – Questão n.º 28, trazendo um enfoque muito importante:

“É correto falar-se em “incorporação”?”.

Resposta: Não se trata bem da questão de certo ou errado. Trata-se de uma utilização tradicional, uma vez que nenhum estudioso do Espiritismo, hoje em dia, irá supor que um desencarnado possa “penetrar” o corpo de um médium, como se poderia admitir num passado não muito distante.

O fato de continuar-se a usar o termo incorporação, nos meios espíritas, também se deve a sua abrangência. Comumente (adj. Vulgarmente; geralmente. (Decomum.)), é proposto o termo psicofonia; contudo, para muitos, a expressão estaria indicando somente fenômenos da fala, como na psicografia temos o fenômeno da escrita, tão somente. Ocorre que podemos encontrar médiuns psicógrafos cujo psiquismo os desencarnados comandam plenamente. Aqui, então, tecnicamente, o termo psicofonia, não se aplicaria, enquanto ficaria suficientemente compreensível o termo incorporação.

Evocamos, então, o pensamento kardequiano, expresso em O Livro dos Espíritos, dando elasticidade ao termo “alma”, a fim de fazer o mesmo no tocante ao termo incorporação. Como ele aparece com muita frequência ao longo dos estudos espíritas: “cumpre fixarmos bem o sentido que lhe atribuímos, a fim de evitarmos qualquer engano.” (O Livro dos Espíritos, Introdução – II, final.).

Os médiuns de incorporação são classificados em conscientes, semi-conscientes e inconscientes, tratados nos próximos posts.

Abraço a todos.

Arthur Sinnhofer