Influência Moral do Médium

médium

Nas comunicações mediúnicas, o médium é apenas o intermediário. Ao contrário do que muita gente pensa, o espírito comunicante não entra no corpo do médium. Ele exerce sua influência agindo sobre a mente do médium, aproveitando os recursos existentes no cérebro deste, inclusive os conhecimentos de linguagem que o mesmo tem.

Em qualquer comunicação, no entanto, torna-se difícil separar o que é do médium e o que é do espírito. A afinidade de ambos é muito importante, e fica muito difícil um médium receber comunicações de espíritos com quem não tem grande afinidade. Por outro lado, é importante o preparo do médium e sua condição moral.

Os médiuns que têm uma vida dissoluta, de moral duvidosa, têm pouca possibilidade de receber comunicações de espíritos de elevado nível. Um dos fatores que influem bastante na comunicação é a vaidade. É por essa razão que nunca devemos elogiar muito os médiuns, pois eles são simples intermediários e quando se envaidecem do que estão recebendo, acabam por perder a mediunidade. Poucos médiuns são humildes o bastante como o foi Francisco Cândido Xavier, que embora tenha nos trazido páginas belíssimas de elevado cunho doutrinário e de uma correção gramatical perfeita, jamais se orgulhou de seu trabalho, se colocando mesmo muito abaixo de todos.

Conheci um médium em minha mocidade que era extraordinário. Ele curou muita gente, e transportava, quando em transe, remédios, flores, livros e objetos que não estavam no local e que apareciam por encanto em suas mãos durante os trabalhos. Esse nosso irmão ficou famoso por seu trabalho na região. No entanto, faltou-lhe o preparo necessário.

A vaidade fez com que ele se julgasse bom demais, e se esquecesse de que ele funcionava apenas como intermediário do plano espiritual. Em razão disso, perdeu a mediunidade. A sua vaidade era tanto que ele continuou dando comunicações. Em vez de receber comunicações dos espíritos, ele produzia suas próprias mensagens, como se fosse ainda dos espíritos. O resultado foi o pior possível. Foi desmascarado e teve que fugir da cidade.

Não sei o que lhe aconteceu posteriormente, mas acredito que muitos de nós tivemos culpa pelo ocorrido, em virtude dos elogios que todos lhe faziam. Nosso irmão não estava preparado para exercer a importante missão que lhe foi confiada pela espiritualidade.

Para entender bem o funcionamento da comunicação mediúnica, podemos fazer a comparação com o telefone. O telefone é apenas o instrumento de que nos servimos para transmitir nosso pensamento a outros à distância. Quando o telefone está com defeito, ou a linha tem humildade por exemplo, a comunicação se torna defeituosa, a voz é distorcida, e muitas vezes não conseguimos entender o que está dizendo nosso interlocutor.

No caso da mediunidade, acontece a mesma coisa. O médium não estando preparado, com boa vontade, sem estar ligado moralmente ao trabalho que vai fazer, pode ser vítima de influência de espíritos inferiores, mal intencionados, e trazer comunicações apócrifas ou incoerentes.

É necessário que o médium encare o seu trabalho mediúnico como uma missão, estudando, se preparando, sintonizando seu coração e sua mente com espíritos elevados e amigos, e ai poderá cumprir satisfatoriamente a missão que lhe foi confiada.

Um médium evangelizado, cheio de boa vontade, isento de vaidade ou de presunção, pode ser um maravilhoso instrumento para nos ajudar a todos em nossa caminhada terrena.

por Ary Brasil Marques

Intuição Divina

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Que dedução se pode tirar do sentimento instintivo, que todos os homens trazem em si, da existência de Deus?

“A de que Deus existe; pois, donde lhes viria esse sentimento, se não tivesse uma base? É ainda uma conseqüência do princípio – não há efeito sem causa.”

A telepatia entre os homens é um fato constatado. Constitui-se em experiências de todos os reinos do saber. Já se conhece as suas causas e seus efeitos, com largos exemplos, nos quatro cantos do mundo. Já se sabe que cada criatura pode transmitir as suas idéias aos seus semelhantes, por vezes sem estar consciente desse ato, comum a todos os seres. Muitos buscam a perfeição ou melhoramento nas transmissões dos seus pensamentos, através de escolas, ou exercícios específicos no silêncio das coisas que se operam na vida.

E é nessa verdade que encontramos outra mais sutil: se os encarnados podem se comunicar entre si, pelos fios dos pensamentos, os desencarnados igualmente o podem, e com mais propriedade, por se encontrarem livres das cadeias da carne. E, se os homens trocam suas idéias, na serenidade das vibrações, asseguradas por leis que sustentam a harmonia, e se esses mesmos homens desencarnados continuam esse processo de comunicação recíproca, como não pensar nas possibilidades de os desencarnados transmitirem seus pensamentos aos encarnados pelo mesmo mecanismo?

Eis aí a Mediunidade, que se estende em todas as direções, pelos caminhos da sensibilidade, na regência da lei do Amor, onde a fraternidade abriu caminhos por meios da Caridade. Os homens sensíveis, querendo, podem negar, pois têm livre escolha nas suas atitudes, porém, eles conhecem quando os pensamentos nascem da sua própria mente e quando procedem de fontes espirituais, dado o peso magnético das suas vibrações. A consciência registra todos os valores e dá a conhecer à mente instintiva e atuante a procedência da conversa mental.

Usamos as comparações acima citadas, para te dizer de algo excelente, para te dizer do avanço da razão, aprimorada na seqüência do tempo e pelas bênçãos de Deus: queremos falar da intuição, que será a faculdade comum do futuro, por enquanto latente em todos os seres. É ela o veículo divino capaz de orientar todas as criaturas e fazê-las felizes, filha do progresso espiritual, nascida no amanhecer das almas, ao despertarem para a luz, para o entendimento das leis espirituais. Essa intuição, no seu princípio se chamava instinto, dominando animais e homens nos seus primeiros passos. E se os homens primitivos já possuíam em suas consciências a ideia de Deus e viviam em tribos espalhadas pela Terra, sem condições de comunicação entre si, qual a origem dessa consciência de um Poder Supremo? E se não existe causa sem efeito, nem efeito sem causa, essa causa será, certamente, esse Deus que tanto amamos, que fala a tudo e a todos da Sua existência, pelos processos compatíveis com os que devem e precisam escutar a Sua voz dentro da alma.

A certeza da existência de Deus é a de que Ele existe. Não há outra lógica no mundo das deduções humanas e espirituais, e tudo que vive canta louvores ao Criador, na dimensão que lhe é própria; e nós, já na condição de Espírito humano, como sendo as flores da grande árvore plantada por Deus no jardim cósmico, cantemos juntos, encarnados e desencarnados, o hino de gratidão ao Supremo Senhor do Universo, pelo que somos e atingimos na escala da vida! Esse cântico deve ser manifestado pela vida reta, mesmo nas estradas tortuosas onde nos situamos. Busquemos a intuição divina, para que a Divina Intuição nos ampare e nos desperte para a verdade que nos fará livres!

fonte: Filosofia Espirita – Volume I (Miramez)

Perante a Mediunidade

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A predisposição mediúnica é atributo do Espírito que o corpo reveste de células, a fim de propiciar o intercâmbio entre os seres que estagiam em áreas de vibrações diferentes, especialmente os desencarnados relacionando-se com os encarnados ou estes últimos com os seus pares.

À semelhança da inteligência que tem suas raízes no ser imortal e se expressa através dos neurônios cerebrais, apresenta-se a mediunidade sob um elenco amplo de características e tipos.

Ostensiva em alguns indivíduos prescinde das qualidades morais do seu portador, tornando o fenômeno cristalino, espontâneo, que irrompe de maneira, não raro, violenta, até que a educação necessária discipline o seu fluxo e exteriorização.

Inerente a todos os homens e mulheres, pode surgir tênue e sutil, que o exercício bem direcionado termina por ampliar-lhe a área psíquica de captação.

Seja, porém, sob qual aspecto se manifeste, objetiva a comprovação da imortalidade do ser e oferece o contributo valioso de desvendar a vida além do túmulo, propiciando a compreensão da realidade do mundo causal, assim como as implicações do seu comportamento moral em relação a si mesmo, ao próximo e à Vida.

A mediunidade, no passado, predominava na intimidade dos santuários, oferecendo preciosos parâmetros para que os seres humanos se conduzissem com equilíbrio, e, lentamente, se identificassem com o mundo soberano e triunfador da sobrevivência.

À medida, porém, que os tempos evoluíram, libertou-se da indumentária das superstições que a vestiam, passando pelo profetismo, pelas revelações, para ocupar o lugar de sentido parafísico incorporado aos sensoriais, dando surgimento ao ser transpessoal, paranormal.

Não obstante todas as conquistas do pensamento científico e filosófico com que a Doutrina Espírita a vem desvelando, permanece teimosamente ignorada por grande número de pessoas, quando não é confundida com alucinações patológicas, por determinadas áreas do preconceito acadêmico, ou fenômeno sobrenatural, capaz de realizar milagres, tornando-se mítica pela visão distorcida do fanatismo.

A mediunidade prossegue, desse modo, desafiando os interessados e estudiosos do ser humano, a fim de ocupar o lugar que merece e lhe está reservado no contexto das conquistas paranormais da atualidade.

Neutra, sob o ponto de vista ético, pode apresentar-se exuberante em indivíduos destituídos de caráter saudável e sentimentos elevados, tanto quanto sutil e quase inapercebida em pessoas ricas de valores morais e qualidades superiores da conduta.

Apresentando-se fecunda, não significa, necessariamente, que o seu portador seja Espírito nobre ou missionário com sacerdócio relevante. Da mesma maneira, ao externar-se sutilmente, não implica ser destituída de objetivo ou significado.

Em ambos os casos pode ser tida como instrumento hábil de serviço, facultando o crescimento interior do medianeiro, que a deve dignificar mediante exemplos salutares de elevação de princípios, tanto quanto de conduta assinalada pelo amor, pela solidariedade humana, pela dedicação aos postulados do Bem.

O exercício sistemático das forças físicas, o hábito edificante da oração e da meditação, o equilíbrio mental sustentado pelos bons pensamentos constituem os equipamentos valiosos para que alcance a superior finalidade para a qual é concedida ao ser humano, que a incorporará ao seu cotidiano como recurso-luz para a felicidade.

Nabocudonosor, rei da Assíria, perverso e venal, apresentava mediunidade atormentada, que o tornava obsidiado periodicamente.

Tirésias, na Grécia, era instrumento dos seres espirituais, vivendo com equidade e justiça.

Os profetas hebreus, na austeridade da conduta que se impunham, sintonizavam com o Mundo Maior, de onde recebiam inspiração e diretrizes para a sua e as épocas futuras.

Jesus, o Excelente Médium de Deus, tornou-se o exemplo máximo de como se deve conduzir todo aquele que se faz ponte entre o mundo espiritual e o físico.

Médiuns, todos o somos em ambos os planos da vida, cabendo a cada um adaptar-se à faculdade e aprimorá-la, para servir com dignidade, construindo a sociedade que realize a perfeita identidade com o mundo espiritual embora se encontre mergulhado no escafandro carnal.

A mediunidade prossegue desafiando os interessados e estudiosos do ser humano…

Página psicografada pelo médium Divaldo P. Franco, em 27/08/1997, no Centro Espírita Caminho da Redenção, em Salvador-BA.
(Jornal Mundo Espírita de Dezembro de 1997)

Os ensinamentos de Iansã no Evangelho

Segue nosso ultimo post sobre os ensinamentos dos Orixás contidos no Evangelho, desejamos a todos uma boa leitura e até a próxima semana com outro bloco de ensinamentos.

Arthur Sinnhofer

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Iansã é o movimento, a necessidade de mudança, de deslocamento. Representa a rapidez de raciocínio (o raio), a coragem, lealdade e franqueza. Higieniza os pensamentos; atua nos campos santos, em auxílio aos desencarnados, e no despertar da consciência. Está ligada à orientação e à educação. Representa a luta contra as injustiças. Sua propensão é trazer equilíbrio às ações humanas. Atua junto com Xangô na Justiça, na aplicação da Lei Cósmica.

Quando o Mestre Jesus referiu-Se aos que estavam dispostos a apedrejar uma mulher adúltera em praça pública, dizendo-lhes: “Aquele que estiver sem pecado, que atire a primeira pedra”, todos foram saindo em silêncio e O deixaram a sós com ela. Então, Ele a olhou bem no fundo de seus olhos e lhe disse: “Vá e não peques mais, para que não te aconteça coisa pior!”. Nesse momento, o Mestre manifestou novamente o “não julgar”, a reflexão, a oportunidade de recomeçar e a necessidade de mudar de atitudes, para poder prosseguir na caminhada evolutiva.

Em outra passagem do Evangelho, diz Jesus: “Não vim trazer a paz, mas a divisão. Vim para lançar fogo à Terra; e o que é que desejo senão que ele se acenda?”. Essa é uma atuação clássica da energia de Iansã, simbolizada no raio, como força da natureza. A ideia nova de Jesus encontrou resistência, incompreensão; trouxe à luz as verdades divinas sobre o reino dos céus, e incomodou a crença materialista de Sua época, que submetia o povo à violência e abusos das mais variadas ordens.

Quando “imolaram o homem” no martírio da cruz, pensaram que haviam resolvido a questão, mas a ideia de Jesus permanece até hoje, Seu chamado continua sendo A Boa Nova, a conquista do espírito sobre a matéria, a liberdade de ser, e não a escravidão do ter, a comunhão com o Criador, irradiando amor incondicional sobre todas as criaturas e a natureza. Ela nos instrui sobre as dificuldades dentro da própria família, as incompreensões por estarmos reunidos na carne, mas com etapas evolutivas diferentes, não partilhando da mesma crença.

Iansã é o fogo, posto que a mediunidade é um fogo sagrado, um dom que nos foi ofertado por Deus para corrigir nossas imperfeições e nos ensinar a amar e a servir com humildade. É o fogo da Criação, a capacidade de superar-se, porque as leis cósmicas não permitem estagnação por muito tempo: exigem a nossa evolução, ou seja, o potencial divino que habita cada ser necessita ser externado como chama viva, e não vibrar como brasa que não é alimentada, ou fagulha que se apaga. Por isso, temos o livre-arbítrio para escolher entre servir e amar, ou simplesmente ser uma criatura acomodada e ociosa. A escolha é inteiramente nossa, e a responsabilidade também. A pressa de que o fogo se acenda é para que haja a transformação do homem, para que cessem as guerras e as divisões internas e externas, visto que a paz nasce dentro do coração do ser.

E segue Jesus, no Sermão do Monte: ” Bem-aventurados os pobres e os aflitos…”. “Bem-aventurados os pacíficos e os simples de coração…”. “Bem-aventurados os sedentos de justiça e misericórdia…”. É o despertar do homem de bem.

fonte: Umbanda pé no Chão – Ramatis / O Evangelho Segundo o Espiritismo – Allan Kardec

A prática da Magnetização de roupas e objetos nos terreiros de Umbanda

0Continuando o tema postado nessa coluna na semana passada, hoje traremos a luz o tema sob uma ótica mais prática dentro do cotidiano dos barracões espalhados Brasil afora, para melhor entendimento recomendo a leitura do ultimo artigo relacionado ao tema magnetização de roupas e objetos nos terreiros de Umbanda.

Como já dito anteriormente, há de se afirmar que o fluido magnético é neutro, peculiar a cada objeto no Universo, nos trabalhos de terreiro guias impõem as impressões de suas educadas mentes para alterar a contextura vibratória original desses condensadores energéticos físicos. A finalidade inicial é de cura, segurança contra miasmas ou descarga de morbos psíquicos, placas e fluidos negativos os mais diversos (restos astral-etéricos, como se fossem lixos que têm de ser removidos e devolvidos à natureza), ou seja, a desmagnetização é realizada com o fito de “purificar” um objeto que se encontra com baixas vibrações.

Na frente do congá (ponto focal de todo o trabalho mágico dos terreiros), o médium coloca a corrente, a medalha, o pingente, a pedra ou tecido, para ser reestruturado magneticamente pela força mental do trabalhador encarnado, que, por sua vez, mediunizado pelo guia responsável por esse tipo de tarefa, comum na umbanda. Esse processo é levado a efeito pelos cânticos de justiça e demanda de Xangô e Ogum.

Ao mesmo tempo em que esse ritual é realizado, no plano astral são socorridos os espíritos sofredores e encaminhados os obsessores para os devidos locais de retenção. Lá, se avaliará a situação cármica individual desses, que precisam urgentemente de esclarecimento para retomar o caminho que os conduzirá à de volta a evolução. Feito isso, é possível uma nova magnetização do objeto e a sua consagração junto à corrente mediúnica formada, o que o libera para a utilização pelo seu dono.

Nas magnetizações e desmagnetizações de guias, talismãs, correntes, pingentes, que são metais e minérios da natureza, a água se mostra excelente meio de fixação vibratória. Por esse motivo, nos rituais próprios da umbanda, é comum colocarem-se esses objetos dentro de um copo ou tigela.

Voltamos a reiterar a necessidade da leitura de artigos anteriores para melhor compreensão do tema, caso o amigo leitor tenha disponibilidade de tempo e maior interesse pela temática, recomendamos um estudo mais aprofundando quanto à manipulação de energias, encontrado em diversas obras de cunho espiritual, organizada por trabalhadores sérios e comprometidos com o desenvolvimento do trabalho na seara espiritual. Fazemos menção aqui as obras de Ramatis, psicografadas por Norberto Teixeira e a obra Energia de autoria de Robson Pinheiro, que vem pautando os artigos publicados nas colunas de terças-feiras desse blog, além é claro do estudo continuo do Livro dos Médiuns, Livro dos Espíritos e o Evangelho Segundo o Espiritismo garantindo o desenvolvimento moral e mediúnico responsável de cada trabalhador.

 Abraços e até a próxima terça-feira.

 Arthur Sinnhofer

Fontes: Livro - Vozes de Aruanda - Ramatis

Um olhar sob as Obssesões

Queridos amigos, leitores, irmãos e companheiros de trabalho nessa maravilhosa seara espiritual. Abriremos os artigos dessa semana com um artigo que faz um breve olhar sob a obsessão, uma questão que nos assola e nos leva muitas vezes a ter um olhar errôneo da situação a qual vivemos ou vive um próximo a nós.

Espero que com esse artigo possamos ter um olhar mais refinado sob esse tema e que assim possamos de fato averiguar o quanto somos também culpados por casos obsessivos e assim colaborar no trabalho e na reforma intima de cada um. Vale lembrar que esse artigo é dividido em duas partes sendo a primeira postada hoje e a segunda e ultima na próxima semana.

obsessao2Conceito – Distúrbio espiritual de longo curso, a obsessão procede dos painéis íntimos do homem, exteriorizando-se de diversos modos, com graves conseqüências, em forma de distonias mentais, emocionais e desequilíbrios fisiológicos.

Inerentes à individualidade que lhe padece o constrangimento, suas causas se originam no passado culposo, em cuja vivência o homem, desatrelado dos controles morais, arbitrariamente se permitiu consumir por deslizes e abusos de toda ordem, com o comprometimento das reservas de previdência e tirocínio racional.

Amores exacerbados, ódios incoercíveis, dominação absolutista, fanatismo injustificável, avareza incontrolável, morbidez ciumenta, abusos do direito como da força, má distribuição de valores e recursos financeiros, aquisição indigna da posse transitória, paixões políticas e guerreiras, ganância em relação aos bens perecíveis, orgulho e presunção, egoísmo nas suas múltiplas facetas são as fontes geratrizes desse funesto condutor de homens, que não cessa de atirá-los nos resvaladouros da loucura, das enfermidades portadoras de síndromes desconhecidas e perturbantes do suicídio direto ou indireto que traz novos agravamentos àquele que se lhe submete, inerme, à ação destrutiva.

Parasita pertinaz, a obsessão se constitui de toda idéia que se fixa de fora para dentro – como na hipnose, por sugestão consciente ou não, como pela incoercível persuasão de qualquer natureza a que se concede arrastar o indivíduo. Ou, de dentro para fora, pela dominadora força psíquica que penetra e se espraia, no anfitrião que a agasalha e sustenta, vencendo-lhe as débeis resistências.

Originária, às vezes, da consciência perturbada pelas faltas cometidas nas existências passadas, e ainda não expungidas – renascendo em forma de remorsos, recalques, complexos negativos, frustrações, ansiedades -, impõe o auto-supliciamento, capaz, de certo modo, de dificultar novos deslizes, mas ensejando, infelizmente, quase sempre, desequilíbrios mais sérios…

Possuindo o homem os fatores predisponentes para o seu surgimento e fixação (os débitos exarados na mente espiritual culpada), faculta uma simbiose entre as mentes, encarnadas ou desencarnadas, mas de maior incidência na esfera entre o Espírito desatrelado do carro somático e o viandante da névoa carnal, constituindo tormento de larga expansão que, não atendido convenientemente, termina por atingir estados desesperadores e fatais.

Sendo, todavia, a morte, apenas um corolário da vida, em que aquela confirma esta, compreensível é que o intercâmbio incessante prossiga, não obstante a ausência da forma física. Viajando pelo perispírito, veículo condutor das sensações físicas na direção do Espírito e, vice-versa, mensageiro das respostas ou impulsos deste no rumo do soma, esse corpo semimaterial, depositário das forças impregnantes das células, constitui excelente campo plástico de que se utiliza a Lei para os imprescindíveis reajustes daqueles que, por distração ou falta de siso, desrespeito ou abuso, ambição ou impiedade se atrelaram às malhas da criminalidade.

O comércio mental funciona em regime de amplas perspectivas, seja no plano físico, seja nas esferas espirituais; ou reciprocamente.

Não sendo necessário o cérebro para que a mente continue o seu ministério intelectual, constituindo o encéfalo tão-somente o instrumento de exteriorização física, mentes e mentes ligam-se e se desligam em conúbios contínuos, incessantes, muito mais do que seria de supor-se.

O que é normal entre os homens não muda após o decesso corporal.

Há sempre alguém pensando noutrem. O estabelecimento dos contatos como a continuidade deles é que podem dar curso aos processos obsessivos ou lenificadores, consoante seja a fonte emissora.

Através da Física Moderna, em ligeiro exame, podemos constatar que, à medida que a matéria foi perquirida, experimentou desagregação, até quase total extinção da idéia de estrutura.

Dos conceitos medievais aos hodiernos, há abismos de conhecimento, viandando da constituição bruta à quintessência. Em conseqüência, a Terra e tudo que nela se encontra ora se converte em ondas, raios, mentes, energias…

Da ideia simples, que insiste, perseverante, à fascinação estonteante, contínua, até à subjugação vencedora, a obsessão é, em nossos dias, o mais terrível flagelo com que se vê a braços a Humanidade…

Espocando em condições próprias, quais cogumelos bravos e venenosos, multiplica-se assustadoramente, conclamando-nos todos à terapêutica imediata, cuidadosa, e a medidas preventivas, inadiáveis, antes que os palcos do mundo se convertam em cenários nefandos de horror e desastre.

fonte: espiritismo.org / Livro dos Espiritos / Nos Domínios da Mediunidade / A Gênese / Livro dos Médiuns

EKEDI – SUAS FUNÇÕES E VESTIMENTAS

Olá meus Irmãos,

Quem já não ouviu dizer que trabalho espiritual mediúnico só é realizado por encorporação ou manifestação através de um médium? Pois bem, irmãos, já sabemos que são muitas as formas de mediunidade e, na Umbanda temos uma gama de possibilidades de aplicar cada uma delas, tomando como exemplo o trabalho dos Ogãs e Ekedis, funções herdadas do Culto de Nação em algumas casas de Umbanda, temos a clara utilização de mediunidade intuitiva, ou em outras palavras irradiação, onde ambos se sintonizam a corrente vibratória, Oriás e Guias, atendendo as necessidades do trabalho espiritual, cada qual dentro de sua função. Para entendermos melhor, vamos falar um pouco das Ekedis, Eu os convido a leitura. Adriano D’Ogum Sacerdote de Umbanda.

Ekedi, Ajoiê e Makota nomes dados de acordo com a nação do candomblé, é um cargo feminino de grande valor, escolhida e confirmada pelo Orixá do Terreiro de candomblé (não entram em transe). Na Casa Branca do Engenho Velho, as ajoiés são chamadas de ekedis. No Terreiro do Gantois, de “Iyárobá” e nos terreiros de Angola do candomblé Bantu, é chamada de “makota de angúzo”, “ekedi” é nome de origem Jeje, que se popularizou e é conhecido em todas as casas de Candomblé do Brasil.

Dentre os cargos femininos na hierarquia do candomblé no Brasil, o mais conhecido é da Ekedi, como os ogans, elas não são possuídas por seu orixá de cabeça, ou seja, não entram em transe, pois necessitam estar acordada para atender as necessidades dos Orixás, Voduns ou Inkices para os quais foram devidamente preparadas para servir.

A ekedi na maioria das casas também é chamada de mãe, exerce a função de dama de honra do Orixá regente da casa. É dela a função de zelar, acompanhar, dançar, cuidar das roupas e apetrechos do Orixá da casa, além dos demais Orixás, dos filhos e até mesmo dos visitantes.

É uma espécie de “camareira” que atua sempre ao lado do Orixá e que também cuida dos objectos pessoais do babalorixá ou iyalorixá. O cargo de ekedi é muito importante, pois será ela a condutora dos Orixás incorporados no Egbê (barracão ou sala de festividades) e dela é a responsabilidade de recolhê-los e “desvirá-los”, observando as condições físicas daqueles que “desviraram”.

Para se tornar uma ekedi, ela primeiramente é apresentada e não suspensa como o Ogan, e logo depois será confirmada, com as obrigações de Roncó.

Existe muita diferença de uma casa para outra e mesmo de uma nação para outra, na forma de se vestir. Na Casa Branca do Engenho Velho a ajoiê não usa roupa de baiana e nem dança na roda do xirê, o traje tradicional da ajoiê é um vestido discreto, um fio-de-contas e um pano da costa dobrado sobre um ombro ou na cintura. Sempre tem uma toalha ou tecido à mão para secar o rosto do filho-de-santo que está em transe, no dia a dia usa uma roupa de ração como todas as participantes do candomblé.

Já em outras casas, vai depender do babalorixá ou iyalorixá deliberar o uso da roupa de baiana pelas ekedis. Em muitos candomblés de Salvador, Rio de Janeiro e São Paulo é muito comum encontrar ekedis vestidas de baiana e dançando na roda do xirê.

 

 

A Arte de ser Mãe

A Ekedi em seu papel de Mãe exerce a função de Dama de Honra do Orixá regente da Casa. É dela a função de zelar, acompanhar, dançar, cuidar das roupas e apetrechos do Orixá da Casa, além dos demais Orixás, dos filhos e até mesmo dos visitantes. É uma espécie de “noiva” que actua sempre ao lado do Orixá e que também cuida dos objectos pessoais do Babalorixá ou Iyalorixá. O cargo de Ekedi é muito importante, pois será ela a condutora dos Orixás incorporados no Egbê (barracão ou sala de festividades) e dela é a responsabilidade de recolhê-los e “desvirá-los”, observando as condições físicas daqueles que “desviraram”. O procedimento para se tornar Ekedi é o seguinte: primeiramente ela é apresentada – não suspensa, como o Ogan – e logo depois será confirmada, com as obrigações de Roncó. •Ekedi e Ajoié: A palavra “ajoié” é correspondente feminino de ogan, pois, a palavra ekedi, ou ekejí, vem do dialeto ewe, falado pelos negros fons, ou jeje. Portanto, o correspondente yorubá de ekedi é ajoié, onde a palavra ajoié significa “mãe que o orixá, escolheu e confirmou”. Assim como os demais oloyés, uma ajoié tem o direito a uma cadeira no barracão.

Deve ser sempre chamada “mãe”, por todos os componentes da casa de orixá, devendo-se trocar com ela pedidos de bênçãos. Os comportamentos determinados para os ogans devem ser seguidos pelas ajoié. Em dias de festas, uma ajoié deverá vestir-se com seus trajes rituais, seus fios de contas, um ojá na cabeça e trazendo no ombro sua inseparável toalha, sua principal ferramenta de trabalho no barracão e também símbolo do óyé, ou cargo que ocupa.

A toalha de uma ajoié destina-se, entre outras coisas, a enxugar o rosto dos Omo-orixás manifestados. Uma ajoié ainda é responsável pela arrumação e organização das roupas que vestirão os omos-orixás nos dias de festas, como também, pelos ojás que enfeitarão várias partes do barracão nestes dias.

Mas, a tarefa de uma ajoié não se restringe apenas a cuidar dos orixás, roupas e outras coisas. Uma ajoié também é porta-voz do orixá em terra. È ela que em muitas das vezes transmite ao Babalorixá ou Yalorixá o recado deixado pelo próprio orixá da casa.

Fonte: Wikipédia