Os Orixás – um pouco de história

OS ORIXÁS

Um pouco de História:

Na aurora de sua civilização, o povo africano mais tarde conhecido pelo nome de iorubá, chamado de nagô no Brasil elucumi em Cuba, acreditava que forças sobrenaturais impessoais, espíritos, ou entidades estavam presentes ou corporificados em objetos e forças da natureza. Tementes dos perigos da natureza que punham em risco constante a vida humana, perigos queeles não podiam controlar, esses antigos africanos ofereciam sacrifícios para aplacar a fúria dessas forças, doando sua própriacomida como tributo que selava um pacto de submissão e proteção e que sedimenta as relações de lealdade e filiação entre oshomens e os espíritos da natureza.

Muitos desses espíritos da natureza passaram a ser cultuados como divindades, mais tarde designadas orixás,
detentoras do poder de governar aspectos do mundo natural, como o trovão, o raio e a fertilidade da terra, enquanto outros foram cultuados como guardiões de montanhas, cursos d’água, árvores e florestas. Cada rio, assim, tinha seu espírito próprio,
com o qual se confundia, construindo-se em suas margens os locais de adoração, nada mais que o sítio onde eram deixadas as oferendas. Um rio pode correr calmamente pelas planícies ou precipita-se em quedas e corredeiras e oferecer calma travessia, mas também mostrar-se pleno de traiçoeiras armadilhas, ser uma benfazeja fonte de alimentação piscosa, mas igualmente afogar em suas águas os que nelas se banham. Esses atributos do rio, que o torna ao mesmo tempo provedor e destruidor,
passaram a ser também o de sua divindade guardiã. Como cada rio é diferente, seu espírito, sua alma, também tem características específicas. Muitos dos espíritos dos rios são homenageados até hoje, tanto na África, em território iorubá, como nas Américas, para onde o culto foi trazido pelos negros durante a escravidão e num curto período após a abolição, embora tenham, com o passar do tempo, se tornado independentes de sua base original na natureza.

O contato entre os povos africanos, tanto em razão de intercâmbio comercial como por causa das guerras e domínio de uns sobre outros, propiciou a incorporação pelos iorubás de divindades de povos vizinhos, como os voduns dos povos fons, chamados jejes no Brasil, entre os quais se destaca Nanã, antiga divindade da terra, e Oxumarê, divindade do arco-íris. O deus da peste, que recebe os nomes de Omulu, Olu Odo, Obaluaê, Ainon, Sakpatá e Xamponã ou Xapanã, resultou da fusão da devoção a inúmeros deuses cultuados em territórios iorubá, fon e nupe. As transformações sofridas pelo deus da varíola, até sua incorporação ao panteão contemporâneo dos orixás, mostra a importância das migrações e das guerras de dominação na vida desses povos africanos e seu papel na constituição de cultos e conformação de divindades.

Dentro da cultura do Candomblé, o Orixá é considerado a existência de uma “vida passada na Terra”, na qual osOrixás teriam entrado em contato direto com os seres humanos, aos quais passaram ensinamentos diretos e semostraram em forma humana.Essa teria sido uma época muito distante na qual o ser humano necessitava da presençafísica dos Orixás, pois o ser humano ainda se encontrava em um estágio muito primitivo, tanto materialmente comoespiritualmente.

Após passarem seus ensinamento voltaram à Aruanda, mas deixaram na Terra sua essência e representatividade nas forças da natureza.

O que é Orixá?

O planeta em que vivemos e todos os mundos dos planos materiais se mantêm vivos através do equilíbrio entre as energias da natureza. A harmonia planetária só é possível devido a um intrincado e imenso jogo energético entre os elementos
químicos que constituem estes mundos e entre cada um dos seres vivos que habitam estes planetas.

Um dado característico do exercício da religião de Umbanda é o uso, como fonte de trabalho, destas energias.Vivendo no planeta Terra, o homem convive com Leis desde sua origem e evolução, Leis que mantêm a vitalidade, a criação ea transformação, dados essenciais à vida como a vemos desenvolver-se a cada segundo. Sem essa harmonia energética oplaneta entraria no caos.

O fogo, o ar, a terra e a água são os elementos primordiais que, combinados, dão origem a tudo que nossos corpos  físicos sentem, assim como também são constituintes destes corpos.

Acreditamos que esses elementos e suas ramificações são comandados e trabalhados por Entidades Espirituais que  vão desde os Elementais (espíritos em transição atuantes no grande laboratório planetário), até aos Espíritos Superiores que inspecionam, comandam e fornecem o fluido vital para o trabalho constante de CRIAR, MANTER e TRANSFORMAR a  dinâmica evolutiva da vida no Planeta Terra.

A esses espíritos de alta força vibratória chamamos ORIXÁS, usando um vocábulo de origem Yorubana.NaUmbanda são tidos como os maiores responsáveis pelo equilíbrio da natureza. São conhecidos em outras partes do mundocomo “Ministros” ou “Devas”, espíritos de altavibração evolutiva que cooperam diretamente com Deus, fazendo com queSuas Leis sejam cumpridas constantemente.

O uso de uma palavra que significa “dono da cabeça” (ORI-XÁ) mostra a relação existente entre o mundo e oindivíduo, entre o ambiente e os seres que nele habitam.Nossos corpos têm, em sua constituição, todos os elementos naturaisem diferentes proporções.Além dos espíritos amigos que se empenham emnossa vigilância e auxílio morais, contamos comum espíritoda natureza, um Orixá pessoal que cuida do equilíbrio energético, físico e emocional de nossos corpos físicos.

Nós, seres espirituais manifestando-se em corpos físicos, somos influenciados pela ação dessas energias desde o momento do nascimento. Quando nossa personalidade (a personagem desta existência) começa a ser definida, uma das
energias elementais predomina – e é a que vai definir, de alguma forma, nosso “arquétipo”.

Ao Regente dessa energia predominante, definida no nosso nascimento, denominamos de nosso Orixá pessoal, ” Ancestre”, ou o nome esotérico “ELEDÁ”.A forma como nosso corpo reage às diversas situaçõesdurante esta encarnação, tanto física quanto emocionalmente, está ligada ao “arquétipo”, ou à personalidade e característicasemocionais que conhecemos através das lendas africanas sobre os Orixás.Junto a essa energia predominante, duas outras se colocam como secundárias, que na Umbanda denominamos de ” Frente e Juntós”, corruptela de “Adjuntó”, palavra latina que significa auxiliar, ou ainda, chamamos de “OSSI” e “OTUM”, respectivamente na sua ordem de influência.

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Arquétipos relacionados aos Orixás – Oxum

oxum

Atributos como amor-doação, caridade, misericórdia, compaixão, complacência e fertilidade acompanham os filhos banhados nessa encarnação por essa maravilhosa energia de Oxum. Os tipos psicológicos de Oxum são pessoas serenas, gentis, emotivas (choram com facilidade), e altamente intuitivas. Observadores dos sentimentos, usam-nos assim para alcançar seus objetivos.

Em geral são envolventes e amigos. Apesar dessas características de comportamento, por vezes são desconfiados, indecisos e vingativos, sendo astutos para “jogar” com o emocional das pessoas que estão a sua volta. Preocupam-se com a higiene pessoal, gostam de estar sempre perfumados e bem-vestidos. Possuem uma força de penetração na natureza humana fora do comum, são psicólogos natos. Pela alta sensibilidade e apurado sentimento de amor, são exímios na magia e excelentes médiuns e dirigentes.

A saúde dos filhos orientados por essa maravilhosa energia de Oxum, por vezes trazem consigo distúrbios ginecológicos, atingindo o útero, os ovários e as trompas. Podem vir a ter dificuldade para engravidar, mas com tratamento, a fim de normalizar ou recuperar a fertilidade, obtêm sucesso. Há também a possibilidade de depressão, desencadeada por estresse emocional.

Os filhos de Oxum carregam em si muitas vezes aspectos positivos como a graciosidade, bondade, julgamento sensato, boas maneiras, no entanto, precisam combater com grande afinco aspectos negativos como a insatisfação, articulação da vingança, pois não esquecem uma traição ou ofensa, agarrando-se às lembranças e recordações do passado, grandes desafios para aqueles que carregam em suas coroas toda a doçura das águas cristalinas de mamãe Oxum.

Florais de Bach: Honeysuckle, Crab Apple, Vervain, Holly e Olive.

Florais de Saint Germain: Madressilva, Limão, Pepo, Rosa, Embaúba e Saint Germain.

Metal: ouro.

Signo: câncer (pela regência da Lua), e touro e libra (pela regência de Vênus). A maior influência aqui é a planetária.

Planeta: Lua, no que se refere à fecundidade e à gestação; Vênus, no que se refere à beleza, à satisfação, ao gosto refinado por tudo o que é caro.

Erva: erva de Santa-Maria.

Flores: amarelas.

Chackra: frontal e cardíaco.

fonte: Umbanda Pé no Chão – Norberto Peixoto

Arquétipos associados aos Orixás – Ogum

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Atributos como vontade e vitória (caminhos abertos), energia propulsora da conquista, impulsos da ação, do poder da vontade (o poder da fé). Fazem dessa energia, a força (luta) inicial para que haja a transformação, são o ponto de partida daquele que está à frente. É a vida em sua plenitude o poder do sangue que corre nas veias, a manutenção da vida.

Os tipos psicológicos dos filhos de Ogum podem ser irascíveis, excessivamente diretos em suas opiniões, francos em demasia e até impulsivos. São tenazes e agem com muita vontade e energia para alcançar os seus objetivos, e não descansam enquanto não atingem a vitória, onde muitos já teriam desistido da luta e perdido as esperanças. Por serem demasiadamente francos, às vezes são arrogantes e auto-suficientes, melindrando pessoas de estima baixa com certa facilidade. No entanto, pela franqueza e transparência de suas intenções, acabam angariando muitos amigos e admiradores, o que pode deixá-los um tanto vaidosos. Raramente são odiados.

Dentre seus aspectos positivos transmitem sinceridade e franqueza, coragem, decisão, elegância, liderança. Mas também sabem ser dóceis, amáveis e generosos, no entanto, precisam muitas vezes lidar com aspectos negativos como a vontade fraca, apatia, egoísmo, dificuldade de perdoar e também de dizer “não”. Podendo ainda ser autoritários, ciumentos, covardes e teimosos. Duras batalhas diárias forjam os filhos deste orixá, para que ao longo do seu reinado no Ori, façam-se espíritos fortes como sua espada.

Florais de Bach: Centaury, Vine, Cherry Plum, Rock Water, Impatiens e Holly.

Florais de Saint Germain: Curculigum, Cocos, Goiaba, Piper, Patiens, Leucantha.

Saúde: doenças relacionadas com o sistema nervoso (tornando sensível o aparelho digestivo) e as articulações (braços, pulsos e mãos). Pontos fracos: cabeça e estômago.

Mineral: rubi e água-marinha.

Metal: ferro.

Signo: áries.

Planeta: Marte.

Ervas: espada de Ogum.

Flor: cravo vermelho.

Chackra: solar.

fonte: Umbanda Pé no Chão – Norberto Peixoto

Olódùmarè, o Deus Supremo

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IMPORTANTE: A coluna de sábado deste blog tem como base o estudo de artigos antropológicos, buscando sempre fundamentar de forma coerente religiões, bem como sua formação ao longo da história.

Acima dos orixás reina um deus supremo, Olódùmarè, cuja etimologia é duvidosa. É um deus distante, inacessível e indiferente às preces e ao destino dos homens. Está fora do alcance da compreensão humana. Ele criou os orixás para governarem e supervisionarem o mundo. É, pois, a eles que os homens devem dirigir suas preces e fazer oferendas. Olódùmarè, no entanto, aceita julgar as desavenças que possam surgir entre os orixás.

Essa definição parece ser uma tentativa de elaboração de um sistema que centraliza o que era diverso e harmoniza o que era incompatível entre orixás vindos de horizontes muito diferentes, como sugere Léo Frobenius. Apesar de sua posição de sua posição muito exaltada, Olódùmarè não conseguiu, entretanto, resolver o conflito surgido entre Obalúayé e Nana Buruku de um lado e Ògún, do outro. A esse respeito, falaremos mais adiante.

Admitindo o papel de deus supremo atribuído a Olódùmarè e se pairarmos acima das sutilezas locais, evitando fazer alusão às incoerências que resultam da pluralidade dos orixás, todos igualmente poderosos, parece que poderemos elaborar um sistema em que cada orixá torna-se um arquétipo de atividade, de profissão, de função, complementar uns aos outros, e que representam o conjunto das forças que regem o mundo. É o que exprime algumas histórias de Ifá, que os babalaôs, como as que se referem ao que já foi dito acima : “Os orixás e os eboras são os intermediários entre Olódùmarè e os
seres humanos e receberam, por delegação, alguns de seus poderes” .

Em um tal sistema, os orixás, mais comumente chamados ìmólè pelo Rev. D. Onadele Epega, teriam sido divididos em dois grupos: “ Duzentos ìmólè da direita, igba ìmòlè, e quatrocentos da esquerda, Irún ìmólè” . Uma Fórmula de saudação ritual sobre a qual pouco se sabe e que é ainda pronunciada, no Brasil, pelos descendentes dos iorubás, que vivem, sem outra explicação a não ser que, outrora, entre os iorubás, o primeiro algarismo significasse um grande número e o segundo, um grandíssimo número.

Olódùmarè mora no além, Òrun, traduzido geralmente por “ céu” . Mas há ai, sem dúvida alguma, incompreensão por parte dos pesquisadores, todos formados com a ideia de que Deus mora no céu. Em outro trabalho, mostramos que, entre 1845 e 1962, dos dezoito autores principais que abordaram o problema do deus supremo entre os iorubás, treze eram missionários católicos e protestante e só dois eram antropólogos, sendo os outros três um cônsul, um tenente-coronel e um alto funcionário da administração colonial, todos de nacionalidade britânica.

Quase todos esses pesquisadores dão Olóòrun, dono do céu, como primeiro nome ao deus supremo dos iorubás e Olódùmarè, como segundo.

Nessa pesquisa da definição do deus supremo, como em muitas outras sobre o assunto, cria-se geralmente uma situação inoportuna entre o pesquisador e a pessoa interrogada. Esta última pega rapidamente o sentido do pensamento do primeiro e, benevolamente, dá respostas que se ajustam à hipótese da pesquisa. Mesmo se o informante não alterar voluntariamente os fatos, tentará ao menos exprimir-se em termos compreensíveis ao seu interlocutor, resultado daí grande satisfação para este último e enorme prejuízo para a verdade. Um desses pesquisadores, o Padre Bouche, já reconhecia, entre 1866 e 1875, que “ os intérpretes negros preocupam-se menos com a exatidão do que com o
fato de não descontentarem o branco, e não deixam de lisonjeá-lo pelas interpretações que sabem ser de seu agrado ou pelo menos existentes em suas idéias” .

Três desses pesquisadores, de origem iorubá fazem exceção a essas observações:

Onadele Epega, que em seu livro nunca emprega a palavra “ Olódùmarè ao deus supremo e acentua que “Olóòrun é o nome utilizado pelos cristãos e pelos mulçumanos para seus trabalhos de conversão dos infiéis” .

O Reverendo Padre Moulero, o primeiro nagô a ser ordenado padre no Daomé, chegou a escrever que “ as populações neste país só acreditavam nos ídolos e não conheciam a Deus, mas é preciso fazer uma exceção em favor dos nagôs, que sob influência dos muçulmanos, adquiriram (antes da chegada dos missionários católicos) um conhecimento de Deus que se aproxima da noção filosófica cristã” .

Para definir Olódùmarè, os “ pais do segredo” , nome dado aos adivinhos, dos quais falarem mais adiante.

Algumas tradições pretendem que Òrun não esteja situado no céu, mas debaixo da terra. Há, efetivamente, em Ifé um lugar chamado Òrun Oba Adó, onde haveria “ dois poços sem fundo que os antigos diziam ser o caminho mais curto para o além” .

Este Òrun é o além, o infinito, o longínquo, em oposição ao ayé, o período de vida, o mundo, o aqui, o concreto.

É no Òrun que habitam os montes, os ará Òrun, que voltam periodicamente ao mundo, ayé, para se tornarem novamente seres vivos, ará ayé. “ Esses além assemelhar-se a terra, porém triste e lúgubre” . As almas apressar-se-iam em voltar para a terra, para a mesma família, da qual alguns membros usam o nome de Babatúndé ou o de Iyátúndé, o que significa “ o pai ou a mãe voltou” . Estamos longe do céu paradisíaco e macio dos cristãos e muçulmanos.

Os próprios deuses não parecem felizes em seu desterro no Òrun-além, e durante as cerimônias realizadas em seu louvor apressam-se em volta as terras, encarnando-se nos corpos em transe de seus descendentes que lhes são consagrados.

A ideia de que Òrun-além está situado embaixo da terra é comprovada durante as oferendas aos orixás, quando o sangue dos animais sacrificados é derramado no ajúbo, um buraco cavado na terra, em frente ao local consagrado ao deus, e os olhares se voltam para o chão e não para o céu.

fonte: OS ORIXÁS de Pierre FATUMBI Verger

Arquétipos associados aos Orixás

São necessários anos de vivência prática num terreiro para que nos aprofundemos neste assunto. Ponderamos que os traços psíquicos associados aos orixás não são definitivos nem se apresentam isolados um dos outros. Como todos ternos a influência do meio ambiente bio-psico-social em que vivemos, e ao mesmo tempo das energias de todos os orixás, o comedimento, a observação arguta e a vivência no decorrer dos anos são os melhores parâmetros para o auto-conhecimento e aprimoramento perante a vida. Portanto, o conhecimento da psicologia dos orixás é somente um dos muitos caminhos que nos fornecem referências de comportamento na busca do aperfeiçoamento humano e da evolução espiritual.

Durante as próximas colunas sobre Umbanda todas as terças-feiras, apresentamos uma descrição resumida dos perfis psicológicos dos indivíduos, associados aos orixás correspondentes, segundo observações extraídas da obra Umbanda Pé no Chão de Ramatis, psicografada pelo médium Norberto Peixoto.

Oxalá

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  • Atributo: fortaleza e paciência, estabelece a ligação com a espiritualidade e leva ao despertar da fé, à compreensão do “religare” com o Cristo interno.
  • Os tipos psicológicos dos filhos de Oxalá são bondosos, serenos, prestativos, pacientes e sábios. Perante certos obstáculos da vida, podem ser lentos em suas decisões, distantes e fechados, mas são persistentes e não gostam de fazer alarde. São aparentemente frágeis, um tanto delicados. Por outro lado, essa aparente fragilidade psíquica é compensada com uma enorme força moral, o que os faz fortes diante das fraquezas humanas, dos doentes e oprimidos. São de Oxalá pessoas altruístas e dedicadas a uma causa social, de ajuda aos injustiçados e aos oprimidos.
  • Aspectos positivos: devoção, fé, abstração meditativa, ligação com o espiritual, calma e serenidade “aparente”. São asseados mental e fisicamente, caseiros e amigos acima de tudo. Com eles, rege a tranqüilidade, o silêncio e a paz no ambiente.
  • Aspectos negativos: fanatismo, isolamento, desprezo pelo material, melancolia, impaciência, ira, crueldade, mania de limpeza.
  • Florais de Bach: Impatiens, Mustard, Crab Apple, Water Violet, e Vervain.
  • Florais de Saint Germain: Patiens, Embaúba, Flor Branca, Verbena, Boa Sorte, e Abundância.
  • Saúde: têm um sistema nervoso delicado; “aparentemente” inspiram tranqüilidade, mas são explosivos interiormente, necessitando de períodos de isolamento como forma de repouso. Devem cuidar da coluna vertebral (rege coração e coluna).
  • Mineral: pedras brancas, diamante e brilhante.
  • Metal: ouro.
  • Signo regente: leão.
  • Planeta: Sol.
  • Ervas: arruda, levante e guiné.
  • Flor: girassol e jasmim.
  • Chackra: coronário.
fonte: Umbanda Pé no Chão – Norberto Peixoto

Os Orixás na África

orixás

O termo “Órísà” nos parecera outrora relativamente simples, da maneira como era definido nas obras de alguns autores que se copiaram uns aos outros sem grande discernimento, na segunda metade do século passado e nas primeiras décadas deste. Porém, estudando o assunto com mais profundidade, constatamos que sua natureza é mais complexa. Léo Frabenius é o primeiro a declarar, em 1910, que a religião dos iorubás tal como se apresenta atualmente só gradativamente tornou-se homogênea. Sua
uniformidade é o resultado de adaptações e amálgamas progressivos de crenças vindas de várias direções. Atualmente, setenta anos depois, ainda não há, em todos os pontos do território chamado Iorubá, um panteão dos orixás bem hierarquizado, único e idêntico.

As variações locais demonstram que certos orixás, que ocupam uma posição dominante em alguns lugares, estão totalmente ausentes em outros. O culto de Xangô, que ocupa o primeiro lugar em Oyó, é oficialmente inexistente em Ifé, onde um deus local, Oramfé, está em seu lugar com o poder do trovão. Oxum, cujo culto é muito marcante na região de Ijexá, é totalmente ausente na região de Egbá. Iemanjá, que é soberana na região de Egbá, não é sequer conhecida da região de Ijexá. A posição de todos estes orixás é profundamente dependente da história da cidade onde figuram como protetores Xangô era, em vida, o terceiro rei de Oyó. Oxum, em Oxogbô, fez um pacto com Larô, o fundador da dinastia dos reis locais, e em conseqüência a água nessa região é sempre abundante. Odudua, fundador da cidade de Ifé, cujos filhos tornaram-se reis das outras cidades iorubás, conservou um caráter mais histórico e até mesmo mais político que divino. Veremos mais adiante que as pessoas encarregadas de evocar Odudua não entram em transe, o que destaca seu caráter temporal.

O lugar ocupado na organização social pelo orixá pode ser muito diferente se trata de uma cidade onde se ergue um palácio real, àáfin, ocupado por um rei, aládé, tendo direito a usar uma coroa, adé, com franjas de pérolas, ocultando-lhe a face ou onde existe um palácio, ilê Olójá, a casa do senhor do mercado de uma cidade cujo chefe é um bale`que sé tem direito a uma coroa mais modesta chamada àkòró. Nesses dois casos, o orixá contribui para reforçar o poder do rei ou do chefe. Esse orixá está praticamente à sua disposição para garantir e defender a estabilidade e a continuidade da dinastia e a proteção de seus súditos. Mas, nas aldeias independentes, onde o poder civil permaneceu fraco, na ausência do Estado (autoritário), o impacto das religiões tradicionais é muito forte na sociedade e são os chefes ‘fetichista’ que garantem a coesão social.

Alguns orixás constituem o objeto de um culto que abrange quase todo o conjunto dos territórios iorubás, como, por exemplo, Òrìsàálá, também chamado Obàtálá, divindade da criação, estende-se até o vizinho território do Daomé, onde Òrìsàálá torna-se Lisa, e cuja mulher Yemowo tornou-se Mawu, o “ deus supremo” entre os fun, ou então Ògún, deus dos ferreiros e de todos aqueles que trabalham com o ferro, cuja importância das funções ultrapassa o quadro familiar de origem.

Algumas divindades reivindicam as mesmas atribuições em lugares diferentes Sàngó, em Oyó; Oramfè, em Ifé; Aira, em savé. São todos senhores do trovão. Ògún tem competidores, guerreiros e caçadores em diversos lugares, tais como: Ija em torno de Oyó, Òsóòsi em Kêto, Òre em Ifé, assim como Lógunéde, Ibùalám e Erinlè na região de Ijexá. Osanyìn entre os oyó desempenha o mesmo papel de curandeiro que Elésije em Ifé. Aje Saluga em Ifé e Òsúmáré mais a oeste são divindades da riqueza.

O caso de Nana Buruku ou Brukung merece ser tratado à parte. Esta divindade representa a deusa suprema nas regiões a oeste dos países iorubás, e mesmo além, onde a influência de Ifé é menor, embora, paradoxalmente, uma parte dessas populações seja chamada Aná ou Ifè, e isso em lugares onde o culto de Òbàtálá ou Òrìsàálá é totalmente desconhecido.

Diante dessa extrema diversidade e dessas inúmeras variações de coexistência entre os orixás, fica-se descrente diante de certas concepções demasiado estruturadas.

A religião dos orixás está ligada à noção de família. A família numerosa, originária de um mesmo antepassado, que engloba os vivos e os mortos. O orixá seria, em princípio, um ancestral divinizado, que, em vida, estabelecera vínculos que lhe garantiam um controle sobre certas forças da natureza, como o trovão, o vento, as águas doces ou salgadas, ou, então, assegurando-lhe a possibilidade de exercer certas atividades como a caça, o trabalho com metais ou, ainda, adquirindo o conhecimento das propriedades das plantas e de sua utilização o poder, àse, do ancestral-orixá teria, após a sua morte, a faculdade de encarnar-se momentaneamente em um de seus descendentes durante um
fenômeno de possessão por ele provocada.

A passagem da vida terrestre à condição de orixá desses seres excepcionais, possuidores de um àse poderoso, produz-se em geral em um momento de paixão, cujas lendas conservaram a lembrança. Veremos, numa lenda, como Sàngó tornou-se o objeto dessa mutação quando um dia, exasperado por ter destruído seu palácio e todos os seus, subiu a uma colina em Igbeti, perto da antiga Oyó, e quis experimentar a eficácia de um preparado destinado a provocar o raio. Em Outra lenda, Sàngó tornou-se orixá, ou ebora, em um momento de contrariedade por se sentir abandonado, quando deixou Oyó para retornar à região de Tapa. Somente sua primeira mulher, Oiá, o acompanha na fuga e, por sua vez, ela entrou para debaixo da terra depois do desaparecimento de Sàngó. Sua duas outras mulheres, Òsun e Òbà, tornaram-se rios, que têm seus nomes, quando fugiram aterrorizadas pela fulgurante cólera do marido comum. Ògún ter-se-ia tornado orixá quando compreendeu, lamentando amargamente, que acabava de massacrar, em um momento de cólera irrefletida, os habitantes da cidade de Ire, fundada por ele e que não mais a reconhecera quando ali voltou, após longa ausência. Esses antepassados divinizados não morreriam de morte natural, morte que em iorubá vem a ser o abandono do corpo, ara, pelo sopro, èmí. Possuidores de um àse, poder em estado de energia pura. Era preciso,para que o culto pudesse ser criado, que, assim como os Mogba de Sàngó de que trataremos mais adiante, um ou vários membros da família tivesse sido capaz de estabelecer o Odù Òrìsà, definido por O.Epega como sendo “ um vaso enterrado no chão, até mais ou menos três quartos de sua altura, pelos seus adeptos” . Ele serve de recipiente ao objeto suporte da força, o àse do Òrìsà. Este objeto suporte é, segundo Cossard-Binon, “ a base material palpável, estabelecida pelo arixá, que receberá a oferenda e será impregnada pelo sangue do animal sacrificado. Devidamente sacrificado, será o traço de união entre os homens e a divindade” . A natureza desses objetos está ligada ao caráter do deus, quer por ser dele uma emanação como a pedra do raio, èdùn ara, de Sàngó, ou um seixo do fundo de um riacho, ota, de Òsun, Oya ou yemojá, quer seja um símbolo, como as ferramentas de Ògún ou o arco e a flecha de Òsóòsì.

O orixá é uma força pura, àse imaterial que só se torna perceptível aos seres humanos incorporando-se em um deles. Esse ser escolhido pelo orixá, um de seus descendentes, é chamado seu elégùn, aquele que tem o, privilégio de ser “montado” , gùn, por ele. Torna-se o veículo que permite ao orixá voltar a terra para saudar e receber as provas de respeito de seus descendentes que o evocaram.

Os elégùn muitas vezes são chamados iyawóòrìsà (iaô), mulher do orixá. Este termo tanto se aplica aos homens quanto às mulheres e não evoca uma ideia de união ou de posse carnal, mas a de sujeição e de dependência, como antigamente as mulheres o eram aos homens.

Voltaremos, mais adiante, ao problema da iniciação desses elégùn cujo papel é fundamental nas cerimônias de adoração ao ancestral divinizado, que, incorporando-se ao elégùn, reencontra, por alguns instantes, sua antiga personalidade espiritual e material.  Será novamente a personagem de outra com suas qualidades e seus defeitos, seus gostos, sua tendência, seu caráter agradável ou agressivo.

Voltando assim, momentaneamente, a terra, entre seus descentes, durante as cerimônias de evocação, os orixás dançam diante deles e com eles, recebem seus cumprimentos, “ ouvem as suas queixas, aconselham, concedem graças, resolvem as suas desavenças e dão remédios para as suas dores e consolo para os seus infortúnios. O mundo celeste não está distante, nem superior, e o crente podem conversar diretamente com os deuses e aproveitar da sua benevolência” .

O tipo de relacionamento é de caráter familiar e informal. Um exemplo de uma cerimônia observada na África ilustra bem esse fato. Trata-se de uma cerimônia para um vodun daomeano, Sapata, chamado Ainon, o “ senhor da Terra” , sinônimo de Sànpònná entre os iorubás, onde é igualmente de Obalúayé, que também significa o “ Senhor da terra” . Esse culto de Sapata não se afasta completamente a esse deus falam uma língua sacra que é o iorubá arcaico dos Aná ou Ifé da região de Atakpamê. Os futuros iniciados de sapata são chamados Anàgónu, os nagôs, nesse estágio de sua iniciação.

Foi em dezembro de 1969, nos arredores de Abomey, em uma fazenda chamada Tètèpa, residência do chefe de uma família relativamente numerosa, estabelecida nesse local há muitas gerações em tempo normal, a fazenda era habitada principalmente por pessoas idosas, crianças confiadas a suas avós e um número reduzido de adultos de ambos os sexos, indispensáveis aos trabalhos do campo. Em grande parte, os membros da família exerciam suas atividades em local distante, para voltarem, periodicamente, trazendo uma parte de seus ganhos para a comunidade familiar. Mas, no dia em que passamos por essa fazenda, havia muita gente para assistir e participar de uma cerimônia organizada para agradecer a Sapata Megban, protetor da família, uma graça que ele concedera nas seguintes circunstâncias.

Três ou quatro anos antes, houve um acidente ferroviário quando dois trens se engavetaram. Houve numerosos mortos e feridos. Uma mulher, pertencente à família do dono dessa fazenda, encontrava-se em um dos vagões. Estava grávida e perto de dar à luz. O medo que ela sentiu no momento do acidente fez com que a criança nascesse antes da hora. Em seu desespero, ela fez a promessa de oferecer algo de belo ao Sapata da família se a criança e ela sobrevivessem ao desastre. Saíram ilesas do acidente, e a criança desenvolveu-se normalmente. Tivemos a sorte de assistir ao pagamento da promessa.

A jovem mulher oferecia naquele dia “ bela coisa” prometida. Era um belo pano um gorro bordado e oferendas de animais e alimentos. Homens e mulheres, membros da família, vieram de todas as regiões do Daomé onde trabalhavam, e até do Togo, da Costa do Marfim e da Nigéria. Sapata-Ainon, encarnado em seu vodunsi (elégùn), estava majestosamente sentado em um trono, pois era também chamado Jebosu, o “Rei das Pérolas” . Todos os membros da família estavam prostrados diante dele e cantavam seus louvores tradicionais. O Vodunun, encarregado de cuidar do deus, fez um pequeno discurso para lhe agradecer por ter salvo a vida da mulher e da criança e colocou no colo do vodunsi a criança de três ou quatro anos de idade. Esta se aconchegou em seus braços como o teria feito nos braços de seu avô. Inteiramente à vontade e sem nenhum receio, a criança brincava com as franjas da roupa do deus encarnado. Essa cena nos tocou profundamente e nos pareceu muito representativa do tipo das relações entre os homens e seu deus. Um deus protetor, cujas graças são reservadas, é verdade, só ao grupo familiar. Mas estamos longe da imagem dos “feiticeiros sanguinários” , reinando pelo terror, que a literatura cristã esforçou-se em apresentar para justificar a ação evangélica dos missionários.

Orixá, ancestral divinizado, é um bem de família, transmitido pela linhagem paterna. Os chefes das grandes famílias, os balè, delegam geralmente a responsabilidade do culto ao orixá familiar, a um ou uma aláàse, guardião do poder do deus, que dele cuidam ajudados pelos elégùn, que serão possuídos pelo orixá em certas circunstâncias.

As mulheres da família participam das cerimônias e podem se tornar elégùn do orixá da família paterna; mas, se forem casadas, é o orixá da família de seu marido que será o de seus filhos. Elas têm assim uma posição um pouco marginalizada na família do marido. São consideradas somente como doadores de filhos, mas não são integradas completamente em seu novo lar. Quando morrem, seu cadáver volta para a casa paterna, onde são enterradas. Mesmo em sua própria família, não têm posição estável, compatível à dos homens. Esse ponto é ilustrado pela pergunta feita pelo pai para
saber qual o sexo de seu filho ao nascer: “ É o dono da casa (onílé) ou a estrangeira (àléiò)?” , situando, desde sua chegada ao mundo, a posição relativa dos homens e das mulheres na família iorubá.

Conservando sua filiação ao culto do orixá familiar, pode acontecer que um indivíduo deva, por certas razões que lhe são indicadas pela adivinhação, seguir o culto a uma outra divindade, a de sua mãe, por exemplo, após a sua morte; ou de qualquer outra que lhe seja imposta em decorrência de certas situações: doenças, dificuldades na procriação de um herdeiro, defesa contra uma ameaça precisa ou imprecisa. Nesses casos, o indivíduo encontra-se implicado mais diretamente na prática desse culto
pessoal.

Uma das características da religião dos orixás é seu espírito de tolerância e a ausência de todo proselitismo. Isso é compreensível e justificado pelo caráter restrito de cada um desses cultos aos membros de certas famílias. Como e por que as pessoas poderiam exigir que um estrangeiro participasse do culto, não tendo nenhuma ligação com os ancestrais em questão?

fonte: OS ORIXÁS de Pierre FATUMBI Verger

Orixás e sítios energéticos

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Os orixás são aspectos da Divindade, altas vibrações cósmicas que se rebaixam até nós, propiciando a apresentação da vida em todo o Universo.

Cada um dos orixás tem peculiaridades e correspondências próprias na Terra: cor, som, mineral, planeta regente, elemento, signo zodiacal, essências, ervas, entre outras afinidades astro-magnéticas que fundamentam a magia na umbanda por linha vibratória.

Encontraremos nos sítios vibracionais dos orixás sempre os três reinos: animal, vegetal e mineral. Os sete sítios vibracionais principais são: mar, praia, rio, cachoeira, montanha, pedreira e mata, os quais descrevemos a seguir:

Mar: tudo no mar é movimento. Seu incessante vai e vem é a própria pulsação da vida, com sua expansão e contração, cheia e vazante, levando tudo o que é negativo, transformando-o e devolvendo convertido em positivo. Seu próprio som expressa essa possante e magnífica transformação.

Praia: tem praticamente a mesma composição do mar, sendo condensadora, plasmadora, fertilizante e propiciatória. Faz um potente equilíbrio elétrico, desimpregnando, descarregando excessos e promovendo o equilíbrio da energia interna do indivíduo.

Rio: condutor, fluente, sem ser condensador, faz as energias fluírem, e também vitaliza. É muito importante numa purificação astro-física do indivíduo e na eliminação de cargas negativas.

Cachoeira: encontramos elementos coesivos das pedras (mineral) e água potencializada na queda da cachoeira, que produzem ou conduzem várias formas de energia. Como as águas fluem num só sentido, purificam, descarregam, vitalizam, equilibram e fortalecem o indivíduo com um todo (no físico-etérico).

Pedreira: reestrutura a forma, regenera, fixa, condensa, plasma e dá resistência mental, astral e física ao indivíduo.

Mata: condensa prana (energia vital), restabelece a fisiologia orgânica, principalmente a psíquica, fortalece a aura, o campo astral, o eletromagnetismo, a saúde, o mediunismo, plasmando forças sutis.

Montanha: mesmo procedimento acima, havendo predominância dos elementos eólicos.

fonte: A Missão da Umbanda, Umbanda Pé no Chão – Ramatis