Arquétipos associados aos Orixás

São necessários anos de vivência prática num terreiro para que nos aprofundemos neste assunto. Ponderamos que os traços psíquicos associados aos orixás não são definitivos nem se apresentam isolados um dos outros. Como todos ternos a influência do meio ambiente bio-psico-social em que vivemos, e ao mesmo tempo das energias de todos os orixás, o comedimento, a observação arguta e a vivência no decorrer dos anos são os melhores parâmetros para o auto-conhecimento e aprimoramento perante a vida. Portanto, o conhecimento da psicologia dos orixás é somente um dos muitos caminhos que nos fornecem referências de comportamento na busca do aperfeiçoamento humano e da evolução espiritual.

Durante as próximas colunas sobre Umbanda todas as terças-feiras, apresentamos uma descrição resumida dos perfis psicológicos dos indivíduos, associados aos orixás correspondentes, segundo observações extraídas da obra Umbanda Pé no Chão de Ramatis, psicografada pelo médium Norberto Peixoto.

Oxalá

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  • Atributo: fortaleza e paciência, estabelece a ligação com a espiritualidade e leva ao despertar da fé, à compreensão do “religare” com o Cristo interno.
  • Os tipos psicológicos dos filhos de Oxalá são bondosos, serenos, prestativos, pacientes e sábios. Perante certos obstáculos da vida, podem ser lentos em suas decisões, distantes e fechados, mas são persistentes e não gostam de fazer alarde. São aparentemente frágeis, um tanto delicados. Por outro lado, essa aparente fragilidade psíquica é compensada com uma enorme força moral, o que os faz fortes diante das fraquezas humanas, dos doentes e oprimidos. São de Oxalá pessoas altruístas e dedicadas a uma causa social, de ajuda aos injustiçados e aos oprimidos.
  • Aspectos positivos: devoção, fé, abstração meditativa, ligação com o espiritual, calma e serenidade “aparente”. São asseados mental e fisicamente, caseiros e amigos acima de tudo. Com eles, rege a tranqüilidade, o silêncio e a paz no ambiente.
  • Aspectos negativos: fanatismo, isolamento, desprezo pelo material, melancolia, impaciência, ira, crueldade, mania de limpeza.
  • Florais de Bach: Impatiens, Mustard, Crab Apple, Water Violet, e Vervain.
  • Florais de Saint Germain: Patiens, Embaúba, Flor Branca, Verbena, Boa Sorte, e Abundância.
  • Saúde: têm um sistema nervoso delicado; “aparentemente” inspiram tranqüilidade, mas são explosivos interiormente, necessitando de períodos de isolamento como forma de repouso. Devem cuidar da coluna vertebral (rege coração e coluna).
  • Mineral: pedras brancas, diamante e brilhante.
  • Metal: ouro.
  • Signo regente: leão.
  • Planeta: Sol.
  • Ervas: arruda, levante e guiné.
  • Flor: girassol e jasmim.
  • Chackra: coronário.
fonte: Umbanda Pé no Chão – Norberto Peixoto

Orixás e sítios energéticos

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Os orixás são aspectos da Divindade, altas vibrações cósmicas que se rebaixam até nós, propiciando a apresentação da vida em todo o Universo.

Cada um dos orixás tem peculiaridades e correspondências próprias na Terra: cor, som, mineral, planeta regente, elemento, signo zodiacal, essências, ervas, entre outras afinidades astro-magnéticas que fundamentam a magia na umbanda por linha vibratória.

Encontraremos nos sítios vibracionais dos orixás sempre os três reinos: animal, vegetal e mineral. Os sete sítios vibracionais principais são: mar, praia, rio, cachoeira, montanha, pedreira e mata, os quais descrevemos a seguir:

Mar: tudo no mar é movimento. Seu incessante vai e vem é a própria pulsação da vida, com sua expansão e contração, cheia e vazante, levando tudo o que é negativo, transformando-o e devolvendo convertido em positivo. Seu próprio som expressa essa possante e magnífica transformação.

Praia: tem praticamente a mesma composição do mar, sendo condensadora, plasmadora, fertilizante e propiciatória. Faz um potente equilíbrio elétrico, desimpregnando, descarregando excessos e promovendo o equilíbrio da energia interna do indivíduo.

Rio: condutor, fluente, sem ser condensador, faz as energias fluírem, e também vitaliza. É muito importante numa purificação astro-física do indivíduo e na eliminação de cargas negativas.

Cachoeira: encontramos elementos coesivos das pedras (mineral) e água potencializada na queda da cachoeira, que produzem ou conduzem várias formas de energia. Como as águas fluem num só sentido, purificam, descarregam, vitalizam, equilibram e fortalecem o indivíduo com um todo (no físico-etérico).

Pedreira: reestrutura a forma, regenera, fixa, condensa, plasma e dá resistência mental, astral e física ao indivíduo.

Mata: condensa prana (energia vital), restabelece a fisiologia orgânica, principalmente a psíquica, fortalece a aura, o campo astral, o eletromagnetismo, a saúde, o mediunismo, plasmando forças sutis.

Montanha: mesmo procedimento acima, havendo predominância dos elementos eólicos.

fonte: A Missão da Umbanda, Umbanda Pé no Chão – Ramatis

Elementos e dos condensadores energéticos

foto: Gabriel Castro

foto: Gabriel Castro

ar, terra, fogo e água, álcool, ervas, fumaça, som; as guias; os pontos riscados; a pólvora; as oferendas; a água

Os elementos materiais não são indispensáveis e não devem se tornar bengala psicológica. As vibrações dos orixás respondem à invocação pela força mental. Obviamente essa resposta varia de indivíduo para indivíduo. Experiências sacerdotais de vidas passadas utilizando essas energias fazem parte do inconsciente dos médiuns magistas da atualidade. Temos de considerar que a aparelhagem fisiológica do médium, quando vibrada junto com os guias por meio da incorporação, fornece abundantes fluidos que serão movimentados para a caridade.

Por outro lado, sabemos que os elementos materiais são importantes condensadores energéticos. Na prática do terreiro, aprendemos que, em determinados atendimentos, se utilizássemos só a força mental, os trabalhos ficaram por demais prolongados e muito cansativos. Outro fato que reforça essa opinião é que somos naturalmente desconcentrados, ainda mais depois de duas a três horas de extenuantes passes e consultas, em que nos defrontamos com as mais inimagináveis mazelas humanas.

Elencaremos a seguir alguns condensadores energéticos e sua utilização no terreiro:

  • álcool/fogo: transmutação, assepsia e desintegração de trabalhos de feitiçaria que estão vibrando no Astral.
  • ervas: maceradas liberam prana (axé vegetal) pelo sumo das plantas; queimadas (fumo, defumação) dispersam seus princípios químicos no ambiente astro-etéreo-físico.
  • som: atração, concentração ou repulsão de certas energias.
  • guias: imantação da vibração do orixá para proteção e descarga do médium.
  • pontos riscados: campos de força magnéticos de atração, retenção e dispersão, usados junto com os pontos cantados.
  • pólvora: deslocamento do éter (ar) para desintegração de campos de forças muito densos.
  • oferendas: agradecimento e reposição de axé (na umbanda não fazemos oferendas para trocar).
  • água: imantação de uma maneira geral; descarga fluídica; meio condutor de fluidos que se quer fixar.

Devemos usar os elementos materiais com parcimônia e sabedoria, pois quando bem utilizados são valiosas ferramentas de apoio liberadoras de energias para os trabalhos de caridade, preservando o corpo mediúnico de maiores desgastes.

fonte: Umbanda Pé no Chão (Ramatis)

Os florais e sua afinidade com os Orixás

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Como os florais podem ser ministrados para trabalhar a personalidade das criaturas, ou um momento específico de dificuldade em suas vidas, veremos a seguir o que ocorre quando são utilizados como terapia complementar nos indivíduos ligados às vibrações de:

Oxalá: Será trabalhada a paciência e o amor consigo próprios, em primeiro lugar, para que possam então estender essas virtudes ao próximo, além de procurar valorizar as amizades e manifestar sempre a gratidão. Assim, estarão sempre ligados à espiritualidade.

Ogum: Será trabalhada a vontade de vencer a si mesmos, e o poder da fé, para que os caminhos estejam sempre abertos.

Xangô: A ênfase será para a justiça do coração, que vibra dentro da Lei de Causa e Efeito, respeitando a Criação divina (equilíbrio cármico).

Oxossi: A terapia trará equilíbrio quanto à prosperidade e o respeito pelo ser espiritual que todos somos. A saúde, a nutrição e o equilíbrio fisiológico dos indivíduos sob esta vibratória estarão garantidos.

Yemanjá: Despertará a Grande Mãe interior; o querer bem ao semelhante estará em perfeito equilíbrio, prevalecendo o sentido de união e progresso.

Oxum: O sentimento de doação, sem esperar retribuição, o desejo de servir, o equilíbrio emocional, bem como a fertilidade, e o bom gosto serão abundantes.

Iansã: Não faltará vontade e ação para as mudanças materiais: a higienização dos pensamentos, despertando a compreensão, a coragem, a lealdade e a franqueza, em perfeito equilíbrio. O raciocínio rápido, a comunicação, e conseqüentemente um certo charme estarão restabelecidos com o tratamento.

Omulu e Nanã: A compreensão do carma, libertando o velho para da lugar ao novo, a calma, a misericórdia, a generosidade são virtudes renovadas quando os florais atuam em afinidade com esta vibratória.

fonte: Umbanda pé no Chão – Ramatis (médium Norberto Peixoto)

Os ensinamentos de Iansã no Evangelho

Segue nosso ultimo post sobre os ensinamentos dos Orixás contidos no Evangelho, desejamos a todos uma boa leitura e até a próxima semana com outro bloco de ensinamentos.

Arthur Sinnhofer

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Iansã é o movimento, a necessidade de mudança, de deslocamento. Representa a rapidez de raciocínio (o raio), a coragem, lealdade e franqueza. Higieniza os pensamentos; atua nos campos santos, em auxílio aos desencarnados, e no despertar da consciência. Está ligada à orientação e à educação. Representa a luta contra as injustiças. Sua propensão é trazer equilíbrio às ações humanas. Atua junto com Xangô na Justiça, na aplicação da Lei Cósmica.

Quando o Mestre Jesus referiu-Se aos que estavam dispostos a apedrejar uma mulher adúltera em praça pública, dizendo-lhes: “Aquele que estiver sem pecado, que atire a primeira pedra”, todos foram saindo em silêncio e O deixaram a sós com ela. Então, Ele a olhou bem no fundo de seus olhos e lhe disse: “Vá e não peques mais, para que não te aconteça coisa pior!”. Nesse momento, o Mestre manifestou novamente o “não julgar”, a reflexão, a oportunidade de recomeçar e a necessidade de mudar de atitudes, para poder prosseguir na caminhada evolutiva.

Em outra passagem do Evangelho, diz Jesus: “Não vim trazer a paz, mas a divisão. Vim para lançar fogo à Terra; e o que é que desejo senão que ele se acenda?”. Essa é uma atuação clássica da energia de Iansã, simbolizada no raio, como força da natureza. A ideia nova de Jesus encontrou resistência, incompreensão; trouxe à luz as verdades divinas sobre o reino dos céus, e incomodou a crença materialista de Sua época, que submetia o povo à violência e abusos das mais variadas ordens.

Quando “imolaram o homem” no martírio da cruz, pensaram que haviam resolvido a questão, mas a ideia de Jesus permanece até hoje, Seu chamado continua sendo A Boa Nova, a conquista do espírito sobre a matéria, a liberdade de ser, e não a escravidão do ter, a comunhão com o Criador, irradiando amor incondicional sobre todas as criaturas e a natureza. Ela nos instrui sobre as dificuldades dentro da própria família, as incompreensões por estarmos reunidos na carne, mas com etapas evolutivas diferentes, não partilhando da mesma crença.

Iansã é o fogo, posto que a mediunidade é um fogo sagrado, um dom que nos foi ofertado por Deus para corrigir nossas imperfeições e nos ensinar a amar e a servir com humildade. É o fogo da Criação, a capacidade de superar-se, porque as leis cósmicas não permitem estagnação por muito tempo: exigem a nossa evolução, ou seja, o potencial divino que habita cada ser necessita ser externado como chama viva, e não vibrar como brasa que não é alimentada, ou fagulha que se apaga. Por isso, temos o livre-arbítrio para escolher entre servir e amar, ou simplesmente ser uma criatura acomodada e ociosa. A escolha é inteiramente nossa, e a responsabilidade também. A pressa de que o fogo se acenda é para que haja a transformação do homem, para que cessem as guerras e as divisões internas e externas, visto que a paz nasce dentro do coração do ser.

E segue Jesus, no Sermão do Monte: ” Bem-aventurados os pobres e os aflitos…”. “Bem-aventurados os pacíficos e os simples de coração…”. “Bem-aventurados os sedentos de justiça e misericórdia…”. É o despertar do homem de bem.

fonte: Umbanda pé no Chão – Ramatis / O Evangelho Segundo o Espiritismo – Allan Kardec

Ensinamentos de Oxossi e Ogum no Evangelho

Dando continuidade a coleção de post sobre Jesus e os ensinamentos dos Orixás contido nos Evangelhos, trazemos a luz essa semana os ensinamentos de Oxossi e Ogum.

Leia também: Ensinamentos de Oxalá e Xangô no Evangelho.

Desejamos uma boa leitura a todos.

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Oxossi é o aconselhamento; o poder da palavra em ação, o caçador de almas, o amor pela natureza e pela Criação; a necessidade de saúde espiritual e física; a renovação, a nutrição, a prosperidade em todos os sentidos.

 A manifestação dessas virtudes são observadas nas seguintes colocações:

· “Bem-aventurados os aflitos, os mansos, os que são misericordiosos, os que têm puro o coração…”.

 

“Esteja no mundo, mas não seja do mundo”, pois quando Jesus esteve no meio da dor, da miséria humana, do desespero, do materialismo, da traição, da arrogância, não se deixou contaminar.

 

“A boca fala do que está cheio o coração”.

 

“Onde está o vosso coração, aí está o vosso tesouro”.

 

“Amai-vos e instruí-vos”.

 

“Não são os sãos que precisam de médico”.

A chave do conhecimento tem de virar sabedoria. Pela boca entram os alimentos e saem as palavras que, quando harmoniosas, nos trazem equilíbrio e, por conseguinte, saúde.

“Não vos inquieteis pelo dia de amanhã, porque o amanhã cuidará de si mesmo”.

Devemos viver um dia de cada vez, o momento presente, que é tudo o que necessitamos, pois é imprescindível cumprirmos nossas tarefas diárias com harmonia e gratidão. A gratidão sincera abre as portas para a manifestação de tudo o que se necessita: criatividade, talento, alimentação adequada, moradia, progresso no trabalho, bons relacionamentos etc.

O plano divino opera de forma a colocar em nossa vida as pessoas, os lugares e os objetos que responderão às nossas necessidades. A prosperidade e a abundância fazem parte da nossa existência: basta olhar a natureza à nossa volta, observar o Cosmo e as estrelas. Devemos manter em nossos corações a gratidão a Deus por nossas preces serem ouvidas e nossas necessidades atendidas, pois Ele sabe o que precisamos, por isso dá “a cada um conforme as suas obras”.

É necessário saber pedir, colocar a intenção no que se quer e ter confiança em si mesmo, na própria capacidade de realização. Assim sendo, as idéias surgem para a solução dos problemas.

 

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Ogum é a vontade, os caminhos abertos, a energia propulsora da conquista, o impulso da ação, da vontade, o poder da fé, a força inicial para que haja a transformação. É o ponto de partida, aquele que está à frente. É a vida em sua plenitude, a vitalidade ferrosa contida no sangue que corre nas veias, a manutenção da vida, a generosidade e a docilidade, a franqueza, a elegância e a liderança.

A energia oriunda da vibração de Ogum pode ser percebida claramente nestas palavras de Jesus:

“A tua fé te curou” (com a imposição das mãos, Ele acionou o poder da vontade de mudar de atitudes e pensamentos).

 

“Pedi e recebereis! Buscai e achareis! Porque todo aquele que pede, recebe”, demonstrando que Deus nos dotou de inteligência e capacidade para que superemos nossas dificuldades, recomendando-nos o trabalho, a atividade e o esforço próprio.

Precisamos aprender a pedir, pois costumamos exigir soluções rápidas e eficazes para problemas de ordem material. Estamos sempre correndo contra o relógio e perdidos entre compromissos assumidos, os quais muitas vezes extrapolam nossa capacidade de cumprir. Esquecemos de cuidar de nossos sentimentos, de ir ao encontro do que nos realiza e nos dá satisfação interior, das coisas simples da vida.

Se acreditamos em reencarnação, então sabemos que tudo aqui é transitório, que estamos na Terra para evoluir em espírito, para superar a nós mesmos. O “pedir”, colocado aqui, é no sentido de “receber” da Providência Divina o ânimo, a coragem, as boas idéias, a fim de que possamos crescer e adquirir a paciência necessária para lidar com as nossas imperfeições e com as dos outros.

Cada problema contém em si próprio a solução. Tudo está certo como está, pois tudo tem o seu tempo para mudar, crescer e amadurecer. Aquilo que não nos cabe resolver “agora”, confiemos em Deus, pois quando estivermos prontos para compreender, tudo se resolverá. Devemos dar o melhor de nós, com ânimo, entusiasmo e confiança, agradecendo a oportunidade da vida.

“Orai e vigiai”, pois a oração é o alimento do espírito; ela abre as portas para a compreensão, é um bálsamo no momento das dores. A oração abranda nosso coração, nos protege e nos fortalece. A vigilância é a resposta que vem para aquilo que pedimos em oração. Ocorre que geralmente pedimos, e depois não prestamos atenção na “resposta”, porque somos imediatistas. Mas nem sempre a resposta que desejamos ouvir é a que chega até nós, e sim a que necessitamos naquele determinado momento.

Por outro lado, devemos observar que tipo de pensamento estamos alimentando em nossa mente, e o que estamos atraindo. Vigiar no sentido de prestar atenção a nós mesmos, pois buscamos auxílio espiritual na casa de umbanda, mas o que fazemos com a orientação recebida? Continuamos o tratamento até o final, com passes, banhos, água fluidificada, leituras esclarecedoras? Estamos dispostos a mudar nossa conduta? Fazemos uma análise e higienizamos nossos pensamentos e sentimentos? Estamos dispostos a nos desapegar dos sentimentos de culpa, de nos colocarmos como vítimas das circunstâncias, de não participarmos ativamente da nossa “própria” vida?

Ninguém fará por nós o que nós mesmos temos de fazer, assumindo as rédeas da situação e acionando o curador interno, pois a felicidade é um estado de espírito.

“A fé remove montanhas. Pois, em verdade vos digo, se tivésseis a fé do tamanho de um grão de mostarda, diríeis a esta montanha: Transporta-te daí para ali, e ela se transportaria, e nada vos seria impossível.”

Na realidade a fé é ativa; é inspiração divina que nos auxilia a chegar ao fim desejado; é a confiança que fortifica e a certeza de vencer os obstáculos. A fé se prega pelo exemplo e precisa ser apoiada na razão, porque é preciso amar e crer sabendo porque se ama e porque se crê. A fé caminha de mãos dadas com a esperança e com a caridade; está intimamente ligada ao poder da vontade, à crença interior de vencer as adversidades pela paciência que traz a compreensão dos fatos.

O Evangelho Segundo o Espiritismo nos diz (capítulo 9) que o magnetismo é uma das maiores provas do poder da fé posta em ação. É pela fé que Jesus curava e produzia aqueles fenômenos singulares, qualificados outrora de milagres. É a vontade dirigida para o bem.

Tudo quanto a nossa mente poderosa acreditar e pedir com intensidade se realizará, por isso Jesus disse: “Tudo quanto pedirdes em oração, crede que recebereis”.

Ogum representa, portanto, o caminho que precisamos percorrer; aquele caminho solitário para vencer os dragões internos que, na verdade, é o espírito em busca de si mesmo; percorrer o caminho de volta à unicidade com o Pai.

Somente quando aprendermos a amar e compreendermos em nosso espírito esse legado de amor, perdão, compaixão, não-julgamento, gratidão pela vida, respeito por nós e pelo próximo, quando usarmos o livre-arbítrio com responsabilidade, não viveremos mais presos ao passado, nem tão pouco angustiados e ansiosos com o futuro, compreenderemos de forma integral que o momento de servir é agora. Jesus participava, servia, ouvia, compartilhava, instruía e amava a todos sem distinção.

fonte: Umbanda pé no Chão – Ramatis / O Evangelho Segundo o Espiritismo – Allan Kardec

Magia Magnética

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O Ocidente iniciava os estudos sobre as forças da natureza, como a gravidade, o magnetismo e a eletricidade, quando Mesmer tornou-se o centro das atenções por seu trabalho com curas fenomenais, trazendo a teoria que viria a ser conhecida como mesmerismo(*).

Na verdade, Mesmer compreendia o Universo como uma unidade viva, onde cada parte manifestada no mundo das formas era afetada por uma força incompreensível ao cidadão comum. Ele afirmava que essa força era alheia às reconhecidas pelo mundo científico convencional, particularmente se manifestando por meio do fenômeno do magnetismo. Por esse motivo, não apresentou totalmente a sua teoria aos cientistas da época, quando da sua tese de doutoramento. Antevia que seria incompreendido.

 (*) Mesmerismo - Teoria de Franz Anton Mesmer (1733-1815), médico austríaco, segundo a qual todo o ser vivo seria dotado de um fluido magnético e capaz de transmiti-lo a outros indivíduos, estabelecendo-se, assim, influências psicossomáticas recíprocas, inclusive com fins terapêuticos - é o magnetismo animal.

Logicamente, fazendo os homens parte do plano físico e sendo partículas manifestadas no Cosmo, Mesmer concluiu que essa força era igualmente irradiada pelos organismos humanos, e convencionou chamá-la de magnetismo animal.

Na verdade, nossos corpos são como magnetos, com pólos eletromagnéticos bem definidos, conjugados às emanações que perpassam pelo duplo etérico, próprias do metabolismo fisiológico. Disso resulta a produção dos diversos tipos de ectoplasma, uma substância sutil entre o material e o éter, que pode ser direcionada pela força mental adestrada, pelo pensamento e pela ‘vontade. Essa chamada energia zôo da apometria pode ser acumulada, expandida, compactada, absorvida ou isolada com maior potencialidade quando a força mental do mago se alia a certos elementos materiais, como os metais, minerais, óleos, água, ervas e até alguns tipos de tecido, papel e madeira, como os utilizados na magia dos terreiros de umbanda.

A ciência já comprovou, mediante estudos experimentais inquestionáveis, que a força magnética emitida se reproduz no objeto ao qual está direcionada, como se fosse uma cópia de sua própria vibração.

Muitos dos objetos pessoais são uma extensão magnética do cidadão que os usa habitualmente. Assim, o mago que projeta a sua vontade e poder mental concentrado nesse ponto focal poderá movimentar forças similares invocadas pelo seu poder mental ou do próprio consulente, se for participante ativo do ato de magia.

Assim como ocorre na apometria, na umbanda o magnetismo animal ou magia magnética é fundamental, aliado a outros tipos de fluidos que os técnicos do “lado de lá” movimentam, e que, por repercussão vibratória natural, decorrente da força centrípeta do conjunto dos corpos astral e etérico, acabam afetando o corpo físico dos atendidos, propiciando as curas. Esse mecanismo é mais atuante em espíritos desencarnados socorridos, quando recompõe-se membros esfacelados, realiza-se cirurgias e troca-se as vestes maltrapilhas por roupas novas.

Tende em mente que os chamados “milagres” propiciados pela magia não são contrários à natureza e aos seus elementos manifestados na Terra. Aquilo que não conheceis pode ser contrário à nossa natureza, um tanto refratária a qualquer nota diferente do diapasão a que nossas casas mentais estão habituadas. Claro está que sem a sugestão mental nada se faz, na magia e na caridade que envolve o mediunismo.

Arthur Sinnhofer

fonte: Livro Umbanda Pé no Chão - Ramatis