Mistério Exu

Olá irmãos, dentre tantas coisas intrigantes da criação Divina, o “Mistério Exu”, talvez seja uma das mais intrigantes e instigantes. Existem varias maneiras de tentar explicar esta emanação Divina, então vamos falar de uma delas e tentar compreendê-la, eu os convido a leitura.(..Adriano D’Ogum…)

DEUS,  força que está presente em tudo o que conhecemos e desconhecemos, criou os tronos representativos da essência terrena (Trono da Fé, Trono do Amor, Trono do Conhecimento, Trono da Justiça, Trono da Lei, Trono da Evolução, Trono da Geração), e é chamado representativamente de PAI. A nomeação e qualidade de PAI são embasadas em tudo o que acreditamos que um pai deveria fazer para seus filhos, como proteção, carinho, amor, etc. Porém Deus como um TODO, é o próprio Mistério, uma força ou energia, não pode somente ser entendido como PAI, mas também como MÃE, pois desde o átomo (que se faz presente no nosso UNIVERSO) as polaridades positiva e negativas estão presentes nos prótons e elétrons respectivamente, lembre-se OS PARES energéticos, DEUS como representação é uma força ou energia divina onde devemos encontrar e nomear como PAI e MÃE, os criadores do nosso Universo.

Todos os tronos criados por DEUS (PAI e MÃE), possuem seus pares energéticos que ora irradiam, ora absorvem. Cada par está assentado em um TRONO DIVINO, e esses regem a força irradiada por ele, por exemplo no Trono Divino do Amor temos Oxum que irradia o amor e Oxumaré que absorve ou neutraliza o ciúme, no Trono Divino da Lei temos Ogum que gera e faz a ordem, e Egunitá que absorve e cessa a desordem, etc., então, em uma escala menor, também considerados pais e mães.

Todos os Sete Tronos são Vitalizados através do Trono da Vitalização e Vigor regidos por Exu, o único que possui em si mesmo as duas polaridades, ou seja, não há par energético ele é “dual”, porquanto, quando nos referimos a Pombo-Giras, estamos indicando seu aspecto negativo feminino . Lembrem-se que os tronos são regidos por energias divinas e não por espíritos, espíritos trabalham dentro dessas energias.  

 Por que tanto “cuidado” com Exu? Porque Exu é o senhor que cuida das encruzilhadas. E o que vem a ser uma encruzilhada? Encruzilhada é a linha que intercepta algo, onde há um cruzamento (CRUZ) de duas ou mais esferas espirituais, ou de caminhos, ou ainda de solos (sagrado e mundano). Se você vai entrar em um Terreiro (solo sagrado) você deve saudar a Exu (o guardião da encruzilhada) para poder deixar o solo mundano.

Exu é sem sombra de dúvida a divindade mais incompreendida de todas. Taxado muitas vezes de Diabo ou demônio, Exu é cultuado em muitas com outros nomes. Aqueles que o  cultuam, o adoram e gostam muito dele, tendo uma visão muito diferente das pessoas que não o conhecem.

Podemos dizer que acima de tudo Exu é um Trono da Vitalidade, uma divindade que vitaliza toda criação dando força e vigor para tudo realizar – se. Esse Trono da Vitalidade é cultuado em muitas culturas com nomes diversos. Na África ele é cultuado como Exu, quem vem do Yorubá e quer dizer esfera, mas é também cultuado em muitos outros povos, sendo Loki para os nórdicos, Seth para os egípcios, estando presente em Shiva dos hindus,  em Hermes e Dionísio dos gregos e podemos dizer em todas as divindades fálicas (aquelas que tem como símbolo um falo ereto). Percebemos então que ele é uma força Divina da criação, e que está em tudo, sendo cultuado em todas as culturas. Esse é o aspecto “mistério” de Exu.

Sendo Exu um Trono recebeu em seu o nome um culto específico, sendo seu símbolo sagrado o falo ereto( Ogó em Yorubá). Ele foi e ainda é uma divindade cultuada pela sua força e vitalidade, além de muitas vezes estar ligado ao próprio vigor sexual. Apesar disso para melhor compreender esse Orixá é necessário entender que ele não atua apenas no campo sexual, mas sim, em todos os campos de nossa vida, nos vitalizando quando estamos apáticos em algum sentido e nos desvitalizando quando nos excedemos em outro.

Nos Cultos afros (Candomblé e Culto de Nação), Exu além de ser um Orixá é considerado o mensageiro, sendo aquele que traz aos homens as mensagens das divindades, ou seja, dos planos Divinos, sem perder a grandeza um Orixá como os demais.

Em suas lendas e em seu arquétipo humano, talvez por ser o que mais se aproxima de nós, intensifica sua dualidade, trazendo em si a luz e as trevas e isso é demonstrado em seu arquétipo ora benevolente ora cruel. A ele também é atribuído um ótimo senso de humor (com sarcasmo claro) além de muitas vezes ser o causador de confusões. Apesar disso é retratado como muito esperto e inteligente. Esse é o Orixá Exu.

Na Umbanda, Exu além de Orixá é principalmente uma “linha de trabalho”. Nela muitos espíritos incorporam e prestam a caridade identificando-se como “Exus”. Para entendermos essa linha de trabalho, podemos citar uma das várias condições: Um espírito em sua vida carnal, não se dá conta de seus atos, comete erros e não se importa; torna – se uma pessoa desvirtuada, criando para si ou para outros um verdadeiro “inferno” que pode ser consciencial ou até material. Quando desencarna é atraído para onde deverá ganhar esta consciência, convivendo com o que criou, esse “inferno” pessoal, nesta esfera esta a força Exu, desvitalizando e absorvendo.

 Contudo, a criação é sábia e dá nova oportunidade, depois de algum tempo seu negativismo se esgota e ele tem a chance de rever sua condição de criação Divina e reabilitar-se, resgatando sua essência. É nessa hora, que entra a linha de trabalho Exu, dando condições desse espírito trabalhar para o Criador, dentro de suas condições e desígnios e assim voltar novamente a caminhar rumo a Ele. Esse espírito torna – se um “Exu de Lei” (espírito humano que traz a força e qualidades desse Orixá) e dizemos assenta – se a esquerda de um Orixá a qual ele responde e trabalha. Assim esse espírito começa a fazer um trabalho específico dos Exus no astral denso, trazendo a força do Orixá Exu e de mais um Orixá a qual ele responde e também acessa e fundamenta suas forças.

A maioria dos Exus que se conhece tem essa história. Mas é importante entendermos que muitos espíritos denominados Exus já alcançaram um grande grau de evolução consciencial, mas continuam trabalhando nos planos densos por escolha própria e por achar que lá ele serve melhor ao Criador e aos Orixás. Também temos alguns casos de espíritos muito elevados que nunca tiveram uma “queda” nem passagem por nenhum plano astral denso, mas que também por opção assenta – se nas trevas densas e lá começa a fazer todo um trabalho de sustentação da Lei e de resgate.

Exu então é Guardião, verdadeiros “policiais” do astral inferior, contendo os ataques oriundos do baixo astral, protegendo as casas que realizam trabalho espiritual de qualquer tipo; são também grandes desobsessores, realizando desobsessões dificílimas, recolhem e manipulam facilmente energias densas sendo muito bons para o “descarrego” e limpeza espiritual, além de cortarem e desmancharem as nefastas magias negativas. São grandes trabalhadores, muito protetores também; tem um jeito muito humano e tudo que tem que falar, falam na cara, não mandando recado. Também fazem maravilhosos trabalhos de cura.

Utilizam – se como elementos magísticos cigarros, velas (preta e vermelha basicamente podendo ser utilizadas outras como a branca, roxa, etc.), charutos, pinga, pólvora (fundanga), punhais, pedras, ervas, etc. Na Umbanda temos Exus em todas as sete vibrações e que respondem por cada um dos Orixás. Através da interpretação do seus nomes simbólicos chegamos a qual força e em qual campo eles trabalham.  

Apesar de algumas opiniões e publicações, Exu não é o Diabo nem o demônio, título esse que muitos querem dar a ele; também não é aquela manifestação ridícula de um espírito que baba, rosna e só sabe falar “palavrão”. Ele é uma manifestação Divina, com sua missão definida e direcionada. Quanto aos rituais, há que se explicar, sem críticas ou falso moralismo, que dentro da Umbanda, o sacrifício animal ou o sangue como elemento magístico, não é a única maneira de ativar ou evocar esta energia, existem outras formas magísticas para tal, o que não desabona sua utilização em situação de extrema necessidade, a qual deverá ser avaliada por “Força Espiritual Maior” e nunca por considerações pessoais de dirigentes ou sacerdotes, da mesma forma, nunca prestando-se a trabalhos de magia negativa à outrem, o que descaracteriza ou contraria as premissas de evolução espiritual.

Para todas as situações não devemos esquecer do “Mistério Exu”, pois ele é o que vitaliza,  nossas virtudes,  para que possamos, de alguma maneira, nos tornarmos pessoas melhores, diante do Criador e diante de nós mesmos, mas, também nos expõe a nossas fraquezas e vícios, pois Exu é o espelho de nossas atitudes e virtudes potencializando-as e tornando-as cruas e visíveis.

 

 

Fonte de pesquisa e indicação: (os livros O Guardião da Meia – Noite, o Guardião Tranca – Ruas e livro dos Exus- Rubens Saraceni).