Estudos gerais para médiuns da corrente de trabalho Umbanda

Postado por Sacerdote de Umbanda Adriano D’Ogum

BATER CABEÇA

Antes de ser uma tradição, um rito (cerimônia) da Umbanda, é o primeiro e principal ato de humildade e resignação de um filho de fé.

Inicia-se o ritual batendo cabeça para o Peji/Conga, reverenciando aos Orixás e a Divina Trindade. Caso seja uma visita, o batimento de cabeça é opcional ou a convite do sacerdote da casa.

Durante o batimento de cabeça, pedimos a proteção aos nossos Orixás de cabeça (quando conhecidos), nosso Anjo da Guarda e Guias.

Em seguida, saúda-se o Atabaque, pedindo licença e proteção aos seus donos, saudamos o tambor, por este ser, um dos pontos da “firmeza” da Casa.

Saudamos a Tronqueira, sempre na direção da porta ou porteira, ou ao lado oposto do Peji/Conga.

Não batemos cabeça para Exu, mas, temos e devemos ter todo o respeito e carinho por nossos irmãos de sina e de destino, afinal eles são Orixás e Entidades igualmente aos “Santos”.

Para saudação a Exu, ajoelhamos com o joelho esquerdo e tocando com a mão esquerda o solo, reverenciamos aos Maiorais da Casa e Guardiões, pedindo licença e proteção para os trabalhos que irão se iniciar. Pedimos também, que essas Entidades possam nos resguardar de espíritos baixos (Quiumbas), afim de não atrapalharem o bom andamento da Gira.

Em algumas casas bate-se cabeça para a Chefe do Terreiro.  

 

SAUDAÇÃO (DAS ENTIDADES):

Quando incorporarmos, nossos Guias (entidades), eles devem proceder da mesma forma que os médiuns, obedecendo a hierarquia da Casa.

GUIAS (colares)  

Os colares usados na Umbanda são pólos de irradiação, pára-raios, defesa, patuás, bentinhos, terços ou qualquer nome que queira dar, conforme crença, região ou língua. Na Umbanda são usadas as guias (colares), as pulseiras, braçadeiras (contra-eguns), patuás e outros elementos que obedecem os seguintes preceitos.

Usa-se somente produtos naturais como : sementes, pedras, conchas, pedras preciosas e semi-preciosas (mesmo que lapidadas), cristais e outros. Jamais usa-se plástico ou outro produto artificial,usa-se metal apenas quando o Guia Espiritual ou Orixá pede. 

Podem ser usados peles, partes de animais (dentes, guizos, unhas, etc) sempre em harmonia com a Entidade a quem se oferta a guia.

As contas, sementes e outras peças devem formar múltiplos de 3, 7 ou 9.

Toda guia deve ser cruzada (benzida) pelo Sacerdote/Sacerdotiza e pelos Guias Espirituais Chefes de seu terreiro.

GUIA BRANCA : confeccionada de pequenas miçangas é usada pelo médium iniciante; é a chamada Guia de Anjo de Guarda.

GUIA BRANCA E OUTRA COLORIDA:  usada pelo médium, após seu Guia de frente ter mostrado a que Linha pertence.

GUIA DE CRISTAL COLORIDA: usada pelo médium após seu Guia de Frente ter riscado e cantado seu Ponto. ( a Entidade diz como e quais as cores que ele usa e o  Sacerdote/Sacerdotiza confecciona a Guia de acordo com as instruções da Entidade e das normas da Tenda).

GUIA DE CRISTAL TODA BRANCA: é a chamada Guia de Oxalá, usada por médiuns com Guia Identificado.

GUIA  ATRAVESSADA e/ou BRAJÁS:  é usada pelo médium que possui grau confirmado pelo Guia Chefe do terreiro, isso após ter passado pelos preceitos referentes ao cargo, no caso de Entidade de direita, atravessada  do pescoço ao lado direito da cintura, se de esquerda, do pescoço ao lado esquerdo da cintura.

GUIA e/ou BRAJÁS CONTENDO AS CORES DAS SETE LINHAS: são as chamadas guias de Sacerdote/Chefe de Terreiro, ela cruza do pescoço e peito do médium ao lado direto da cintura, somente sendo permitida aos médiuns iniciados e coroados como Sacerdotes.

OTÁ

Pedras recolhidas do ponto de força dos Orixás, que são consagradas aos mesmos, conforme a regência do terreiro. O Otá é utilizado como elemento de ligação entre o médium Sacerdote, o terreiro e as energias do respectivo Orixá. Após realizado o ritual pelo Caboclo Chefe do Terreiro, o médium Sacerdote seu Otá no Peji/Conga, conforme orientação do Guia Chefe, O Otá devem ser utilizados sempre que o médium sentir necessidade. Os médiuns da corrente também podem possuir seus Otás, conforme sua regência e devem ser consagrados e guardados conforme a orientação do Caboclo Chefe do terreiro.

 DEFUMAÇÃO  

O defumador é utilizado para a limpeza astral de ambientes e pessoas, devendo ser feito com carvão em brasas e ervas secas, sendo que estas de acordo com a intenção da defumação. A finalidade do carvão é atrair as vibrações negativas enquanto as ervas atrairão as vibrações positivas. O defumador também pode ser feito com incenso puro de boa qualidade.Usamos normalmente antes das giras ou sessões , para “literalmente” fazer uma limpeza na casa e na aura das pessoas, tornando assim o ambiente mais leve e harmonioso. A defumação, é o último dos rituais, para a higienização, tanto dos médiuns como da Casa.   

VELAS

Poderoso elemento mágico auxiliar nos trabalhos do Terreiro, a vela  representa o elemento fogo, e fortalece as vibrações coloridas das nossas Entidades.

Sempre que queremos entrar em contato com o mundo astral  (superior ou inferior), a vela é a principal chave de acesso  para isto.

Intimamente ligado a fé e a mentalização, o ato de acender uma vela ritualística ou religiosamente, deve ser feito com concentração e fé metalizando a finalidade que se quer. É o momento em que o médium faz uma “ponte mental”, entre o seu consciente e as forças Divinas,  pedindo ou agradecendo às Entidades, Seres ou Orixás, os quais  estiver afinizado.

Muitas pessoas acendem velas para os  Guias de forma automática e mecânica, sem nenhuma concentração. É preciso ter consciência do que se esta  fazendo, da grandeza e importância, pois a energia emitida pela mente, irá englobar a energia ígnea (do fogo) e, juntas viajarão no espaço para atender a razão da queima desta vela.

Sabemos que a vida gera calor e que a morte traz o frio. Sendo uma chama de vela cheia de calor, ela tem amplo sentido de vida, despertando nas pessoas a esperança a fé e o amor. Quem usar suas forças mentais com ajuda da “magia”das velas, no sentido de ajudar alguém, irá receber em troca uma energia positiva; mas, se inverter o fluxo de energia, ou seja, se o seu pensamento estiver negativado (pensamentos de ódio, vingança, etc…) e utilizá-la para prejudicar qualquer pessoa, o retorno será  infalível, alertando que as energias de retorno serão sempre maiores, pois voltarão com as energias de quem as recebeu.

A intenção de acendermos uma vela, gera uma energia mental no cérebro é esta energia que a entidade irá captar em seu campo vibratório. Assim, podemos dizer que: Nem sempre a quantidade está relacionada diretamente a qualidade, a diferença estará na fé e mentalização do médium. Desta forma, é inútil acreditar que podemos “comprar favores” de uma entidade, negociando com um valor maior de quantidade de velas….

É importante salientar, que sempre que acendermos uma vela em nossa casa devemos direcionar nosso pensamento à Entidade que irá  recebê-la, pois como elemento mágico, o fogo não direcionado, pode trazer prejuízos para o nosso lar. Devemos evitar acender velas em intenção de pessoas que não convivem em nosso ambiente doméstico, para esta finalidade, procure acender a vela no Peji/Congá.

ÁGUA

A água é com certeza um dos elementos mais poderosos e o mais utilizado nos diversos rituais, ela representa a fonte da vida e a purificação Utilizamos a água para todas as cerimônias de preparação de médiuns (amacis, banhos, quartinhas e etc), como também para a cerimônia anual de lavagem do Terreiro entre outras.

ATABAQUE NA UMBANDA

Os Atabaques são instrumentos de percussão, com aparência de um barril aberto nas duas extremidades com couro cobrindo uma delas, que na Umbanda são tocados com as mãos. São identificados como:

RUM (grave);

RUMPI (grave e agudo);

LE (agudo).

Para perfeita harmonia e vibração dos pontos cantados, um único Ogã não consegue fazer os contra tempos, repiques, arrebates e outros, sozinho, são necessários no mínimo três ogãs para executarem com harmonia e vibração os Pontos do Terreiro.

Como elemento de firmeza e sustentação na Umbanda, os Atabaques também precisam ser devidamente preparados para a finalidade a que se destinam, devendo passar por procedimentos e preceitos próprios, como a deitada(recolhimento), consagrações e oferendas respectivas aos seus Orixás e Guias da apadrinhamento, conforme orientação do Guia Chefe do terreiro, sendo aconselhável não serem tocados por médiuns não iniciados.

Uma vez consagrados os Atabaque não podem ser retirados do terreiro sem a devida preparação e preceitos necessários, que devem ser feitos pelo Sacerdote/Sacerdotiza e Ogã Alabe, conforme orientação do Guia Chefe do terreiro.

OGÃ  NA UMBANDA

Aquele que fornece a devida sustentação aos trabalhos da Casa, juntamente com o Sacerdote/Sacerdotiza e demais Entidades, aquele que toca no couro com amor, respeito e responsabilidade.

O Ogã precisa ter uma preparação, pois ele também é um médium, além de ser uma  de suas obrigações saber todos os Pontos do terreiro, os Ogãs são observados e avaliados pelo Sacerdote que será orientado pelo Guia Chefe do terreiro, sobre qual deles deverá  passar por uma feitura específica, para sua consagração ao cargo de Ogã Alabe, aquele que será o responsável pela “curimba”. Na Umbanda, o Ogã Alabe pode ser um médium incorporante, desde que haja outro Ogã que possa manter o toque, também podendo auxiliar o Sacerdote/Sacerdotiza na condução da Gira se for necessário. Vale esclarecer que sendo o Ogã Alabe incorporante, o mesmo deve passar por todos os preceitos e procedimentos como um médium normal da corrente. 

A Curimba será formada da seguinte forma:

– RUM deve ser tocado pelo Ogã Alabe, sendo dele a iniciativa do toque e arrebates;

– RUMPI deve ser tocado pelo Ogã mais antigo e não feito Alabe, sustenta a base do toque acompanhando os arrebates;

– LE deve ser tocado pelos demais Ogãs, sustentam a base do toque.

De acordo com a necessidade e condições do terreiro, a “curimba’ pode ser formada com dois Atabaques, sendo um RUMPI e um LE, contudo, seguindo as mesmas orientações. 

PONTOS  CANTADOS

Cânticos ou chamados dos Orixás, verdadeiros mantras que são utilizados nas giras de Umbanda, funcionam como elo de ligação entre os médiuns e o Plano Astral. Os pontos trazem em suas letras fundamentos, ordens do Astral, chaves das Entidades, comandos etc. É de extrema importância,que todos os médiuns conheçam todos os pontos cantados no terreiro e que sejam  entoados no ritmo e na melodia apropriada, pois quando desafinados, causam mal estar  e desarmonizam a gira.

O médium que brinca, permanece desatento ou deixa de entoar os pontos durante a gira, está acarretando para si mesmo sérios problemas de comunicação com o Plano Astral e com suas Entidades, da mesma forma quebrando a vibração da corrente, além do que, denota sinal de desrespeito.

PEMBA

A Pemba (verdadeira), é um giz branco, feita a partir de matéria prima chamada “cauim”, um calcário, parecido com o gesso, esse cauim é moído e adicionado também ao pó de algumas sementes e ervas sagradas. Depois de misturados e peneirados, é feito uma “papa” onde se dará o formato aproximado de um “quibe”, e colocado para secar. Ela pode ser preparada no terreiro ou pode ser comprada pronta, branca ou colorida.  A Pemba tem a finalidade de riscar  Pontos de segurança,  confirmação,  e muitos outros trabalhos que necessitem de forma escrita no solo ou em objetos. 

PONTOS RISCADOS

Um Ponto Riscado é o conjunto de símbolos escritos com a  Pemba,  e representam simbolos e selos magísticos utilizados pelas Entidades, quer para identificação ou abertura de portais com os quais trabalham. Estes Pontos são escritos de formas variadas e com cores específicas dependendo dos trabalhos para os quais se destinam.

O Ponto Riscado, na maioria das vezes é feito pela Entidade, contudo, pode ser feito pelo médium, desde que este esteja preparado e iniciado para tal, o que necessita de empenho do médium para o perfeito conhecimento da escrita e das dimensões que deseja atingir. Não obstante, não é raro encontrarmos médiuns (ou sacerdotes), que não conhecem a verdadeira magia e significado destes pontos, usando e abusando, sem terem noção do que estão manipulando, vale salientar, que esta prática traz riscos com proporções desconhecidas, já que inadvertidamente podem ser abertos portais dimensionais, que sem o devido selo/chave de fechamento, permanecerão abertos trazendo toda sorte de energias para nosso plano.

 PUNHAIS FACAS E PONTEIROS

Os ponteiros têm diversas aplicações dentro de um ritual, mas o  mais  utilizado é de direcionador de energia. É  como se fosse um fio terra para algumas cargas ou então como captor de energias movimentadas em determinados locais.
 Normalmente é utilizado pela Entidade para confirmar o ponto, de identificação, ou ponto de segurança. Usa-se ainda como elemento mágico, neste caso, somente o médium preparado e iniciado nos conhecimentos pode utilizá-lo para fins magísticos, pois são grandes condensadores de energias.

Facas e punhais, são utilizados pelas Entidades de forma magística, no caso da faca, cortar energias negativas ou negativadas, segmentar forças, sendo que os punhais como são perfurantes e sem corte, usa-se para penetrar e dissipar energias estagnadas, também podem ser utilizados como ponteiros. Da mesma forma que o ponteiro, o manejo de facas e punhais por médiuns necessita de conhecimento, preparação e iniciação.

ARO DE COBRE

Círculo de cobre usado magisticamente pelas Entidades e médiuns iniciados, para descarregar ou imantar energias, sendo usado diretamente no consulente ou como perímetro de escritas magísticas (pontos riscados).

 ADJÁ                   

 Objeto parecido com um  sino (badalo) que pode possuir de 1 a 3 bocas. Sua função é quebrar campos magnéticos, é muito utilizado na incorporação de Orixás, principalmente quando estão saudando o Peji/Conga, também  Facilita o entrosamento entre médium e Guia.

CHARUTOS, CACHIMBOS E CIGARROS

 Geralmente quando as Entidades estão em terra (incorporados), usam charutos, cigarros ou cachimbos em seus procedimentos. Vale a pena observar, que eles na verdade não fumam (não tragam a fumaça) como faria um usuário, apenas enchem a boca com a fumaça e a expelem sobre o consulente ou para o ar. O fumo age como uma defumação direcionada, atingindo diretamente o local afetado pelas energias nocivas. Sendo a folha de fumo, um vegetal, acumula fluido, vibrações e magnetismo solar, lunar, telúrico (terrestre) e astral. Quando queimado, libera estas energias, somadas as vibrações e mentalizações da Entidade , que irão desagregar e “limpar” a aura do consulente.   

 BEBIDA ALCOÓLICA OU NÃO

Da mesma forma que o cigarro,  a bebida alcoólica é utilizada pela Entidade, de forma a retirar de sua composição química, elementos que juntos de outros utilizados ou mesmo a própria mentalização da Entidade, provocam um processo alquímico, que atuará diretamente no consulente ou ambiente a ser limpo ou “desinfetado”. Há que se esclarecer, que a bebida alcoólica não é um elemento absoluto para a realização de trabalhos das Entidades, que fazem uso das mesmas com moderação.

O álcool, tem emprego sério na Umbanda,  a linha de esquerda principalmente, e a linha intermediária, são os que mais fazem uso da bebida alcoólica.  Estas  linhas utilizam muito de energias etéricas, extraídas da matéria (ex.:alimentos, álcool, etc…), para manipulação de sua magias,que servem como “combustível” ou “alimento”, sendo estas bebidas uma grande fonte desta energia.

Estas linhas, estão mais próximas às vibrações da Terra (faixas vibratórias), onde ainda necessitam destas energias, retiradas da matéria para realizar seus trabalhos e magias. O álcool também é usado p/ limpar/descarregar pontos de Pemba ou pólvora.

Com relação a bebidas não alcoólicas, seu uso segue o mesmo princípio, sendo que, se houver desequilíbrio por parte do médium, não haverá grandes efeitos nocivos a sua saúde.

OFERENDAS, DESPACHOS e OBRIGAÇÕES

As Oferendas são rituais feitos pelos médiuns aos Orixás e Entidades, com a finalidade de agradar, agradecer, efetuar pedidos de caráter religioso, de saúde e etc, dentro do que é estabelecido pela Lei e Justiça Divina. Elas podem ser feitas de varias formas, sempre utilizando elementos de força e energia do Orixá ou Entidade oferendada e podem ser tipos de pratos de comida, frutas, velas, vestimenta e outros objetos respectivos aos oferendados. As Oferendas tem caráter voluntário e podem ser feitas sempre que o médium sentir vontade, podendo ser feita para vários Orixás e Entidades ao mesmo tempo, respeitando o tempo de preparação  e arriamento e devem ser preparadas e entregues pelo próprio médium nos respectivos pontos de força dos Orixás e Entidades.

Com relação aos Despachos, estes são feitos geralmente com a intenção de limpeza, quebra de demanda, quebra de feitiços e ações de mesmo caráter. Os Despachos não seguem uma linha específica de elementos, já que as Entidades utilizam de seus conhecimentos para resolver as questões, podendo orientar o que deve ser introduzido, como e onde ser entregue. Vale esclarecer, que os Despachos são feitos por Entidades de esquerda, com o auxílio do Sacerdote/Sacerdotiza, sendo aconselhável que sempre ao fazer um Despacho, Oferendar sua Entidade Guardiã de esquerda como forma de agradecimento.

Quanto as Obrigações, como o nome já diz, tem caráter obrigatório e são rituais necessários nas consagrações dos médiuns ou quando são indicados pelo Guia Chefe do Terreiro ou Orixás e Entidades da coroa do próprio médium, por um motivo específico, podem ser Oferendas que utilizam os elementos de força e energia dos Orixás e Entidades, sendo preparados e entregues da mesma maneira que as Oferendas voluntarias., sendo assim, as Obrigações também podem ser Despachos.

A oferenda, talvez seja uma das maneiras mais primitivas do homem, de se encontrar com seus deuses, contudo, há de se esclarecer que na oferenda, a pessoa não assume um “compromisso cármico” (dívida); mas, no despacho, se houver um sentido de agressão e não de defesa, é certo que ele aumentará seus débitos com os Senhores do Destino.

 PÓLVORA / FUNDANGA

Sua utilização deve ser feita com cuidado e por médium preparado e iniciado, amparado pela Entidade que solicitou e dirige o trabalho, já que existe o risco de que não surte efeito esperado e também o risco de queimaduras ao consulente e ao próprio médium. De modo geral a Pólvora e disposta em circulo riscado no chão, grande o suficiente para que caiba o consulente em seu interior e possa ser ativada pelo médium de forma segura.

Ao ser queimada ou mesmo explodida, provoca-se um grande deslocamento de ar, repercutindo imediatamente no corpo áurico (aura) do consulente, desagregando todas energias negativas, miasmas e literalmente “queimando” larvas astrais que possam estar presas ao corpo espiritual da pessoa atendida. Em alguns casos, diante da necessidade, a Entidade responsável pode inserir outros elementos na queima como por exemplo o enxofre. É aconselhável que este é um procedimento, seja assistido somente por médiuns iniciados, uma vez que já estão com seus Guardiões definidos e atuantes.    

BANHOS DE DESCARGA / DESCARREGO

Desde épocas remotas é conhecida a forma mágica das plantas e ervas medicinais. Daí os banhos serem considerados veículos de purificação do corpo e da mente, incluindo-se no processo de mediunidade dentro dos centros e terreiros de Umbanda.

O banho de descarga é um descarregamento dos fluídos pesados de uma pessoa.

O banho de descarga mais usado é feito com ervas positivas, variando de acordo com os fluídos negativos acumulados que uma pessoa está carregando, e de acordo com os orixás que a pessoa traz em sua cabeça.
O banho de descarga com ervas deve ser tomado após o banho rotineiro, de preferência com sabão da costa, sabão neutro ou sabão de coco.
Um banho de descarga não deve ser jogado brutalmente pelo corpo e sim suavemente, com o pensamento voltado para as falanges que vibram naquelas ervas ali contidas.

Os banhos de ervas, são classificados normalmente em três tipos: Banho de Descarga, Banho de Ritual e o Banho de Iniciados. 

 

 

 

O que é Umbanda?

Vejamos o que nos diz o Aurélio:

 Verbete: umbanda [Doquimb.umbanda,’magia’.]S.m. 1. Bras. Forma cultual originada da assimilação de elementos religiosos afro-brasileiros pelo espiritismo brasileiro urbano; magia branca. 2. Bras., RJ. Folcl. Grão-sacerdote que invoca os espíritos e dirige as cerimônias de macumba. [Var.: embanda.]

UMBANDA é religião!

Se dentro da Umbanda conseguimos nos religar com Deus, conseguimos tirar o véu que cobre nossa ignorância da presença de Deus em nosso íntimo, então podemos chamar nossa fé de Religião. Como mais uma das formas de sentir Deus em nossa vida, a Umbanda cumpre a função religiosa de nos levar à reflexão sobre nossos atos, sobre a urgência de reformularmos nosso comportamento aproximando-o da prática do Amor de Deus.

A Umbanda é uma religião lindíssima, e de grande fundamento, baseada no culto aos Orixás e seus servidores: Crianças, Caboclos, Preto-velhos e Exus. Estes grupos de espíritos estão na Umbanda “organizados” em linhas: Caboclos, Preto-velhos, Crianças e Exus. Cada uma delas com funções, características e formas de trabalhar bem específicas, mas todas subordinadas as forças da natureza que os regem, os ORIXÁS. Na verdade a Umbanda é bela exatamente pelo fato de ser mista como os brasileiros, por isso é uma religião totalmente brasileira e, assim como a formação do povo brasileiro, aceita em seu seio todos os ritos e panteões que se identifiquem com a premissa básica da religação com Deus e seus desígnios.

Mas, torna-se imperioso, antes de ocuparmo-nos da Anunciação da Umbanda no plano físico sob a forma de religião, expor sinteticamente um histórico sobre os precedentes religiosos e culturais que precipitaram o surgimento, na 1ª década do século XX, da mesma. Em 1500, quando os portugueses avistaram o que para eles eram as Índias, em realidade Brasil, ao desembarcarem depararam-se com uma terra de belezas deslumbrantes, e já habitadas por nativos, os lusitanos, por imaginarem estar nas Índias, denominaram a estes aborígines de índios.

Os primeiros contatos entre os dois povos foram, na sua maioria, amistosos, pois os nativos identificaram-se com alguns símbolos que os estrangeiros apresentavam, porém, o tempo e a convivência se encarregaram em mostrar aos habitantes de Pindorama (nome indígena do Brasil) que os homens brancos estavam ali por motivos pouco nobres. O relacionamento, até então pacífico, começa a se desmoronar como um castelo de areia. São inescrupulosamente escravizados e forçados a trabalhar na novel lavoura. Reagem, resistem, e muitos são ceifados de suas vidas em nome da liberdade. Mais tarde, o escravizador faz desembarcar na Bahia os primeiros negros escravos que, sob a égide do chicote, são despejados também na lavoura. Como os índios, sofreram toda espécie de castigos físicos e morais, e até a subtração da própria vida.

Desta forma, índios e negros, unidos pela dor, pelo sofrimento e pela ânsia de liberdade, desencarnavam e encarnavam nas Terras de Santa Cruz. Ora laborando no plano astral, ora como encarnados, estes espíritos lutavam incessantemente para humanizar o coração do homem branco, e fazer com que seus irmãos de raça se livrassem do rancor, do ódio, e do sofrimento que lhes eram infligidos. Além disso, muitas das crianças índias e negras eram mortas, quando meninas (por não servirem para o trabalho pesado), quando doentes, através de torturas quando aprontavam suas “artes” e com isso perturbavam algum senhor. Algumas crianças brancas acabavam sendo mortas também, vítimas da revolta de alguns índios e negros.

Juntando-se então os espíritos infantis, os dos negros e dos índios, acabaram formando o que hoje, chamamos de: Trilogia Carmática da Umbanda. Assim, hoje vemos esses espíritos trabalhando para reconduzir os algozes de outrora ao caminho de Deus.

A igreja católica, preocupada com a expansão de seu domínio religioso, investiu covardemente para eliminar a religiosidade negra e índia. Muitas comitivas sacerdotais são enviadas, com o intuito “nobre” de “salvar” a alma dos nativos e dos africanos. A necessidade de preservar a cultura e a religiosidade fez com que os negros associassem as imagens dos santos católicos aos seus Orixás, como forma de burlar a opressão religiosa sofrida naquela época, e assim continuar a praticar e difundir o culto as forças da natureza, a esta associação, deu-se o nome de “Sincretismo religioso”.

O candomblé iorubá, ou jeje-nagô, como costuma ser designado, congregou, desde o início, aspectos culturais originários de diferentes cidades iorubanas, originando-se aqui diferentes ritos, ou nações de candomblé, predominando em cada nação tradições das cidades ou região que acabou lhe emprestando o nome: queto, ijexá, efã. Esse candomblé baiano, que proliferou por todo o Brasil, tem sua contrapartida em Pernambuco, onde é denominado xangô, sendo a nação egba sua principal manifestação, e no Rio Grande do Sul, onde é chamado batuque, com sua nação oió-ijexá (Prandi, 1991). Outra variante ioruba, esta fortemente influenciada pela religião dos voduns daomeanos, é o tambor-de-mina nagô do Maranhão. Além dos candomblés iorubas, há os de origem banta, especialmente os denominados candomblés angola e congo, e aqueles de origem marcadamente Fom, como o jeje-mahim baiano e o jeje-daomeano do tambor-de-mina maranhense.

Os anos sucedem-se. Em 1889 é assinada a “lei áurea”. O quadro social dos ex-escravos é de total miséria. São abandonados à própria sorte, sem um programa governamental de inserção social. Na parte religiosa seus cultos são quase que direcionados ao mal, a vingança e a desgraça do homem branco, reflexo do período escravocrata. No campo astral, os espíritos que tinham tido encarnação como índios, caboclos (mamelucos), cafuzos e negros, não tinham campo de atuação nos agrupamentos religiosos existentes. O catolicismo, religião de predominância, repudiava a comunicação com os mortos, e o espiritismo (kardecismo) estava preocupado apenas em reverenciar e aceitar como nobres as comunicações de espíritos com o rótulo de “doutores”. Os Senhores da Luz (Orixás), atentos ao cenário existente, por ordens diretas do Cristo Planetário (Jesus) estruturaram aquela que seria uma Corrente Astral aberta a todos os espíritos de boa vontade, que quisessem praticar a caridade, independentemente das origens terrenas de suas encarnações, e que pudessem dar um freio ao radicalismo religioso existente no Brasil.

Começa a se plasmar, sob a forma de religião, a Corrente Astral de Umbanda, com sua hierarquia, bases, funções, atributos e finalidades. Enquanto isto, no plano terreno surge no ano de 1904, o livro Religiões do Rio, elaborado por “João do Rio”, pseudônimo de Paulo Barreto, membro emérito da Academia Brasileira de Letras. No livro, o autor faz um estudo sério e inequívoco das religiões e seitas existentes no Rio de Janeiro, àquela época, capital federal e centro socio-político-cultural do Brasil.

A formação histórica do Brasil incorporou a herança de três culturas: a africana, a indígena e a européia. Este processo foi marcado por violências de todo o tipo, particularmente do colonizador em relação aos demais. A perseguição se deveu a preconceitos e a crença da elite brasileira numa suposta alienação provocada por estes cultos nas classes populares.

Começa a se plasmar, sob a forma de religião, a Corrente Astral de Umbanda, com sua hierarquia, bases, funções, atributos e finalidades. Enquanto isto, no plano terreno surge no ano de 1904, o livro Religiões do Rio, elaborado por “João do Rio”, pseudônimo de Paulo Barreto, membro emérito da Academia Brasileira de Letras. No livro, o autor faz um estudo sério e inequívoco das religiões e seitas existentes no Rio de Janeiro, àquela época, capital federal e centro socio-político-cultural do Brasil.

No início do século XX, o choque entre a cultura europeizada das elites e a cultura das classes populares urbanas, provocou o surgimento de duas tendências religiosas na cidade do Rio de Janeiro. Na elite branca e na classe média vigorava o catolicismo; nos pobres das cidades (negros, brancos e mestiços) era grande a presença de rituais originários da África que, por força de sua natureza e das perseguições policiais, possuíam um caráter reservado. Na segunda metade deste século, os cultos de origem africana passaram a ser freqüentados por brancos e mulatos oriundos da classe média e algumas pessoas da própria elite. Isto contribuiu, sem dúvida, para o caráter aberto e legal que estes cultos vêm adquirindo nos últimos anos.

Esta mistura de raças e culturas foi responsável por um forte sincretismo religioso, unificando mitologias a partir de semelhanças existentes entre santos católicos e orixás africanos, dando origem ao Umbandismo. Ao contrário do Candomblé, a Umbanda possui grande flexibilidade ritual e doutrinária, o que a torna capaz de adotar novos elementos.

Os seguidores da Umbanda verdadeira só praticam rituais de Magia Benéfica, ou seja, aqueles feitos para melhorar a vida de determinada pessoa, para praticar um bem, e nunca de prejudicar quem quer que seja. Diferente da Quimbanda, os Exus são invocados para a prática do bem, contanto que isso seja feito sem a utilização de barganha, com presentes ou dinheiro dados diretamente ao médium que os recebe, pois o objetivo do verdadeiro médium é tão somente a prática da caridade, sendo as formas de donativos destinados aos trabalhos em geral.

Algumas casas de Umbanda homenageiam alguns Orixás do Candomblé, como por exemplo: Oxumarê, Ossãe, Logun- Edé, que podem ou não, incorporar em seus médiuns, conforme a direção da casa, o que a classificaria como Umbanda Omoloco.

Os seguidores da Umbanda verdadeira só praticam rituais de Magia Benéfica, ou seja, aqueles feitos para melhorar a vida de determinada pessoa, para praticar um bem, e nunca de prejudicar quem quer que seja. Diferente da Quimbanda, os Exus são invocados para a prática do bem, contanto que isso seja feito sem a utilização de barganha, com presentes ou dinheiro dados diretamente ao médium que os recebe, pois o objetivo do verdadeiro médium é tão somente a prática da caridade, sendo as formas de donativos destinados aos trabalhos em geral.

Algumas casas de Umbanda homenageiam alguns Orixás do Candomblé, como por exemplo: Oxumarê, Ossãe, Logun- Edé, que podem ou não, incorporar em seus médiuns, conforme a direção da casa, o que a classificaria como Umbanda Omoloco.

Aspectos Dominantes do Movimento Umbandista

  1.  Ritual, variado pela origem;
  2. Vestes, em geral brancas;
  3. Altar com imagens católicas, pretos velho, caboclos;
  4. Sessões espíritas, formando agrupamentos em pé, em salões ou terreiro;
  5. Desenvolvimento normal em corrente;
  6. Bases; africanismo, kardecismo, indianismo, catolicismo, orientalismo;
  7. Serviço social constante nos terreiros;
  8. Finalidade de cura material e espiritual;
  9. Magia benéfica;
  10. Batiza, consagra e casa;

O mais importante, seria que todos pudessem encontrar em suas diferenças de culto, o que seria o elo mais importante e a ele se unissem. Tal elo é a Caridade!Não importa se o atabaque toca, ou se o ritmo é de palmas, nem mesmo se não há som. O que importa é a honestidade e o amor com que nos entregamos a nossa religião.

Mistério ou Fundamentos Divinos?

Queridos irmãos, quem já não se perguntou ou lhe foi perguntado, “ qual o nome do meu Guia, por que esse nome, qual a linha de trabalho?

Então tentamos adivinhar, apenas olhando suas palavras, seus gestos ou mesmo o identificamos apenas pela coroa do médium, o que muitas vezes nos traz mais dúvidas e, quando perguntamos, infelizmente muitas vezes ouvimos de alguns dirigentes a grande frase: “ filho, esse é o mistério da Umbanda” !

Felizmente para nós os aprendizes não precisamos mais nos contentar com esta frase de impacto, já que acreditamos que tudo tem explicação e que ela vem de pesquisa e estudo. Sendo assim, lançamos a nossa questão: A Umbanda é feita de mistérios ou de fundamentos Divinos?

Vejamos então uma das explicações.

A Umbanda, ainda que não evidencie isso à primeira vista, é uma religião muito rica em fundamentos Divinos. E, se isso acontece, é porque é nova, não foi codificada totalmente e não tínhamos um indicador seguro que nos auxiliasse na decodificação dos seus mistérios.

Atualmente, um século após sua fundação por Zélio Fernandino de Moraes e o senhor Caboclo das Sete Encruzilhadas, espíritos mensageiros têm transmitido-nos algumas chaves mestras que têm aberto vastos campos para decodificarmos seus mistérios e iniciarmos sua verdadeira codificação, tornando-a tão bem fundamentada que talvez, no futuro, outras religiões recorram a estas chaves para interpretarem seus próprios mistérios. Se não, vejamos:

  1. Na Umbanda, as linhas de trabalhos espirituais, formadas por espíritos incorporadores, têm nomes simbólicos.
  2. Os Guias incorporadores não se apresentam com outros nomes, e só se identificam por nomes simbólicos.
  3. Todos eles são magos consumados e têm na magia um poderoso recurso, ao qual recorrem para auxiliarem as pessoas que vão aos templos de Umbanda em busca de auxílio.
  4. Um medium umbandista recebe em seus trabalhos vários Guias espirituais cujas manifestações ou incorporações são tão características que só por elas já sabemos a qual linha pertence o espírito incorporado.
  5. As linhas são muito bem definidas e os espíritos pertencentes a uma linha falam com o mesmo sotaque, dançam e gesticulam mais ou menos iguais e realizam trabalhos mágicos com elementos definidos como deles e mais ou menos da mesma forma.
  6. Cada linha está ligada a alguns Orixás e podemos identificar nos seus nomes simbólicos a qual dos espíritos de uma mesma linha são ligados.
  7. Isto acontece tanto com as linhas da direita quanto com as da esquerda, todas regidas pelos sagrados Orixás.

Com isso, temos chaves importantes para avançarmos no estudo dos fundamentos da Umbanda Sagrada até chegarmos ao âmago do mistério dos seus nomes simbólicos. Mas para chegarmos ao âmago, antes temos que saber qual é o meio ou a diretriz que nos guiará nesta busca, já que temos linhas de Caboclos, Pretos-Velhos, Crianças, Baianos, Boiadeiros, Marinheiros, Exús, Pomba-giras, etc. E esta chave mestra são denominadas “Fatores de Deus”. Antes de falarmos sobre fatores ou sobre o que eles significam, precisamos abrir um pouco mais o leque de assuntos desse nosso comentário para fundamentarmos os mistérios da Umbanda Sagrada.

Voltemo-nos para a Bíblia Sagrada e nela vamos ler algo semelhante a isso:

  • “E no princípio havia o caos.”
  • “E Deus ordenou que do caos nascesse a luz, e a luz se fez.”
  • “E Deus ordenou tudo e tudo foi feito segundo suas determinações verbais e o “verbo divino”, realizados por sua excelência sagrada.”

Identificou-se nas determinações dadas por Deus a essência de suas funções ordenadoras e creacionistas. Assim explicado, o “verbo divino” é uma função e cada função é uma ação realizadora.

Mas, se assim é, tem que haver um meio através do qual o verbo realizador faça sua função creadora. E esse meio não pode ser algo comum mas sim extraordinário, divino mesmo, já que é através dele que Deus realiza. E se cada verbo é uma função criadora em si mesmo, e muitos são os verbos, então esse meio usado por Deus tem que ter em si o que cada verbo precisa para se realizar enquanto função divina criadora de ações concretizadoras do seu significado excelso.

Nós sabemos que a alusão ao verbo divino na Bíblia Sagrada não teve até agora uma explicação satisfatória pelos estudiosos dela e pelos seus mais renomados intérpretes, relegando-o apenas às falas ou pronunciamentos de Deus. Mas isto também se deve ao fato de seus intérpretes não terem atinado com a chave mestra que abre o mistério do “verbo divino” mas que agora, de posse da Umbanda Sagrada, explica-nos tudo, desde o caos bíblico ao big-bang dos astrônomos e desde o surgimento da matéria até o estado primordial da criação tão buscado atualmente pela física quântica. Sim, o verbo divino e seu meio de realizar suas ações tanto está na concretização da matéria quanto no mundo rarefeito da física quântica. E está desde a reprodução celular quanto na geração dos corpos celestes.

  • O verbo divino é a ação!
  • E o meio que ele usa para realizar-se enquanto ação, denominamos de fatores de Deus.

Por fatores, entendam as menores coisas ou partículas criadas por Deus e elas são vivas e são o meio do verbo divino realizar-se enquanto ação, já que cada fator é uma ação realizadora em si mesmo e faz o que o verbo que o identifica significa.

– Assim, se o verbo acelerar, significa agilizar o movimento de algo, o fator acelerador é o meio usado por Deus para acelerar o movimento ou o deslocamento do que criou e deve evoluir. E o mesmo acontece, ainda que em sentido contrário, com o verbo desacelerar e com o seu fator identificador que é o fator desacelerado.

– Já o verbo movimentar, cujo significado é dar movimento a algo, tem como meio de realizar-se enquanto ação o fator movimentador. O mesmo acontece com verbo paralisar, cuja função é oposta e que tem como meio de se realizar como ação o fator paralisador.

– E o verbo abrir tem como meio de se realizar como ação o fator abridor. Já o verbo fechar, cuja função é oposta ao verbo abrir, tem como meio de se realizar como ação o fator fechador.

– E o verbo trancar, cujo significado é o de prender, tem como meio de se realizar enquanto ação o fator trancador. E o verbo abrir, cujo significado é o de liberar, tem como meio de se realizar enquanto ação o fator abridor.

– E o verbo direcionar, cujo significado é dar rumo a algo, tem como meio de se realizar enquanto ação o fator direcionador. Já o verbo desviar, cujo significado é o de desviar do alvo, tem como meio de se realizar enquanto ação o fator desviador.

– E o verbo gerar, cujo significado é fazer nascer algo, tem como meio de se realizar enquanto ação realizadora o fator gerador. E o verbo esterilizar, cuja função é oposta, tem como meio para se realizar enquanto ação o fator esterilizador.

– E o verbo magnetizar, cujo significado e função é dar magnetismo a algo, tem como meio para se realizar enquanto ação o fator magnetizador. Já o verbo desmagnetizar, cuja função e significado são opostos, tem como meio para se realizar enquanto ação o fator desmagnetizador.

– E o verbo cortar, cujo significado e função é partir algo, tem como meio para se realizar enquanto ação o fator cortador. Já o verbo unir, cujo significado e função é juntar algo, tem como meio para se realizar enquanto ação o fator unidor.

Muitos são os verbos e cada um é em si a ação que significa e muitos são os meios existentes no que denominamos por fatores de Deus. Aqui, neste comentário, já citamos os verbos:

– Acelerar e Desacelerar; – Movimentar e Paralisar; – Abrir e Fechar; – Trancar e Abrir; – Direcionar e Desviar; – Gerar e Esterilizar; – Magnetizar e Desmagnetizar; – Cortar e Unir.

São poucos verbos se comparados aos muitos que existem, mas são suficientes para os nossos propósitos.

Tomemos como exemplo o verbo trancar e o fator trancador e vamos transporta-los para uma linha de trabalhos espirituais e mágicos de Umbanda, a dos Exus trancadores, onde temos estes nomes simbólicos:

  • Exu Tranca-Ruas, ligados a Ogum.
  • Exu Tranca-tudo, ligados a Oxalá.
  • Exu Tranca-giras, ligados a Oyá.
  • Exu Sete Trancas, ligados a Obaluayê.
  • Exu Tranca Fogo, ligados a Xangô.
  • Exu Tranca Rios, ligados a Oxum.
  • Exu Tranca Raios, ligados a Yansã.
  • Exu Tranca Matas, ligados a Oxossi.

Se o verbo trancar significa prender, e se o fator trancador é o meio pelo qual ele se realiza enquanto ação, então todo Exu que tenha em seu nome simbólico a palavra tranca é um gerador desse fator e que, quando o irradia tranca algo, certo? E se tomarmos o verbo abrir e o fator abridor, temos uma linha de trabalhos espirituais e mágicos de Umbanda, a dos Exus abridores, onde temos estes nomes simbólicos:

  • Exu abre tudo – ligado a Oxalá.
  • Exu abre caminhos – ligado a Ogum.
  • Exu abre portas – ligado a Obaluayê.
  • Exu abre matas – ligado a Oxossi.
  • Exu abre tempo – ligado a Oyá.

E se tomarmos o verbo romper, aqui não citado, e o fator através do qual sua ação se realiza, temos estas linhas de trabalhos espirituais e mágicos:

  • Ogum rompe tudo – ligado a Oxalá.
  • Ogum rompe matas – ligado a Oxossi.
  • Ogum rompe nuvens – ligado a Yansã.
  • Ogum rompe solo – ligado a Omulú.
  • Ogum rompe águas – ligado a Yemanjá.
  • Ogum rompe ferro – ligado a Ogum.

E temos linhas de Caboclos e de Exus com estes mesmos nomes:

  • Caboclos e Exus rompe tudo.
  • Caboclos e Exus rompe matas.
  • Caboclos e Exus rompe nuvens.
  • Caboclos e Exus rompe solo.
  • Caboclos e Exus rompe águas.
  • Caboclos e Exus rompe ferro.

Muitos são os verbos e cada um tem um meio ou fator através do qual se realiza enquanto ação. Por isto, afirmamos que a Umbanda é riquíssima em fundamentos e não precisa recorrer aos fundamentos de outras religiões para explicar suas práticas ou os nomes simbólicos dados aos Orixás, que são as divindades realizadoras do verbo divino ou as suas linhas de trabalhos espirituais e mágicos, que são manifestadores espirituais dos mistérios do verbo divino. Se atinarem bem para a riqueza contida no simbolismo da Umbanda Sagrada, poderão dispensar até as interpretações antigas herdadas do culto ancestral aos Orixás praticado em solo africano, porque Deus, ao criar uma religião, dota-a de seus próprios fundamentos divinos e espera que seus adeptos os descubram e os aplique a sua Doutrina e práticas, aperfeiçoando sua concepção do divino existente nos seus mistérios.

Mensagem do Caboclo Sete Encruzilhadas

“A Umbanda tem progredido e vai progredir. É preciso haver sinceridade, honestidade e eu previno sempre aos companheiros de muitos anos: a vil moeda vai prejudicar a Umbanda; médiuns que irão se vender e que serão, mais tarde, expulsos, como Jesus expulsou os vendilhões do templo. O perigo do médium homem é a consulente mulher; do médium mulher é o consulente homem. É preciso estar sempre de prevenção, porque os próprios obsessores que procuram atacar as nossas casas fazem com que toque alguma coisa no coração da mulher que fala ao pai de terreiro, como no coração do homem que fala à mãe de terreiro. É preciso haver muita moral para que a Umbanda progrida, seja forte e coesa. Umbanda é humildade, amor e caridade – esta a nossa bandeira. Neste momento, meus irmãos, me rodeiam diversos espíritos que trabalham na Umbanda do Brasil: Caboclos de Oxossi, de Ogum, de Xangô. Eu, porém, sou da falange de Oxossi, meu pai, e não vim por acaso, trouxe uma ordem, uma missão. Meus irmãos: sejam humildes, tenham amor no coração, amor de irmão para irmão, porque vossas mediunidades ficarão mais puras, servindo aos espíritos superiores que venham a baixar entre vós; é preciso que os aparelhos estejam sempre limpos, os instrumentos afinados com as virtudes que Jesus pregou aqui na Terra, para que tenhamos boas comunicações e proteção para aqueles que vêm em busca de socorro nas casas de Umbanda. Meus irmãos: meu aparelho já está velho, com 80 anos a fazer, mas começou antes dos 18. Posso dizer que o ajudei a casar, para que não estivesse a dar cabeçadas, para que fosse um médium aproveitável e que, pela sua mediunidade, eu pudesse implantar a nossa Umbanda. A maior parte dos que trabalham na Umbanda, se não passaram por esta Tenda, passaram pelas que saíram desta Casa. Tenho uma coisa a vos pedir: se Jesus veio ao planeta Terra na humildade de uma manjedoura, não foi por acaso. Assim o Pai determinou. Podia ter procurado a casa de um potentado da época, mas foi escolher aquela que havia de ser sua mãe, este espírito que viria traçar à humanidade os passos para obter paz, saúde e felicidade. Que o nascimento de Jesus, a humildade que Ele baixou à Terra, sirvam de exemplos, iluminando os vossos espíritos, tirando os escuros de maldade por pensamento ou práticas; que Deus perdoe as maldades que possam ter sido pensadas, para que a paz possa reinar em vossos corações e nos vossos lares. Fechai os olhos para a casa do vizinho; fechai a boca para não murmurar contra quem quer que seja; não julgueis para não serdes julgados; acreditai em Deus e a paz entrará em vosso lar. É dos Evangelhos. Eu, meus irmãos, como o menor espírito que baixou à Terra, mas amigo de todos, numa concentração perfeita dos companheiros que me rodeiam neste momento, peço que eles sintam a necessidade de cada um de vós e que, ao sairdes deste templo de caridade, encontreis os caminhos abertos, vossos enfermos melhorados e curados, e a saúde para sempre em vossa matéria. Com um voto de paz, saúde e felicidade, com humildade, amor e caridade, sou e sempre serei o humilde Caboclo das Sete Encruzilhadas”.