O mistério da Divindade

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Será dado um dia ao homem compreender o mistério da Divindade?

“Quando não mais tiver o espírito obscurecido pela matéria. Quando, pela sua perfeição, se houver aproximado de Deus, ele o verá e compreenderá.”

O mistério da Divindade está distante da compreensão humana, por faltarem ao homem sentidos para tal. As sequências misteriosas dos Espíritos a Deus são infinitas e os caminhos são igualmente sem fim. O crescimento da alma vai lhe dotando de poderes, de sorte a conhecer mais profundamente o mundo espiritual e as leis que governam toda a criação divina; todavia, essas leis são agentes movidos pela, Sua poderosa mente, que abrange toda a extensão Universal.

No estágio em que nos encontramos, encarnados e desencarnados, não devemos pensar em conhecer a intimidade de Deus. É, pois, querer saltar para o inconcebível, desrespeitando a harmonia da gradatividade, da sabedoria maior. Alguns homens inexperientes afirmam que não existem mistérios para os espiritualistas. Como se enganam esses nossos irmãos! Quanto mais nos conhecemos, mais sabemos que nada sabemos, em se falando das dimensões que se escondem nas dobras da escala evolutiva e nos segredos da Divindade. Os que dizem conhecer tudo, nada sabem; são pseudo-sábios diante da sabedoria maior e lhes falta humildade e as primeiras chaves, o conhecimento das regras de viver em harmonia consigo mesmo. Certamente que é o orgulho se movendo em seus sentimentos e a vaidade egoísta iludindo seus corações.

Quando Allan Kardec, em O Evangelho Segundo o Espiritismo, afirma que “fora da caridade não há salvação”, está nos mostrando que o ambiente da benevolência prepara e nos ajuda a despertar os talentos internos, de maneira a observarmos outras nuances das leis que até então não tenhamos percebido. A caridade, em todas as suas feições, é força divina no divino aprendizado de todos os Espíritos. E luz nas mãos de quem deseja ser iluminado, é chave que abre muitas portas do saber, porque a caridade é, por excelência, Amor. Quem quiser conhecer mais um pouco dos mistérios de Deus, que faça e viva a caridade, que ela dotará esse trabalho de poderes para essa visão interna, de sentidos apropriados para compreender os efeitos das leis divinas.

Outra coisa valiosa que recomendamos para todas as criaturas é o exercício da oração. Não devemos esquecer a prece em todas as circunstâncias. Ela desata e desenvolve os fios dos pensamentos, impulsionando-os em todas as direções, de acordo com os sentimentos que os geraram, tem a capacidade de recolher os frutos na mesma dimensão em que foram emitidos. Nós somos mundos com imensuráveis qualidades a se desenvolverem, dependendo do que quisermos fazer delas, do nosso esforço e fé nas nossas realizações para o bem próprio e da coletividade.

Se estás em busca de mistérios que muito te atraem, na verdade te dizemos que existem muitos mistérios no mundo íntimo de cada criatura e eis aí a grande oportunidade de estudarmos a nós mesmos e nos deliciarmos com os nossos tesouros íntimos. O amor é qual um sol que se divide em variadas virtudes. Vamos observar esse fenômeno maior dentro de nós, com honestidade nas boas obras, que os véus vão caindo em sequências que suportamos e a serenidade dominar-nos-á a consciência. Esses são os mistérios menores, representando uma universidade onde deveremos permanecer por um tempo que não podemos determinar. Despertemos para esse trabalho louvável e dignificante, de nos conhecermos a nós mesmos, porque conhecer a Divindade como pretendemos somente será possível depois que nos tornarmos Espíritos Divinos, e, mesmo assim, vamos encontrar em nossos caminhos de luz, mistérios e mais mistérios a desvendar, o que haveremos de fazer com amor e alegria espiritual.

Que Deus nos abençoe nesta jornada infinita do acordar para a Luz!

fonte: Filosofia Espirita – Volume I (Miramez)

Coragem para Vida

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“Anjos do Senhor descem até vós, trazendo neste sublime instante as bênçãos vindas de Jesus.

Estais, meus irmãos, calejados pelas experiências vivenciadas e pareceis rastejar.

Fortalecei-vos. Não estais nessa experiência para esmorecer e desistir. Antes de tudo, tens o vosso papel a cumprir, o compromisso que assumistes convosco mesmo e com aqueles que vos guardam no mundo espiritual.

Se vossas provas estão difíceis de transpor, onde está a vossa fé? A coragem para a vida e para a conquista do vosso aperfeiçoamento não vos pode faltar. Sois fortalecido pelo Senhor, e, no entanto, onde buscais a vossa força? Estais lembrando de que sois um guerreiro em meio a guerra a tentar salvar-se? Se desistirdes, não completareis os vossos objetivos maiores. Se abaixardes vossa cabeça e aceitardes as idéias insanas que rondam vosso mundo, não sereis diferente destes irmãos.

A vossa luta está dentro de vós. Em vosso íntimo reina os desenganos que ainda vos fazem sofrer. Em tempo de guerra, os riscos são muitos e somente vencereis se tentardes, com coragem, encontrar a liberdade que trará o alívio de vossas dores, de vossos anseios.

Nós também, meus irmãos, já caminhamos por estas veredas e podemos compreender-vos. Mas, creiais, queremos diminuir vossos caminhos de pedras e ensinar-vos os trechos de flores, onde reina a felicidade. Escutai-nos e fazei a vossa parte. Jesus vos abençoe.”

por um Espírito amigo
Grupo Espírita Bezerra de Menezes

Arquétipos associados aos Orixás

São necessários anos de vivência prática num terreiro para que nos aprofundemos neste assunto. Ponderamos que os traços psíquicos associados aos orixás não são definitivos nem se apresentam isolados um dos outros. Como todos ternos a influência do meio ambiente bio-psico-social em que vivemos, e ao mesmo tempo das energias de todos os orixás, o comedimento, a observação arguta e a vivência no decorrer dos anos são os melhores parâmetros para o auto-conhecimento e aprimoramento perante a vida. Portanto, o conhecimento da psicologia dos orixás é somente um dos muitos caminhos que nos fornecem referências de comportamento na busca do aperfeiçoamento humano e da evolução espiritual.

Durante as próximas colunas sobre Umbanda todas as terças-feiras, apresentamos uma descrição resumida dos perfis psicológicos dos indivíduos, associados aos orixás correspondentes, segundo observações extraídas da obra Umbanda Pé no Chão de Ramatis, psicografada pelo médium Norberto Peixoto.

Oxalá

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  • Atributo: fortaleza e paciência, estabelece a ligação com a espiritualidade e leva ao despertar da fé, à compreensão do “religare” com o Cristo interno.
  • Os tipos psicológicos dos filhos de Oxalá são bondosos, serenos, prestativos, pacientes e sábios. Perante certos obstáculos da vida, podem ser lentos em suas decisões, distantes e fechados, mas são persistentes e não gostam de fazer alarde. São aparentemente frágeis, um tanto delicados. Por outro lado, essa aparente fragilidade psíquica é compensada com uma enorme força moral, o que os faz fortes diante das fraquezas humanas, dos doentes e oprimidos. São de Oxalá pessoas altruístas e dedicadas a uma causa social, de ajuda aos injustiçados e aos oprimidos.
  • Aspectos positivos: devoção, fé, abstração meditativa, ligação com o espiritual, calma e serenidade “aparente”. São asseados mental e fisicamente, caseiros e amigos acima de tudo. Com eles, rege a tranqüilidade, o silêncio e a paz no ambiente.
  • Aspectos negativos: fanatismo, isolamento, desprezo pelo material, melancolia, impaciência, ira, crueldade, mania de limpeza.
  • Florais de Bach: Impatiens, Mustard, Crab Apple, Water Violet, e Vervain.
  • Florais de Saint Germain: Patiens, Embaúba, Flor Branca, Verbena, Boa Sorte, e Abundância.
  • Saúde: têm um sistema nervoso delicado; “aparentemente” inspiram tranqüilidade, mas são explosivos interiormente, necessitando de períodos de isolamento como forma de repouso. Devem cuidar da coluna vertebral (rege coração e coluna).
  • Mineral: pedras brancas, diamante e brilhante.
  • Metal: ouro.
  • Signo regente: leão.
  • Planeta: Sol.
  • Ervas: arruda, levante e guiné.
  • Flor: girassol e jasmim.
  • Chackra: coronário.
fonte: Umbanda Pé no Chão – Norberto Peixoto

Os fundamentos do congá

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(atrator, condensador, dispersor, expansor, transformador e alimentador)

O congá é o mais potente aglutinador de forças dentro do terreiro: é atrator, condensador, escoador, expansor, transformador e alimentador dos mais diferentes tipos de energias e magnetismo. Existe um processo de constante renovação de axé que emana do congá, como núcleo centralizador de todo o trabalho na umbanda. Cada vez que um consulente chega à sua frente e vibra em fé, amor, gratidão e confiança, renovam-se naturalmente os planos espiritual e físico, numa junção que sustenta toda a consagração dos orixás na Terra, na área física do templo.

Vamos descrever as funções do congá:

  • atrator: atrai os pensamentos que estão à sua volta num amplo magnetismo de recepção das ondas mentais emitidas. Quanto mais as imagens e elementos dispostos no altar forem harmoniosos com o orixá regente do terreiro, mais é intensa essa atração. Congá com excessos de objetos dispersa suas forças.
  • condensador: condensa as ondas mentais que se “amontoam” ao seu redor, decorrentes da emanação psíquica dos presentes: palestras, adoração, consultas etc.
  • escoador: se o consulente ainda tiver formas-pensamentos negativas, ao chegar na frente do congá, elas serão descarregadas para a terra, passando por ele (o congá) em potente influxo, como se fosse um pára-raios.
  • expansor: expande as ondas mentais positivas dos presentes; associadas aos pensamentos dos guias que as potencializam, são devolvidas para toda a assistência num processo de fluxo e refluxo constante.
  • transformador: funciona como uma verdadeira usina de reciclagem de lixo astral, devolvendo-o para a terra;
  • alimentador: é o sustentador vibratório de todo o trabalho mediúnico, pois junto dele fixam-se no Astral os mentores dos trabalhos que não incorporam.

Todo o trabalho na umbanda gira em torno do congá. A manutenção da disciplina, do silêncio, do respeito, da hierarquia, do combate à fofoca e aos melindres, deve ser uma constante dos zeladores (dirigentes). Nada adianta um congá todo enfeitado, com excelentes materiais, se a harmonia do corpo mediúnico estiver destroçada; é como tocar um violão com as cordas arrebentadas.

Caridade sem disciplina é perda de tempo. Por isso, para a manutenção da força e do axé de um congá, devemos sempre ter em mente que ninguém é tão forte como todos juntos.

fonte: Umbanda pé no Chão (Ramatis)

A força do exemplo

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Manhã luminosa. Sol esplendente, fazendo jorrar seus raios multicores sobre a minha face. Inicio a minha trajetória em mais um dia abençoado por Deus. Alhures, diviso um casal de rolinhas, arrulhando e se acariciando, exemplo de amor! 

Subindo a ladeira, caminhando com passos incertos, olhos perdidos no tempo, surge uma criatura esquálida e maltrapilha, exemplo de abandono! Alguém se desvia dela, como se de um malfeitor. Lembro-me de uma frase que aprendi:

“Por que fugirmos dos andrajos humanos se em nossos corações repousam ulcerações lamentáveis?”

Mais adiante, uma velhinha de pequena estatura tem dificuldades em alcançar a campainha de uma residência, alguém presto resolve o seu problema, exemplo de solidariedade!

A caminhada prossegue. Vejo uma igreja. Pela porta semi-aberta, diviso criaturas orando, exemplo de fé! Vem-me à mente, outro ensinamento:

“O templo que o homem ergue, seja, antes de tudo, o teto de agasalho onde o cansado repouse, o aflito dormite e o in feliz encontre a paz. Seja simples e modesto, para que sua ostentação não fira a humildade de quantos o busquem”.

Sentados num banco junto à pracinha, três amigos recordam animados os “bons tempos” e sorriem felizes: exemplo de amizade! Ouço um deles, dizendo: “Na amizade e no amor se repartem os bens imortais da alma”. Não longe, forte rapaz puxa uma carroça abarrotada de mercadorias, exemplo de trabalho!

O tempo transcorre. Continuo com minhas observações. Caminhando cambaleante, segue um infeliz dominado pela bebida, exemplo de vício! Pitágoras exarou:

“Não é livre aquele que não obteve domínio sobre si próprio”.

Respiro a longos haustos. Ali perto, uma livraria. Dirijo-me até lá. Um vendedor solícito me atende com carinho e atenção, exemplo de gentileza! Na vitrine deparo com um extraordinário dizer do Pe. Antonio Vieira:

“O livro é um mudo que fala, um surdo que responde, um cego que guia, um morto que vive”.

Retiro-me feliz. Uma senhora conversa com um maltrapilho e lhe oferece, além do caldo reconfortante, alguns minutos de conversação fraterna, exemplo de caridade! Emmanuel, escritor espiritual, baila em meu campo mental, relembrando-me um ensinamento:

“Sublime é a caridade que se transforma em reconforto. Divina é a caridade que se converte em amor irradiante”.

Uma estátua na praça. Uma menina loura a observá-la. Na ampulheta do tempo, revejo-me lendo uma historieta: “O fato ocorreu na Itália. Havia uma estátua que representava uma menina grega, escrava. Era formosa, limpa e bem vestida. Uma menina maltrapilha, desasseada, despenteada, deteve-se a contemplar a estátua, enamorando-se dela. Ficou admirada, encantada. Chegou em casa, lavou-se e penteou-se. Pôs em ordem seus vestidos e passou a cuidar-se melhor. A força do exemplo, mesmo um exemplo mudo, estereotipado no mármore”.

Num parque, sento-me e respiro profundamente. Volvo o olhar para o alto e agradeço as dádivas Divinas. Um toque suave de mão em meus ombros… A entrega de um folheto, enquanto a criatura abençoada se vai. Os pássaros gorjeiam. Os ventos convidam-me à reflexão. Tudo é festa! Curioso, abro o folheto e leio magistrais elucidações para meu espírito, ávido de aprendizado:

“É longa a estrada dos preceitos: a dos exemplos é breve e mais segura”. Sêneca.

“Em todas as idades, o exemplo pode muitíssimo convosco: na infância, então, é onipotente”. Fénelon.

“As palavras comovem, os exemplos arrastam”. Provérbio árabe.

“Não há modo de mandar ou ensinar mais forte e suave do que o exemplo; persuade sem retórica, seduz sem porfiar, convence sem debate, todas as dúvidas desata, e corta caladamente todas as desculpas”. Pe. Manuel Bernardes.

“… vos dei o exemplo, para que, como eu vos fiz, façais também vós”.  JESUS.

Retorno ao meu lar, meditando numa extraordinária frase da autora espiritual Joanna de Ângelis:

“Vive de tal forma, que deixes pegadas luminosas no caminho percorrido, como estrelas apontando o rumo da felicidade”.

(por Daltro Rigueira Viana Jornal Mundo Espírita de Novembro de 2001)

Se Instalados

fonte

Se instalados na compreensão mais ampla, observamos que a amizade apenas sobrevive no clima da caridade que se define por prática do amor de uns para com os outros.
Saibamos adquirir cooperadores e conservá-los, lembrando-nos de que o próprio Jesus escolheu doze irmãos de ideal para basear a campanha do Cristianismo no mundo.
De qualquer modo, tolera o opositor com paciência e serenidade.
Ouve-lhe as frases ásperas em silêncio e reflete no desgosto ou na enfermidade em que provavelmente se encontre.
Age à frente dos inimigos de teus ideais ou de teus pontos de vista com entendimento e tolerância.
Levanta-te ao lume do alvorecer, ofertando aos menos felizes o repasto de tuas próprias consolações e, quando o crepúsculo te venha cerrar os olhos, adormecerás, exultante de paz, nos braços invisíveis do Amigo Eterno, que transformou a própria cruz num sólio de esperança e perdão para alçar-se, em suprema vitória, ao coração das estrelas.
Observemos a fé em Jesus e a fé em nós, a fim de exercitarmos, em nossas necessidades de evolução, o esquecimento de nossos obscuros caprichos e a aceitação da sábia Vontade de Nosso Pai.
Não basta compreendas o estatuto que nos rege os destinos para que te harmonizes contigo mesmo.
É necessário transfundas o próprio entendimento em serviço aos semelhantes, para que a flama do cérebro se te faça luz no caminho.

Emmanuel, de “Caminho Iluminado”, de Francisco Cândido Xavier
mensagem extraída do site: INSTITUTO ANDRÉ LUIZ

Ensinamentos de Oxalá e Xangô no Evangelho

Dando continuidade ao post da semana passada sobre Jesus e os ensinamentos dos Orixás contido nos Evangelhos, abrimos essa semana com Oxalá e Xangô.

Desejamos uma boa leitura a todos.

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Oxalá é a fortaleza, a vibração do Cristo Cósmico na Terra, a doação do amor incondicional, fraterno e perene, o profundo conhecedor da alma humana, o ser abençoado de luz que irradia o equilíbrio perfeito entre o princípio do masculino e do feminino. Seu olhar sereno e profundo, irradiando amor e compaixão, Lhe permite penetrar o íntimo de cada um e não julgar, apenas amar e curar, não somente as enfermidades físicas, mas as da alma. Seus braços permanecem abertos em nossa direção e Seu Evangelho nos ensina estas máximas:

“Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo”, pois não podemos amar a Deus, sem antes nos amarmos e, por conseguinte, amarmos nossos semelhantes. Se não existe amor dentro de nós, se não aceitamos nossas virtudes e defeitos, não podemos amar nossos semelhantes.

“Eu sou o caminho, a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai senão por Mim”. Jesus nos mostra o caminho da simplicidade e do amor fraterno, do desapego e do perdão. A confiança na Providência Divina nos ajuda a difundir o Evangelho – caminho que leva a Deus, à verdade que liberta e que nos faz deixar de sofrer. Tudo o que pode deixar de existir amanhã não é verdade para nós, pois o que continua com a vida são os afetos, as alegrias, os sentimentos que carregamos em nosso interior. Devemos valorizar a nossa vida, buscando a verdade interior, o caminho para a felicidade.

“A minha paz vos dou, mas não como o mundo a dá”. Todos deixaremos o teatro da vida terrena para encontrar a paz verdadeira na vida espiritual. A paz do mestre está nos valores morais, na conduta da vida em harmonia com as leis de Deus, na paciência para com as nossas imperfeições – pois temos de vencer a nós mesmos -, e no despertar da consciência na escalada da evolução, que nunca cessa. Cada mudança interior para melhor reflete-se na convivência com o próximo. Quem ama sempre vai estar acompanhado, porque o amor encontra ressonância em outros corações. Amar é doar-se para a vida, em favor do bem.

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Xangô é a sabedoria, o amor e o respeito à vida, em obediência às leis de Deus; é o entendimento do encadeamento de nossas ações e reações, que estabelecem uma relação de causa e conseqüência, no sentido de ascensão espiritual; é o equilíbrio cármico.

No Evangelho, encontramos as vibrações de Xangô nas seguintes máximas:

“Não julgueis para não serdes julgados”.

“Com a mesma medida que medirdes será medido”.

“Atire a primeira pedra aquele que estiver sem pecado”.

“Vá e não peques mais, para que não te aconteça coisa pior”.

“A semeadura é livre, mas a colheita é obrigatória”.

“Conhece a verdade e ela vos libertará” (a compreensão das leis morais divinas liberta da roda do carma, das reencarnações sucessivas).

“Perdoai setenta vezes sete vezes”.

“Ide reconciliar-vos com vosso irmão antes de pordes a vossa oferenda no altar”.

É tão fácil perceber a dificuldade alheia, decidir qual atitude o outro deve tomar, resolver os problemas alheios, criticar e espalhar a maledicência… O ser humano não costuma olhar para si mesmo e avaliar a sua conduta diante da vida e do próximo. Acertar e errar faz parte desta vida terrena, isto é, ter humildade para reconhecer os erros, perseverança para continuar, e reconhecer o motivo pelo qual cada um está num degrau evolutivo diferente. Não podemos exigir aquilo que o outro não tem para nos oferecer, nem a capacidade para compreender.

Para cada ação, há uma reação, seja positiva ou não. Por isso, é preciso ter flexibilidade diante da vida, ter misericórdia para com a dor alheia, perdoar para se libertar, refletir sobre a capacidade de mudar, perceber qual a facilidade de aprender com a vida, estar em paz e equilíbrio com a Lei Divina para poder receber, por meio do merecimento pelo esforço empreendido para melhorar, as bênçãos que deseja alcançar. Fazer o bem e desejar o bem.

Devemos usar sempre a “verdade como proteção” e ser fiéis a nós mesmos, ouvindo a voz do nosso coração. Mestre Jesus sempre usou a verdade, e em Seus ensinamentos, iniciava Suas frases assim: “Em verdade, em verdade vos digo…”.

O perdão das ofensas liberta dos aprisionamentos do passado, das mágoas e dos ressentimentos, é o bálsamo que cura as feridas da alma. Jesus nos pediu que perdoássemos ilimitadamente, ou seja, sempre. E Suas últimas palavras terrenas foram uma súplica a Deus pela humanidade: “Pai, perdoai-vos porque eles não sabem o que fazem”.

Tanto tempo se passou e nós continuamos fazendo as mesmas coisas, nessa roda viva de incompreensão, violência, desamor, julgamentos e cobranças, vítimas que somos de nossas inconseqüências, apegados às próprias dores e cheios de medo da mudança, de recomeçar, reconstruir o caminho, de aceitar ser feliz.

A felicidade terrena não é integral, mas é possível porque vem de dentro, do coração amoroso que faz o bem e que deseja ao outro o que quer para si próprio. Amar, perdoar e servir foi o exemplo deixado por Jesus.

fonte: Umbanda Pé no Chão – Ramatis