O que nos é permitido?

JESUS

“Não, Deus não permite que ao homem tudo seja revelado neste mundo.”

Não é permitido ao homem conhecer o princípio das coisas na sua profundidade absoluta. Se o macrocosmo é infinito diante dos sentidos dos seres humanos, o microcosmo igualmente o é, na estrutura que lhe foi dada por Deus. O Espírito, na faixa em que se encontra na Terra, não desenvolveu sentidos ainda, para conhecer o que pretende, para pesquisar a infra-estrutura da matéria e desvendar os seus segredos.

A força poderosa que se esconde na forma não poderá, por enquanto, ser conhecida e dominada pelos homens, por lhes faltar amor no coração, o bastante para não usar sua expansão dinâmica nas guerras fratricidas, e contra a própria vida no planeta em que habitam. Basta o que já conhecem, como sendo uma misericórdia.

A fome que se passa na Terra, as necessidades de veste e de instrução, não significam falta, na realidade. Tudo isso existe com abundância em todos os pontos da casa terrena; somente o que falta é a fraternidade entre os povos e a educação entre as criaturas. Quando o amor for uma força dominante no seio dos homens, nada faltará, na sua expressão de todos os suprimentos. E a vida tomará nova feição em todos os ângulos do mundo, como sendo um reino de Deus florindo no reino dos homens.

A revelação é gradativa e o será sempre. A evolução científica deve acompanhar a moral, para que haja equilíbrio em todos os pontos de elevação e despertar. E justo que notemos, neste fechar de século, o interesse que os homens e Espíritos desencarnados têm pela difusão do Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo e o esforço que se faz em todas as nações para a melhoria do homem, em todos os seus aspectos. Só não dá para se notar esse esforço com mais evidência, por estar ele no começo; no entanto, o terceiro milênio que se aproxima revelará essa verdade com acentuação expressiva, pois já existe uma preocupação de certos governantes na educação dos povos, no que se relaciona aos preceitos incomparáveis da Boa Nova do Mestre. Sem o Evangelho no coração das criaturas, jamais haverá paz no mundo, porque ele faculta a conquista da paz, em primeiro lugar, na intimidade de cada um.

Podemos observar no ar que respiramos e na luz que nos dá alegria de viver, o anúncio do fim dos tempos, dos tempos de inquietações, para que possa surgir o ambiente de verdadeira paz, aquele que deveremos conquistar juntamente com o Cristo à frente dos nossos destinos. Não é permitido às almas recuarem no tempo e no espaço. As leis de Deus estabelecem e comandam: a ordem é somente de avanço.

A escola do conhecer é infinita e livre na sua conjuntura educativa, entretanto, marca para todos os seres, conforme a sua escala evolutiva, pontos vermelhos, indicando basta, para que não venhamos a cair em novas tentações, pois o conhecimento sem amor pode nos levar à derrocada. De agora em diante o cerco está se fechando, para que possamos nos prevenir contra as grandes calamidades, pela força da educação, e aumentar a nossa confiança pelo muito que devemos amar. O Evangelho deve ser conhecido por todos os povos e disseminado para todas as criaturas, porque ele é força que nos garante a paz nos caminhos que percorremos.

Quanto ao interesse de conhecer a intimidade da matéria, não deve ser apagado, porém, esse saber vai surgindo pelo impulso da nossa evolução e as necessidades que forem surgindo no nosso aprendizado. Oremos juntos, homens e Espíritos livres da matéria, para que o equilíbrio não nos falte no nosso despertar para Deus.

fonte: Filosofia Espirita – Volume I (Miramez)

Deus é espirito

Deus é espirito“A razão. Refleti maduramente e não vos será difícil reconhecer-lhe o absurdo.”

Se Deus é perfeito e é Espírito, não podemos compará-Lo com as formas mutáveis. E sob o empuxo do progresso, tudo que existe na imensidão indescritível do universo, do átomo ao ninho cósmico, é, pois, criação ideada pelo seu poder fantástico, que ainda não podemos perceber, por nos faltarem sentidos para isso. Estamos limitados, ou condicionados, no mínimo das nossas forças, que por enquanto dormem no centro da nossa consciência, sem poder participar dos nossos mais profundos interesses.

Somos crianças em comparação às grandes almas. Crivamos de perguntas, por vezes, de pouco interesse, aqueles que achamos situados em grau mais elevado do que nós, com fome e sede de saber, em se referindo às coisas do Espírito, e nem sempre avaliamos a luz que realmente suportamos, pelas trevas que ainda nos circundam. Se todo pedido é uma oração, na filosofia do Espírito, a resposta não se faz esperar e vem gota a gota para nos conscientizar da existência da bondade divina e do amor que Ele dispensa a todas as criaturas.

Já falamos muitas vezes, repetindo a fala dos benfeitores maiores, que Deus é uma personalidade individual, e não o conjunto de todas as coisas criadas por Ele. Entretanto, Ele, a majestosa força divina, está em toda parte por meios que desconheces, por se tratarem de fluidos sutis operando em uma faixa que somente as grandes almas poderão constatar, pelos poderes inerentes às suas perfeições.

A primeira idéia de se comparar a natureza como sendo diretamente Deus, é que ela manifesta em todas as suas nuances, perfeita harmonia em todos os sentidos da sua atuação, porém, cabe a nós pesquisar e entender, descobrir e divulgar, que toda essa simetria é participação das leis criadas por Ele, no vigor da sua mente incomparável. É pois, a sua imagem, como um canal de televisão que reflete no vídeo a perfeita estrutura do real, sendo que, no caso com a Divindade, a perfeição é a tônica do ambiente. As imagens do Senhor são vivas e demonstram os seus mais puros atributos, nunca falhando nos seus mais delicados cinetismos, no sustentar da vida. O visual do infinito não é Deus na sua unidade perfeita, como o quadro não é o pintor. Comparando a obra com o autor, a primeira constitui um pálido reflexo da sua personalidade, viva e distinta no lugar que ocupa.

Parece que estamos falando muito sobre o Grande Arquiteto do Universo, mas esse é o nosso interesse, porque falar de Deus e viver na sua vibração constante é a coisa mais sublime da vida. Admiramos muito o Deus lhe pague, o Deus lhe ajude, o vai com Deus e A paz do Senhor seja convosco, muito usados pelos homens. São mantras sagrados que nos cobrem de luz, quando pronunciados com amor e respeito. A Doutrina
que faz de Deus um ser material, o faz por falta de notícias do mais além, ou por medo de pesquisar a verdade e seguir as rotas do progresso, que faz caírem os véus na gradação das forças humanas e espirituais Nada devemos temer, desde que estejamos em planos de mutações para o nosso próprio bem.

O mundo espiritual que nos dirige, nos atende de acordo com as nossas necessidades, e não deixa de guiar e instruir quem verdadeiramente deseja aprender. Não devemos esquecer que Deus é um sol de vida, que alimenta e dirige todas as vidas saídas das suas mãos luminosas, perfeitas.

fonte: Filosofia Espirita – Volume I (Miramez)

A Unidade do Criador

A unidade de Deus

“Se fosse assim, Deus não existiria, porquanto seria efeito e não causa. Ele não pode ser ao mesmo tempo uma e outra coisa.

“Deus existe; disso não podeis duvidar e é o essencial. Crede-me, não vades além. Não vos percais num labirinto donde não lograríeis sair. Isso não vos tornaria melhores, antes um pouco mais orgulhosos, pois que acreditaríeis saber, quando na realidade nada saberíeis. Deixai, consequentemente, de lado todos esses sistemas; tendes bastantes coisas que vos tocam mais de perto, a começar por vós mesmos. Estudai as vossas próprias imperfeições, a fim de vos libertardes delas, o que será mais útil do que pretenderdes penetrar no que é impenetrável.”

A Deus é uma unidade dinâmica, no Seu caráter criativo e fecundo, mas único na Sua majestosa intimidade de valores incomparáveis.

Ele não é produto das coisas e inteligências, disseminadas por toda a criação, pois causa e efeito são duas coisas distintas uma da outra. Basta um pouco de raciocínio para podermos harmonizar estas ideias, referentes ao Senhor de todas as coisas.

Em todos os momentos que voltamos a pensar em Deus, os nossos sentidos passam a vê-Lo na Sua unidade total, único na Sua posição de benfeitor universal. Dividi-Lo é contrariar a nossa consciência e sentir insegurança sobre a verdadeira paternidade. Registramos nas nossas deduções mais apuradas, no mundo espiritual, a unidade do Criador, como ouvimos os grandes missionários da luz, que descem até nós com as mesmas ideias, os quais nos mostram a realidade pelos fatos da própria natureza, engenhoso processo que reflete a presença da Grande Luz em todas as intimidades criadas.

Não nos preocupemos quando os homens pretendem adorar outros deuses, ou muitos deuses, como no passado. A verdade não se inquieta; ela se impõe porque é a verdade. No perpassar dos tempos, somente ela ficará de pé, diante de todas as deduções humanas. O que temos a dizer, com toda a sinceridade do coração, é que Deus é uno, é um ser individual, ligado por agentes sutis a toda a criação, e mais amante na intimidade de todas as coisas. Quando o Espírito encontra a si mesmo, passa a sentir Deus com mais intensidade, por ser essa a senda, a porta de partida para novos conhecimentos sobre a Divindade.

Começa, meu irmão, a estudar as tuas próprias reações, a analisar teus próprios feitos, a corrigir os teus próprios deslizes, no silêncio que é próprio ao iniciante da verdade, que conhecerás outras dimensões do saber. Estas sempre vibram ao nosso redor sem que as suas notícias nos atinjam por faltar o bater às portas da simbologia evangélica. Quando os nossos pensamentos se educarem na razão direta das qualidades superiores e a boca se esquecer de ferir, os olhos de perscrutar os erros alheios e as mãos se tomarem somente instrumentos de ajudar, estabelecer-se-á a harmonia em nossos corações. Se Deus é Unidade, é de nosso dever criar a unidade do bem, do amor e da caridade em nós, para que possamos refletir a Divindade em todos os nossos passos.

O homem inteligente procura não contrariar as leis naturais e, quando ele desencarna com essas mesmas intenções, sentirá na profundidade o porquê desta obediência. Ninguém é livre na totalidade da expressão. Somos todos servos do Senhor e essa deve ser a nossa imensa alegria, porque Ele sabe o que mais nos convém nas linhas do nosso despertar.

O panteísmo foi uma verdade “camuflada”, por encontrar uma humanidade sem condições de senti-la face a face. A verdade se toma, pois, relativa em todas as suas nuances de claridades espirituais. Agora estamos comungando com ideias mais puras sobre a Divindade e a maturidade nos aproxima mais da Luz que nos alimenta e nos sustenta a vida. Por isso cremos na unidade de Deus, na sua justiça cheia de misericórdia e de Amor. Quanto mais conhecemos o Senhor, mais notamos as nossas deficiências em conhecê-Lo, dada a Sua grandeza de poderes e os Seus atributos indescritíveis.

Crê, meu filho, em Deus, sê obediente ao Comando Maior, que tudo virá ao teu encontro pelas linhas do teu merecimento e de acordo com a tua capacidade de suportar. Não existe injustiça em quaisquer dos acontecimentos da vida, esta é a verdade.

fonte: Filosofia Espirita – Volume I (Miramez)

Qualidades de Deus

Quando dizemos que Deus é eterno, infinito, imutável, imaterial, único, onipotente, soberanamente justo e bom, temos ideia completa de Seus atributos?

Quando dizemos que Deus é eterno, infinito, imutável, imaterial, único, onipotente, soberanamente justo e bom, temos ideia completa de Seus atributos?

“Do vosso ponto de vista, sim, porque credes abranger tudo. Sabei, porém, que há coisas que estão acima da inteligência do homem mais inteligente, as quais a vossa linguagem, restrita às vossas ideias e sensações, não tem meios de exprimir. A razão, com efeito, vos diz que Deus deve possuir em grau supremo essas perfeições, porquanto, se uma Lhe faltasse, ou não fosse infinita, já Ele não seria superior a tudo, não seria, por conseguinte, Deus. Para estar acima de todas as coisas, Deus tem que se achar isento de qualquer vicissitude e de qualquer das imperfeições que a imaginação possa conceber.”

As qualidades de Deus são marcadas pelas nossas comparações pálidas, por não haverem outras em que possamos nos apoiar. Sujeitamos o Senhor às nossas fracas deduções em confronto com os nossos dons, colocando o nosso Pai Celestial dotado das nossas faculdades altamente aprimoradas. Que Ele nos perdoe as comparações.

Quando falamos que Deus é a Suprema Inteligência, é porque não encontramos recursos na linguagem para destacá-Lo de outra forma. Inteligência e razão ainda são posses do Espírito comum; o Criador está acima de todas as colocações humanas, e mesmo espirituais, do nosso plano. Quando falamos que Deus é Amor, certamente estamos diminuindo o Grande Foco de Luz que nos sustenta todos. O amor é um dos Seus atributos; Ele é muito mais que o amor. Ele é, pois, o Incomparável.

A ansiedade dos homens em conhecer Deus, Seus atributos, Sua intimidade, é impulso dos primeiros passos a criatura na escala evolutiva, e isso vai se arrefecendo de acordo com a sequência do despertar espiritual; não que os Espíritos percam a vontade de conhecê-lo, pelo contrário: o que perdem é o interesse de passar dos limites das suas forças. Não desejando contrariar as leis, cumprem os seus deveres e esperam a sábia vontade d’Aquele que tudo conhece pela onisciência dos Seus valores.

A magnitude de Deus ofusca todas as luzes e a sua bondade inspira todas as bondades do universo; o seu amor alimenta todo o amor da criação e o seu trabalho é o exemplo que deveremos operar constantemente. É muito bom falar de Deus, pensar em Deus e, se for o caso, escrever sobre Deus, porque é neste ambiente que passamos a conhecê-Lo melhor e respeitá-Lo condignamente. Enquanto assim agimos, estamos condicionando idéias elevadas acerca da Sua inconfundível personalidade. Este exercício é de alto valor para a nossa integração com a Divindade, pois se processa uma operação de seleção de valores nas nossas intimidades, como no íntimo de quem, porventura, nos ouvir ou ler. É tempo que o próprio tempo aperfeiçoará nas bênçãos do Comandante Maior.

Unia coisa falamos com muita alegria: que as sementes dos atributos do Criador se encontram plantadas nas nossas consciências, na profundidade do nosso ser e, se assim podemos dizer, a força do progresso se encarregará de despertá-las para a luz e fazê-las crescerem para a fonte de onde vieram.

Ninguém foge desses caminhos delineados pela Grande Vida. A área da nossa liberdade é muito pequena para sabermos o de que verdadeiramente precisamos; tudo obedece à vontade d’Aquele que nos criou, tudo vem d’Ele e vai para o Seu seio fecundo e celestial.

Quem deseja analisar a capacidade de Deus, que observe a Sua criação, a harmonia e a mecânica do Universo. Tudo é luz na Sua feição divina, mesmo o que pensamos ser treva, por nos faltarem dons desenvolvidos na busca da intimidade das coisas.

Oh! Homens que caminhais conosco, se quereis viver felizes, deixai despertar as luzes que existem em vossos corações, na conjuntura das vossas forças, agradecendo à Divindade e tomando as mãos do Cristo, que Ele vos libertará!

Sejamos fortes na educação de nós mesmos todos os dias, porque é na persistência do trabalho e no esforço do dever, que beijamos as flores da sabedoria como se fossem a face do Criador, nos tornando digno de um novo amanhecer.

fonte: Filosofia Espirita – Volume I (Miramez)

Pensamentos Puros

Embora não possamos compreender a natureza íntima de Deus, podemos formar ideia de algumas de Suas perfeições?

Embora não possamos compreender a natureza íntima de Deus, podemos formar ideia de algumas de Suas perfeições?

“De algumas, sim. O homem as compreende melhor à proporção que se eleva acima da matéria. Entrevê-as pelo pensamento.”

A elevação moral dotar-nos-á de pensamentos mais ou menos puros, capazes de perceber determinados mistérios, antes escondidos pela incapacidade humana. Nós, encarnados e desencarnados, estamos em uma grande escola de Deus, que converge os nossos sentimentos a depurações necessárias e urgentes, no sentido de enriquecer todas as nossas qualidades espirituais.

Quem está nos dando à honra de ler os nossos escritos e acompanha os nossos trabalhos no seio da coletividade, deve saber das nossas ideias, no que se refere ao esforço próprio que mais incentivamos, que é aquele intercalado com os dos nossos irmãos em caminho conosco. Ninguém pode realizar nada sozinho; é do nosso dever trabalhar em conjunto, para que a fraternidade seja um facho da luz de Deus.

Espírito algum está afastado da Divindade. Quando falamos que não podemos conhecer a natureza íntima de Deus, não quer dizer que estamos longe do Senhor, pelo contrário, Ele está em nós, vibrando com todas as Suas perfeições, e fora de nós, nos iluminando com todas as Suas qualidades superiores. A nossa integração com Ele depende, da nossa disposição espiritual, pela força do tempo. É necessário que entremos na senda do amor puro, para que a pureza nos alimente no raiar de todos os dias e no percurso de todas as nossas existências.

A evolução espiritual, ou despertar, simboliza uma escada como a de Jacó, referida no texto bíblico. De vez em quando alcançamos um degrau, respeitando mais além a força indutiva, que nos leva ao conhecimento mais elevado. O homem comum desconhece a engrenagem filosófica do aprimoramento, pois faltam-lhe sentidos para perceber esse mistério que somente a elevação espiritual pode conceber. O espiritualista, com ideias universais da sabedoria divina, começa a adentrar no grande arcano e sentir um novo mundo de saber, pelas belezas incomparáveis das sensibilidades do coração, e o santo, na verdadeira acepção da palavra, passa a perceber por meios que faltam aos demais, certas perfeições do Criador, sem por vezes ter condições de transmiti-las aos que seguem os seus passos. No entanto, fala mais alto do que o verbo, a pureza da sua conduta, a vivência daquilo que prega aos seus semelhantes sobre a vida e a obra de Nosso Senhor Jesus Cristo.

São poucos na Terra, mas existem alguns cujos pensamentos já afïnizam com o reino das ideias de grande pureza espiritual; e esses pensamentos lhes dão aspecto de missionários de Deus em exercício no mundo das formas. Estão no corpo, porém, vivem no reino divino pelo ambiente de luz da consciência. Este é o futuro de toda a humanidade, da qual somos parte integrante.

Podemos sentir com mais profundidade alguns atributos de Deus, e a porta desse aprendizado é o “pergaminho de luz” que herdamos do Cristo. Jesus desceu dos altiplanos da Vida Maior para nos ajudar, abrindo a academia do Amor no plano em que habitamos, facilitando, assim, meios mais rápidos para o despertar dos nossos dons espirituais. Ele nos convida por meios variados e nos chama por modos diferentes. É necessário conhecermos a Sua voz e seguirmos as Suas pegadas.

A educação dos pensamentos na sua formação é a base na aquisição de luz, para que o nosso celeiro de conhecimentos nos integre e nos livre de todas as temperaturas que poderão advir nos caminhos tortuosos das trevas. Quem começou a viver as virtudes disseminadas pelo Evangelho está se ligando por fios invisíveis a algumas das perfeições do Senhor, e delas nunca mais se apartará, ouvindo sempre a voz do Comando Divino a dizer: Levanta-te e anda, que estarei contigo eternamente!

fonte: Filosofia Espirita – Volume I (Miramez)

O mistério da Divindade

divindade

Será dado um dia ao homem compreender o mistério da Divindade?

“Quando não mais tiver o espírito obscurecido pela matéria. Quando, pela sua perfeição, se houver aproximado de Deus, ele o verá e compreenderá.”

O mistério da Divindade está distante da compreensão humana, por faltarem ao homem sentidos para tal. As sequências misteriosas dos Espíritos a Deus são infinitas e os caminhos são igualmente sem fim. O crescimento da alma vai lhe dotando de poderes, de sorte a conhecer mais profundamente o mundo espiritual e as leis que governam toda a criação divina; todavia, essas leis são agentes movidos pela, Sua poderosa mente, que abrange toda a extensão Universal.

No estágio em que nos encontramos, encarnados e desencarnados, não devemos pensar em conhecer a intimidade de Deus. É, pois, querer saltar para o inconcebível, desrespeitando a harmonia da gradatividade, da sabedoria maior. Alguns homens inexperientes afirmam que não existem mistérios para os espiritualistas. Como se enganam esses nossos irmãos! Quanto mais nos conhecemos, mais sabemos que nada sabemos, em se falando das dimensões que se escondem nas dobras da escala evolutiva e nos segredos da Divindade. Os que dizem conhecer tudo, nada sabem; são pseudo-sábios diante da sabedoria maior e lhes falta humildade e as primeiras chaves, o conhecimento das regras de viver em harmonia consigo mesmo. Certamente que é o orgulho se movendo em seus sentimentos e a vaidade egoísta iludindo seus corações.

Quando Allan Kardec, em O Evangelho Segundo o Espiritismo, afirma que “fora da caridade não há salvação”, está nos mostrando que o ambiente da benevolência prepara e nos ajuda a despertar os talentos internos, de maneira a observarmos outras nuances das leis que até então não tenhamos percebido. A caridade, em todas as suas feições, é força divina no divino aprendizado de todos os Espíritos. E luz nas mãos de quem deseja ser iluminado, é chave que abre muitas portas do saber, porque a caridade é, por excelência, Amor. Quem quiser conhecer mais um pouco dos mistérios de Deus, que faça e viva a caridade, que ela dotará esse trabalho de poderes para essa visão interna, de sentidos apropriados para compreender os efeitos das leis divinas.

Outra coisa valiosa que recomendamos para todas as criaturas é o exercício da oração. Não devemos esquecer a prece em todas as circunstâncias. Ela desata e desenvolve os fios dos pensamentos, impulsionando-os em todas as direções, de acordo com os sentimentos que os geraram, tem a capacidade de recolher os frutos na mesma dimensão em que foram emitidos. Nós somos mundos com imensuráveis qualidades a se desenvolverem, dependendo do que quisermos fazer delas, do nosso esforço e fé nas nossas realizações para o bem próprio e da coletividade.

Se estás em busca de mistérios que muito te atraem, na verdade te dizemos que existem muitos mistérios no mundo íntimo de cada criatura e eis aí a grande oportunidade de estudarmos a nós mesmos e nos deliciarmos com os nossos tesouros íntimos. O amor é qual um sol que se divide em variadas virtudes. Vamos observar esse fenômeno maior dentro de nós, com honestidade nas boas obras, que os véus vão caindo em sequências que suportamos e a serenidade dominar-nos-á a consciência. Esses são os mistérios menores, representando uma universidade onde deveremos permanecer por um tempo que não podemos determinar. Despertemos para esse trabalho louvável e dignificante, de nos conhecermos a nós mesmos, porque conhecer a Divindade como pretendemos somente será possível depois que nos tornarmos Espíritos Divinos, e, mesmo assim, vamos encontrar em nossos caminhos de luz, mistérios e mais mistérios a desvendar, o que haveremos de fazer com amor e alegria espiritual.

Que Deus nos abençoe nesta jornada infinita do acordar para a Luz!

fonte: Filosofia Espirita – Volume I (Miramez)

A natureza de Deus

natureza

Pode o homem compreender a natureza íntima de Deus?

“Não; falta-lhe para isso o sentido.”

A natureza íntima de Deus escapa aos sentidos humanos, em toda a sua trajetória evolutiva. Somente Deus se conhece. É o que não acontece conosco; nós não nos conhecemos. Os mistérios a desvendar são infinitos, em relação à Divindade. Na profundidade, ainda desconhecemos a própria matéria que nos serve de veículo e, portanto, estamos longe de conhecer o seu criador. Parar de estudar a Sua personalidade majestosa é desconhecer o valor do progresso, que sempre nos convida para avançar; porém, dar saltos incompatíveis com as nossas forças é quebrar a tônica da nossa capacidade.

A ansiedade de conhecimento pode nos levar aos extremos, no entanto, o bom senso nos chama a atenção para a harmonia que deverá nos guiar em todas as sequências evolutivas. Basta, por enquanto, saber que Ele existe e aprender algo mais sobre Seus atributos, que o tempo, impulsionado pela nossa vontade, dar-nos-á ambiente favorável de sentirmos a Divindade em nós, o que já representa um grande avanço na esteira dos evos.

Se os homens ainda não se libertaram de muitos hábitos extravagantes e vícios perniciosos, como querer conhecer a natureza íntima de Deus? Cada vício é uma porta fechada em direção às belezas imortais da alma. Cada hábito inconveniente é uma tranca ajustada à porta, impedindo a inspiração superior de chegar ao coração humano.

Estamos muito apegados às coisas de criança, pela força do nosso tamanho evolutivo. A mente cresce no ritmo que as leis determinarem, sem com isso perturbar o andamento da ponderação. Não devemos entregar os nossos deveres a Deus. Ele está sempre presente pelos meios que acha conveniente; entretanto, a nossa parte temos de fazê-la, e, ainda mais, aprender a fazê-la bem. Enquanto permanecermos na ignorância, sofreremos as suas consequências. A justiça vibra em toda a criação como agente de Deus, acompanhada pela misericórdia do Seu amoroso coração, que bate dentro do infinito, no ritmo da Luz.

Quando nos faltam sentidos para conhecer alguma coisa a mais dos nossos conhecimentos, o que fazer? Toma-se necessário estudar na área em que nos compete agir, procurar aprimorar os conhecimentos já adquiridos, fortificar em nossas vidas todas as qualidades nobres que começaram a se despertar em nossos corações. O trabalho é imenso, a lavoura é grande, sem que saiamos do nosso próprio convívio íntimo. Esquecer esse labor, é perder os princípios da verdadeira sabedoria. Vamos ainda gastar milhões de anos para conhecermos o começo das lições eternas. Como avançar agora para áreas cujos registros os nossos sentidos não suportam?

Se a luz do Sol físico, para chegar à Terra, passa por muitas filtragens e se divide em raios incontáveis para nos beneficiar todos, o que dizer da luz do Sol espiritual? A razão nos diz que ela tem infinitas modificações para ajudar, servindo de estímulo a todas as vidas. Toda verdade é relativa ao ambiente a que deve chegar. Quem desconhece as leis naturais que vigoram no mínimo movimento dos átomos nos mundos que bailam nos espaços, não poderá conhecer essas mesmas leis que regulam a harmonia do seu próprio corpo, ou dos corpos que servem ao Espírito, para se expressar onde se encontra. Procuremos, pela meditação, entender quem nos governa e sejamos obedientes a essa força universal, que tudo se tornará sereno em nosso íntimo e ao nosso derredor.

Se queremos principiar o estudo da natureza íntima de Deus, é necessário termos a pureza de coração, que indica as primeiras letras dessa sabedoria do conhecimento de si mesmo. Os caminhos são infinitos, como infinitos são os nossos destinos ante o Todo Poderoso, que nos fez por Amor.

fonte: Filosofia Espirita – Volume I (Miramez)